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Notícias
16
jan
2013
(COMÉRCIO EXTERIOR)
Brasil é o país com menor importação
O Brasil é o país que menos importa no mundo, como proporção do seu PIB. Os dados são do Banco Mundial, e mostram como a economia brasileira é fechada, apesar das reclamações de empresários sobre a concorrência externa. Em 2011, segundo o Banco Mundial, o Brasil teve exportações de bens e serviços equivalentes a 13% do PIB. Numa lista de 179 países, o Brasil é o que tem a menor relação entre importações e PIB. A grande maioria dos dados é de 2011, mas, no caso de alguns países, o dado é de anos anteriores (de 2007 a 2010). No grupo dos Brics, por exemplo, a China tem importações de produtos e serviços de 27% do PIB, a Índia de 30%e a Rússia de 21%. Entre as principais economias da América Latina, o México tem importações correspondentes a 32% do PIB, a Argentina a 20%e a Colômbia a 17%. Mesmo os Estados Unidos, que são a maior e mais diversificada economia do mundo, apresentam uma proporção de importações sobre o PIB de 16%, maior do que a brasileira. “Se a economia se fecha, a escala de produção é menor, o País não importa as tecnologias mais avançadas e a produtividade é prejudicada”, diz o economista Edmar Bacha, um dos “pais” do Plano Real, e hoje diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (Iepe/ CdG). Ele nota que uma empresa como a Embraer importa a grande maioria dos seus componentes (como os motores Rolls-Royce britânicos), mas, em compensação, tem um produto competitivo no mercado internacional que lhe garante uma escala global para as suas vendas. A preocupação de Bacha e de outros economistas liberais é como que vêem como uma “guinada protecionista” do atual governo. Esta mudança pode ser vista na elevação das tarifas de cem produtos, acertada com os demais parceiros do Mercosul, e na proliferação de medidas de exigência de “conteúdo nacional” em áreas tão distintas como petróleo, automóveis, telecomunicações e medicamentos.
Custo dos investimentos.
Em recente pesquisa com Regis Bonelli, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas no Rio (FGV-Rio), Bacha investiga a alta histórica, ao longo do processo de industrialização brasileiro, do custo dos investimentos. Eles encontram evidência de que a substituição de maquinário importado por nacional é uma das causas desse processo que, segundo Bacha, é totalmente discrepante em relação à experiência histórica de quase todos os países. Como os investimentos incluem também a construção civil, o economista suspeita que cartéis em setores como cimento e aço também contribuam para o alto preço das inversões no Brasil. Bacha nota que o preço dos investimentos parou de crescer a partir de 1994, o que atribui aos efeitos da abertura comercial do início dos anos 90. Mas o custo de investir permaneceu num patamar elevado. Para o economista, a guinada protecionista do governo torna ainda mais improvável que o custo do investimento no Brasil convirja para níveis mais comparáveis com os de outros países. Para o economista Maurício Canêdo, do Ibre, um problema particularmente grave das recentes medidas protecionistas é que elas atingem insumos intermediários, como máquinas e equipamentos. “Proteção em bens finais, como automóveis, é ruim, mas dá para lidar com isso; já proteção em máquinas e equipamentos é péssimo”, diz. A razão, segundo Canêdo, é que medidas protecionistas para insumos intermediários oneram a economia como um todo, além de limitarem o acesso a novas tecnologias. “Boa parte dos erros cometidos nas décadas de 60 e 70 têm a ver com proteger demais o mercado desses insumos,e aparentemente estamos cometendo o mesmo erro agora”, critica. O economista nota que a recente desvalorização do real já contribui para tornar mais caro o preço de máquinas importadas. Tanto Bacha quanto Canêdo chamam a atenção para o fato de que até o Ministério da Saúde tem políticas voltadas ao conteúdo nacional. “O Ministério da Saúde deveria estar mais preocupado em diminuir a incidência de doenças do que em viabilizar a produção de equipamentos médicos no Brasil, o que pode até aumentar seu preço”, diz Canêdo.
