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Notícias
02
ago
2012
(MANEJO)
Estudo polêmico sobre manejo florestal é questionado por pesquisadores
Realizado por Barbara Zimmerman, do Fundo de Conservação Internacional para o Canadá, e Cyril Kormos, vice-presidente de política da Fundação WILD, o trabalho, publicado no periódico BioScience, aponta que as características das florestas tropicais – sua rica biodiversidade, variedade inigualável e interconexões extremamente complexas entre espécies – as tornam particularmente suscetíveis a distúrbios. Por isso, mesmo retirando apenas umas poucas espécies chave de árvores, os madeireiros estariam alterando drasticamente a estrutura geral do ecossistema.
Assim, o estudo conclui que é errada a noção de que uma extração bem administrada em florestas tropicais antigas poderia fornecer um “meio termo” entre a conservação e a conversão de florestas em monoculturas ou pasto.
Esta notícia teve bastante repercussão e o Instituto CarbonoBrasil recebeu de um grupo de três pesquisadores brasileiros, Lucas Mazei1, José Natalino da Silva2 e Alexandre Anders Brasil3, uma carta resposta questionando os resultados do estudo.
Na carta, que foi encaminhada também para o periódico BioScience, os pesquisadores discordam dos resultados apresentados e afirmam: “Baseados nas mesmas referências, nós podemos concluir exatamente o oposto: Manejo Florestal, seja industrial, comunitário, de pequena ou de larga escala é uma excelente ferramenta para a conservação das florestas tropicais se regras técnicas forem seguidas incluindo as características ecológicas das espécies".
A BioSciencie ainda não respondeu aos brasileiros se publicará a carta.
Zimmerman e Kormos (BioScience, 62: 479-487) fundiram dois conceitos diferentes – "Exploração Seletiva de Madeira" e "Manejo Sustentável de Florestas" – para demonstrar que uma estratégia de pequena escala comunitária ou de proprietários de terra privados para o manejo madeireiro ou não-madeireiro seria melhor do que a exploração industrial da madeira. Esta mistura, intencional ou não, é enfatizada na sua explicação sobre os impactos da exploração seletiva de madeira (SFM) nas mudanças climáticas. Exploração Seletiva da Madeira não é Manejo Florestal Sustentável! Os próprios autores deixam claro quando acrescentam que as definições de SFM no UNFCCC, UNFF, FAO, ITTO e FSC precisam "exigir explicitamente que a estrutura e a composição florestal sejam mantidas" para "manter a produção madeireira e também o complemento integral de serviços ecossistemicos e valores sociais”.
Aplicar as melhores práticas de manejo para alcançar a sustentabilidade baseada em dados experimentais confiáveis é o papel dos gestores florestais. Os autores destacam claramente quais variáveis deveriam ser testadas para o manejo sustentável das florestas: ciclo de cortes, limite do diâmetro da derrubada, intensidade de colheita, taxa de retenção das sementes. Estas variáveis são especificas para cada localidade e deveriam ser baseadas nas estruturas, composição florística e dinâmica de cada local. Apesar de existirem dados sobre algumas áreas tropicais, as regulamentações geralmente são regionais ou nacionais.
Os autores estão corretos quando destacam que "com o suprimento abundante de madeira proveniente muitas vezes do desmatamento ilegal sem manejo, não existe incentivo para o manejo ou conservação”. Entretanto, discordamos da solução proposta pelos autores baseada apenas em SFM de pequena escala e/ou em investimentos no REDD+. Baseados nas mesmas referências usadas pelos autores, nós podemos concluir exatamente o oposto: Manejo Florestal, seja industrial, comunitário, de pequena ou de larga escala, é uma excelente ferramenta para a conservação das florestas tropicais se regras técnicas forem seguidas incluindo as características ecológicas das espécies.
