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Notícias
24
abr
2013
(DESMATAMENTO)
Uma nova ferramenta contra o desmatamento ilegal: tecnologia de DNA para árvores
Tecnologias modernas de DNA oferecem uma oportunidade única: determinar a origem de uma mesa e investigar se as árvores usadas na fabricação foram obtidas ilegalmente. Cada peça de mobília de madeira vem com um código de barras escondido que pode contar a sua história desde a coleta na floresta até a sua sala.
“A investigação de cenas de crime (CSI, em inglês) dependem de informações genéticas para encontrar os culpados. Exatamente o mesmo tipo de análise é usada para o desmatamento ilegal”, explica Andrew Lowe, professor em biologia da conservação das plantas na Universidade de Adelaide (Austrália), e cientista chefe da empresa Double Helix, que é líder no desenvolvimento de rastreamento por DNA.
Essa tecnologia é crucial na investigação do desmatamento ilegal. Os certificados de origem em papel, tradicionalmente usados, podem ser inapropriados ou falsificados por oficiais corruptos e empresários. “Mas não é possível falsificar o DNA”, comentou Lowe.
A inovação de Lowe na análise genética dos tecidos das árvores veio quando ele conseguiu extrair o DNA da madeira proveniente de um naufrágio com 500 anos. Obter o código genético da madeira processada é como montar um quebra-cabeça sem ter uma foto para guiar. “Não é um exercício trivial”, comentou.
Outro desafio é a construção de uma base de dados com o DNA de cada espécie de árvore de cada região do mundo. Sem essa informação de base, a amostragem do DNA de madeiras comercialmente disponíveis não pode ser usada para identificar a espécie ou se veio do desmatamento.
“Será preciso tempo, energia e dinheiro”, disse Lowe.
Grupos internacionais de pesquisadores já coletaram informações de muitas espécies de alto valor, como o cedro espanhol, o mogno, a teca e o ébano. Eles compilaram mapas com o DNA de espécies da Indonésia, Malásia, Costa Rica, México, Guatemala, Guiana Francesa, Brasil, Camarões, Nigéria e Gabão. Atualmente, os esforços estão focados em oito países africanos da Bacia do Congo.
Ao se utilizar a tecnologia de DNA, madeiras comerciais podem ser definitivamente certificadas como ‘sustentáveis’. O custo é menos de 1% do valor da madeira – um adicional relativamente pequeno para os consumidores que desejam garantir que a mobília da sua nova casa não motivou o corte da floresta.
Algumas empresas socialmente responsáveis – principalmente fora dos Estados Unidos – já vendem madeira com o selo da certificação através do DNA. Porém, o Conselho Americano de Exportação de Madeira está considerando oferecer a verificação do DNA na sua cadeia de fornecimento.
Legisladores de muitos países têm tirado vantagem da tecnologia de rastreamento de DNA. É simples e não tão cara de ser aplicada em madeiras estocadas em depósitos e serrarias. Um único teste pode custar menos de US$ 400 e levar apenas uma semana: com uma amostra do tamanho de um dado, o investigador pode descobrir a espécie da árvore e o país de origem.
Lowe explica que atualmente há duas investigações criminais nos Estados Unidos e Alemanha, onde os promotores estão usando análises genéticas para substanciar alegações de legalidade dos fornecedores de madeira. Essa abordagem cria um precedente jurídico importante na luta contra o desmatamento ilegal. Os carregamentos foram apreendidos por autoridades de fiscalização e enviados para o teste de DNA. Esses casos ainda estão sob investigação e as partes envolvidas não foram divulgadas, porém, se a origem da madeira ilegal for comprovada, multas pesadas serão impostas aos fornecedores.
E corretamente, coloca Jonathan Geach, diretor executivo da Double Helix. “Você acha que é legal vender algo em seu país que foi roubado em outro?”, questiona. Com leis como o Lacey Act nos Estados Unidos e a Regulação Madeireira na União Europeia, exigindo que as empresas comprovem que as árvores usadas em seus produtos e papéis foram legalmente exploradas, os serviços da empresa se tornarão mais e mais populares.
Mas os consumidores têm um papel enorme nesse processo, segundo Geach. “Quando eles escutam histórias sobre grandes áreas desmatadas, levantam as mãos e dizem, ‘o que podemos fazer? Isso é horrível!’. Bem, de fato há muita coisa a ser feita! Pare de comprar madeira ilegal!”.
Geach sugere que na próxima vez que você for ao IKEA, pergunte: “O que é? De onde vem? E se as pessoas disserem que vem de uma fonte sustentável, pergunte como eles sabem. A IKEA pode descobrir de onde vem aquela coisa, é apenas questão de vontade”.
