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Notícias

13
fev
2018
(TECNOLOGIA)
Software que vai monitorar o risco de queda de árvores

No verão são frequentes as notícias sobre quedas de árvores nos centros urbanos, causadas pelas chuvas intensas, fortes ventos e, muitas vezes, pela falta do manejo adequado da vegetação de porte arbóreo – e agora, como monitorar risco de queda de árvores?

Além de risco de graves acidentes envolvendo pessoas e de danos materiais, a queda de árvores traz transtornos à população por conta da interrupção de vias públicas, do fornecimento de energia elétrica ou de serviços de telecomunicações.

Para minimizar os riscos e, ao mesmo tempo, conservar o patrimônio vegetal, a Propark Paisagismo e Ambiente, em Piracicaba (SP), está desenvolvendo um software que contribuirá para facilitar o manejo da arborização.

“Trata-se de uma ferramenta bastante útil para apoiar o poder público e a iniciativa privada na gestão da arborização urbana, auxiliando na tomada da decisão sobre o manejo mais adequado”, disse José Flávio  Leão, que fundou a empresa em 1971.

O projeto tem apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.

O projeto

A primeira fase da pesquisa foi concluída em 2016 e, em novembro no ano seguinte, iniciou-se a segunda etapa dos trabalhos, quando se concluirá o desenvolvimento da plataforma, já batizada com o nome comercial de Arbolink.

Com o mapeamento das árvores e o manejo necessário, os técnicos acreditam que será possível reduzir o número de quedas de árvores ou de seus ramos nas ruas, avenidas e logradouros públicos das cidades.

“Assim, será possível planejar as ações a serem executadas, como podas, adubações, cabeamento, tutoramento, dendrocirurgia, transplantes e até a supressão, caso seja necessário”, explicou Marcelo Leão, diretor da Propark e coordenador responsável pelo desenvolvimento do projeto.

As áreas urbanas oferecem obstáculo à sobrevivência das árvores, principalmente por causa das calçadas estreitas, da interferência de fiação aérea, das podas inadequadas e até em decorrência de vandalismo.

“É preciso investir nessas áreas, porque as árvores são essenciais para assegurar a qualidade ambiental das cidades, especialmente as de clima quente, já que trazem sombreamento, reduzem as ilhas de calor e valorizam o cenário local”, disse.

Em pesquisa realizada em mais de 200 municípios paulistas com o objetivo de subsidiar o projeto, foi possível constatar que o diagnóstico sobre o destino das árvores e a tomada de decisão pelos responsáveis pela administração do patrimônio vegetal urbano se caracterizam pelo “alto grau de subjetividade”, de acordo com Marcelo Leão.

“A grande maioria ainda usa a prancheta e o papel e baseia as ações de manejo em análise visual dos exemplares.”

Modelo de avaliação

Por isso, a Propark adotou como modelo um método de avaliação reconhecido internacionalmente, denominado Visual Tree Assessment (VTA), adaptado às condições ambientais no Brasil.

“Com o auxílio do software, é possível realizar o mapeamento arbóreo de uma determinada área e avaliar o estado das árvores, gerando um conjunto de informações disponibilizadas em tablets e smartphones, ligadas a um sistema de controle que possibilite uma gestão eficiente das informações obtidas em campo”, disse Marcelo Leão.

Os dados obtidos são comparados com os padrões definidos pela metodologia VTA e permitem fazer um diagnóstico realista do estado da árvore, verificando se apresenta risco de queda.

“No momento, estamos em fase de testes de funcionalidade. A nossa expectativa é fazer com que a plataforma identifique, inclusive, a espécie da árvore avaliada”, disse.

Tecnologia de futuro

Especializada em soluções ambientais, a Propark desenvolve, desde a sua fundação, projetos de recuperação de áreas degradadas e de macropaisagismo tanto para órgãos públicos como para o setor privado.

A empresa atua também no planejamento, instalação de unidades de conservação, entre outros produtos relacionados à engenharia agronômica aplicada, à valorização da paisagem e à conservação ambiental.

“Nos últimos anos, decidimos aliar a inovação à nossa experiência, incorporando novas tecnologias mais compatíveis com o momento em que vivemos.

O primeiro passo foi pesquisar e avaliar as mais modernas tecnologias de manejo arbóreo existentes no mundo, adaptando-as às condições brasileiras”, disse Marcelo Leão.

A plataforma Arbolink, na qual a empresa está investindo, é um “produto novo”, na definição de Marcelo Leão.

“Não sabemos ainda a dimensão que essa inovação poderá assumir no âmbito do conjunto de negócios da empresa. Também não está claramente definido como o uso da plataforma será precificado – provavelmente por licença de uso e taxa de manutenção”, disse.

Expectativa

“O plano de negócios também está em desenvolvimento, mas a iniciativa parece bem promissora.”

Segundo Marcelo Leão, os principais clientes da plataforma deverão ser as prefeituras municipais e as concessionárias de energia elétrica.

Mas a iniciativa privada, como, por exemplo, as administradoras de condomínios e as seguradoras, entre outras, também poderá se beneficiar com o produto.

“Nossa expectativa é de que, no início de 2019, a Arbolink já esteja disponível para o mercado”, disse.

Fonte: Celulose Online

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