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Notícias
26
fev
2014
(GERAL)
Para chefe da FAO, compra de terras por estrangeiros ameaça soberania de países africanos
O diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura), o brasileiro José Graziano da Silva, alertou, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, que nações da África “estão perdendo a soberania” por causa da compra de grandes extensões de terras por pessoas vindas de outros países.
“Os governos estão perdendo a soberania sobre o seu território, sobre as suas decisões econômicas. E isso é que tem que ser evitado. E nós estamos apoiando os governos para que eles possam controlar, assumir o controle da situação”, afirmou Graziano em Milão, na Itália, durante um evento sobre segurança alimentar.
“O problema é que isso está escapando ao controle dos governos locais”, acrescentou.
No mês passado, Graziano viajou a países do Golfo Pérsico, onde diz haver um grande interesse por terras no exterior. “Quase todos os países daquela região têm um fundo para inversão (investimento) em outros países. E eles estão investindo em compras de terra. Alguns têm extensões grandes, mais de 100 mil hectares”, afirma.
Segundo a ONG International Land Coalition, 80 milhões de hectares no mundo (o equivalente a cerca de 3 vezes a área da Itália) estão expostos à compra de terras por estrangeiros sendo a metade desse total na África.
Hortas
O último relatório da FAO sobre a questão aponta que governos, como o da Jordânia, alugam vastos territórios do Sudão pelos próximos cem anos.
Os contratos preveem ao inquilino “o direito total de exploração da terra”. Segundo ONGs que atuam no setor, os acordos são pouco transparentes e muitas vezes os habitantes dos vilarejos envolvidos recebem pouca informação sobre os interesses em jogo e os prováveis impactos sociais e ambientais.
A compra e leasing de terras em países estrangeiros, especialmente na África, ganhou força após a crise alimentar mundial, em 2007-2008, quando o preço dos alimentos disparou. A preferência pela África ocorreu por causa da oferta mais frequente, no continente, de vastas áreas de terras férteis e baratas, onde a agricultura em escala industrial ainda não é praticada.
Além dos investidores que produzem apenas para atender seus interesses externos, há muitos que fazem parcerias com agricultores locais, deixando margem para a divisão dos benefícios.
“Alguns fundos soberanos realizam joint-ventures, vão trabalhar na comercialização, na produção. Enfim, outros irão trabalhar no armazenamento de produtos. Há diversos mecanismos em implantação”, observa Graziano.
O problema, segundo Graziano, é que poucos desses investidores contemplam as tradições locais na hora de produzir alimentos nesses países, e preferem produzir culturas mais disseminadas no resto do mundo, como trigo, milho, soja e arroz. Estas culturas, segundo Graziano, respondem juntas por 80% da alimentação do mundo.
Pensando nessa questão, a FAO está apoiando o projeto de uma ONG, a Fundação Slow Food, com o objetivo de implantar 10 mil hortas na África, evitando essas lavouras predominantes. Já foram criadas mil hortas na África, e a intenção é chegar a 10 mil em quatro anos em mais de 30 países africanos.
“A preservação das tradições agro-alimentares cria um forte valor cultural. É como a feijoada brasileira, com o rabo de porco, é um valor cultural que chega com a gastronomia”, diz o diretor-geral da FAO.
“A agricultura de subsistência não basta para alimentar o planeta. As commodities devem ser usadas, mas com respeito ao meio ambiente e com o conceito de sustentabilidade”, completa.
“Os governos estão perdendo a soberania sobre o seu território, sobre as suas decisões econômicas. E isso é que tem que ser evitado. E nós estamos apoiando os governos para que eles possam controlar, assumir o controle da situação”, afirmou Graziano em Milão, na Itália, durante um evento sobre segurança alimentar.
“O problema é que isso está escapando ao controle dos governos locais”, acrescentou.
No mês passado, Graziano viajou a países do Golfo Pérsico, onde diz haver um grande interesse por terras no exterior. “Quase todos os países daquela região têm um fundo para inversão (investimento) em outros países. E eles estão investindo em compras de terra. Alguns têm extensões grandes, mais de 100 mil hectares”, afirma.
Segundo a ONG International Land Coalition, 80 milhões de hectares no mundo (o equivalente a cerca de 3 vezes a área da Itália) estão expostos à compra de terras por estrangeiros sendo a metade desse total na África.
Hortas
O último relatório da FAO sobre a questão aponta que governos, como o da Jordânia, alugam vastos territórios do Sudão pelos próximos cem anos.
Os contratos preveem ao inquilino “o direito total de exploração da terra”. Segundo ONGs que atuam no setor, os acordos são pouco transparentes e muitas vezes os habitantes dos vilarejos envolvidos recebem pouca informação sobre os interesses em jogo e os prováveis impactos sociais e ambientais.
A compra e leasing de terras em países estrangeiros, especialmente na África, ganhou força após a crise alimentar mundial, em 2007-2008, quando o preço dos alimentos disparou. A preferência pela África ocorreu por causa da oferta mais frequente, no continente, de vastas áreas de terras férteis e baratas, onde a agricultura em escala industrial ainda não é praticada.
Além dos investidores que produzem apenas para atender seus interesses externos, há muitos que fazem parcerias com agricultores locais, deixando margem para a divisão dos benefícios.
“Alguns fundos soberanos realizam joint-ventures, vão trabalhar na comercialização, na produção. Enfim, outros irão trabalhar no armazenamento de produtos. Há diversos mecanismos em implantação”, observa Graziano.
O problema, segundo Graziano, é que poucos desses investidores contemplam as tradições locais na hora de produzir alimentos nesses países, e preferem produzir culturas mais disseminadas no resto do mundo, como trigo, milho, soja e arroz. Estas culturas, segundo Graziano, respondem juntas por 80% da alimentação do mundo.
Pensando nessa questão, a FAO está apoiando o projeto de uma ONG, a Fundação Slow Food, com o objetivo de implantar 10 mil hortas na África, evitando essas lavouras predominantes. Já foram criadas mil hortas na África, e a intenção é chegar a 10 mil em quatro anos em mais de 30 países africanos.
“A preservação das tradições agro-alimentares cria um forte valor cultural. É como a feijoada brasileira, com o rabo de porco, é um valor cultural que chega com a gastronomia”, diz o diretor-geral da FAO.
“A agricultura de subsistência não basta para alimentar o planeta. As commodities devem ser usadas, mas com respeito ao meio ambiente e com o conceito de sustentabilidade”, completa.
Fonte: Matéria de Guilherme Aquino, da BBC Brasil, publicada pelo EcoDebate
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