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Notícias
05
dez
2012
(GERAL)
Acre lidera novo boom da borracha
O estado do Acre é pioneiro em uma abordagem de desenvolvimento que busca tirar o máximo proveito da floresta sem destruí-la.
O primeiro boom da borracha no Brasil, desencadeado pela invenção do carro, terminou abruptamente com o bem-sucedido cultivo de seringais na Ásia. O segundo, como fornecedor de borracha para os aliados da Segunda Guerra Mundial depois que o Japão cortou as suas fontes de borracha, mal durou até o fim da guerra. Ambas as ocasiões enriqueceram os proprietários dos seringais na Amazônia, às custas do trabalho escravo de famílias de seringueiros que curavam o látex. Agora, em regiões mais remotas da Amazônia, a borracha está ensaiando um tênue retorno. E desta vez, são os seringueiros que estão tentando escrever o roteiro.
O assassinato de Chico Mendes em 1988, o homem que liderou a luta dos seringueiros contra os madeireiros e pecuaristas na região, selou uma aliança entre seringueiros e ambientalistas. A morte de Mendes nas mãos de fazendeiros também plantou as sementes de mudança no Acre, estado natal de Mendes, governado desde 1999 pelo autoproclamado “governo da floresta”, como é conhecida a administração estadual. O governo do estado ajudou extrativistas a formar cooperativas e diversificar as culturas tradicionais da borracha e da castanha em busca de novos mercados.
O objetivo, segundo Tião Viana, governador do estado, é fazer com que a floresta seja mais valiosa do que a exploração madeireira e pecuária, de modo que o Acre possa proteger árvores sem sacrificar o desenvolvimento. Desde 1999, o estado foi mapeado e zoneado, com grande parte de sua floresta protegida em parques ou reservas indígenas e extrativistas. Alguns, principalmente os pequenos agricultores, ainda desmatam ilegalmente. Mas as regras, de um modo geral, têm sido respeitadas. Algumas áreas desmatadas serão replantadas, outras podem ser utilizadas para a agricultura de baixo impacto, e outras ainda serão exploradas por indústrias sustentáveis que comercializam produtos florestais. “Nós não precisamos desmatar mais”, declara Viana. “Mas não precisamos ter medo de usar o que já foi liberado para o desenvolvimento”.
Desenvolvimento e a sustentabilidade de mãos dadas
Em Xapuri, cidade natal de Mendes, uma fábrica que leva seu nome comercializa nozes selvagens. Ela é dirigida pela cooperativa Cooperacre, com mais de 2 mil pequenos produtores. Perto dali, a Natex, a única fábrica de preservativos do mundo que utiliza látex de seringais selvagens, compra sua matéria-prima de 700 famílias de seringueiros. A Natex paga um pouco mais do que o valor de mercado, e o governo do estado acrescenta um subsídio em reconhecimento do papel destas famílias na proteção da floresta. O governo federal compra toda a produção da fábrica de 100 milhões de preservativos por ano como parte de seu programa nacional de combate à Aids.
O Seringal Veneza, uma reserva de seringeiros perto de Feijó, na região central do Acre, é muito distante da Natex para servir como seu fornecedor. Mas um grupo de 32 famílias que moram ali está usando técnicas desenvolvidas na Universidade de Brasília para processar o latex in loco. As folhas de borracha resultantes são mais fáceis de armazenar e transportar, e podem ser vendidas por um preço muito mais alto. A Veja, uma empresa de calçados francesa, é uma de suas clientes, e Flávia Amadeu, uma designer do Rio de Janeiro, está ensinando os seringueiros a tingir e dar textura às folhas para que sejam transformadas em joias.
Estradas de dois gumes
Novas estradas levam moradores rurais aos postos de saúde e escolas, além de produtos para o mercado extrativista. Mas elas também facilitam a chegada das motosserras. Viana está abrindo o último trecho da estrada que liga o Acre ao resto do Brasil, ao mesmo tempo que tenta limitar o seu impacto prejudicial sobre a floresta. Perto de Feijó, parcelas de terras cultivadas agem como uma barreira entre a estrada e terra virgem: em 2000, o estado concedeu 4,5 hectares de pastagens degradadas ao longo da estrada para agricultores familiares da região. Aqueles que as reflorestaram e evitaram o uso do fogo para desmatar receberam sementes, treinamento, ajuda para encontrar compradores e um subsídio de R$500 por ano.
Há mais de uma década, a taxa de crescimento econômico do Acre supera a média brasileira. As escolas e serviços de saúde do estado têm melhorado, e a pobreza e o analfabetismo caído muito mais rápido do que a media nacional também. Entretanto, intensificar e ampliar as políticas sob medida do estado para possibilitar o desenvolvimento sustentável de toda a região da Amazônia seria difícil, assim como custoso. O Acre é pequeno, representando apenas 3,5% da Amazônia (embora ainda seja maior que a Inglaterra). E apenas uma parte pequena do estado está dentro do “arco do desmatamento”: a fronteira entre fazendas existentes e a floresta, onde a agricultura de corte-e-queima tende a ocorrer com mais frequência. Isso facilitou a resolução de disputas de terra no estado e o cumprimento de leis de zoneamento. Talvez a lição mais importante do Acre para outros estados da região seja simplesmente que as políticas ambientalistas podem ser desenvolvimentistas também.
