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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Madeireiras ganham o mercado externo
Os executivos da indústria da madeira gostam de dizer que cada dólar exportado pelo setor gera um saldo líquido na balança comercial, porque não exige a importação de insumos. Em 2004 eles não precisarão fazer muito esforço para chamar a atenção para as vendas externas do produto. De janeiro a julho as exportações brasileiras de madeira cresceram 55% em relação a igual período do ano passado e somaram US$ 1,65 bilhão.
No Paraná, maior exportador do país, o aumento foi ainda maior, de 68%. As vendas do estado chegaram a US$ 644,7 milhões, o equivalente a 39% do total.Os Estados Unidos foram os grandes compradores. Sozinhos os americanos mandaram para o Brasil US$ 771 milhões em sete meses para receber madeira serrada, compensada ou em formato de molduras para a construção civil, 75% mais que em igual período do ano passado. No caso do Paraná, as receitas de vendas para aquele país cresceram 102%, para US$ 364,5 milhões. O restante das vendas do estado foi enviado para mais de 100 países.
No século passado o Paraná foi um grande fornecedor de toras, principalmente de araucária. Com o o esgotamento das matas nativas os madeireiros tiveram de migrar para outros estados, como Pará, Mato Grosso e Rondônia, em busca de matéria-prima. Foi graças ao incentivo fiscal ao reflorestamento oferecido pelo governo federal nas décadas de 60, 70 e 80 que ele voltou a atrair a atenção da indústria, porém com outros produtos, pinus e eucalipto, que também são usados por fabricantes de papel. "Os incentivos acabaram, mas o que foi plantado naquela época tem atendido às mais diferentes indústrias", conta o presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Madeira (Abpmex), Vasco Flândoli Sobrinho.
Atualmente, o maior número de madeireiras está instalado na vizinhança de grandes fornecedores de toras. Há muitas delas nas proximidades de empresas como a fabricante de embalagens Klabin, na cidade de Telêmaco Borba, ou da multinacional especializada em papel de imprensa Norske Skog, em Jaguariaíva, ambas localizadas na região paranaense dos Campos Gerais. Da mesma mata de onde sai a madeira para a Norske Skog, cultivada pela Florestal Vale do Corisco, sai também a que abastece a BrasPine, que foi fundada em 1996 em Jaguariaíva e hoje é uma das maiores produtoras de molduras para portas, janelas e rodapés da América Latina.
Em Telêmaco Borba, a Klabin possui 120 mil hectares de floresta plantada e fornece matéria-prima para mais de 30 empresas. "Na nossa floresta há muita madeira madura, com mais de 20 anos, ideal para a indústria", explica o gerente florestal da Klabin, José Aldezir de Luca Pucci. Segundo ele, desde 1998, quando a empresa conseguiu o selo do Forest Stewardship Council (FSC), que indica a prática de um bom manejo florestal e garante a aceitação no mercado internacional, a empresa tem aumentado continuamente o fornecimento de matéria-prima para terceiros. Em 2002 foram 900 mil toneladas e, no ano passado, 1,1 milhão de toneladas. A previsão para 2004 é de venda de 1,3 milhão de toneladas.
O balanço da empresa retrata o que tem acontecido nos últimos meses. No segundo trimestre, a Klabin movimentou dois milhões de toneladas de toras de pinus e eucalipto, das quais 1,2 milhão foram usadas nas fábricas do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Para terceiros foram vendidas 824 mil toneladas, 51% mais que no segundo trimestre de 2003 e 9% mais do que no primeiro trimestre de 2004. A receita líquida da venda para terceiros no período foi de R$ 71 milhões.
Além da compensação financeira pela venda de madeira ao mercado, a empresa tem compromisso com a prefeitura local para a atração de indústrias.Como parte do plano criado na década de 90, a Klabin comprometeu-se a fornecer madeira por pelo menos dez anos aos que decidissem investir na cidade. O prefeito Carlos Hugo Von Graffen conta que muita coisa mudou desde então. "Crescemos muito", afirma. O orçamento do município, que era de R$ 17 milhões em 1997, saltou para R$ 37 milhões em 2004. Hoje o pólo madeireiro emprega 3,5 mil pessoas, número que aumentará com a chegada de mais oito empresas, sendo duas estrangeiras - uma italiana e outra portuguesa.
Há exceções para a dependência da floresta de terceiros. Em União da Vitória, na divisa com Santa Catarina, a Formacomp produz e exporta compensados feitos com madeira própria. Ela embarca para Estados Unidos e Europa o equivalente a 100 carretas do produto por mês e, segundo o proprietário, José Luiz Dissenha, esse movimento deve dobrar até dezembro. "Durante anos trabalhamos para obter certificação. Hoje buscamos clientes no mundo todo", diz.
Mesmo quem não encontra floresta na vizinhança tem aproveitado a boa fase do setor. A Sudati, uma das maiores fabricantes de lâminas e compensados do país, que tem 3,3 mil empregados e sede em Palmas (PR), viaja de 300 a 400 quilômetros para buscar madeira no Paraná e em Santa Catarina. "O mercado da construção civil está aquecido nos Estados Unidos e as vendas para lá têm crescido muito", diz o empresário Luiz Alberto Sudati, que espera faturar em 2004 o dobro do ano passado.
