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Notícias

11
jun
2013
(GERAL)
Dendrocronologia aplicada a espécies do Norte de Minas Gerais
O crescimento de uma árvore responde a diversos fatores ambientais e bióticos que interagem. Uma forma de estudar e reconhecer esses fatores é através dos anéis de crescimento e sua relação com essas variações, o que fornece um banco de dados relacionado a climatologia, ecologia de florestas e manejo florestal.

Durante muito tempo, acreditou-se que árvores de áreas tropicais não apresentavam o crescimento anual registrado em anéis, mas essa teoria tem sido erradicada pela prova da ocorrência desses anéis anuais em espécies tropicais no mundo. Como principais mecanismos dessa formação estão as inundações em planícies alagáveis e a sazonalidade bem definida da precipitação.

As formações de Floresta Estacional Decidual são áreas propicias para o desenvolvimento desses estudos, uma vez que estão sujeitas a um período de sazonalidade pluvial. Sabendo disso, uma equipe da Universidade Federal de Lavras (UFLA), coordenados pela professora Ana Carolina Maiolini, realizou um estudo no Norte de Minas Gerais com algumas espécies florestais para avaliar as respectivas respostas no período sazonal através dos anéis. Através dos resultados encontrados, foi possível conhecer mecanismos eficientes na dinâmica dessas formações e, consequentemente, implicações para a conservação desses ecossistemas, bem como as espécies potenciais para realização do estudo.

As amostras foram feitas em cinco fragmentos florestais, localizados em Pandeiros, Januária e Itacarambi. As amostras de lenho coletadas foram observadas e preparadas para que se analisassem de maneira clara a visualização de suas estruturas. Vinte e quatro (24) espécies foram amostradas e 75% delas apresentaram algum grau de visibilidade dos anéis. Daquelas que apresentaram maior visibilidade foram levantadas a idade e a taxa de crescimento, o que variou de 11 a 105 anos e de 0,2 a 0,7 cm.ano-¹. Verificou-se também que espécies com madeira de maior densidade apresentaram menores valores de incremento médio anual, e que a variação entre as árvores é efeito decorrente das condições de crescimento, forma das árvores e características genéticas.

As espécies apresentaram diferentes taxas e formas de crescimento e isso se relaciona diretamente com o modo que elas respondem a fatores externos, como radiação, presença ou ausência de água.
Dentre as espécies amostradas, foi escolhida a Cedrela fissilis, para avaliação, pois ela apresentou melhores condições de visualização da estrutura. A cronologia obtida foi positivamente correlacionada com a precipitação regional durante a estação das chuvas e negativamente correlacionada com as temperaturas da superfície do mar (TSM) do Oceano Atlântico Tropical Sul nos períodos de outubro a março.
Esses resultados preliminares precisam ser confirmados por meio de discos completos obtidos dos troncos de árvores vivas e mortas na região de estudo, mas já apontam que cronologias de elevada sensibilidade climática podem ser desenvolvidas a partir dessa espécie na região Nordeste do Brasil.


Adriele de Lima Felix - Graduanda em Engenharia Florestal – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Marcela Gomes da Silva - Doutoranda no Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Fonte: CIFlorestas

ITTO Sindimadeira_rs

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