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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Embrapa mostra caso de sucesso com sistemas agroflorestais
O respeito à biodiversidade por um grupo de agricultores instalados em uma das regiões mais desmatadas do estado de Rondônia será tema central de um estudo de caso apresentado no workshop internacional "Iniciativas promissoras e fatores limitantes para o desenvolvimento de sistemas agroflorestais como alternativa à degradação ambiental na Amazônia".
O evento acontece em Belém (PA) entre os dias 19 e 28 próximos com o objetivo de reunir experiências de pesquisadores de sete países que compõem a Amazônia sobre o uso dos sistemas agroflorestais (SAF's) como alternativa à degradação ambiental. Sistemas agroflorestais são caracterizados pela associação entre espécies perenes e de ciclo curto ou médio, como espécies florestais e café plantados em uma mesma área, por exemplo.
O estudo de caso será apresentado pelo produtor Antônio Abílio Siqueira, um dos sócios fundadores da Apa - Associação dos Produtores Alternativos, associação sem fins lucrativos sediada no município de Ouro Preto d'Oeste, a 340 quilômetros da capital, Porto Velho, em conjunto com a pesquisadora Marília Locatelli, da Embrapa Rondônia.
O produtor cultiva café consorciado com cupuaçu e outras espécies florestais e está em processo de certificação orgânica pelo IBD - Instituto Brasileiro Biodinâmico. A Apa aposta na vertente agroecológica e tem a proposta de promover atividades sustentáveis entre seus associados, oferecendo condições para a permanência do agricultor familiar no campo. Os agricultores acreditam na manutenção dos sistemas agroflorestais como capazes de modificar o uso da terra e a capacidade produtiva dos solos, através do aumento de renda sem agressão ao meio ambiente.
Em Ouro Preto d'Oeste, a criação extensiva de gado abrange 80% da região. Aliada às culturas de café e cacau, o índice de desmatamento chega a 79,27%, atingindo mais de 1500 km² dos 1978 km² do município. Segundo a pesquisadora, a região é caracterizada por áreas de grande potencial para atividades agropecuárias, além de concentrar as maiores densidades populacionais do Estado, com os assentamentos urbanos mais importantes. Nesse contexto de desenvolvimento e exploração, a Apa reúne cerca de 250 associados que trabalham focados no conceito de desenvolvimento sustentável e produção integrada.
"A saída para nossos produtores é diversificar a produção, abandonando o modelo tradicional de uso e ocupação da terra, e atuar na recuperação de áreas degradadas, promovendo os sistemas agroflorestais", explica Marly Feiger, presidente da associação. A pesquisadora Marília Locatelli analisa que o desenvolvimento da produção sustentável agroflorestal é um dos princípios mestres da associação, com foco na promoção do bem estar social através da melhoria dos resultados econômicos das atividades da agricultura familiar, realizadas de maneira sustentável. "Percebemos uma melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas e adoção de políticas de desenvolvimento ambiental e proteção das reservas legais", descreve a pesquisadora.
Ainda segundo ela, o sucesso da Apa está fundamentado na cooperação técnica e auxílio às famílias de produtores com sistemas agroflorestais, produção de mudas, recuperação de áreas degradadas e matas ciliares, além de alternativas ao uso do fogo e dos agrotóxicos. "Outro ponto fundamental no sucesso das ações desta associação está no fato de que todos os seus associados estão devidamente conscientizados da importância da agroecologia em suas ações dentro da propriedade", diz.
O workshop é promovido pelo Centro Mundial Agroflorestal (Icraf), que tem sede em Nairobi, no Quênia; pela Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), que tem sede em Cali, na Colômbia.
O evento integra as ações da Iniciativa Amazônica, consórcio de cooperação internacional que reúne instituições de pesquisa e desenvolvimento de seis países amazônicos em torno de um desafio: melhorar as condições de vida no ambiente rural da Amazônia Continental e reverter o processo acelerado de degradação dos recursos naturais na região. O workshop irá reunir experiências do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela e uma publicação será editada com os relatos. A pesquisadora Michelliny de Matos Bentes Gama também irá representar a Unidade de Rondônia no evento.
