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Notícias
05
ago
2014
(MANEJO)
Corte seletivo em florestas para exploração de madeira pode afetar a fauna
Após revisar mais de 50 estudos, pesquisadores afirmam ter concluído pela primeira vez quais são os impactos do manejo florestal sobre a biodiversidade
Com o aumento do combate ao desmatamento, a madeira de árvores tropicais torna-se cada vez mais valorizada comercialmente. Assim, as práticas de corte seletivo, onde acontece a retirada apenas de determinadas espécies, geralmente de grande porte, são muito defendidas como uma forma menos danosa de ainda ter acesso a essas árvores.
Uma das justificativas para essa atividade é a de que são cortadas algumas espécies de árvores, com a floresta permanecendo relativamente intacta.
Entretanto, um novo estudo publicado na revista Current Biology alega que o impacto do corte seletivo sobre a biodiversidade é muito discutível, e que estudos anteriores que tentaram sumarizar seus efeitos não distinguiam entre os diferentes graus de intensidade da prática, resultando em conclusões conflitantes.
Ao confrontar esses estudos, os pesquisadores esperavam chegar a padrões mais gerais, e foi o que conseguiram.
A doutoranda do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça) Zuzana Burivalova e alguns colegas afirmam ter estudado pela primeira vez o quanto os impactos sobre a biodiversidade dependem da intensidade do corte.
Em uma revisão sistemática de quase 50 estudos independentes realizados nas últimas décadas, os pesquisadores concluíram que o agrupamento de muitos usos florestais diferentes sob a rubrica de corte seletivo resulta em um cenário impreciso. Eles acreditam que a visão atual sobre a atividade em florestas tropicais é muito otimista.
“Para a biodiversidade, é muito importante a cautela da atividade durante a derrubada, como muitos cientistas já mostraram”, explicou Burivalova.
“O que foi menos considerado anteriormente, e que mostramos agora em nosso estudo, é a importância da quantidade de madeira derrubada em uma floresta. Isso é crucial para a biodiversidade”, enfatizou ela.
O corte em pequena escala e de baixa intensidade teria um impacto ínfimo sobre a biodiversidade, se bem organizado e feito de forma cautelosa. No caso da exploração com escavadeiras e outros equipamentos pesados, Burivalova concluiu que os efeitos são geralmente vastos e que muitos habitats acabam destruídos.
O estudo aponta que vários cientistas já mostraram os efeitos negativos da exploração intensiva e que, no geral, a conclusão é que o número de mamíferos cai pela metade em uma intensidade de corte de 38 m3 ha−1, o equivalente a três ou quatro árvores por hectare.
Para os anfíbios, a diversidade cai pela metade com a exploração de 63 m3 ha−1. As análises também mostraram declínios para as populações de invertebrados, como borboletas e besouros.
Para as aves, os estudos mostram que, à primeira vista, a diversidade de espécies aumenta, com novos indivíduos migrando para a floresta. Porém, olhando mais de perto, é possível constatar que os novos habitantes são espécies que conseguem sobreviver até mesmo fora da floresta.
As aves especialmente adaptadas à floresta tropical, dependendo de uma gama limitada de recursos, respondem ao manejo como os outros grupos animais estudados.
“As atuais cotas de exploração são elaboradas predominantemente para manejar a floresta visando à produção sustentável de madeira, de tal forma que a floresta eventualmente regenerará o seu estoque”, explica Burivalova.
“Elas não são tipicamente manejadas para a manutenção da biodiversidade da fauna. Isso, em parte, é porque até agora não estava claro em qual ponto exatamente a diversidade nas florestas exploradas começa a cair.”
Com esta pesquisa, Burivalova e seus colegas pretendem contribuir para tornar o manejo menos prejudicial para a vida selvagem. Eles sugerem que os consumidores busquem informações sobre a madeira que estão comprando.
Com o aumento do combate ao desmatamento, a madeira de árvores tropicais torna-se cada vez mais valorizada comercialmente. Assim, as práticas de corte seletivo, onde acontece a retirada apenas de determinadas espécies, geralmente de grande porte, são muito defendidas como uma forma menos danosa de ainda ter acesso a essas árvores.
Uma das justificativas para essa atividade é a de que são cortadas algumas espécies de árvores, com a floresta permanecendo relativamente intacta.
Entretanto, um novo estudo publicado na revista Current Biology alega que o impacto do corte seletivo sobre a biodiversidade é muito discutível, e que estudos anteriores que tentaram sumarizar seus efeitos não distinguiam entre os diferentes graus de intensidade da prática, resultando em conclusões conflitantes.
Ao confrontar esses estudos, os pesquisadores esperavam chegar a padrões mais gerais, e foi o que conseguiram.
A doutoranda do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça) Zuzana Burivalova e alguns colegas afirmam ter estudado pela primeira vez o quanto os impactos sobre a biodiversidade dependem da intensidade do corte.
Em uma revisão sistemática de quase 50 estudos independentes realizados nas últimas décadas, os pesquisadores concluíram que o agrupamento de muitos usos florestais diferentes sob a rubrica de corte seletivo resulta em um cenário impreciso. Eles acreditam que a visão atual sobre a atividade em florestas tropicais é muito otimista.
“Para a biodiversidade, é muito importante a cautela da atividade durante a derrubada, como muitos cientistas já mostraram”, explicou Burivalova.
“O que foi menos considerado anteriormente, e que mostramos agora em nosso estudo, é a importância da quantidade de madeira derrubada em uma floresta. Isso é crucial para a biodiversidade”, enfatizou ela.
O corte em pequena escala e de baixa intensidade teria um impacto ínfimo sobre a biodiversidade, se bem organizado e feito de forma cautelosa. No caso da exploração com escavadeiras e outros equipamentos pesados, Burivalova concluiu que os efeitos são geralmente vastos e que muitos habitats acabam destruídos.
O estudo aponta que vários cientistas já mostraram os efeitos negativos da exploração intensiva e que, no geral, a conclusão é que o número de mamíferos cai pela metade em uma intensidade de corte de 38 m3 ha−1, o equivalente a três ou quatro árvores por hectare.
Para os anfíbios, a diversidade cai pela metade com a exploração de 63 m3 ha−1. As análises também mostraram declínios para as populações de invertebrados, como borboletas e besouros.
Para as aves, os estudos mostram que, à primeira vista, a diversidade de espécies aumenta, com novos indivíduos migrando para a floresta. Porém, olhando mais de perto, é possível constatar que os novos habitantes são espécies que conseguem sobreviver até mesmo fora da floresta.
As aves especialmente adaptadas à floresta tropical, dependendo de uma gama limitada de recursos, respondem ao manejo como os outros grupos animais estudados.
“As atuais cotas de exploração são elaboradas predominantemente para manejar a floresta visando à produção sustentável de madeira, de tal forma que a floresta eventualmente regenerará o seu estoque”, explica Burivalova.
“Elas não são tipicamente manejadas para a manutenção da biodiversidade da fauna. Isso, em parte, é porque até agora não estava claro em qual ponto exatamente a diversidade nas florestas exploradas começa a cair.”
Com esta pesquisa, Burivalova e seus colegas pretendem contribuir para tornar o manejo menos prejudicial para a vida selvagem. Eles sugerem que os consumidores busquem informações sobre a madeira que estão comprando.
Fonte: Autor: Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil
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