Protecionismo.
O economista FernandoRocha, sóciodagesto-ra de recursos JGP, no Rio, acha que“houvesimumaguinadapro-tecionista, eogovernoestámais propensoaouvir lobbiesquepe-dem proteção”. Ele acrescenta, noentanto, que aposturadogo-vernobrasileirodeveservistano contextomaisamplodeumaten-dência global ao protecionismo. “O ambiente de crise nem sem-pre leva ao melhor do ponto de vista econômico – em casa que faltapão,todomundobrigaenin-guémtemrazão”, comenta. Dados levantados pela JGP mostram que as importações brasileiras como proporção do PIB em 2012 estavam em 9,8%, menos que os 10% de 2001. Os números são diferentes dos da-dos do Banco Mundial porque nãoincluemosserviços. Jáasex-portações brasileiras de bens chegaram a 10,7% do PIB em 2012, praticamenteomesmoní-vel de 2001, quando foram de 10,5%.
Custo dos investimentos.
Em recente pesquisa com Regis Bonelli, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas no Rio (FGV-Rio), Bacha investiga a alta histórica, ao longo do processo de industrialização brasileiro, do custo dos investimentos. Eles encontram evidência de que a substituição de maquinário importado por nacional é uma das causas desse processo que, segundo Bacha, é totalmente discrepante em relação à experiência histórica de quase todos os países. Como os investimentos incluem também a construção civil, o economista suspeita que cartéis em setores como cimento e aço também contribuam para o alto preço das inversões no Brasil. Bacha nota que o preço dos investimentos parou de crescer a partir de 1994, o que atribui aos efeitos da abertura comercial do início dos anos 90. Mas o custo de investir permaneceu num patamar elevado. Para o economista, a guinada protecionista do governo torna ainda mais improvável que o custo do investimento no Brasil convirja para níveis mais comparáveis com os de outros países. Para o economista Maurício Canêdo, do Ibre, um problema particularmente grave das recentes medidas protecionistas é que elas atingem insumos intermediários, como máquinas e equipamentos. “Proteção em bens finais, como automóveis, é ruim, mas dá para lidar com isso; já proteção em máquinas e equipamentos é péssimo”, diz. A razão, segundo Canêdo, é que medidas protecionistas para insumos intermediários oneram a economia como um todo, além de limitarem o acesso a novas tecnologias. “Boa parte dos erros cometidos nas décadas de 60 e 70 têm a ver com proteger demais o mercado desses insumos,e aparentemente estamos cometendo o mesmo erro agora”, critica. O economista nota que a recente desvalorização do real já contribui para tornar mais caro o preço de máquinas importadas. Tanto Bacha quanto Canêdo chamam a atenção para o fato de que até o Ministério da Saúde tem políticas voltadas ao conteúdo nacional. “O Ministério da Saúde deveria estar mais preocupado em diminuir a incidência de doenças do que em viabilizar a produção de equipamentos médicos no Brasil, o que pode até aumentar seu preço”, diz Canêdo.
Protecionismo.
O economista FernandoRocha, sóciodagesto-ra de recursos JGP, no Rio, acha que“houvesimumaguinadapro-tecionista, eogovernoestámais propensoaouvir lobbiesquepe-dem proteção”. Ele acrescenta, noentanto, que aposturadogo-vernobrasileirodeveservistano contextomaisamplodeumaten-dência global ao protecionismo. “O ambiente de crise nem sem-pre leva ao melhor do ponto de vista econômico – em casa que faltapão,todomundobrigaenin-guémtemrazão”, comenta. Dados levantados pela JGP mostram que as importações brasileiras como proporção do PIB em 2012 estavam em 9,8%, menos que os 10% de 2001. Os números são diferentes dos da-dos do Banco Mundial porque nãoincluemosserviços. Jáasex-portações brasileiras de bens chegaram a 10,7% do PIB em 2012, praticamenteomesmoní-vel de 2001, quando foram de 10,5%.
Fonte: O Estado de São Paulo
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