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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Indústria vai terceirizar reflorestamento
A indústria de papel e celulose, que durante anos investiu em fazendas próprias de reflorestamento, decidiu partir para a terceirização. "A indústria não tem condições de, sozinha, dar conta da crescente demanda pela madeira de reflorestamento. Além disso, os preços das terras agrícolas subiram muito nos últimos anos e não compensa para a indústria imobilizar um ativo como esse", diz Carlos Augusto Lira Aguiar, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), entidade que reúne empresas como Aracruz, Klabin, Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Acesita.
De acordo com estudo do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil precisa plantar 600 mil hectares de florestas por ano - o equivalente a um investimento de R$ 900 milhões - para ao menos suprir a demanda do mercado interno. Dados do setor mostram, no entanto, que a área deve crescer em 400 mil hectares neste ano e em 500 mil no próximo. "Nesse ritmo, talvez tenhamos que ampliar as importações de madeira", diz Aguiar.
Hoje o Brasil importa US$ 80 milhões de madeira da Argentina e Uruguai. Para dar conta da expansão de área, a Abraf pretende incentivar pequenos produtores rurais a plantarem de madeira de reflorestamento como alternativa de renda. "O eucalipto vai muito bem em áreas de solo pobre, em encostas e terrenos pedregosos, e poderia funcionar como uma segunda ou terceira safra para o agricultor". Hoje, dos 5 milhões de hectares plantados com eucalipto e pinus, 90% estão nas mãos das indústrias e apenas 10% do plantio é feito por terceiros. "Nosso objetivo é chegar a 70% com a indústria e 30% com pequenos agricultores", diz.
Foco no negócio
O setor quer reduzir as áreas de fazendas próprias porque elas têm um custo fixo elevado. "Também queremos nos concentrar no nosso negócio, que é fabricar papel, celulose, carvão vegetal ou chapas de madeira, e não plantar florestas". Embora tenha papel de liderança como produtor e exportador mundial de celulose, o Brasil não atingiu a mesma eficiência quando o assunto é reflorestamento.
No ano em que o Brasil está completando 100 anos de florestas plantadas, outros países que apenas recentemente adotaram a prática cultivam áreas maiores que a nossa. No Brasil são 5 milhões de hectares, enquanto a Indonésia, que iniciou o reflorestamento há nove anos, já plantou 9 milhões de hectares. O plano mais ambicioso, contudo, é o chinês. "Eles querem crescer um Brasil por ano", diz Aguiar. A China, que cultiva 40 milhões de hectares, pretende expandir sua área em 5 milhões de hectares por ano até 2010.
Crédito para o plantio
Para fazer frente à concorrência, o setor estuda medidas de incentivo para o plantio do eucalipto e do pinus. O maior obstáculo é o financiamento ao pequeno agricultor. O setor pede financiamento ao governo, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Antes que isso aconteça, no entanto, as indústrias do setor estão pesquisando formas de desburocratizar o plantio. Isso porque o agricultor que planta florestas está sujeito a diferentes legislações: municipal, estadual, federal, Ibama e secretaria do Meio Ambiente. "Esse cipoal de leis desestimula o pequeno agricultor. Estamos buscando maneiras de simplificar e desburocratizar a atividade", diz.
Mas o maior empecilho é, sem dúvida, a falta de financiamento. O plantio de florestas não é contemplado pelo Plano Safra do governo. O custo de plantio e manutenção no primeiro ano é elevado e o eucalipto leva sete anos para ser colhido. No corte, o agricultor pode ter um lucro de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil por hectare colhido, ganho que pode ser maior até mesmo que o da soja em ano de preços baixos, como este. O problema é que nem todos têm o capital para investir (R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por hectare). Por isso, a Abraf quer estimular o plantio consorciado das florestas com milho ou feijão.
Fonte: Celulose Online – 13/10/2004
De acordo com estudo do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil precisa plantar 600 mil hectares de florestas por ano - o equivalente a um investimento de R$ 900 milhões - para ao menos suprir a demanda do mercado interno. Dados do setor mostram, no entanto, que a área deve crescer em 400 mil hectares neste ano e em 500 mil no próximo. "Nesse ritmo, talvez tenhamos que ampliar as importações de madeira", diz Aguiar.
Hoje o Brasil importa US$ 80 milhões de madeira da Argentina e Uruguai. Para dar conta da expansão de área, a Abraf pretende incentivar pequenos produtores rurais a plantarem de madeira de reflorestamento como alternativa de renda. "O eucalipto vai muito bem em áreas de solo pobre, em encostas e terrenos pedregosos, e poderia funcionar como uma segunda ou terceira safra para o agricultor". Hoje, dos 5 milhões de hectares plantados com eucalipto e pinus, 90% estão nas mãos das indústrias e apenas 10% do plantio é feito por terceiros. "Nosso objetivo é chegar a 70% com a indústria e 30% com pequenos agricultores", diz.
Foco no negócio
O setor quer reduzir as áreas de fazendas próprias porque elas têm um custo fixo elevado. "Também queremos nos concentrar no nosso negócio, que é fabricar papel, celulose, carvão vegetal ou chapas de madeira, e não plantar florestas". Embora tenha papel de liderança como produtor e exportador mundial de celulose, o Brasil não atingiu a mesma eficiência quando o assunto é reflorestamento.
No ano em que o Brasil está completando 100 anos de florestas plantadas, outros países que apenas recentemente adotaram a prática cultivam áreas maiores que a nossa. No Brasil são 5 milhões de hectares, enquanto a Indonésia, que iniciou o reflorestamento há nove anos, já plantou 9 milhões de hectares. O plano mais ambicioso, contudo, é o chinês. "Eles querem crescer um Brasil por ano", diz Aguiar. A China, que cultiva 40 milhões de hectares, pretende expandir sua área em 5 milhões de hectares por ano até 2010.
Crédito para o plantio
Para fazer frente à concorrência, o setor estuda medidas de incentivo para o plantio do eucalipto e do pinus. O maior obstáculo é o financiamento ao pequeno agricultor. O setor pede financiamento ao governo, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Antes que isso aconteça, no entanto, as indústrias do setor estão pesquisando formas de desburocratizar o plantio. Isso porque o agricultor que planta florestas está sujeito a diferentes legislações: municipal, estadual, federal, Ibama e secretaria do Meio Ambiente. "Esse cipoal de leis desestimula o pequeno agricultor. Estamos buscando maneiras de simplificar e desburocratizar a atividade", diz.
Mas o maior empecilho é, sem dúvida, a falta de financiamento. O plantio de florestas não é contemplado pelo Plano Safra do governo. O custo de plantio e manutenção no primeiro ano é elevado e o eucalipto leva sete anos para ser colhido. No corte, o agricultor pode ter um lucro de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil por hectare colhido, ganho que pode ser maior até mesmo que o da soja em ano de preços baixos, como este. O problema é que nem todos têm o capital para investir (R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por hectare). Por isso, a Abraf quer estimular o plantio consorciado das florestas com milho ou feijão.
Fonte: Celulose Online – 13/10/2004
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