Voltar
Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Trabalho escravo está dentro do arco do desmatamento na Amazônia
Pesquisa que será divulgada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que o foco do trabalho escravo no Brasil se localiza exatamente no "arco" do desmatamento da Amazônia – região da fronteira agrícola do país e com a presença direta do agronegócio.
Trechos do estudo foram apresentados no 5º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. O estudo, coordenado pelo cientista político e jornalista Leonardo Sakamoto e com a participação do Instituto de Apoio à Pesquisa da Universidade de São Paulo, cruzou os dados do trabalho escravo com imagens de satélite do desmatamento na Amazônia.
Entre janeiro de 2002 e novembro do ano passado, 118 municípios tiveram libertação de trabalhadores, na linha que sai de Rondônia, passa pelo Norte do Mato Grosso e Tocantins, Sul do Pará e Oeste do Maranhão, com 9.252 trabalhadores escravos encontrados. A pesquisa também informa que os conflitos com mortes de trabalhadores rurais coincidem com os flagrantes do trabalho escravo realizados pelos Grupos Móveis de Fiscalização do Ministério do Trabalho.
A cidade campeã em número de casos de trabalho escravo é São Félix do Xingu, no Sudeste do Pará: 19 ações que encontraram situações de escravidão. Ao mesmo tempo, foi o município com o maior índice de desmatamento até 2002 (9.951,4 quilômetros quadrados) e o líder no ranking dos assassinatos de trabalhadores rurais entre 2001 e julho de 2004 (11 mortes).
"O trabalho escravo não entra na operação das máquinas de ponta do agronegócio, mas está na retirada das raízes, na derrubada da mata e na preparação do solo. Ou seja, o trabalho escravo está ligado ao latifúndio", diz Leonardo Sakamoto. A relação entre trabalho escravo e desmatamento já era cogitada, embora não houvesse pesquisas científicas que comprovassem a tese.
Das ações de libertação de trabalhadores escravos, cerca de 80% estão vinculadas à pecuária, justamente o setor que mais desmata as regiões da fronteira agrícola. "O estudo Banco Mundial reconhece que a pecuária é o maior vetor de desmatamento na Amazônia. E com a soja e o algodão de forma indireta", disse.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu uma pesquisa sugerindo que a expansão da área plantada de soja se baseia na conversão de "pastagens degradadas" e não de áreas "virgens", ou seja, de fronteira propriamente dita no cerrado ou na Amazônia. Porém, segundo Sakamoto, "muitos pecuaristas já desmatam pensando em vender a terra para os agricultores de soja e algodão". O mesmo que indica a hipótese do Ipea de que as áreas virgens de cerrado ou da floresta amazônica disponíveis não possuem a infra-estrutura para o cultivo da soja.
As atividades que discutiram o trabalho escravo no Fórum Social Mundial articularam grande número de entidades. Entre elas, a Comissão Pastoral da Terra, Organização Internacional do Trabalho, Instituo Ethos e associações de magistrados. Houve manifestações em solidariedade aos fiscais do trabalho assassinados há um ano em Unaí, Minas Gerais.
Durante a oficina "É possível erradicar o trabalho escravo?", o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse que o governo federal vem cumprindo mais da metade das metas estabelecidas no Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. "Dois anos atrás, também no Fórum Social Mundial, o governo prometeu erradicar o trabalho escravo. E se nós não conseguirmos erradicá-lo em nosso governo, isso será uma derrota", afirmou.
Fonte: Panorama Brasil – 31/01/2005
Trechos do estudo foram apresentados no 5º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. O estudo, coordenado pelo cientista político e jornalista Leonardo Sakamoto e com a participação do Instituto de Apoio à Pesquisa da Universidade de São Paulo, cruzou os dados do trabalho escravo com imagens de satélite do desmatamento na Amazônia.
Entre janeiro de 2002 e novembro do ano passado, 118 municípios tiveram libertação de trabalhadores, na linha que sai de Rondônia, passa pelo Norte do Mato Grosso e Tocantins, Sul do Pará e Oeste do Maranhão, com 9.252 trabalhadores escravos encontrados. A pesquisa também informa que os conflitos com mortes de trabalhadores rurais coincidem com os flagrantes do trabalho escravo realizados pelos Grupos Móveis de Fiscalização do Ministério do Trabalho.
