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Notícias
13
out
2014
(MEIO AMBIENTE)
Expansão madeireira deve se dar em áreas degradadas
A existência de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas na Amazônia abre as portas para uma nova frente de expansão da produção madeireira – não pela via do corte de floresta natural, mas pelo plantio de árvores. “As alternativas vão desde eucalipto para celulose e energia até reflorestamento com espécies nativas”, informa Roberto Waack, presidente do conselho administrativo da Amata, empresa que direciona as atenções para oportunidades na região de Paragominas (PA), tendo já plantado mais de 5 milhões de árvores nativas em cerca de 5 mil hectares, com prioridade para o paricá, usado principalmente para compensados.
“O investimento é alto e precisa existir mercado para viabilizar a atividade”, pondera o executivo, estimando explorar a floresta plantada a partir de 2021, ao custo de R$ 40 milhões, sem contar o valor da terra. A substituição de espécies nativas por eucalipto é cara e demanda plantios que demoram de 14 anos a 16 anos para o corte da madeira, destinada à geração de energia, painéis para construção civil ou celulose. “É preciso paciência para o retorno do capital, mas hoje dificilmente se encontra lucratividade melhor no mundo florestal e representa grande potencial de mercado”, diz Waack.
As regras estabelecidas pelo Código Florestal para restauração de áreas degradadas, com perspectiva de incentivos, poderão impulsionar o setor. Na opinião do empresário, “tudo dependerá da viabilidade econômica e do desenvolvimento tecnológico”, com iniciativas que podem se complementar ao agronegócio nas fazendas da borda amazônica, favorecendo o conceito de uso múltiplo da terra. “Há potencial para espécies alternativas e novos usos de fibras e o Brasil tem posição privilegiada neste campo, só precisando avançar no conhecimento para o plantio de nativas”, acrescenta Waack.
Em decorrência da maior fiscalização contra o desmatamento, a produção de madeira nativa amazônica, por meio de manejo florestal, despencou de 24,5 milhões para cerca de 13 milhões de metros cúbicos, em dez anos. Quase metade é ilegal, explorada em áreas proibidas. Apesar da queda, a atividade permanece associada a impactos ambientais. Quando se fala em desmatamento, logo se imagina a derrubada de árvores em massa por motosserras e tratores que abrem clareiras na vegetação. Mas as imagens de satélite que apuram os índices de destruição escondem uma realidade tão nociva ao ambiente quanto o chamado “corte raso”: a degradação florestal.
Danos causados pela exploração madeireira e incêndios na mata podem danificar a estrutura vital da floresta, interferindo no equilíbrio ecológico. Estudo concluído recentemente pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) indica que nas áreas de exploração intensiva, a biomassa decaiu 48% em relação à verificada na floresta intacta. Somando-se incêndios florestais a remoção pode atingir 83%, com consequências para o clima global, porque há liberação de carbono que estava estocado na vegetação.
O descuido não ocorre apenas na floresta. No processamento industrial é alto o índice de desperdício. Recente estudo coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) indica que a indústria é pouco fiscalizada e os critérios utilizados não são rigorosos com relação à origem do insumo florestal. “O atual sistema de licenciamento de indústrias, com regras diversas entre os Estados e pouca transparência, não favorece o combate à ilegalidade”, informa o relatório.
Os pesquisadores defendem incentivos econômicos para a produção por manejo sustentável, com critérios para o corte de árvores com menor impacto. Para eles, sem viabilidade econômica, a atividade madeireira continuará a devastar a Amazônia e não conseguirá suprir a demanda do mercado pela matéria-prima.
Por: Sergio Adeodato
“O investimento é alto e precisa existir mercado para viabilizar a atividade”, pondera o executivo, estimando explorar a floresta plantada a partir de 2021, ao custo de R$ 40 milhões, sem contar o valor da terra. A substituição de espécies nativas por eucalipto é cara e demanda plantios que demoram de 14 anos a 16 anos para o corte da madeira, destinada à geração de energia, painéis para construção civil ou celulose. “É preciso paciência para o retorno do capital, mas hoje dificilmente se encontra lucratividade melhor no mundo florestal e representa grande potencial de mercado”, diz Waack.
As regras estabelecidas pelo Código Florestal para restauração de áreas degradadas, com perspectiva de incentivos, poderão impulsionar o setor. Na opinião do empresário, “tudo dependerá da viabilidade econômica e do desenvolvimento tecnológico”, com iniciativas que podem se complementar ao agronegócio nas fazendas da borda amazônica, favorecendo o conceito de uso múltiplo da terra. “Há potencial para espécies alternativas e novos usos de fibras e o Brasil tem posição privilegiada neste campo, só precisando avançar no conhecimento para o plantio de nativas”, acrescenta Waack.
Em decorrência da maior fiscalização contra o desmatamento, a produção de madeira nativa amazônica, por meio de manejo florestal, despencou de 24,5 milhões para cerca de 13 milhões de metros cúbicos, em dez anos. Quase metade é ilegal, explorada em áreas proibidas. Apesar da queda, a atividade permanece associada a impactos ambientais. Quando se fala em desmatamento, logo se imagina a derrubada de árvores em massa por motosserras e tratores que abrem clareiras na vegetação. Mas as imagens de satélite que apuram os índices de destruição escondem uma realidade tão nociva ao ambiente quanto o chamado “corte raso”: a degradação florestal.
Danos causados pela exploração madeireira e incêndios na mata podem danificar a estrutura vital da floresta, interferindo no equilíbrio ecológico. Estudo concluído recentemente pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) indica que nas áreas de exploração intensiva, a biomassa decaiu 48% em relação à verificada na floresta intacta. Somando-se incêndios florestais a remoção pode atingir 83%, com consequências para o clima global, porque há liberação de carbono que estava estocado na vegetação.
O descuido não ocorre apenas na floresta. No processamento industrial é alto o índice de desperdício. Recente estudo coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) indica que a indústria é pouco fiscalizada e os critérios utilizados não são rigorosos com relação à origem do insumo florestal. “O atual sistema de licenciamento de indústrias, com regras diversas entre os Estados e pouca transparência, não favorece o combate à ilegalidade”, informa o relatório.
Os pesquisadores defendem incentivos econômicos para a produção por manejo sustentável, com critérios para o corte de árvores com menor impacto. Para eles, sem viabilidade econômica, a atividade madeireira continuará a devastar a Amazônia e não conseguirá suprir a demanda do mercado pela matéria-prima.
Por: Sergio Adeodato
Fonte: Valor Econômico
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