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Notícias

11
jul
2018
(INTERNACIONAL)
Florestas virgens desaparecem rapidamente na Nicarágua e no mundo

Apesar de alguns esforços para combater o desmatamento, quase 10% das florestas primárias do mundo foram parceladas, degradadas ou simplesmente destruídas desde 2000.

Em média, são mais de 200 km2 de floresta perdidos por dia durante 17 anos.

Entre 2004 e 2016, as florestas virgens perderam uma área de 90.000 km2 a cada ano no mundo, uma área equivalente à Áustria, e a taxa de destruição se acelerou desde o início do século, de acordo com os resultados apresentados.

"A degradação das florestas intactas é uma tragédia global, porque nós sistematicamente destruir um elemento-chave da estabilidade climática", disse Frances Seymour, um especialista do Instituto de Recursos Mundiais, que participou da pesquisa.

"As florestas são a única infraestrutura segura, natural, comprovada e economicamente acessível para capturar e armazenar carbono", acrescentou.

As florestas virgens também têm um papel crucial para a biodiversidade ou a qualidade do ar e da água. Cerca de 500 milhões de pessoas dependem delas para sobreviver.

A "paisagem florestal intacta", que inclui zonas húmidas e prados, é definida pela ausência de atividade humana importante numa área de pelo menos 500 km2. O que significa que não deve haver estradas, nem agricultura intensiva, nem minas, nem ferrovias.

Em janeiro de 2017, cerca de 11,6 milhões de km2 de florestas responderam a esse critério. Mas "muitos países podem perder todas as suas florestas selvagens nos próximos 15 a 20 anos", adverte Peter Potapov, da Universidade de Maryland, que dirige as investigações.

No ritmo atual, as florestas primárias ter desaparecido em 2030 no Paraguai, Laos e Guiné Equatorial, e 2040 na República Centro Africano, Nicarágua, Birmânia, Camboja e Angola.

'Inquietante'

"A qualquer momento, pode não haver nenhuma área no mundo que possa ser descrita como intacta", continuou Tom Evans, da Wildlife Conservation Society. "É perturbador."

Os principais culpados deste desmatamento variam: agricultura e exploração madeireira em países tropicais, incêndios no Canadá e nos Estados Unidos, incêndios, minas e perfuração na Rússia e na Austrália.

Em comparação com o período 2000-2013, a Rússia perdeu em média 90% a mais por ano entre 2014 e 2016. Para a Indonésia, é de 62% e para o Brasil, 16%.

Estes números são o resultado da análise de imagens de satélite em comparação com estudos similares realizados em 2008 e 2013.

Esses dados de alta resolução "nos permitem detectar as alterações causadas pelo homem e a fragmentação das florestas virgens", disse Peter Potapov à AFP, cujos resultados serão submetidos ao processo usual de avaliação por seus pares antes da publicação.

O cientista também criticou a eficácia do sistema de certificação do desenvolvimento sustentável da indústria florestal FSC (Forest Stewardship Council).

Criada em 1994 com o apoio de ONGs como a WWF, essa certificação promove um "manejo florestal socialmente benéfico", a preservação dos recursos florestais e visa permitir que "empresas e consumidores possam fazer escolhas informadas".

Mas cerca de metade das paisagens florestais intactas nas concessões certificadas pelo FSC foram perdidas entre 2000 e 2016 no Gabão e na República do Congo, de acordo com novos números. E em Camarões, 90% das florestas monitoradas pelo FSC desapareceram.

O FSC "não é uma ferramenta para sua proteção", insistiu Potapov.

Fonte: Infoslyva/Remade

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