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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Importar é alternativa para exportador
Diante da contínua queda do dólar e da aparente falta de vontade do governo de reverter a apreciação do real, algumas empresas, em especial exportadoras e fabricantes de bens de capital, começam a rever suas metas para 2005 e a buscar alternativas para não comprometer o médio e longo prazos, já que decisões adiadas agora terão seus reflexos nos próximos anos.
Há casos em que empresas estão optando por aumentar o índice de insumos importados nos produtos destinados ao mercado externo, como forma de garantir a competitividade. "Nós estamos comprando de fornecedores externos, estamos importando para reexportar", diz Sérgio Parada, vice-presidente da Voith Siemens Hydro Power Generation Brasil, divisão da alemã Voith AG para indústria de hidrogeração de energia.
"Se não fizermos isso, estaremos fora do mercado internacional; os clientes lá fora não entendem como meus custos subiram tanto assim". Segundo o executivo, a empresa vai perder este ano US$ 50 milhões em pedidos de fornecimento para filiais do mesmo grupo, na América Latina. "Eu tinha várias encomendas, para o próprio grupo, que estão sendo suspensas. Eles estão procurando outros fornecedores, sobretudo da Rússia e do Leste Europeu".
"O dólar é um fator fundamental para competitividade, seja para exportação, seja para a importação de similares", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello. "Para o produto brasileiro ter competitividade, o dólar deveria estar em R$ 2,75, o mesmo patamar de 1994, quando da implantação do Plano Real, descontada a inflação norte-americana e brasileira no período".
Para o diretor-presidente da Voith Paper para a América do Sul, Nestor de Castro Neto, empresa do mesmo grupo alemão, "não há notícia de nenhum grande investimento a ser definido antes de maio ou junho". A empresa fornece equipamentos para a indústria papeleira. "O que mais nos preocupa é o dólar; é natural que ele vai continuar caindo enquanto a taxa de juros brasileira for a maior do mundo". A empresa exporta entre 40% e 60% da produção.
Segundo o executivo, as empresas brasileiras começam a perder competitividade no comércio exterior. "Nossa expectativa para 2005, antes de o dólar começar a cair, era de repetirmos neste ano o mesmo desempenho do ano passado. Agora, do jeito que está, já estamos trabalhando com uma queda nos novos pedidos entre 10% e 15%".
Em 2004, os pedidos cresceram 12% sobre o ano anterior. De acordo com Castro, o faturamento deve ficar próximo ao de 2004, em torno de US$ 160 milhões, já que se referem a pedidos fechados em anos anteriores.
A Voith Paper emprega atualmente 1,1 mil trabalhadores e, segundo o diretor-presidente da empresa, também está revendo seus planos para contratação de novos funcionários. "Até novembro nossa intenção era aumentar nosso quadro em 12%. Agora a tendência é manter o mesmo pessoal, com viés de baixa", diz o executivo.
O executivo lembra que, quando da desvalorização do dólar no início do Plano Real, em 1994, muitas empresas apostaram que a moeda brasileira não se manteria forte por muito tempo e tiveram sérios problemas. "O câmbio só saiu de R$ 1,22 em 1999, não dá para fazer apostas; no mundo empresarial trabalhamos com a realidade. Diante do quadro atual, temos que ficar na defensiva".
O presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), Osmar Zogbi, reforça a avaliação do executivo da Voith. "As exportações de celulose têm crescido, independente da cotação do dólar, em função de investimentos anteriores. Já em papel, que teve a última aquisição de máquina realizada em 1993, as exportações estão estáveis. Apesar de estar trabalhando em plena capacidade, o setor de papel não investe em novas máquinas".
Zogbi conta que o plano de investimentos até 2012 do setor de papel e celulose é de US$ 14 bilhões, concentrados em celulose. A Bracelpa estima uma expansão das exportações do setor de papel e celulose de US$ 3 bilhões no ano passado para US$ 3,4 bilhões em 2005, alavancado pelo crescimento das exportações de celulose. "A desvalorização do dólar, que passou de R$ 3,00 para R$ 2,70 representa uma redução de 10% nas exportações. Esse nível de câmbio não é bom para o exportador".
