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16
jan
2019
(TECNOLOGIA)
Especialistas da “nova” construção com madeira, defende a tecnologia

Arquiteto Andrew Waugh, um dos especialistas da “nova” construção com madeira, defende a tecnologia em passagem pelo Brasil

Para ele, a indústria da construção precisaria considerar o concreto e o aço como materiais alternativos, e a madeira deveria ser a primeira escolha neste setor

O arquiteto inglês Andrew Waugh, especializado na construção com madeira e responsável por projetos de edifícios com este tipo de material, defendeu o uso desta tecnologia durante uma passagem pelo Brasil. Ele veio ao País a convite da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e da Amata, empresa florestal brasileira que está diretamente envolvida na construção do primeiro edifício feito com madeira engenheirada no Brasil, o Edifício Amata.

Para Waugh, os prédios construídos com madeira são mais leves, possuem um sistema de construção mais limpo, emitem menos carbono e propiciam conforto térmico, pois esquentam menos no período de calor.

O arquiteto acredita que concreto e aço, matérias-primas comumente utilizadas nas estruturas de edifícios, devem se tornar exceção, sendo encarados como materiais alternativos, usados apenas quando necessários. Ele defende a madeira como protagonista da construção civil.

“Prédios de concreto são como fumar cigarro, são como usar um carro com motor a combustão. Chega. Temos que parar com isso”. Ele salienta que o cultivo de uma tonelada de madeira captura da atmosfera uma tonelada de carbono, enquanto a fabricação de concreto libera na atmosfera uma tonelada de carbono.

Estas afirmações estão em uma entrevista de Waugh para a revista Época Negócios, concedida nesta visita ao Brasil e publicada neste mês. O arquiteto inglês, sócio do escritório Waugh Thistleton, afirma que a principal vantagem desta tecnologia é o método de produção. Materiais como a Madeira Laminada Cruzada (CLT), que está sendo amplamente empregada nos novos edifícios de madeira, são fabricados separadamente, para serem depois montadas no canteiro de obras.

Edifício Curtain Place, projetado pelo escritório de Andrew Waugh. Trata-se de um prédio de seis andares, no distrito de Shoreditch, em Londres. A CLT compõe a sua estrutura. (Foto: Reprodução /
Waugh Thistleton)

O sistema está permitindo a construção de prédios de madeira cada vez mais altos. A CLT já aparece em parte de projetos brasileiros na construção com madeira e será um dos “pilares” do Edifício Amata, empreendimento de 13 andares que deverá ser construído na Vila Madalena, em São Paulo. Isso deve acontecer em 2020.

Waugh lembra que alguns países da Europa, além do Canadá, Cingapura, Coreia e Japão, estão incentivando a construção de edifícios de madeira. Ele cita como exemplo o Japão, que vai arcar com 50% do investimento em uma fábrica de CLT. “Eles mudaram as regras para autorizar a construção de prédios de madeira, antes mesmo de o mercado demandar. Adotar taxas de carbono também ajudaria muito. Daqui a 20, 30 anos, o maior desafio econômico do mundo será o desafio climático. Até agora, mal olhamos para isso”, disse à Época Negócios.

Para Waugh, o Brasil tem um enorme potencial neste setor, podendo chegar à liderança no mercado, por possuir dois fatores necessários para esta expansão, na sua opinião, como a base florestal e um bom sistema de educação superior. “O país tem orgulho do manejo sustentável, além de uma experiência no assunto que falta a muitas outras culturas. Vocês podem liderar o mundo nesse setor”, declarou à Época Negócios.

O arquiteto aproveitou para esclarecer que a CLT é mais resistente ao fogo do que um edifício de concreto, pois a proteção usada nas placas de madeira repele as chamas, além da própria celulose sem um bom isolante térmico. Ele salienta que fez uma experiência para corroborar isto: foi provocado um incêndio em um prédio de madeira, cuja estrutura se manteve íntegra por 72 horas. De acordo com Waugh, um edifício de concreto colapsa antes deste período.

Construção do Curtain Place, projeto de Waugh. O edifício foi concluído em 2016 (Foto: Reprodução / Waugh Thistleton)

O especialista também foi questionado sobre outros tipos de problemas que poderiam afetar os edifícios de madeira, como a interferências de pragas, como cupins. Waugh disse que não possui esta experiência, pois eles não existem na Inglaterra, onde atua. Mas ponderou que cupins estão na Austrália, por exemplo, e mesmo assim estão sendo construídos prédios de madeira no país.

Então, para o arquiteto, ou as pragas não são um problema ou os profissionais australianos conseguiram driblá-lo. Outro sinal da boa perspectiva neste setor por lá é a inauguração recente de uma fábrica de produtos de madeira voltados para a construção, o que significa que haverá ainda mais projetos neste caminho na Austrália.

Fonte: Por Portal Madeira e Construção com informações da Época Negócios

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