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Notícias

11
out
2012
(SETOR FLORESTAL)
Extração de Madeira Shovel Logging
Shovel Logging é uma técnica de se remover madeira, que em resumo pode ser definida como “movimentação de madeira por escavadeira hidráulica”.

Uma máquina base de esteiras, podendo ser uma escavadeira adaptada ou mesmo um Shovel Logger (máquina construída para esta finalidade) é equipada com um implemento o qual possui a função de movimentar madeira, feixes de árvores ou de toras, descreve a Tigercat (2011).

Fisher (1999) comenta que a técnica foi desenvolvida inicialmente a Noroeste do Pacífico, mais especificamente na península de Olympic, Washington, Estados Unidos em meados da década de 70. O desenvolvimento desta técnica de extração de madeira se deu principalmente devido a dois fatores: a busca por uma solução para a remoção de madeira em certos locais, principalmente locais montanhosos ou locais com solos macios, e a segunda, como consequência do sucesso da utilização de escavadeiras hidráulicas na construção. Observando a eficácia das escavadeiras hidráulicas, os madeireiros da época decidiram realizar algumas adaptações e passaram a utilizar as escavadeiras para as atividades florestais na extração de madeira. Inicialmente o sistema foi utilizado em terrenos suaves para a movimentação em curtas distâncias, completa Fisher (1999).

Desde então a técnica vem sendo aperfeiçoada por meio de observações das operações, melhorias nos equipamentos, estudos técnicos e análises para a busca da melhor forma de se realizar esta atividade.

Atualmente os fabricantes de máquinas florestais oferecem os Shovel Loggers que são máquinas construídas e projetadas especificamente para realizar esta atividade. Estas máquinas projetadas especificamente são conhecidas como máquinas "purpose-built."

A técnica Shovel Logging é uma opção viável de remoção de madeira em terrenos que não permitem que máquinas convencionais como Skidders e Forwarders realizem a extração de madeira. Em situações onde o custo de remoção por outras formas como Cabos Aéreos seriam elevados e ainda onde as distâncias de remoção são consideradas curtas. Este método pode ser aplicado com sucesso em terrenos de solos macios ou pantanosos onde as máquinas convencionais que operam neste tipo de terreno não podem trafegar com muito peso devido à baixa capacidade de flutuação do solo, como também em aplicações em terrenos íngremes, morros ou encostas. No caso de operações em terrenos íngremes este sistema limitava-se anteriormente a operar com até 35% inclinação (McNEEL; ANDERSSON, 1993). Porém atualmente com máquinas maiores, mais potentes e projetadas especificamente para esta atividade, pode-se observar Shovel Loggers trabalhando em terrenos com até 50% de inclinação, desde que a máquina tenha um sistema de nivelamento que a permitem operar nesta declividade. Geralmente nestas condições topográficas os feixes de árvores são removidos sentido a baixo da declividade.

De acordo com Antônio Paulo (2007) e a Revista Referência (2007), neste tipo de operação o Shovel Logger realiza a movimentação dos feixes de árvores ou de toras, no alcance do braço da máquina, realizando pilhas de árvores em direção à estrada, onde a madeira será disposta para as atividades seguintes. Isto é feito por meio do giro da máquina. Deste modo à máquina pode se mover no terreno sem o peso da carga, Isso é primordial para o sucesso da operação em muitas situações de remoção de madeira. Em algumas operações, Harvesters de esteiras também são utilizados para fazer a remoção de madeira pelo sistema Shovel Logging. A diferença é que no caso dos Harvesters, a máquina movimenta a madeira com o cabeçote processador instalado na extremidade do braço da máquina em vez de uma garra. O movimento se da pela tração dos rolos do cabeçote sobre as toras ou árvores. A desvantagem de se utilizar um Harvester para desenvolver esta atividade é que enquanto uma garra tem capacidade de movimentar vários troncos, o cabeçote precisa movimentar um por vez, além do que o custo de manutenção de um cabeçote é maior quando comparado com o de uma garra.

Para muitas situações esta forma de extrair madeira é mais viável do que outras, porem a distância de remoção é um dos principais fatores limitantes da aplicação. Dependendo da distância o sistema Shovel Logging pode ser muito econômico, além de causar impacto ambiental muito baixo, comenta Antônio Paulo (2007) Revista Referência (2007). De acordo com Olund (2001) esta forma de extração de madeira é uma alternativa de baixo custo em terrenos com até 40% de declividade e com distância de até aproximadamente 240 metros (800 ft.). Segundo Fisher (1999) para que o sistema tenha bom rendimento às distâncias máximas de remoção são aproximadamente: 200 metros para remoção a favor do declive, 120 metros para remoção contra o declive e menos de 60 metros terrenos moderados.

A operação torna-se viável dentro dos parâmetros estabelecidos pelo seu ganho no rendimento das operações anteriores e posteriores a ela, pelo fato de melhorar o fluxo das atividades parciais do sistema de colheita e por ser uma alternativa de baixo custo e muitas vezes uma das poucas soluções encontradas. Assim esta forma de extração tem sido utilizada com sucesso, suas principais vantagens são: o baixo impacto ao solo, pois a compactação é menor se comparado a outros equipamentos como Skidders e Forwarders, obtém produtividade superior a estas mesmas máquinas em distâncias de remoção curtas, pode operar em terrenos íngremes e solos macios e pantanosos.

Em algumas situações o sistema de extração Shovel Logging é aplicado em local onde o Skidder não seria capaz de operar. Então a madeira é movimentada até um local onde seja possível a operação do Skidder, que dará continuidade à atividade de extração até a beira da estrada. Na América do Norte é uma opção de remoção de madeira muito utilizada há anos, porém no Brasil as primeiras empresas começaram suas operações no ano de 2006.

*Gustavo Pereira Castro é engenheiro florestal

Fonte: Painel Florestal

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