Fonte: Embrapa Rondônia – 21/01/2005
O evento acontece em Belém (PA) entre os dias 19 e 28 próximos com o objetivo de reunir experiências de pesquisadores de sete países que compõem a Amazônia sobre o uso dos sistemas agroflorestais (SAF's) como alternativa à degradação ambiental. Sistemas agroflorestais são caracterizados pela associação entre espécies perenes e de ciclo curto ou médio, como espécies florestais e café plantados em uma mesma área, por exemplo.
O estudo de caso será apresentado pelo produtor Antônio Abílio Siqueira, um dos sócios fundadores da Apa - Associação dos Produtores Alternativos, associação sem fins lucrativos sediada no município de Ouro Preto d'Oeste, a 340 quilômetros da capital, Porto Velho, em conjunto com a pesquisadora Marília Locatelli, da Embrapa Rondônia.
O produtor cultiva café consorciado com cupuaçu e outras espécies florestais e está em processo de certificação orgânica pelo IBD - Instituto Brasileiro Biodinâmico. A Apa aposta na vertente agroecológica e tem a proposta de promover atividades sustentáveis entre seus associados, oferecendo condições para a permanência do agricultor familiar no campo. Os agricultores acreditam na manutenção dos sistemas agroflorestais como capazes de modificar o uso da terra e a capacidade produtiva dos solos, através do aumento de renda sem agressão ao meio ambiente.
Em Ouro Preto d'Oeste, a criação extensiva de gado abrange 80% da região. Aliada às culturas de café e cacau, o índice de desmatamento chega a 79,27%, atingindo mais de 1500 km² dos 1978 km² do município. Segundo a pesquisadora, a região é caracterizada por áreas de grande potencial para atividades agropecuárias, além de concentrar as maiores densidades populacionais do Estado, com os assentamentos urbanos mais importantes. Nesse contexto de desenvolvimento e exploração, a Apa reúne cerca de 250 associados que trabalham focados no conceito de desenvolvimento sustentável e produção integrada.
"A saída para nossos produtores é diversificar a produção, abandonando o modelo tradicional de uso e ocupação da terra, e atuar na recuperação de áreas degradadas, promovendo os sistemas agroflorestais", explica Marly Feiger, presidente da associação. A pesquisadora Marília Locatelli analisa que o desenvolvimento da produção sustentável agroflorestal é um dos princípios mestres da associação, com foco na promoção do bem estar social através da melhoria dos resultados econômicos das atividades da agricultura familiar, realizadas de maneira sustentável. "Percebemos uma melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas e adoção de políticas de desenvolvimento ambiental e proteção das reservas legais", descreve a pesquisadora.
Ainda segundo ela, o sucesso da Apa está fundamentado na cooperação técnica e auxílio às famílias de produtores com sistemas agroflorestais, produção de mudas, recuperação de áreas degradadas e matas ciliares, além de alternativas ao uso do fogo e dos agrotóxicos. "Outro ponto fundamental no sucesso das ações desta associação está no fato de que todos os seus associados estão devidamente conscientizados da importância da agroecologia em suas ações dentro da propriedade", diz.
O workshop é promovido pelo Centro Mundial Agroflorestal (Icraf), que tem sede em Nairobi, no Quênia; pela Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), que tem sede em Cali, na Colômbia.
O evento integra as ações da Iniciativa Amazônica, consórcio de cooperação internacional que reúne instituições de pesquisa e desenvolvimento de seis países amazônicos em torno de um desafio: melhorar as condições de vida no ambiente rural da Amazônia Continental e reverter o processo acelerado de degradação dos recursos naturais na região. O workshop irá reunir experiências do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela e uma publicação será editada com os relatos. A pesquisadora Michelliny de Matos Bentes Gama também irá representar a Unidade de Rondônia no evento.
Fonte: Embrapa Rondônia – 21/01/2005
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