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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Unicamp mostra importância da biomassa
O futuro da energia, no Brasil, está na biomassa, principalmente na cana-de-açúcar. Essa é a conclusão de um estudo realizado por uma equipe de especialistas comandada pelo físico e professor mérito da Unicamp Rogério César de Cerqueira Leite. Ele é o único representante brasileiro a compor o Grupo de Trabalho em Energia, juntamente com mais nove cientistas de várias partes do mundo, reunidos pela União Internacional de Física Pura e Aplicada, com o objetivo de estudar várias fontes de energia e como cada uma delas pode suprir a demanda mundial nos próximos 50 anos, em 130 países.
Para desenvolver este importante trabalho, o professor Rogério buscou o apoio institucional da Unicamp, através do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe). A equipe foi composta pelos professores Manoel Sobral Jr., Luiz Augusto Barbosa Cortez, Edgardo Olivares Gomes e Álvaro Furtado Leite, todos ligados ao Nipe; do professor Frank Rosillo-Calle, do Imperial College de Londres; e de Manoel Regis Lima Verde Leal, da Copersucar. Atuaram como colaboradores Ennio Peres da Silva, coordenador do Nipe, e Carlos Eduardo Vaz-Rossell, da Copersucar. A pesquisa teve apoio financeiro da Finep.
Unicamp deu apoio institucional
De acordo com Cerqueira Leite, a preocupação com as reservas mundiais de petróleo, que é um recurso energético finito, fez com que a União Internacional reunisse pesquisadores de alto nível com a finalidade de mapear as opções energéticas no mundo, respeitando as especificidades de cada região. No caso do Brasil, a escolha pelo tema biomassa ocorreu justamente pelo fato de que o país possui a aplicação mais adiantada nessa área. Fontes de energia renováveis como a cana-de-açúcar e seus subprodutos (álcool e bagaço de cana), o biodiesel e suas fontes de extração (soja, dendê e mamona), a madeira (eucalipto), além de outras formas de calor e eletricidade, foram detalhadamente analisadas.
Cana-de-açúcar
O professor Luiz Cortez, que também é coordenador de Relações Institucionais e Internacionais da Unicamp, explica que, mesmo muito perto de alcançar a auto-suficiência na produção de petróleo, é bem provável que, após um período de maturação dos campos petrolíferos brasileiros, haja uma queda na produção e esse fato precisa ser considerado. Além disso, é certo que haverá um aumento significativo da participação do gás natural na composição da matriz energética, porém é preciso planejar a longo prazo pois trata-se de outra fonte não-renovável de energia. O Brasil possui uma extensão territorial com disponibilidade de áreas de plantio muito grandes, o clima favorece colheitas alternadas e a orientação para o plantio de cana-de-açúcar é muito bem fundamentado.
O setor sucro-alcooleiro está estrategicamente organizado e estruturado, tanto na questão da produção como das tecnologias existentes. É um setor que pratica preços competitivos nos mercados interno e externo e possui uma produção de álcool combustível equivalente a 250 mil barris diários de petróleo, o que significa 15% da produção nacional de combustíveis. Outro fator fundamental nessa pesquisa é que a área de cultivo atualmente é de 5,5 milhões de hectares, ou seja, menos de 1% das terras agriculturáveis do país.
Cortez acredita que fortes investimentos nessa área serão capazes de deixar o Brasil numa situação futura bastante confortável do ponto de vista energético. Além disso, o investimento tem reflexos positivos em várias outras áreas, tais como nos implementos agrícolas (equipamentos e fertilizantes), na melhoria genética da planta e, também, da mão-de-obra na lavoura. “Outro ponto bastante importante é a formação de recursos humanos na área de negociação internacional, principalmente para os advogados. Conhecer o Protocolo de Kyoto, o mecanismo de compra e venda de créditos de carbono, são fatores importantes num futuro próximo e o Brasil possui poucas pessoas com habilidade para discutir esses pontos em uma rodada de negociações”, analisa o professor.
Biodiesel
Cortez avalia que o programa do biodiesel ainda pode demorar um tempo maior para atingir a maturação. Ao contrário do que aconteceu com o Pro-Álcool, o biodiesel ainda não encontra, nesse momento, fatores que estimulem grandes investimentos no seu desenvolvimento. “O Brasil não está em situação de dependência externa na área energética e o governo não possui recursos financeiros para bancar o programa, como aconteceu com o álcool, quando foram investidos US$ 10 milhões em pesquisas e tecnologia. Dessa forma, acredito que o biodiesel demorará um pouco mais de tempo para contribuir significativamente com a matriz energética, mas ainda são necessários estudos conclusivos sobre os benefícios e impactos não-energéticos desse possível programa”, afirma ele. As pesquisas apontam para a soja e o dendê como fontes de biodiesel que devem crescer de produção nos próximos anos.
