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Notícias
21
jun
2014
(GERAL)
Brasil produz apenas 35% da demanda nacional por borracha natural
Árvore da seringueira é nativa do país, mas Ásia domina o setor
A segunda metade do século XIX deu início a um dos principais ciclos econômicos da história do Brasil. No centro disso estava o látex produzido pela seringueira, árvore nativa da região amazônica do país. Em tempos de boom econômico e inovações tecnológicas (como a invenção do automóvel), o produto logo entrou no foco mundial.
Manaus e Belém concentravam as riquezas dessa produção. Tanto que de uma hora para outra, a população dessas cidades dobrou por conta do alto dinheiro circulando. Com ele foram feitos extravagâncias como calçar ruas com borracha, construção de teatros luxuosos como o Teatro Amazonas, estilo de vida parecido com o europeu, entre outros detalhes que permeavam a sociedade da época. Com esse crescimento, também houve problemas: o avanço brutal da exploração da floresta e a morte de mais de 25 mil seringueiros que se arriscavam na floresta para extrair o látex e por lá contraiam doenças como malária e leishmaniose.
Ante a exclusividade do produto, o ciclo durou oficialmente de 1870 a 1910, quando a borracha chegou a corresponder a 24% do comércio exterior brasileiro, mesmo com o bom momento da cafeicultura. Em 1890, começaram as primeiras tentativas de cultivo manejado, e logo depois, essa técnica seria literalmente contrabandeada para o exterior pelo inglês Henry Wickham. Esse foi o ponto inicial do declínio do extrativismo da seringa, quando a produção asiática começou a ter um volume ameaçador de látex e o Brasil perdeu a liderança do setor.
Hoje a demanda é muito maior que a produção nacional, o que requer mais avanços da heveicultura, já que só abastece 35% da necessidade total. Os outros 65% importados vêm da Indonésia, Tailândia, Malásia e Vietnã, países que juntos abocanham 70% da produção mundial. A indústria de pneus é a principal compradora, destino de cerca de 80% da borracha natural brasileira.
Houve mudança geográfica dos seringais: 54,5% da produção nacional estão no oeste de São Paulo atualmente, seguido por Mato Grosso (13,5%) e Bahia (12,8%). O avanço dos seringais em terras paulistas se deu pelo alto lucro em detrimento de outras culturas como cana de açúcar e laranja. “A borracha é mais rentável. Um hectare gera, em média, três mil reais de lucro por ano, o que ajuda a segurar a expansão da cana de açúcar”, defende Heiko Rossmann, diretor executivo da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha.
Mercado
A demanda mundial por borracha sofreu uma significativa retração com a crise imobiliária dos Estados Unidos em 2008 e a crise financeira da zona do Euro. Quem sustenta o mercado internacional atualmente é a China, que garante a compra de 35% da produção mundial, mas também já dá sinais de cansaço.
Paga-se cada vez menos pelo quilo da borracha natural, compra-se menos e, mesmo assim, a Tailândia e o Vietnã aumentam a produção, criando um estoque que deve chegar a 700 mil toneladas em 2014, agravando ainda mais a situação do produto.
No Brasil há quedas no preço, girando em torno de R$ 1,73, 13,5% menor que o valor mínimo indicado pela Companhia Nacional de Abastecimento, segundo dados da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha. Isso sinaliza, ainda de acordo com a instituição, uma inviabilidade de produção da borracha natural, já que os custos devem ser maiores do que a receita na maioria das fazendas. “O cenário é sombrio, de fato”, diz Rossman, da Apabor.
O próximo passo para não perder mais ainda a potencialidade de produção nacional da borracha é buscar apoio do Governo Federal, com um plano alternativo de proteção à heveicultura brasileira. “A elevação da alíquota do imposto de importação da borracha natural, associada a outras medidas, se apresenta agora como uma opção atraente, pois pode aumentar a competitividade do produto nacional frente ao importado”, reforça Rossmann. Caso isso não aconteça, o risco de paralisação da produção é iminente.