A cidade campeã em número de casos de trabalho escravo é São Félix do Xingu, no Sudeste do Pará: 19 ações que encontraram situações de escravidão. Ao mesmo tempo, foi o município com o maior índice de desmatamento até 2002 (9.951,4 quilômetros quadrados) e o líder no ranking dos assassinatos de trabalhadores rurais entre 2001 e julho de 2004 (11 mortes).
"O trabalho escravo não entra na operação das máquinas de ponta do agronegócio, mas está na retirada das raízes, na derrubada da mata e na preparação do solo. Ou seja, o trabalho escravo está ligado ao latifúndio", diz Leonardo Sakamoto. A relação entre trabalho escravo e desmatamento já era cogitada, embora não houvesse pesquisas científicas que comprovassem a tese.
Das ações de libertação de trabalhadores escravos, cerca de 80% estão vinculadas à pecuária, justamente o setor que mais desmata as regiões da fronteira agrícola. "O estudo Banco Mundial reconhece que a pecuária é o maior vetor de desmatamento na Amazônia. E com a soja e o algodão de forma indireta", disse.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu uma pesquisa sugerindo que a expansão da área plantada de soja se baseia na conversão de "pastagens degradadas" e não de áreas "virgens", ou seja, de fronteira propriamente dita no cerrado ou na Amazônia. Porém, segundo Sakamoto, "muitos pecuaristas já desmatam pensando em vender a terra para os agricultores de soja e algodão". O mesmo que indica a hipótese do Ipea de que as áreas virgens de cerrado ou da floresta amazônica disponíveis não possuem a infra-estrutura para o cultivo da soja.
As atividades que discutiram o trabalho escravo no Fórum Social Mundial articularam grande número de entidades. Entre elas, a Comissão Pastoral da Terra, Organização Internacional do Trabalho, Instituo Ethos e associações de magistrados. Houve manifestações em solidariedade aos fiscais do trabalho assassinados há um ano em Unaí, Minas Gerais.
Durante a oficina "É possível erradicar o trabalho escravo?", o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse que o governo federal vem cumprindo mais da metade das metas estabelecidas no Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. "Dois anos atrás, também no Fórum Social Mundial, o governo prometeu erradicar o trabalho escravo. E se nós não conseguirmos erradicá-lo em nosso governo, isso será uma derrota", afirmou.
Fonte: Panorama Brasil – 31/01/2005
Fonte:
Notícias em destaque
Maio registra queda nas exportações de madeira após retomada
Queda mensal foi influenciada por fatores sazonais, incertezas comerciais e valorização do real frente ao dólar.
As...
(MERCADO)
Crescimento da produção leva eucalipto ao grupo dos produtos mais valiosos do campo paulista
Pela primeira vez incluído no ranking do Valor da Produção Agropecuária (VPA), o eucalipto já figura entre os...
(MADEIRA E PRODUTOS)
Pesquisadores desenvolvem “novo cimento” a partir de resíduos da indústria de celulose
Pesquisas sobre cimento sustentável utilizam resíduos de celulose, açaí e pneus para reduzir emissões de...
(TECNOLOGIA)
Expansão da gestão florestal sustentável
O Relatório Global de Metas Florestais das Nações Unidas de 2026 mostra que a área florestal mundial diminuiu em mais...
(SETOR FLORESTAL)
Com queda nas exportações para os Estados Unidos, indústria moveleira da Serra teme nova sobretaxa
Uruguai passou a ser o principal mercado do polo moveleiro
Fortemente impactado pelo tarifaço dos Estados Unidos no ano passado, o polo...
(MERCADO)
Exportações de produtos à base de madeira (exceto celulose e papel) diminuíram 1,8 por cento em valor em comparação com abril de 2025
Em abril de 2026, as exportações de produtos à base de madeira (exceto celulose e papel) diminuíram 1,8% em valor em...
(MADEIRA E PRODUTOS)














