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Notícias
18
set
2013
(DESMATAMENTO)
Soja é responsável indireta pelo desmatamento no Brasil
A expansão da soja no Brasil, responsável durante anos pelo desmatamento sem controle da Amazônia, diminuiu seu impacto na floresta graças a uma moratória vigente desde 2006, embora indiretamente ainda provoque a derrubada de árvores.
“Depois de uma campanha do Greenpeace e a pedido de clientes como Carrefour e McDonald’s, os principais exportadores brasileiros deixaram de comprar soja cultivada em terras desmatadas depois de 2006. Isto diminuiu fortemente o impacto do nosso setor na Amazônia”, explicou à AFP Bernardo Machado Pires, responsável de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A moratória compromete grandes multinacionais como Bunge, Cargill ou ADM, e responde por 90% das exportações de soja brasileiras, essencialmente destinadas a Europa e Estados Unidos.
“A soja continua se espalhando na Amazônia mas a moratória desacelera sua expansão desenfreada”, assegurou Michael Becker, encarregado de preservação da WWF Brasil.
As áreas desmatadas depois de 2006 e cultivadas com soja aumentaram 57% entre 2011 e 2012, contra mais de 350% entre 2008 e 2009. Segundo as observações por satélite e aéreas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) representam hoje 18.400 hectares.
O desmatamento para o cultivo da soja continua na Amazônia porque alguns compradores, sobretudo chineses, não são signatários da moratória.
Apesar disso, o Brasil pune com duras penas quem produzir ou comprar soja de áreas ilegalmente desmatadas.
“Este acordo prova que os consumidores não toleram mais o desmatamento na Amazônia, mas não controlam o impacto indireto da soja na floresta”, afirmou Marcio Astrini, coordenador da campanha Amazônia no Greenpeace Brasil.
“Muitas vezes, o cultivo se instala em locais de criação de gado, que por sua vez migra para a floresta”, explicou.
A geógrafa Mariana Soares Domingues, da Universidade de São Paulo (USP), estudou o processo no Estado agrícola de Mato Grosso (Centro-Oeste).
“Os pecuaristas queimam a mata nativa, semeiam o pasto de aviões e depois trazem o gado”, descreveu. “Depois de alguns anos, as pastagens se degradaram, a pecuária vai desmatar outra parte e a soja se instala nessas parcelas abandonadas”, continuou.
“A indústria da soja tem uma responsabilidade indireta”, admite Pires, da Abiove. “Compra terras já desmatadas, mais fáceis de cultivar, e o gado se desloca para áreas menos caras, ou seja, a floresta. É a dinâmica agrícola nestas regiões”, admitiu.
Em 2008, segundo o Inpe, o gado ocupava 62% das áreas desmatadas da Amazônia. A produção de soja no Brasil, que disputa com os Estados Unidos o primeiro lugar como produtor e exportador mundial, dobrou entre 2001 e 2012, e se estende para outros territórios.
“A pressão direta sobre a Amazônia diminui, mas a expansão se faz em detrimento de ecossistemas como o cerrado”, inquietou-se Michael Becker, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
Este enorme ecossistema de quase 2 milhões de km2, situado na região central do Brasil e com grande biodiversidade, forneceu mais de 60% da safra recorde de 2012-13. O Brasil, que é o segundo produtor de soja do mundo, pode superar os Estados Unidos este ano.
“Desmatar o cerrado e, por fim, secá-lo, pode ser muito grave para todo o País porque ele irriga rios gigantescos, como o Amazonas ou o Paraná”, alertou a geógrafa Mariana Soares Domingues.
O novo Código Florestal brasileiro, aprovado no ano passado, mantém em 35% o percentual de terras que devem ser preservadas no cerrado (contra 80% na Amazônia).
“A soja tem um impacto importante no cerrado, mas nossos clientes europeus estão preocupados com a Amazônia e os indígenas. O mercado não nos pede ainda para proteger este ecossistema”, explicou Pires, da Abiove.
Ecologistas garantem que o Brasil, quinta potência agrícola mundial, pode aumentar sua produção sem cortar uma só árvore.
“O País dispõe de 60 milhões de hectares de antigas pastagens ou de áreas abandonadas. Poderia transformá-las em áreas produtivas e dobrar, assim, sua superfície agrícola”, sugeriu Marcio Astrini, do Greenpeace.
