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Notícias
29
mai
2014
(BIOENERGIA)
Falta lenha para secagem de grãos
As cooperativas do Paraná precisam dobrar o cultivo de florestas para se tornarem autossuficientes na produção de lenha para secagem de grãos. Elas têm 16 mil hectares de florestas plantadas e planejam ampliar a atividade gradativamente. É necessário cultivar ao menos 35 mil hectares com espécies com o eucalipto, segundo o Sistema Ocepar, que representa as cooperativas, responsáveis por mais da metade da produção de soja, milho, trigo e feijão do estado.
“O que ocorre é uma escassez de matéria-prima. As cooperativas estão investindo nesta área de uma forma arrojada, aumentando as áreas próprias de florestas plantadas ou, em alguns casos, incentivando os cooperados a plantarem. No momento, a lenha está com um bom preço e acaba sendo um negócio interessante para o produtor”, analisa o engenheiro florestal da Ocepar, Gilson Martins.
Coordenador da área florestal da cooperativa Castrolanda (de Castro, nos Campos Gerais), o engenheiro florestal Paulo Cesar Silva aponta que o investimento inicial gira em torno de R$ 7 mil por hectare – três vezes o valor necessário para o cultivo de grãos. Em seis anos, o eucalipto já pode ser cortado para a produção de lenha. O retorno financeiro, conforme Martins, chega à casa dos R$ 2 mil por hectare por ano, considerando todo o ciclo – valor alcançado pela soja nas regiões mais produtivas.
Os engenheiros Martins e Silva reforçam que a silvicultura é apenas complementar. “O produtor não vai substituir a agricultura de grãos pela floresta plantada”, lembra Martins. O objetivo, de acordo com Silva, é incentivar o cooperado a usar uma área de sua propriedade que não seja propícia para a agricultura.
A cooperativa Agrária, em Guarapuava, no Centro-Sul, começou a plantar eucalipto em 1979. Atualmente, tem 4,6 mil hectares de área própria de reflorestamento e busca a autossuficiência na produção de lenha e, quem sabe, na produção de cavaco – também usado na produção de calor. “Nós produzimos 82% da lenha que usamos”, cita o gerente-operacional, Oldir Frost. O cavaco ainda não é produzido, porém, a demanda é crescente: a cooperativa compra cerca de 96 mil toneladas ao ano.
Conforme Frost, a meta é chegar à autossuficiência em produção de madeira para lenha e cavaco até 2018. Para isso, anualmente, a cooperativa adquire novas áreas de plantio de florestas e tem um programa de fomento com os cooperados. Mas, a adesão ainda é insuficiente.
A Castrolanda lançou, em 2009, um programa de fomento para incentivar a silvicultura. Dez produtores aderiram à proposta. “Nós disponibilizamos as sementes e fazemos a ponte entre o produtor e as agências bancárias para fazerem financiamentos”, completa Silva. A primeira colheita do eucalipto da Castrolanda, que é referência em produção de leite, ocorrerá ano que vem.
A cooperativa tem 1,5 mil hectares de reflorestamento, sendo que os 10 produtores que participam do programa de fomento somam mais 200 hectares de eucalipto. “Hoje, 70% da madeira que usamos vêm do reflorestamento da Castrolanda”, acrescenta Silva, lembrando que há cinco anos, esse percentual atingia apenas 30%. Boa parte da matéria-prima para as fornalhas das usinas e dos secadores da cooperativa ainda vem de terceiros.
Cooperativa recém-criada vai negociar toras
Carlos Guimarães Filho
Uma mudança de estratégia da Klabin – maior indústria de papel do Brasil instalada em Telêmaco Borba, nos Campos Gerais – motivou a criação de uma cooperativa para comercialização do excedente de madeira “grossa” – proveniente de árvores adultas e mais usada em construções e na fabricação de móveis. A Cooperativa dos Silvicultores dos Campos Gerais (Copergera) acaba de ser formada para remeter para outras indústrias o produto que não interessa mais à gigante do papel.
“Durante 20 anos a Kla¬¬bin incentivou a produção de madeira na região. São mais de 6 mil produtores que só terão garantia de comprar da madeira fina para celulose. A nova cooperativa irá dar maior poder de negociação para a madeira grossa”, afirma Gilson Martins, engenheiro florestal Ocepar que acompanhou o desenvolvimento do projeto.