A segunda metade do século XIX deu início a um dos principais ciclos econômicos da história do Brasil. No centro disso estava o látex produzido pela seringueira, árvore nativa da região amazônica do país. Em tempos de boom econômico e inovações tecnológicas (como a invenção do automóvel), o produto logo entrou no foco mundial.
Manaus e Belém concentravam as riquezas dessa produção. Tanto que de uma hora para outra, a população dessas cidades dobrou por conta do alto dinheiro circulando. Com ele foram feitos extravagâncias como calçar ruas com borracha, construção de teatros luxuosos como o Teatro Amazonas, estilo de vida parecido com o europeu, entre outros detalhes que permeavam a sociedade da época. Com esse crescimento, também houve problemas: o avanço brutal da exploração da floresta e a morte de mais de 25 mil seringueiros que se arriscavam na floresta para extrair o látex e por lá contraiam doenças como malária e leishmaniose.
Ante a exclusividade do produto, o ciclo durou oficialmente de 1870 a 1910, quando a borracha chegou a corresponder a 24% do comércio exterior brasileiro, mesmo com o bom momento da cafeicultura. Em 1890, começaram as primeiras tentativas de cultivo manejado, e logo depois, essa técnica seria literalmente contrabandeada para o exterior pelo inglês Henry Wickham. Esse foi o ponto inicial do declínio do extrativismo da seringa, quando a produção asiática começou a ter um volume ameaçador de látex e o Brasil perdeu a liderança do setor.
Hoje a demanda é muito maior que a produção nacional, o que requer mais avanços da heveicultura, já que só abastece 35% da necessidade total. Os outros 65% importados vêm da Indonésia, Tailândia, Malásia e Vietnã, países que juntos abocanham 70% da produção mundial. A indústria de pneus é a principal compradora, destino de cerca de 80% da borracha natural brasileira.
Houve mudança geográfica dos seringais: 54,5% da produção nacional estão no oeste de São Paulo atualmente, seguido por Mato Grosso (13,5%) e Bahia (12,8%). O avanço dos seringais em terras paulistas se deu pelo alto lucro em detrimento de outras culturas como cana de açúcar e laranja. “A borracha é mais rentável. Um hectare gera, em média, três mil reais de lucro por ano, o que ajuda a segurar a expansão da cana de açúcar”, defende Heiko Rossmann, diretor executivo da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha.
Mercado
A demanda mundial por borracha sofreu uma significativa retração com a crise imobiliária dos Estados Unidos em 2008 e a crise financeira da zona do Euro. Quem sustenta o mercado internacional atualmente é a China, que garante a compra de 35% da produção mundial, mas também já dá sinais de cansaço.
Paga-se cada vez menos pelo quilo da borracha natural, compra-se menos e, mesmo assim, a Tailândia e o Vietnã aumentam a produção, criando um estoque que deve chegar a 700 mil toneladas em 2014, agravando ainda mais a situação do produto.
No Brasil há quedas no preço, girando em torno de R$ 1,73, 13,5% menor que o valor mínimo indicado pela Companhia Nacional de Abastecimento, segundo dados da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha. Isso sinaliza, ainda de acordo com a instituição, uma inviabilidade de produção da borracha natural, já que os custos devem ser maiores do que a receita na maioria das fazendas. “O cenário é sombrio, de fato”, diz Rossman, da Apabor.
O próximo passo para não perder mais ainda a potencialidade de produção nacional da borracha é buscar apoio do Governo Federal, com um plano alternativo de proteção à heveicultura brasileira. “A elevação da alíquota do imposto de importação da borracha natural, associada a outras medidas, se apresenta agora como uma opção atraente, pois pode aumentar a competitividade do produto nacional frente ao importado”, reforça Rossmann. Caso isso não aconteça, o risco de paralisação da produção é iminente.
Fonte: Globo Rural
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