A indústria da soja, que representa cerca de 2% do PIB brasileiro, exerce influência crescente nas decisões econômicas e políticas do País.
“Depois de uma campanha do Greenpeace e a pedido de clientes como Carrefour e McDonald’s, os principais exportadores brasileiros deixaram de comprar soja cultivada em terras desmatadas depois de 2006. Isto diminuiu fortemente o impacto do nosso setor na Amazônia”, explicou à AFP Bernardo Machado Pires, responsável de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A moratória compromete grandes multinacionais como Bunge, Cargill ou ADM, e responde por 90% das exportações de soja brasileiras, essencialmente destinadas a Europa e Estados Unidos.
“A soja continua se espalhando na Amazônia mas a moratória desacelera sua expansão desenfreada”, assegurou Michael Becker, encarregado de preservação da WWF Brasil.
As áreas desmatadas depois de 2006 e cultivadas com soja aumentaram 57% entre 2011 e 2012, contra mais de 350% entre 2008 e 2009. Segundo as observações por satélite e aéreas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) representam hoje 18.400 hectares.
O desmatamento para o cultivo da soja continua na Amazônia porque alguns compradores, sobretudo chineses, não são signatários da moratória.
Apesar disso, o Brasil pune com duras penas quem produzir ou comprar soja de áreas ilegalmente desmatadas.
“Este acordo prova que os consumidores não toleram mais o desmatamento na Amazônia, mas não controlam o impacto indireto da soja na floresta”, afirmou Marcio Astrini, coordenador da campanha Amazônia no Greenpeace Brasil.
“Muitas vezes, o cultivo se instala em locais de criação de gado, que por sua vez migra para a floresta”, explicou.
A geógrafa Mariana Soares Domingues, da Universidade de São Paulo (USP), estudou o processo no Estado agrícola de Mato Grosso (Centro-Oeste).
“Os pecuaristas queimam a mata nativa, semeiam o pasto de aviões e depois trazem o gado”, descreveu. “Depois de alguns anos, as pastagens se degradaram, a pecuária vai desmatar outra parte e a soja se instala nessas parcelas abandonadas”, continuou.
“A indústria da soja tem uma responsabilidade indireta”, admite Pires, da Abiove. “Compra terras já desmatadas, mais fáceis de cultivar, e o gado se desloca para áreas menos caras, ou seja, a floresta. É a dinâmica agrícola nestas regiões”, admitiu.
Em 2008, segundo o Inpe, o gado ocupava 62% das áreas desmatadas da Amazônia. A produção de soja no Brasil, que disputa com os Estados Unidos o primeiro lugar como produtor e exportador mundial, dobrou entre 2001 e 2012, e se estende para outros territórios.
“A pressão direta sobre a Amazônia diminui, mas a expansão se faz em detrimento de ecossistemas como o cerrado”, inquietou-se Michael Becker, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
Este enorme ecossistema de quase 2 milhões de km2, situado na região central do Brasil e com grande biodiversidade, forneceu mais de 60% da safra recorde de 2012-13. O Brasil, que é o segundo produtor de soja do mundo, pode superar os Estados Unidos este ano.
“Desmatar o cerrado e, por fim, secá-lo, pode ser muito grave para todo o País porque ele irriga rios gigantescos, como o Amazonas ou o Paraná”, alertou a geógrafa Mariana Soares Domingues.
O novo Código Florestal brasileiro, aprovado no ano passado, mantém em 35% o percentual de terras que devem ser preservadas no cerrado (contra 80% na Amazônia).
“A soja tem um impacto importante no cerrado, mas nossos clientes europeus estão preocupados com a Amazônia e os indígenas. O mercado não nos pede ainda para proteger este ecossistema”, explicou Pires, da Abiove.
Ecologistas garantem que o Brasil, quinta potência agrícola mundial, pode aumentar sua produção sem cortar uma só árvore.
“O País dispõe de 60 milhões de hectares de antigas pastagens ou de áreas abandonadas. Poderia transformá-las em áreas produtivas e dobrar, assim, sua superfície agrícola”, sugeriu Marcio Astrini, do Greenpeace.
A indústria da soja, que representa cerca de 2% do PIB brasileiro, exerce influência crescente nas decisões econômicas e políticas do País.
Fonte: Terra
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