O relatório brasileiro contendo aproximadamente 120 páginas será apresentado à União Internacional de Física Pura e Aplicada durante reunião neste mês de outubro. O relatório final será apresentado a autoridades do mundo todo com a finalidade de subsidiar a adoção de políticas públicas na área de energia.
Fonte: Celulose Online – 07/10/2004
Para desenvolver este importante trabalho, o professor Rogério buscou o apoio institucional da Unicamp, através do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe). A equipe foi composta pelos professores Manoel Sobral Jr., Luiz Augusto Barbosa Cortez, Edgardo Olivares Gomes e Álvaro Furtado Leite, todos ligados ao Nipe; do professor Frank Rosillo-Calle, do Imperial College de Londres; e de Manoel Regis Lima Verde Leal, da Copersucar. Atuaram como colaboradores Ennio Peres da Silva, coordenador do Nipe, e Carlos Eduardo Vaz-Rossell, da Copersucar. A pesquisa teve apoio financeiro da Finep.
Unicamp deu apoio institucional
De acordo com Cerqueira Leite, a preocupação com as reservas mundiais de petróleo, que é um recurso energético finito, fez com que a União Internacional reunisse pesquisadores de alto nível com a finalidade de mapear as opções energéticas no mundo, respeitando as especificidades de cada região. No caso do Brasil, a escolha pelo tema biomassa ocorreu justamente pelo fato de que o país possui a aplicação mais adiantada nessa área. Fontes de energia renováveis como a cana-de-açúcar e seus subprodutos (álcool e bagaço de cana), o biodiesel e suas fontes de extração (soja, dendê e mamona), a madeira (eucalipto), além de outras formas de calor e eletricidade, foram detalhadamente analisadas.
Cana-de-açúcar
O professor Luiz Cortez, que também é coordenador de Relações Institucionais e Internacionais da Unicamp, explica que, mesmo muito perto de alcançar a auto-suficiência na produção de petróleo, é bem provável que, após um período de maturação dos campos petrolíferos brasileiros, haja uma queda na produção e esse fato precisa ser considerado. Além disso, é certo que haverá um aumento significativo da participação do gás natural na composição da matriz energética, porém é preciso planejar a longo prazo pois trata-se de outra fonte não-renovável de energia. O Brasil possui uma extensão territorial com disponibilidade de áreas de plantio muito grandes, o clima favorece colheitas alternadas e a orientação para o plantio de cana-de-açúcar é muito bem fundamentado.
O setor sucro-alcooleiro está estrategicamente organizado e estruturado, tanto na questão da produção como das tecnologias existentes. É um setor que pratica preços competitivos nos mercados interno e externo e possui uma produção de álcool combustível equivalente a 250 mil barris diários de petróleo, o que significa 15% da produção nacional de combustíveis. Outro fator fundamental nessa pesquisa é que a área de cultivo atualmente é de 5,5 milhões de hectares, ou seja, menos de 1% das terras agriculturáveis do país.
Cortez acredita que fortes investimentos nessa área serão capazes de deixar o Brasil numa situação futura bastante confortável do ponto de vista energético. Além disso, o investimento tem reflexos positivos em várias outras áreas, tais como nos implementos agrícolas (equipamentos e fertilizantes), na melhoria genética da planta e, também, da mão-de-obra na lavoura. “Outro ponto bastante importante é a formação de recursos humanos na área de negociação internacional, principalmente para os advogados. Conhecer o Protocolo de Kyoto, o mecanismo de compra e venda de créditos de carbono, são fatores importantes num futuro próximo e o Brasil possui poucas pessoas com habilidade para discutir esses pontos em uma rodada de negociações”, analisa o professor.
Biodiesel
Cortez avalia que o programa do biodiesel ainda pode demorar um tempo maior para atingir a maturação. Ao contrário do que aconteceu com o Pro-Álcool, o biodiesel ainda não encontra, nesse momento, fatores que estimulem grandes investimentos no seu desenvolvimento. “O Brasil não está em situação de dependência externa na área energética e o governo não possui recursos financeiros para bancar o programa, como aconteceu com o álcool, quando foram investidos US$ 10 milhões em pesquisas e tecnologia. Dessa forma, acredito que o biodiesel demorará um pouco mais de tempo para contribuir significativamente com a matriz energética, mas ainda são necessários estudos conclusivos sobre os benefícios e impactos não-energéticos desse possível programa”, afirma ele. As pesquisas apontam para a soja e o dendê como fontes de biodiesel que devem crescer de produção nos próximos anos.
O relatório brasileiro contendo aproximadamente 120 páginas será apresentado à União Internacional de Física Pura e Aplicada durante reunião neste mês de outubro. O relatório final será apresentado a autoridades do mundo todo com a finalidade de subsidiar a adoção de políticas públicas na área de energia.
Fonte: Celulose Online – 07/10/2004
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