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Notícias
18
abr
2012
(MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS)
Consumo interno de máquinas recua 13% no 1º bimestre
O investimento em máquinas e equipamentos começou 2012 em queda. O consumo aparente de bens de capital encolheu 13,7% no primeiro bimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. O tombo da produção nacional (descontada a exportação) somada à importação no setor é o maior nessa base desde 1999, segundo cálculos do Itaú Unibanco, com exceção de 2009, ano em que a crise atingiu em cheio a demanda por máquinas e equipamentos e a absorção doméstica desses itens caiu 24% no acumulado de janeiro e fevereiro sobre o início de 2008.
A capacidade ociosa da indústria, na visão de Aurélio Bicalho, economista do Itaú que fez os cálculos a pedido do Valor, ainda está elevada e desestimula investimentos para ampliar a oferta de bens manufaturados. Como uma fatia importante do investimento é determinada pela atividade industrial, a perspectiva é de recuperação lenta, mais visível a partir do segundo semestre. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a média do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria alcançou 83,7% no primeiro trimestre do ano, acima da média do quarto trimestre de 2011, mas ainda inferior à media dos três trimestres anteriores.
Para Bicalho, a forte retração, contudo, não deve ser vista como tendência para o ano. O resultado negativo está contaminado pela entrada em vigor das novas normas de emissão de poluentes para caminhões, que antecipou a fabricação de veículos pesados no ano passado e a paralisou em janeiro. No primeiro bimestre, a produção de bens de capital equipamentos de transporte - categoria onde se encaixam os caminhões - caiu 23,2% sobre o mesmo período de 2011, enquanto, na média, a indústria de bens de capital produziu 14,6% menos nessa comparação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sem uma queda tão forte na produção de caminhões, o recuo no consumo interno de bens de capital seria menor. Se os equipamentos de transporte tivessem mostrado o crescimento médio dos últimos quatro meses de 2011 em janeiro e fevereiro, calcula Bicalho, o consumo aparente de máquinas teria caído 5,3% na comparação entre o primeiro bimestre de 2011 e o de 2012. O tombo seria menos drástico, mas não impediria um novo desempenho pífio do investimento dentro do Produto Interno Bruto (PIB) neste primeiro trimestre, na sua avaliação.
"É um quadro parecido com o que temos visto nos últimos trimestres", diz, referindo-se ao recuo de 0,4% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil) entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, feitos os ajustes sazonais, e ao fraco crescimento de 0,2% no último trimestre de 2011.
Levando em conta o comportamento sofrível da produção de bens de capital no primeiro bimestre, Bicalho não descarta que a formação bruta de capital fixo registre queda no primeiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior na série dessazonalizada. Essa possibilidade reforça a análise do Itaú de que a economia irá deslanchar apenas a partir da segunda metade do ano, com ritmo mais rápido do investimento. Na avaliação dos economistas, quando a economia recuperar fôlego as recentes medidas adotadas pelo governo para acelerar o investimento, como a redução de juros nos programas do BNDES, surtirão mais efeito.
As estimativas do Itaú sobre o consumo aparente de máquinas também incluem uma maior venda da produção local ao exterior neste começo de ano. A exportação de bens de capital, segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), aumentou 23,9% em volume no primeiro bimestre frente igual período de 2011, número considerado forte por Rodrigo Branco, economista da Funcex.
Ele destaca que o desempenho das vendas externas não é uniforme entre os segmentos analisados. Enquanto o volume de exportação de outros equipamentos de transporte - que inclui maquinário agrícola - saltou 83,5% entre o primeiro bimestre de 2011 e igual período de 2012, as vendas de máquinas, aparelhos e materiais elétricos aumentou apenas 5,3% em igual período. "A Argentina é um grande produtor de bens agrícolas e importa muitas máquinas brasileiras", explica Branco, para quem a exportação expressiva desses bens é tendência.