Fonte: Celulose Online - 24/02/2005
Há casos em que empresas estão optando por aumentar o índice de insumos importados nos produtos destinados ao mercado externo, como forma de garantir a competitividade. "Nós estamos comprando de fornecedores externos, estamos importando para reexportar", diz Sérgio Parada, vice-presidente da Voith Siemens Hydro Power Generation Brasil, divisão da alemã Voith AG para indústria de hidrogeração de energia.
"Se não fizermos isso, estaremos fora do mercado internacional; os clientes lá fora não entendem como meus custos subiram tanto assim". Segundo o executivo, a empresa vai perder este ano US$ 50 milhões em pedidos de fornecimento para filiais do mesmo grupo, na América Latina. "Eu tinha várias encomendas, para o próprio grupo, que estão sendo suspensas. Eles estão procurando outros fornecedores, sobretudo da Rússia e do Leste Europeu".
"O dólar é um fator fundamental para competitividade, seja para exportação, seja para a importação de similares", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello. "Para o produto brasileiro ter competitividade, o dólar deveria estar em R$ 2,75, o mesmo patamar de 1994, quando da implantação do Plano Real, descontada a inflação norte-americana e brasileira no período".
Para o diretor-presidente da Voith Paper para a América do Sul, Nestor de Castro Neto, empresa do mesmo grupo alemão, "não há notícia de nenhum grande investimento a ser definido antes de maio ou junho". A empresa fornece equipamentos para a indústria papeleira. "O que mais nos preocupa é o dólar; é natural que ele vai continuar caindo enquanto a taxa de juros brasileira for a maior do mundo". A empresa exporta entre 40% e 60% da produção.
Segundo o executivo, as empresas brasileiras começam a perder competitividade no comércio exterior. "Nossa expectativa para 2005, antes de o dólar começar a cair, era de repetirmos neste ano o mesmo desempenho do ano passado. Agora, do jeito que está, já estamos trabalhando com uma queda nos novos pedidos entre 10% e 15%".
Em 2004, os pedidos cresceram 12% sobre o ano anterior. De acordo com Castro, o faturamento deve ficar próximo ao de 2004, em torno de US$ 160 milhões, já que se referem a pedidos fechados em anos anteriores.
A Voith Paper emprega atualmente 1,1 mil trabalhadores e, segundo o diretor-presidente da empresa, também está revendo seus planos para contratação de novos funcionários. "Até novembro nossa intenção era aumentar nosso quadro em 12%. Agora a tendência é manter o mesmo pessoal, com viés de baixa", diz o executivo.
O executivo lembra que, quando da desvalorização do dólar no início do Plano Real, em 1994, muitas empresas apostaram que a moeda brasileira não se manteria forte por muito tempo e tiveram sérios problemas. "O câmbio só saiu de R$ 1,22 em 1999, não dá para fazer apostas; no mundo empresarial trabalhamos com a realidade. Diante do quadro atual, temos que ficar na defensiva".
O presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), Osmar Zogbi, reforça a avaliação do executivo da Voith. "As exportações de celulose têm crescido, independente da cotação do dólar, em função de investimentos anteriores. Já em papel, que teve a última aquisição de máquina realizada em 1993, as exportações estão estáveis. Apesar de estar trabalhando em plena capacidade, o setor de papel não investe em novas máquinas".
Zogbi conta que o plano de investimentos até 2012 do setor de papel e celulose é de US$ 14 bilhões, concentrados em celulose. A Bracelpa estima uma expansão das exportações do setor de papel e celulose de US$ 3 bilhões no ano passado para US$ 3,4 bilhões em 2005, alavancado pelo crescimento das exportações de celulose. "A desvalorização do dólar, que passou de R$ 3,00 para R$ 2,70 representa uma redução de 10% nas exportações. Esse nível de câmbio não é bom para o exportador".
Fonte: Celulose Online - 24/02/2005
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