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Notícias
04
jul
2012
(DESMATAMENTO)
Desmatamento tropical é responsável por 10% das emissões globais, diz estudo
Uma nova análise publicada recentemente no periódico Science revela que as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) provenientes do desmatamento tropical são menores do que se pensava. De acordo com o estudo, essas emissões representam cerca de 10% da liberação total de carbono, e não entre 20% e 30% como afirmavam pesquisas anteriores.
Os resultados do trabalho, financiado pelo Banco Mundial e desenvolvida pela Winrock International, Applied GeoSolutions, Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e Universidade da Califórnia, mostram uma estimativa média de emissões brutas de 0,81 bilhões de toneladas métricas de carbono por ano, com um intervalo entre 0,57 e 1,22 bilhões de toneladas métricas entre 2000 e 2005, o que equivale a entre 7% e 14%% das emissões mundiais.
Já a maioria das análises anteriores se fundamentava nos dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que calculam as emissões líquidas de mudança no uso da terra tropical entre 0,6 e 1,6 bilhões de toneladas métricas, o equivalente a cerca de 20% das emissões de GEEs da atividade humana com base em informações da década de 1990.
A grande diferença do método do novo trabalho e do da FAO é que o primeiro leva em consideração o desmatamento bruto, enquanto o outro considera o desmatamento líquido, que inclui já reflorestamentos.
Isso pode parecer uma vantagem, mais um dos problemas com a metodologia da FAO é que ela inclui plantações industriais de árvores (monoculturas) como florestas, e não inclui a derrubada de árvores para lenha como desmatamento, considerando essa prática como “áreas temporariamente sem estoque”.
“O surgimento de satélites que observam a terra, combinado com um foco da política internacional de reduzir as emissões do desmatamento nos países desenvolvidos, levou a comunidade científica a adotar métodos mais transparentes e abordagens cada vez mais espaciais de contagem de carbono”, comentou Nancy Harris, principal autora do estudo.
“É hora de reconhecer os problemas com os dados da FAO e aceitar que agora podemos fazer muito melhor. Temos a habilidade, pelo menos, de combinar as áreas de derrubada de florestas com seus estoques de carbono antes ver a derrubada com muito mais detalhes, o que nos permite identificar com mais precisão onde as maiores emissões estão ocorrendo”, observou Sandra Brown, coautora da pesquisa.
Uma das principais descobertas do trabalho é que florestas tropicais úmidas emitem muito mais carbono do que outros tipos de vegetação. Para se ter uma ideia, dois países com florestas tropicais úmidas, o Brasil e a Indonésia, foram responsáveis por 55% das emissões totais do desmatamento tropical.
“Cerca de 40% da perda florestal total entre 2000 e 2005 em nossa região de estudo estava concentrada nos trópicos secos, mas essas perdas somaram apenas 17% do total de emissões de carbono, refletindo a baixa densidade de carbono dessas florestas comparada com as florestas tropicais úmidas”, explicaram os cientistas.
“As emissões são altas na Amazônia brasileira, mas outras áreas de grandes emissões incluem a Malásia Peninsular, Laos, Sarawak (Malásia) e Sumatra e Kalimantan (Indonésia) no sudeste da Ásia e, em menor extensão, a Bacia do Congo na África”, acrescentaram.
Os pesquisadores declararam que as descobertas poderão auxiliar muito ferramentas que procuram mitigar as emissões de carbono do desmatamento e da degradação florestal, como o REDD e o REDD+.
“[Um] mecanismo político que propõe compensar os países em desenvolvimento para reduzir emissões de desmatamento e degradação florestal (REDD) se beneficiará das estimativas de emissões de desmatamento bruto que são desagregadas dos termos de reflorestamento e que não usam suposições a priori sobre o destino dos estoques de carbono da vegetação após a derrubada.”
No entanto, eles enfatizaram que, apesar de as emissões do desmatamento serem menores do que o esperado e seu continuarem a cair percentualmente devido ao aumento das emissões de outros setores, a derrubada de árvores ainda é grande, e deve ser controlada.
“A contribuição relativa do desmatamento para as emissões totais de gases do efeito estufa provavelmente continuará a decair ao longo do tempo já que as emissões de outros setores aumentam, mas a perda de milhões de hectares de floresta por ano continua considerável”, alertou Alexander Lotsch, do Banco Mundial.
“Reduzir efetivamente as emissões relacionadas às florestas através de esforços internacionais que também promovem a conservação da biodiversidade, o modo de vida das florestas e ajudam a manter funções florestais essenciais, como a regulação hídrica, é uma medida essencial para evitar sérios impactos das mudanças climáticas e para garantir um desenvolvimento sustentável de baixo carbono no mundo em desenvolvimento”, disse Lotsch.