Citação: Lowe AJ, Cross HB (2011) The Application of DNA to Timber Tracking and Origin Verification. Journal of the International Association of Wood Anatomists 32(2): 251-262.
Traduzido por Fernanda Müller
“A investigação de cenas de crime (CSI, em inglês) dependem de informações genéticas para encontrar os culpados. Exatamente o mesmo tipo de análise é usada para o desmatamento ilegal”, explica Andrew Lowe, professor em biologia da conservação das plantas na Universidade de Adelaide (Austrália), e cientista chefe da empresa Double Helix, que é líder no desenvolvimento de rastreamento por DNA.
Essa tecnologia é crucial na investigação do desmatamento ilegal. Os certificados de origem em papel, tradicionalmente usados, podem ser inapropriados ou falsificados por oficiais corruptos e empresários. “Mas não é possível falsificar o DNA”, comentou Lowe.
A inovação de Lowe na análise genética dos tecidos das árvores veio quando ele conseguiu extrair o DNA da madeira proveniente de um naufrágio com 500 anos. Obter o código genético da madeira processada é como montar um quebra-cabeça sem ter uma foto para guiar. “Não é um exercício trivial”, comentou.
Outro desafio é a construção de uma base de dados com o DNA de cada espécie de árvore de cada região do mundo. Sem essa informação de base, a amostragem do DNA de madeiras comercialmente disponíveis não pode ser usada para identificar a espécie ou se veio do desmatamento.
“Será preciso tempo, energia e dinheiro”, disse Lowe.
Grupos internacionais de pesquisadores já coletaram informações de muitas espécies de alto valor, como o cedro espanhol, o mogno, a teca e o ébano. Eles compilaram mapas com o DNA de espécies da Indonésia, Malásia, Costa Rica, México, Guatemala, Guiana Francesa, Brasil, Camarões, Nigéria e Gabão. Atualmente, os esforços estão focados em oito países africanos da Bacia do Congo.
Ao se utilizar a tecnologia de DNA, madeiras comerciais podem ser definitivamente certificadas como ‘sustentáveis’. O custo é menos de 1% do valor da madeira – um adicional relativamente pequeno para os consumidores que desejam garantir que a mobília da sua nova casa não motivou o corte da floresta.
Algumas empresas socialmente responsáveis – principalmente fora dos Estados Unidos – já vendem madeira com o selo da certificação através do DNA. Porém, o Conselho Americano de Exportação de Madeira está considerando oferecer a verificação do DNA na sua cadeia de fornecimento.
Legisladores de muitos países têm tirado vantagem da tecnologia de rastreamento de DNA. É simples e não tão cara de ser aplicada em madeiras estocadas em depósitos e serrarias. Um único teste pode custar menos de US$ 400 e levar apenas uma semana: com uma amostra do tamanho de um dado, o investigador pode descobrir a espécie da árvore e o país de origem.
Lowe explica que atualmente há duas investigações criminais nos Estados Unidos e Alemanha, onde os promotores estão usando análises genéticas para substanciar alegações de legalidade dos fornecedores de madeira. Essa abordagem cria um precedente jurídico importante na luta contra o desmatamento ilegal. Os carregamentos foram apreendidos por autoridades de fiscalização e enviados para o teste de DNA. Esses casos ainda estão sob investigação e as partes envolvidas não foram divulgadas, porém, se a origem da madeira ilegal for comprovada, multas pesadas serão impostas aos fornecedores.
E corretamente, coloca Jonathan Geach, diretor executivo da Double Helix. “Você acha que é legal vender algo em seu país que foi roubado em outro?”, questiona. Com leis como o Lacey Act nos Estados Unidos e a Regulação Madeireira na União Europeia, exigindo que as empresas comprovem que as árvores usadas em seus produtos e papéis foram legalmente exploradas, os serviços da empresa se tornarão mais e mais populares.
Mas os consumidores têm um papel enorme nesse processo, segundo Geach. “Quando eles escutam histórias sobre grandes áreas desmatadas, levantam as mãos e dizem, ‘o que podemos fazer? Isso é horrível!’. Bem, de fato há muita coisa a ser feita! Pare de comprar madeira ilegal!”.
Geach sugere que na próxima vez que você for ao IKEA, pergunte: “O que é? De onde vem? E se as pessoas disserem que vem de uma fonte sustentável, pergunte como eles sabem. A IKEA pode descobrir de onde vem aquela coisa, é apenas questão de vontade”.
Citação: Lowe AJ, Cross HB (2011) The Application of DNA to Timber Tracking and Origin Verification. Journal of the International Association of Wood Anatomists 32(2): 251-262.
Traduzido por Fernanda Müller
Fonte: Instituto CarbonoBrasi
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