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28
nov
2017
(SILVICULTURA)
Área devastada transforma-se em maior viveiro de mudas do NE

O cultivo de cana substituiu a vegetação nativa da região durante séculos.

27 de novembro de 2017 • Atualizado às 20 : 01

Foto: Jeep/Divulgação

 

Uma área devastada pela cana-de-açúcar em uma pequena cidade pernambucana tem ganhado vida com o plantio de mais de 60 mil mudas. A paisagem desértica está dando lugar ao que hoje já é o maior viveiro de mudas do Nordeste, graças a um programa de biodiversidade comandado pela fábrica brasileira da Jeep, marca de automóvel pertencente ao grupo FCA (Fiat Chrysler Automóveis).

Lançado em 2014, a ideia era apenas criar um projeto paisagístico com espécies nativas no terreno onde está localizada a fábrica em Goiana, no Pernambuco. Entretanto, o cultivo de cana, que teve início no Brasil Colônia, substituiu a vegetação original durante séculos e o primeiro desafio dos gestores ambientais foi identificar quais eram as plantas do bioma Mata Atlântica.

De acordo com a responsável pelo programa, Danúbia Lima, o mapeamento só foi realizado graças à parceria com as universidades federais de Pernambuco e Rural de Pernambuco, que fizeram uma ampla pesquisa histórica da fauna e flora em cinco municípios da região. “Além de estudos técnicos, entrevistas com moradores locais ajudaram a entender o que havia antes dos canaviais”, afirma Danúbia.

Foto: Jeep/Divulgação

Deste trabalho, foram catalogadas 618 espécies de plantas. Somente em Goiana, foram identificadas 189 espécies, incluindo o pau-de-jangada, o pau-ferro, o pau-brasil e o visgueiro, que estão em extinção. Já da fauna, foram inventariadas 446 espécies, tendo 35 espécies em extinção.

Após este longo processo, teve início então a construção de um viveiro que iniciou a operação antes mesmo da inauguração do Polo Automotivo Jeep. Com área de um hectare, em dois anos, foram plantadas mais de 60 mil mudas de 289 diferentes espécies: há arbóreas, florais, medicinais, entre outras. A meta é alcançar 310 espécies e, até 2024, plantar 208 mil mudas.

Foto: Jeep/Divulgação

Uma das maiores lutas para o plantio na região está em conviver com a evapotranspiração, que é a perda de água do solo por evaporação e a perda de água da planta por transpiração. Além de buscar manter a umidade, os técnicos ambientais aproveitam das águas pluviais para a irrigação. As plantinhas produzidas já abastecem os jardins e rotatórias da fábrica.

A ideia é que futuramente essas mudas possam formar corredores ecológicos, que poderão se conectar com fragmentos florestais e atrair a fauna local. Animais como Jaguatirica e Tamanduá, por exemplo, já foram observados no local.

Fotos: Jeep/Divulgação

Outra frente interessante da fábrica pernambucana é na área educacional. Mais de dois mil alunos do 5º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas de Goiana já passaram pelo viveiro aprendendo sobre a importância da conservação ambiental. E os professores também recebem uma cartilha com sugestões de projetos e atividades para serem desenvolvidos em sala de aula. Ou seja, pouco a pouco, o valor de se estimular a riqueza da diversidade da fauna e flora do estado pode se solidificar, após tantos anos de monocultura canavieira.

Foto: Jeep/Divulgação

Foto: Jeep/Divulgação

Foto: Jeep/Divulgação

Foto: Jeep/Divulgação

Foto: Jeep/Divulgação

Foto: Jeep/Divulgação

Foto: Jeep/Divulgação

 

A repórter viajou a Goiana a convite da Jeep.

Fonte: Por Marcia Sousa – Redação CicloVivo

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