Fonte: Valor Econômico – 14/09/2004
No Paraná, maior exportador do país, o aumento foi ainda maior, de 68%. As vendas do estado chegaram a US$ 644,7 milhões, o equivalente a 39% do total.Os Estados Unidos foram os grandes compradores. Sozinhos os americanos mandaram para o Brasil US$ 771 milhões em sete meses para receber madeira serrada, compensada ou em formato de molduras para a construção civil, 75% mais que em igual período do ano passado. No caso do Paraná, as receitas de vendas para aquele país cresceram 102%, para US$ 364,5 milhões. O restante das vendas do estado foi enviado para mais de 100 países.
No século passado o Paraná foi um grande fornecedor de toras, principalmente de araucária. Com o o esgotamento das matas nativas os madeireiros tiveram de migrar para outros estados, como Pará, Mato Grosso e Rondônia, em busca de matéria-prima. Foi graças ao incentivo fiscal ao reflorestamento oferecido pelo governo federal nas décadas de 60, 70 e 80 que ele voltou a atrair a atenção da indústria, porém com outros produtos, pinus e eucalipto, que também são usados por fabricantes de papel. "Os incentivos acabaram, mas o que foi plantado naquela época tem atendido às mais diferentes indústrias", conta o presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Madeira (Abpmex), Vasco Flândoli Sobrinho.
Atualmente, o maior número de madeireiras está instalado na vizinhança de grandes fornecedores de toras. Há muitas delas nas proximidades de empresas como a fabricante de embalagens Klabin, na cidade de Telêmaco Borba, ou da multinacional especializada em papel de imprensa Norske Skog, em Jaguariaíva, ambas localizadas na região paranaense dos Campos Gerais. Da mesma mata de onde sai a madeira para a Norske Skog, cultivada pela Florestal Vale do Corisco, sai também a que abastece a BrasPine, que foi fundada em 1996 em Jaguariaíva e hoje é uma das maiores produtoras de molduras para portas, janelas e rodapés da América Latina.
Em Telêmaco Borba, a Klabin possui 120 mil hectares de floresta plantada e fornece matéria-prima para mais de 30 empresas. "Na nossa floresta há muita madeira madura, com mais de 20 anos, ideal para a indústria", explica o gerente florestal da Klabin, José Aldezir de Luca Pucci. Segundo ele, desde 1998, quando a empresa conseguiu o selo do Forest Stewardship Council (FSC), que indica a prática de um bom manejo florestal e garante a aceitação no mercado internacional, a empresa tem aumentado continuamente o fornecimento de matéria-prima para terceiros. Em 2002 foram 900 mil toneladas e, no ano passado, 1,1 milhão de toneladas. A previsão para 2004 é de venda de 1,3 milhão de toneladas.
O balanço da empresa retrata o que tem acontecido nos últimos meses. No segundo trimestre, a Klabin movimentou dois milhões de toneladas de toras de pinus e eucalipto, das quais 1,2 milhão foram usadas nas fábricas do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Para terceiros foram vendidas 824 mil toneladas, 51% mais que no segundo trimestre de 2003 e 9% mais do que no primeiro trimestre de 2004. A receita líquida da venda para terceiros no período foi de R$ 71 milhões.
Além da compensação financeira pela venda de madeira ao mercado, a empresa tem compromisso com a prefeitura local para a atração de indústrias.Como parte do plano criado na década de 90, a Klabin comprometeu-se a fornecer madeira por pelo menos dez anos aos que decidissem investir na cidade. O prefeito Carlos Hugo Von Graffen conta que muita coisa mudou desde então. "Crescemos muito", afirma. O orçamento do município, que era de R$ 17 milhões em 1997, saltou para R$ 37 milhões em 2004. Hoje o pólo madeireiro emprega 3,5 mil pessoas, número que aumentará com a chegada de mais oito empresas, sendo duas estrangeiras - uma italiana e outra portuguesa.
Há exceções para a dependência da floresta de terceiros. Em União da Vitória, na divisa com Santa Catarina, a Formacomp produz e exporta compensados feitos com madeira própria. Ela embarca para Estados Unidos e Europa o equivalente a 100 carretas do produto por mês e, segundo o proprietário, José Luiz Dissenha, esse movimento deve dobrar até dezembro. "Durante anos trabalhamos para obter certificação. Hoje buscamos clientes no mundo todo", diz.
Mesmo quem não encontra floresta na vizinhança tem aproveitado a boa fase do setor. A Sudati, uma das maiores fabricantes de lâminas e compensados do país, que tem 3,3 mil empregados e sede em Palmas (PR), viaja de 300 a 400 quilômetros para buscar madeira no Paraná e em Santa Catarina. "O mercado da construção civil está aquecido nos Estados Unidos e as vendas para lá têm crescido muito", diz o empresário Luiz Alberto Sudati, que espera faturar em 2004 o dobro do ano passado.
Fonte: Valor Econômico – 14/09/2004
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