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Notícias

08
fev
2017
(QUEIMADAS)
Pesquisa aponta alto índice de mortes de castanheiras por queimadas, no PA

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), analisou as condições biológicas de sobrevivência, reprodução, rebrotação e estrutura de castanheiras localizadas nas áreas desmatadas de Oriximiná, oeste do Pará. Segundo o estudo, o desmatamento e a prática recorrente de queimadas estão comprometendo a sobrevivência e produtividade das espécies.

O município é um dos principais produtores do país de castanha-do-pará, também conhecida como castanha-da-Amazônia ou castanha-do-Brasil. O levantamento contou com a participação de alunos de graduação do curso de Biologia, ofertado no Campus de Oriximiná da Ufopa, e de bolsistas de iniciação científica do Ensino Médio.

Metodologia

Em uma área total de 218,7 hectares, a equipe identificou 441 castanheiras, sendo que a maioria foi encontrada morta (75%). “As que estão vivas apresentam problemas de produção, pois na metade destas não foi observada presença de frutos”, afirma o coordenador da pesquisa, Ricardo Scoles, professor do Centro de Formação Interdisciplinar (CFI) da Ufopa.

Segundo o professor, um dos desafios oriundos dos resultados desta pesquisa é tentar explicar o porquê da baixa produtividade das castanheiras sobreviventes em áreas desmatadas. “Em área aberta, desflorestada, as castanheiras sofrem com o estresse ambiental, como a falta de água e de nutrientes. Outro problema é a compactação do solo, que atrapalha o desenvolvimento das raízes”, explica.

Os resultados do estudo foram publicados em dezembro de 2016. A coleta de dados foi realizada entre os anos de 2011 e 2012 em propriedades particulares, além da estrada de chão situada na confluência das rodovias PA-439 e PA-254, com expressiva presença de castanhais em situação de deterioração por desmatamento e fogo.

Queimadas

De acordo com a pesquisa, as queimadas e a degradação do solo explicam a queda da produtividade das castanheiras remanescentes em áreas desmatadas e pelo enfraquecimento das árvores sobreviventes. O estudo sugere medidas urgentes de manejo e conservação do solo nas áreas de pastagem para garantir a conservação das castanheiras nessa região. “Nas áreas desmatadas, as castanheiras podem ser utilizadas para o reflorestamento, porque elas são rústicas e crescem bem em áreas abertas”, explica Ricardo Scoles.

Valor econômico e social

A castanheira é uma espécie útil, de grande importância econômica e social na Amazônia devido à comercialização e consumo doméstico de suas sementes comestíveis.  Nas regiões em estudo, a castanha é o produto florestal não madeireiro mais importante em termos econômicos, sendo Óbidos e Oriximiná dois dos principais municípios produtores do Brasil.

Fonte: G1

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