O primeiro boom da borracha no Brasil, desencadeado pela invenção do carro, terminou abruptamente com o bem-sucedido cultivo de seringais na Ásia. O segundo, como fornecedor de borracha para os aliados da Segunda Guerra Mundial depois que o Japão cortou as suas fontes de borracha, mal durou até o fim da guerra. Ambas as ocasiões enriqueceram os proprietários dos seringais na Amazônia, às custas do trabalho escravo de famílias de seringueiros que curavam o látex. Agora, em regiões mais remotas da Amazônia, a borracha está ensaiando um tênue retorno. E desta vez, são os seringueiros que estão tentando escrever o roteiro.
O assassinato de Chico Mendes em 1988, o homem que liderou a luta dos seringueiros contra os madeireiros e pecuaristas na região, selou uma aliança entre seringueiros e ambientalistas. A morte de Mendes nas mãos de fazendeiros também plantou as sementes de mudança no Acre, estado natal de Mendes, governado desde 1999 pelo autoproclamado “governo da floresta”, como é conhecida a administração estadual. O governo do estado ajudou extrativistas a formar cooperativas e diversificar as culturas tradicionais da borracha e da castanha em busca de novos mercados.
O objetivo, segundo Tião Viana, governador do estado, é fazer com que a floresta seja mais valiosa do que a exploração madeireira e pecuária, de modo que o Acre possa proteger árvores sem sacrificar o desenvolvimento. Desde 1999, o estado foi mapeado e zoneado, com grande parte de sua floresta protegida em parques ou reservas indígenas e extrativistas. Alguns, principalmente os pequenos agricultores, ainda desmatam ilegalmente. Mas as regras, de um modo geral, têm sido respeitadas. Algumas áreas desmatadas serão replantadas, outras podem ser utilizadas para a agricultura de baixo impacto, e outras ainda serão exploradas por indústrias sustentáveis que comercializam produtos florestais. “Nós não precisamos desmatar mais”, declara Viana. “Mas não precisamos ter medo de usar o que já foi liberado para o desenvolvimento”.
Desenvolvimento e a sustentabilidade de mãos dadas
Em Xapuri, cidade natal de Mendes, uma fábrica que leva seu nome comercializa nozes selvagens. Ela é dirigida pela cooperativa Cooperacre, com mais de 2 mil pequenos produtores. Perto dali, a Natex, a única fábrica de preservativos do mundo que utiliza látex de seringais selvagens, compra sua matéria-prima de 700 famílias de seringueiros. A Natex paga um pouco mais do que o valor de mercado, e o governo do estado acrescenta um subsídio em reconhecimento do papel destas famílias na proteção da floresta. O governo federal compra toda a produção da fábrica de 100 milhões de preservativos por ano como parte de seu programa nacional de combate à Aids.
O Seringal Veneza, uma reserva de seringeiros perto de Feijó, na região central do Acre, é muito distante da Natex para servir como seu fornecedor. Mas um grupo de 32 famílias que moram ali está usando técnicas desenvolvidas na Universidade de Brasília para processar o latex in loco. As folhas de borracha resultantes são mais fáceis de armazenar e transportar, e podem ser vendidas por um preço muito mais alto. A Veja, uma empresa de calçados francesa, é uma de suas clientes, e Flávia Amadeu, uma designer do Rio de Janeiro, está ensinando os seringueiros a tingir e dar textura às folhas para que sejam transformadas em joias.
Estradas de dois gumes
Novas estradas levam moradores rurais aos postos de saúde e escolas, além de produtos para o mercado extrativista. Mas elas também facilitam a chegada das motosserras. Viana está abrindo o último trecho da estrada que liga o Acre ao resto do Brasil, ao mesmo tempo que tenta limitar o seu impacto prejudicial sobre a floresta. Perto de Feijó, parcelas de terras cultivadas agem como uma barreira entre a estrada e terra virgem: em 2000, o estado concedeu 4,5 hectares de pastagens degradadas ao longo da estrada para agricultores familiares da região. Aqueles que as reflorestaram e evitaram o uso do fogo para desmatar receberam sementes, treinamento, ajuda para encontrar compradores e um subsídio de R$500 por ano.
Há mais de uma década, a taxa de crescimento econômico do Acre supera a média brasileira. As escolas e serviços de saúde do estado têm melhorado, e a pobreza e o analfabetismo caído muito mais rápido do que a media nacional também. Entretanto, intensificar e ampliar as políticas sob medida do estado para possibilitar o desenvolvimento sustentável de toda a região da Amazônia seria difícil, assim como custoso. O Acre é pequeno, representando apenas 3,5% da Amazônia (embora ainda seja maior que a Inglaterra). E apenas uma parte pequena do estado está dentro do “arco do desmatamento”: a fronteira entre fazendas existentes e a floresta, onde a agricultura de corte-e-queima tende a ocorrer com mais frequência. Isso facilitou a resolução de disputas de terra no estado e o cumprimento de leis de zoneamento. Talvez a lição mais importante do Acre para outros estados da região seja simplesmente que as políticas ambientalistas podem ser desenvolvimentistas também.
Fonte: Publicado originalmente na The Economist e retirado do site Opinião e Notícia.
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