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Notícias
30
nov
2012
(DESMATAMENTO)
Desmatamento provoca menos gás-estufa no Brasil
Mudou o perfil das emissões de gases-estufa do Brasil. Em 2011, energia e agricultura já responderam por cerca de 56% do bolo das emissões brasileiras, tradicionalmente dominadas pelo desmatamento.
Esse dado revela uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que retrata o esforço que o Brasil tem feito para conter o desmatamento e mostra que vem dando certo. Na terça-feira, o governo celebrou o menor índice de desmatamento dos últimos 24 anos ao divulgar os dados do acumulado de agosto de 2011 a julho de 2012 – 4656 km2, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A má notícia é a alta na tendência emissora dos outros setores.
“Estamos passando por uma completa transformação da emissão de gases-estufa do Brasil”, diz o engenheiro florestal Tasso Rezende de Azevedo, autor do estudo “Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil 1990 -2011″. “Partimos da redução do desmatamento, que sempre foi o carro-chefe das emissões brasileiras, e vemos que, já em 2012, elas serão menores que as de energia e agricultura”, diz Azevedo, um dos mais importantes consultores do governo neste tema.
O estudo representa uma estimativa das emissões brasileiras entre 1990 e 2011. Procurou trabalhar com todos os gases-estufa inventariados pelo Brasil dando mais foco ao gás carbônico (CO2), ao metano (NH4) e óxido nitroso (N2 O) que respondem por quase a totalidade do problema. As emissões de energia incluem o consumo de todos os combustíveis fósseis – é aí que estão setores como transportes. O relatório contou com a participação de outros especialistas e usou como base o Inventário Brasileiro de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil e dados públicos disponíveis na internet. Um dos objetivos, diz o autor, é “oferecer subsídios para o debate sobre a trajetória de emissões brasileiras e os avanços em relação à meta de redução de emissões.”
O estudo é uma fotografia das emissões do país nos últimos anos e as dificuldades para o futuro. As emissões mundiais de gases-estufa cresceram 36% entre 1990 e 2011 enquanto as brasileiras subiram só 14%. Há outro dado auspicioso: as emissões brasileiras caíram 35% no total entre 2005 e 2011, enquanto as globais aumentaram 9%.
Mas há um problema nestes números. “Se separarmos as emissões de desmatamento do total veremos que elas caíram 64% no período, mas as outras cresceram 18%”, diz Azevedo. “Isso mostra que o desmatamento tem uma contribuição fundamental no bolo das emissões do país, mas mascara uma realidade que é o crescimento de outros setores em um ritmo maior que o ritmo global.” A tendência de crescimento brasileira é o dobro da mundial.
O Brasil tem o que festejar porque, continuando assim, cumprirá a meta de redução de emissões a que se propôs – cortar em pelo menos 36,1% as emissões em 2020 quando comparadas com a projeção que o país teria se não procurasse conter o desmatamento ou ter políticas e planos setoriais de baixo carbono para todas as outras atividades. “Vamos cumprir as metas, mas com as emissões apontando para cima”, destaca o consultor.
Esse é um dado importante para a nova fase da negociação internacional. Em 2015 o mundo estará dentro de um grande acordo de redução de gases-estufa. Na visão de Azevedo, o país tem feito um esforço grande para cortar “a gordura do desmatamento. Mas, lá na frente, não teremos mais isso”. É por esse motivo que os planos setoriais brasileiros são tão importantes.
Por Daniela Chiaretti
Esse dado revela uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que retrata o esforço que o Brasil tem feito para conter o desmatamento e mostra que vem dando certo. Na terça-feira, o governo celebrou o menor índice de desmatamento dos últimos 24 anos ao divulgar os dados do acumulado de agosto de 2011 a julho de 2012 – 4656 km2, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A má notícia é a alta na tendência emissora dos outros setores.
“Estamos passando por uma completa transformação da emissão de gases-estufa do Brasil”, diz o engenheiro florestal Tasso Rezende de Azevedo, autor do estudo “Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil 1990 -2011″. “Partimos da redução do desmatamento, que sempre foi o carro-chefe das emissões brasileiras, e vemos que, já em 2012, elas serão menores que as de energia e agricultura”, diz Azevedo, um dos mais importantes consultores do governo neste tema.
O estudo representa uma estimativa das emissões brasileiras entre 1990 e 2011. Procurou trabalhar com todos os gases-estufa inventariados pelo Brasil dando mais foco ao gás carbônico (CO2), ao metano (NH4) e óxido nitroso (N2 O) que respondem por quase a totalidade do problema. As emissões de energia incluem o consumo de todos os combustíveis fósseis – é aí que estão setores como transportes. O relatório contou com a participação de outros especialistas e usou como base o Inventário Brasileiro de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil e dados públicos disponíveis na internet. Um dos objetivos, diz o autor, é “oferecer subsídios para o debate sobre a trajetória de emissões brasileiras e os avanços em relação à meta de redução de emissões.”
O estudo é uma fotografia das emissões do país nos últimos anos e as dificuldades para o futuro. As emissões mundiais de gases-estufa cresceram 36% entre 1990 e 2011 enquanto as brasileiras subiram só 14%. Há outro dado auspicioso: as emissões brasileiras caíram 35% no total entre 2005 e 2011, enquanto as globais aumentaram 9%.
Mas há um problema nestes números. “Se separarmos as emissões de desmatamento do total veremos que elas caíram 64% no período, mas as outras cresceram 18%”, diz Azevedo. “Isso mostra que o desmatamento tem uma contribuição fundamental no bolo das emissões do país, mas mascara uma realidade que é o crescimento de outros setores em um ritmo maior que o ritmo global.” A tendência de crescimento brasileira é o dobro da mundial.
O Brasil tem o que festejar porque, continuando assim, cumprirá a meta de redução de emissões a que se propôs – cortar em pelo menos 36,1% as emissões em 2020 quando comparadas com a projeção que o país teria se não procurasse conter o desmatamento ou ter políticas e planos setoriais de baixo carbono para todas as outras atividades. “Vamos cumprir as metas, mas com as emissões apontando para cima”, destaca o consultor.
Esse é um dado importante para a nova fase da negociação internacional. Em 2015 o mundo estará dentro de um grande acordo de redução de gases-estufa. Na visão de Azevedo, o país tem feito um esforço grande para cortar “a gordura do desmatamento. Mas, lá na frente, não teremos mais isso”. É por esse motivo que os planos setoriais brasileiros são tão importantes.
Por Daniela Chiaretti
Fonte: Valor Econômico
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