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Notícias
06
mar
2013
(MEIO AMBIENTE)
R$ 350 bilhões é o custo estimado de recuperação de APPs e Reservas Legais
Uma nova despesa vai entrar no orçamento do produtor rural, a do reflorestamento das Áreas de Proteção Permanentes (APP) e de Reserva Legal (RL). O Ministério do Meio Ambiente estima que 35 milhões de hectares no país tenham de ser restaurados – replantados ou induzidos à recuperação – para que as fazendas atendam às normas do novo Código Florestal, e o preço dessa conta pode chegar a R$ 350 bilhões, calculados a partir do custo médio do reflorestamento com mudas (R$ 10 mil por hectare). É dinheiro que não acaba mais para um mercado novo, que já nasce com muitos gargalos: não há tantas sementes disponíveis, a mão de obra (os mateiros, homens que coletam sementes) é rara e há poucos viveiros de mudas nativas regularizados no país. Ou seja: investir nessa área pode ser um bom negócio. Para o produtor, um alento: com exceção das APPs, onde a exploração é proibida, reflorestar as Reservas Legais pode ser uma maneira inteligente de diversificar a propriedade e obter lucros com o comércio de madeiras nobres certificadas, a extração de óleos, a venda de sementes e até o recebimento por prestação de serviços ambientais. A fortuna que se esconde na mata já desperta o interesse de pequenos produtores de mudas e de grandes investidores, que estão plantando verdadeiras florestas pelo Brasil afora.
“Doutor Renato, quero ter uma fábrica de árvores, um grande reflorestamento de Mata Atlântica, porque é disso que o mundo precisa e é isso que o mercado financeiro quer. Você topa?” Com esse convite, o banqueiro Bruno Mariani (BBM), de 50 anos, convenceu o engenheiro florestal Renato de Jesus, de 61 anos (40 de florestas), a colocar em prática um megainvestimento, inédito no mundo, a Symbiosis, em Trancoso (BA). O encontro dos dois foi mais ou menos como juntar a fome com a vontade de comer. Mariani vem do mercado financeiro e é apaixonado pela natureza. Levava bronca da avó quando criança, porque vivia plantando árvores no jardim da casa dela, no Rio de Janeiro, e até hoje “fala” com plantas. Jesus, por sua vez, visitou florestas do mundo inteiro em busca de conhecimento e já plantou 93 milhões de árvores, contabilizadas até dezembro de 2012. Mariani e Jesus trabalham, literalmente, em simbiose, uma relação mútua vantajosa em que dois ou mais organismos diferentes são beneficiados.
Na fazenda de 330 hectares, a 17 quilômetros da praia, está a primeira floresta plantada pelos dois. “Aqui era uma área de pastagens degradadas. Estava abandonada”, lembra Mariani, que também é presidente do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). “Hoje, dois anos e meio depois de iniciarmos o plantio, temos todas as margens reflorestadas, com cerca de 200 espécies da vegetação local e mais 30 de árvores nativas plantadas para produção de madeira”, diz o banqueiro, que tem em mãos um plano de negócios que ele considera uma aposentadoria de ouro: 100.000 hectares de florestas nativas plantadas para atuar no mercado financeiro e na venda de madeiras nobres.
Foi em 2006 que Mariani começou a pensar em plantar árvores. Primeiro, pensou que poderia unir sua paixão ao mercado de créditos de carbono para faturar, mas, conversando com Jesus, concluiu que poderia criar um negócio maior e mais valioso. “Florestas são investimentos de longo prazo e baixo risco. Sua rentabilidade é comparável a um investimento de renda fixa, e os preços da terra e da madeira têm alta correlação com a inflação”, diz ele. “Isso transforma a floresta no ativo mais desejado pelos fundos de pensão nos Estados Unidos e na Europa.” De acordo com o executivo, vários fatores influenciam na rentabilidade da floresta: a valorização da terra, o crescimento biológico das árvores, a perspectiva de redução da oferta de madeira que vem de florestas naturais, além do crescimento econômico de países emergentes. “O crescimento biológico melhora a rentabilidade porque, quanto maior a árvore, maior o seu uso e maior será o seu preço”, explica. “A floresta não depende de nenhum fator do mercado para crescer, só de água e luz. Então, em mais ou menos quatro anos, quando as árvores já são mais resistentes, é possível calcular o valor do ativo de forma transparente.”