Além disso, os cientistas ressaltaram que a redução do desmatamento não deve ser o único mecanismo para mitigar as emissões, e que diminuir o uso de combustíveis fósseis é igualmente importante para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.
Por: Jéssica Lipinski
Os resultados do trabalho, financiado pelo Banco Mundial e desenvolvida pela Winrock International, Applied GeoSolutions, Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e Universidade da Califórnia, mostram uma estimativa média de emissões brutas de 0,81 bilhões de toneladas métricas de carbono por ano, com um intervalo entre 0,57 e 1,22 bilhões de toneladas métricas entre 2000 e 2005, o que equivale a entre 7% e 14%% das emissões mundiais.
Já a maioria das análises anteriores se fundamentava nos dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que calculam as emissões líquidas de mudança no uso da terra tropical entre 0,6 e 1,6 bilhões de toneladas métricas, o equivalente a cerca de 20% das emissões de GEEs da atividade humana com base em informações da década de 1990.
A grande diferença do método do novo trabalho e do da FAO é que o primeiro leva em consideração o desmatamento bruto, enquanto o outro considera o desmatamento líquido, que inclui já reflorestamentos.
Isso pode parecer uma vantagem, mais um dos problemas com a metodologia da FAO é que ela inclui plantações industriais de árvores (monoculturas) como florestas, e não inclui a derrubada de árvores para lenha como desmatamento, considerando essa prática como “áreas temporariamente sem estoque”.
“O surgimento de satélites que observam a terra, combinado com um foco da política internacional de reduzir as emissões do desmatamento nos países desenvolvidos, levou a comunidade científica a adotar métodos mais transparentes e abordagens cada vez mais espaciais de contagem de carbono”, comentou Nancy Harris, principal autora do estudo.
“É hora de reconhecer os problemas com os dados da FAO e aceitar que agora podemos fazer muito melhor. Temos a habilidade, pelo menos, de combinar as áreas de derrubada de florestas com seus estoques de carbono antes ver a derrubada com muito mais detalhes, o que nos permite identificar com mais precisão onde as maiores emissões estão ocorrendo”, observou Sandra Brown, coautora da pesquisa.
Uma das principais descobertas do trabalho é que florestas tropicais úmidas emitem muito mais carbono do que outros tipos de vegetação. Para se ter uma ideia, dois países com florestas tropicais úmidas, o Brasil e a Indonésia, foram responsáveis por 55% das emissões totais do desmatamento tropical.
“Cerca de 40% da perda florestal total entre 2000 e 2005 em nossa região de estudo estava concentrada nos trópicos secos, mas essas perdas somaram apenas 17% do total de emissões de carbono, refletindo a baixa densidade de carbono dessas florestas comparada com as florestas tropicais úmidas”, explicaram os cientistas.
“As emissões são altas na Amazônia brasileira, mas outras áreas de grandes emissões incluem a Malásia Peninsular, Laos, Sarawak (Malásia) e Sumatra e Kalimantan (Indonésia) no sudeste da Ásia e, em menor extensão, a Bacia do Congo na África”, acrescentaram.
Os pesquisadores declararam que as descobertas poderão auxiliar muito ferramentas que procuram mitigar as emissões de carbono do desmatamento e da degradação florestal, como o REDD e o REDD+.
“[Um] mecanismo político que propõe compensar os países em desenvolvimento para reduzir emissões de desmatamento e degradação florestal (REDD) se beneficiará das estimativas de emissões de desmatamento bruto que são desagregadas dos termos de reflorestamento e que não usam suposições a priori sobre o destino dos estoques de carbono da vegetação após a derrubada.”
No entanto, eles enfatizaram que, apesar de as emissões do desmatamento serem menores do que o esperado e seu continuarem a cair percentualmente devido ao aumento das emissões de outros setores, a derrubada de árvores ainda é grande, e deve ser controlada.
“A contribuição relativa do desmatamento para as emissões totais de gases do efeito estufa provavelmente continuará a decair ao longo do tempo já que as emissões de outros setores aumentam, mas a perda de milhões de hectares de floresta por ano continua considerável”, alertou Alexander Lotsch, do Banco Mundial.
“Reduzir efetivamente as emissões relacionadas às florestas através de esforços internacionais que também promovem a conservação da biodiversidade, o modo de vida das florestas e ajudam a manter funções florestais essenciais, como a regulação hídrica, é uma medida essencial para evitar sérios impactos das mudanças climáticas e para garantir um desenvolvimento sustentável de baixo carbono no mundo em desenvolvimento”, disse Lotsch.
Além disso, os cientistas ressaltaram que a redução do desmatamento não deve ser o único mecanismo para mitigar as emissões, e que diminuir o uso de combustíveis fósseis é igualmente importante para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.
Por: Jéssica Lipinski
Fonte: CarbonoBrasil
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