A Copergera nasce com 25 associados e mais de 5 mil hectares plantados. A expectativa é que outros silvicultores que plantam pinus e eucalipto nos Campos Gerais e na região do Médio Tibaji entrem para o quadro de associados. “Queremos nos unir para comercializar essa produção”, afirma Marcos Geraldo Speltz, primeiro presidente da nova empresa.
Além da parte comercial, a diretoria da Copergera planeja incentivar o manejo das florestas para uso múltiplo, como energia, processamento e construção. As certificações florestais FSC (Forest Stewadship Council) e Cerflor também estão entre as metas da cooperativa.
O mercado de madeira está em expansão. A Klabin está construindo nova fábrica em Ortigueira, com recursos na ordem de R$ 7,5 bilhões, para produção de até 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano a partir de 2016.
Diversidade: Atividade mostra-se bom negócio em reduto de soja e milho
Redutos de produção de grãos são também área próspera para o cultivo de árvores. É o que ocorre na região da cooperativa Castrolanda, que vem colhendo 500 mil toneladas de grãos ao ano. Um dos fornecedores de madeira para a cooperativa é Albert Reinder Barkema, silvicultor que descobriu a atividade antes mesmo da estruturação do programa de fomento ao plantio de florestas mantido pela empresa.
A chácara dele, que é vizinha ao escritório da Castrolanda, em Castro, tem um pátio com 10 mil toneladas de tora. Barkema também produz cavaco para a produção de biomassa. A produção média mensal é de 5 mil toneladas.
O silvicultor também é agricultor. “Planto soja, milho, feijão e, no inverno, trigo”, diz. Ele só não lida com pecuária leiteira, como a maioria dos colegas cooperados da Castrolanda. “Sou uma ovelha negra por aqui”, brinca. Se depender da cooperativa, no entanto, a paisagem dos Campos Gerais, onde predominam pastagens e lavouras, terá cada vez mais lotes de eucalipto.
Para Barkema, o reflorestamento tem um mercado promissor, principalmente devido ao cavaco, que tem maior poder de queima que a madeira. Sem revelar a área destinada à silvicultura, ele vende 95% da produção e usa menos de 5% para as fornalhas dos secadores próprios.
R$ 7 mil de investimento inicial são necessários para o cultivo de cada hectare de eucalipto. O valor fica bem acima do necessário para plantio de grãos, mas a rentabilidade equivale à oferecida pela soja nas regiões mais produtivas.
“O que ocorre é uma escassez de matéria-prima. As cooperativas estão investindo nesta área de uma forma arrojada, aumentando as áreas próprias de florestas plantadas ou, em alguns casos, incentivando os cooperados a plantarem. No momento, a lenha está com um bom preço e acaba sendo um negócio interessante para o produtor”, analisa o engenheiro florestal da Ocepar, Gilson Martins.
Coordenador da área florestal da cooperativa Castrolanda (de Castro, nos Campos Gerais), o engenheiro florestal Paulo Cesar Silva aponta que o investimento inicial gira em torno de R$ 7 mil por hectare – três vezes o valor necessário para o cultivo de grãos. Em seis anos, o eucalipto já pode ser cortado para a produção de lenha. O retorno financeiro, conforme Martins, chega à casa dos R$ 2 mil por hectare por ano, considerando todo o ciclo – valor alcançado pela soja nas regiões mais produtivas.
Os engenheiros Martins e Silva reforçam que a silvicultura é apenas complementar. “O produtor não vai substituir a agricultura de grãos pela floresta plantada”, lembra Martins. O objetivo, de acordo com Silva, é incentivar o cooperado a usar uma área de sua propriedade que não seja propícia para a agricultura.
A cooperativa Agrária, em Guarapuava, no Centro-Sul, começou a plantar eucalipto em 1979. Atualmente, tem 4,6 mil hectares de área própria de reflorestamento e busca a autossuficiência na produção de lenha e, quem sabe, na produção de cavaco – também usado na produção de calor. “Nós produzimos 82% da lenha que usamos”, cita o gerente-operacional, Oldir Frost. O cavaco ainda não é produzido, porém, a demanda é crescente: a cooperativa compra cerca de 96 mil toneladas ao ano.
Conforme Frost, a meta é chegar à autossuficiência em produção de madeira para lenha e cavaco até 2018. Para isso, anualmente, a cooperativa adquire novas áreas de plantio de florestas e tem um programa de fomento com os cooperados. Mas, a adesão ainda é insuficiente.