Mariani e mais sete sócios que entraram de cabeça no negócio estão na fase de investimentos, até agora de R$ 20 milhões. “É um bem que estamos fazendo para o planeta e, é claro, precisamos rentabilizar o negócio para ser viável. Isso vale tanto para o grande investidor como para o pequeno agricultor. É a regra do jogo”, diz. “O objetivo é atender à demanda por produtos madeireiros sem alterar os mecanismos dos ecossistemas que se sustentam.” O retorno pode girar em torno de 10% nos primeiros cinco anos, com a venda de madeira de crescimento rápido, como as utilizadas para produzir cabos de ferramentas, e podem ser retiradas de árvores que atingem o ponto de corte em 18 a 20 meses (cada cabo custa, em média, US$ 6). “Depois, vêm outras estratégias.”
“Doutor Renato, quero ter uma fábrica de árvores, um grande reflorestamento de Mata Atlântica, porque é disso que o mundo precisa e é isso que o mercado financeiro quer. Você topa?” Com esse convite, o banqueiro Bruno Mariani (BBM), de 50 anos, convenceu o engenheiro florestal Renato de Jesus, de 61 anos (40 de florestas), a colocar em prática um megainvestimento, inédito no mundo, a Symbiosis, em Trancoso (BA). O encontro dos dois foi mais ou menos como juntar a fome com a vontade de comer. Mariani vem do mercado financeiro e é apaixonado pela natureza. Levava bronca da avó quando criança, porque vivia plantando árvores no jardim da casa dela, no Rio de Janeiro, e até hoje “fala” com plantas. Jesus, por sua vez, visitou florestas do mundo inteiro em busca de conhecimento e já plantou 93 milhões de árvores, contabilizadas até dezembro de 2012. Mariani e Jesus trabalham, literalmente, em simbiose, uma relação mútua vantajosa em que dois ou mais organismos diferentes são beneficiados.
Na fazenda de 330 hectares, a 17 quilômetros da praia, está a primeira floresta plantada pelos dois. “Aqui era uma área de pastagens degradadas. Estava abandonada”, lembra Mariani, que também é presidente do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). “Hoje, dois anos e meio depois de iniciarmos o plantio, temos todas as margens reflorestadas, com cerca de 200 espécies da vegetação local e mais 30 de árvores nativas plantadas para produção de madeira”, diz o banqueiro, que tem em mãos um plano de negócios que ele considera uma aposentadoria de ouro: 100.000 hectares de florestas nativas plantadas para atuar no mercado financeiro e na venda de madeiras nobres.
Foi em 2006 que Mariani começou a pensar em plantar árvores. Primeiro, pensou que poderia unir sua paixão ao mercado de créditos de carbono para faturar, mas, conversando com Jesus, concluiu que poderia criar um negócio maior e mais valioso. “Florestas são investimentos de longo prazo e baixo risco. Sua rentabilidade é comparável a um investimento de renda fixa, e os preços da terra e da madeira têm alta correlação com a inflação”, diz ele. “Isso transforma a floresta no ativo mais desejado pelos fundos de pensão nos Estados Unidos e na Europa.” De acordo com o executivo, vários fatores influenciam na rentabilidade da floresta: a valorização da terra, o crescimento biológico das árvores, a perspectiva de redução da oferta de madeira que vem de florestas naturais, além do crescimento econômico de países emergentes. “O crescimento biológico melhora a rentabilidade porque, quanto maior a árvore, maior o seu uso e maior será o seu preço”, explica. “A floresta não depende de nenhum fator do mercado para crescer, só de água e luz. Então, em mais ou menos quatro anos, quando as árvores já são mais resistentes, é possível calcular o valor do ativo de forma transparente.”
Mariani e mais sete sócios que entraram de cabeça no negócio estão na fase de investimentos, até agora de R$ 20 milhões. “É um bem que estamos fazendo para o planeta e, é claro, precisamos rentabilizar o negócio para ser viável. Isso vale tanto para o grande investidor como para o pequeno agricultor. É a regra do jogo”, diz. “O objetivo é atender à demanda por produtos madeireiros sem alterar os mecanismos dos ecossistemas que se sustentam.” O retorno pode girar em torno de 10% nos primeiros cinco anos, com a venda de madeira de crescimento rápido, como as utilizadas para produzir cabos de ferramentas, e podem ser retiradas de árvores que atingem o ponto de corte em 18 a 20 meses (cada cabo custa, em média, US$ 6). “Depois, vêm outras estratégias.”
Fonte: Globo Rural
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