Se acreditarmos que o manejo florestal pode ser uma ferramenta para a conservação de florestas tropicais, então a implementação de políticas deveria ser discutida em fóruns internacionais. Infelizmente, as discussões nas arenas internacionais focam o REDD e minimizam o SFM. Para contribuir para a redução da ausência de dados sobre espécies especificas, melhorar a saúde das florestas e distribuir os benefícios do SFM, a agenda internacional de discussões deve incluir: Silvicultura Tropical, Regeneração das florestas tropicais naturais, Impactos do FM sobre a biodiversidade e preços justos para os produtos florestais.
Assim, o estudo conclui que é errada a noção de que uma extração bem administrada em florestas tropicais antigas poderia fornecer um “meio termo” entre a conservação e a conversão de florestas em monoculturas ou pasto.
Esta notícia teve bastante repercussão e o Instituto CarbonoBrasil recebeu de um grupo de três pesquisadores brasileiros, Lucas Mazei1, José Natalino da Silva2 e Alexandre Anders Brasil3, uma carta resposta questionando os resultados do estudo.
Na carta, que foi encaminhada também para o periódico BioScience, os pesquisadores discordam dos resultados apresentados e afirmam: “Baseados nas mesmas referências, nós podemos concluir exatamente o oposto: Manejo Florestal, seja industrial, comunitário, de pequena ou de larga escala é uma excelente ferramenta para a conservação das florestas tropicais se regras técnicas forem seguidas incluindo as características ecológicas das espécies".
A BioSciencie ainda não respondeu aos brasileiros se publicará a carta.
Zimmerman e Kormos (BioScience, 62: 479-487) fundiram dois conceitos diferentes – "Exploração Seletiva de Madeira" e "Manejo Sustentável de Florestas" – para demonstrar que uma estratégia de pequena escala comunitária ou de proprietários de terra privados para o manejo madeireiro ou não-madeireiro seria melhor do que a exploração industrial da madeira. Esta mistura, intencional ou não, é enfatizada na sua explicação sobre os impactos da exploração seletiva de madeira (SFM) nas mudanças climáticas. Exploração Seletiva da Madeira não é Manejo Florestal Sustentável! Os próprios autores deixam claro quando acrescentam que as definições de SFM no UNFCCC, UNFF, FAO, ITTO e FSC precisam "exigir explicitamente que a estrutura e a composição florestal sejam mantidas" para "manter a produção madeireira e também o complemento integral de serviços ecossistemicos e valores sociais”.
Aplicar as melhores práticas de manejo para alcançar a sustentabilidade baseada em dados experimentais confiáveis é o papel dos gestores florestais. Os autores destacam claramente quais variáveis deveriam ser testadas para o manejo sustentável das florestas: ciclo de cortes, limite do diâmetro da derrubada, intensidade de colheita, taxa de retenção das sementes. Estas variáveis são especificas para cada localidade e deveriam ser baseadas nas estruturas, composição florística e dinâmica de cada local. Apesar de existirem dados sobre algumas áreas tropicais, as regulamentações geralmente são regionais ou nacionais.
Os autores estão corretos quando destacam que "com o suprimento abundante de madeira proveniente muitas vezes do desmatamento ilegal sem manejo, não existe incentivo para o manejo ou conservação”. Entretanto, discordamos da solução proposta pelos autores baseada apenas em SFM de pequena escala e/ou em investimentos no REDD+. Baseados nas mesmas referências usadas pelos autores, nós podemos concluir exatamente o oposto: Manejo Florestal, seja industrial, comunitário, de pequena ou de larga escala, é uma excelente ferramenta para a conservação das florestas tropicais se regras técnicas forem seguidas incluindo as características ecológicas das espécies.
Se acreditarmos que o manejo florestal pode ser uma ferramenta para a conservação de florestas tropicais, então a implementação de políticas deveria ser discutida em fóruns internacionais. Infelizmente, as discussões nas arenas internacionais focam o REDD e minimizam o SFM. Para contribuir para a redução da ausência de dados sobre espécies especificas, melhorar a saúde das florestas e distribuir os benefícios do SFM, a agenda internacional de discussões deve incluir: Silvicultura Tropical, Regeneração das florestas tropicais naturais, Impactos do FM sobre a biodiversidade e preços justos para os produtos florestais.
Fonte: Instituto Carbono Brasil
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