A Castrolanda lançou, em 2009, um programa de fomento para incentivar a silvicultura. Dez produtores aderiram à proposta. “Nós disponibilizamos as sementes e fazemos a ponte entre o produtor e as agências bancárias para fazerem financiamentos”, completa Silva. A primeira colheita do eucalipto da Castrolanda, que é referência em produção de leite, ocorrerá ano que vem.
A cooperativa tem 1,5 mil hectares de reflorestamento, sendo que os 10 produtores que participam do programa de fomento somam mais 200 hectares de eucalipto. “Hoje, 70% da madeira que usamos vêm do reflorestamento da Castrolanda”, acrescenta Silva, lembrando que há cinco anos, esse percentual atingia apenas 30%. Boa parte da matéria-prima para as fornalhas das usinas e dos secadores da cooperativa ainda vem de terceiros.
Cooperativa recém-criada vai negociar toras
Carlos Guimarães Filho
Uma mudança de estratégia da Klabin – maior indústria de papel do Brasil instalada em Telêmaco Borba, nos Campos Gerais – motivou a criação de uma cooperativa para comercialização do excedente de madeira “grossa” – proveniente de árvores adultas e mais usada em construções e na fabricação de móveis. A Cooperativa dos Silvicultores dos Campos Gerais (Copergera) acaba de ser formada para remeter para outras indústrias o produto que não interessa mais à gigante do papel.
“Durante 20 anos a Kla¬¬bin incentivou a produção de madeira na região. São mais de 6 mil produtores que só terão garantia de comprar da madeira fina para celulose. A nova cooperativa irá dar maior poder de negociação para a madeira grossa”, afirma Gilson Martins, engenheiro florestal Ocepar que acompanhou o desenvolvimento do projeto.
A Copergera nasce com 25 associados e mais de 5 mil hectares plantados. A expectativa é que outros silvicultores que plantam pinus e eucalipto nos Campos Gerais e na região do Médio Tibaji entrem para o quadro de associados. “Queremos nos unir para comercializar essa produção”, afirma Marcos Geraldo Speltz, primeiro presidente da nova empresa.
Além da parte comercial, a diretoria da Copergera planeja incentivar o manejo das florestas para uso múltiplo, como energia, processamento e construção. As certificações florestais FSC (Forest Stewadship Council) e Cerflor também estão entre as metas da cooperativa.
O mercado de madeira está em expansão. A Klabin está construindo nova fábrica em Ortigueira, com recursos na ordem de R$ 7,5 bilhões, para produção de até 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano a partir de 2016.
Diversidade: Atividade mostra-se bom negócio em reduto de soja e milho
Redutos de produção de grãos são também área próspera para o cultivo de árvores. É o que ocorre na região da cooperativa Castrolanda, que vem colhendo 500 mil toneladas de grãos ao ano. Um dos fornecedores de madeira para a cooperativa é Albert Reinder Barkema, silvicultor que descobriu a atividade antes mesmo da estruturação do programa de fomento ao plantio de florestas mantido pela empresa.
A chácara dele, que é vizinha ao escritório da Castrolanda, em Castro, tem um pátio com 10 mil toneladas de tora. Barkema também produz cavaco para a produção de biomassa. A produção média mensal é de 5 mil toneladas.
O silvicultor também é agricultor. “Planto soja, milho, feijão e, no inverno, trigo”, diz. Ele só não lida com pecuária leiteira, como a maioria dos colegas cooperados da Castrolanda. “Sou uma ovelha negra por aqui”, brinca. Se depender da cooperativa, no entanto, a paisagem dos Campos Gerais, onde predominam pastagens e lavouras, terá cada vez mais lotes de eucalipto.
Para Barkema, o reflorestamento tem um mercado promissor, principalmente devido ao cavaco, que tem maior poder de queima que a madeira. Sem revelar a área destinada à silvicultura, ele vende 95% da produção e usa menos de 5% para as fornalhas dos secadores próprios.
R$ 7 mil de investimento inicial são necessários para o cultivo de cada hectare de eucalipto. O valor fica bem acima do necessário para plantio de grãos, mas a rentabilidade equivale à oferecida pela soja nas regiões mais produtivas.
Fonte: Gazeta do Povo
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