Para Bicalho, o número alto do primeiro bimestre se deu em cima de uma base de comparação fraca e não sinaliza desempenho acima do normal para a exportação de máquinas, já que as vendas externas desses bens, na verdade, estão apenas voltando ao seu nível pré-crise. "Ainda não vejo uma recuperação muito forte", diz, ressaltando que o volume exportado de bens de capital no primeiro bimestre foi 21% menor do que no mesmo período de 2008.
Segundo o economista da Funcex, não é possível concluir que a produção se voltou para o exterior após enfraquecimento do consumo doméstico, já que, no primeiro bimestre do ano, a importação de bens de capital continuou crescendo. De acordo com a Funcex, a alta foi de 8,8% em relação ao primeiro bimestre de 2011. "A variação foi positiva, mas insuficiente para evitar a fraqueza nos dados de produção, que acabam sendo mais relevantes para a determinação do consumo aparente", observa Bicalho.
Em março, as importações totais subiram 1,7% pela média diária sobre o mesmo mês do ano anterior em valor, enquanto as compras de bens de capital recuaram 3,2% na mesma comparação, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Para especialistas, os dados refletem uma menor confiança da indústria.
Do lado da produção, o crescimento dos setores pesquisados pelo IBGE também é divergente nos primeiros dois meses do ano. A fabricação de bens de capital agrícolas cresceu 17,4% em relação ao primeiro bimestre de 2011 e a de bens de capital para fins industriais, 4,4%, ao passo que a produção de bens para o setor de energia elétrica caiu 31,4% no período, seguida pelo segmento da construção, cuja atividade encolheu 9,2%.
Segundo Bicalho, o avanço nos primeiros dois setores indicam que a produção foi exportada. Já no ramo de maquinaria para construção civil, o economista afirma que, embora esse setor não esteja passando por desaceleração significativa, é normal os investimentos serem adiados em um cenário de incerteza global. "O investimento se ressente de forma mais intensa nesse quadro."
A capacidade ociosa da indústria, na visão de Aurélio Bicalho, economista do Itaú que fez os cálculos a pedido do Valor, ainda está elevada e desestimula investimentos para ampliar a oferta de bens manufaturados. Como uma fatia importante do investimento é determinada pela atividade industrial, a perspectiva é de recuperação lenta, mais visível a partir do segundo semestre. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a média do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria alcançou 83,7% no primeiro trimestre do ano, acima da média do quarto trimestre de 2011, mas ainda inferior à media dos três trimestres anteriores.
Para Bicalho, a forte retração, contudo, não deve ser vista como tendência para o ano. O resultado negativo está contaminado pela entrada em vigor das novas normas de emissão de poluentes para caminhões, que antecipou a fabricação de veículos pesados no ano passado e a paralisou em janeiro. No primeiro bimestre, a produção de bens de capital equipamentos de transporte - categoria onde se encaixam os caminhões - caiu 23,2% sobre o mesmo período de 2011, enquanto, na média, a indústria de bens de capital produziu 14,6% menos nessa comparação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sem uma queda tão forte na produção de caminhões, o recuo no consumo interno de bens de capital seria menor. Se os equipamentos de transporte tivessem mostrado o crescimento médio dos últimos quatro meses de 2011 em janeiro e fevereiro, calcula Bicalho, o consumo aparente de máquinas teria caído 5,3% na comparação entre o primeiro bimestre de 2011 e o de 2012. O tombo seria menos drástico, mas não impediria um novo desempenho pífio do investimento dentro do Produto Interno Bruto (PIB) neste primeiro trimestre, na sua avaliação.
"É um quadro parecido com o que temos visto nos últimos trimestres", diz, referindo-se ao recuo de 0,4% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil) entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, feitos os ajustes sazonais, e ao fraco crescimento de 0,2% no último trimestre de 2011.
Levando em conta o comportamento sofrível da produção de bens de capital no primeiro bimestre, Bicalho não descarta que a formação bruta de capital fixo registre queda no primeiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior na série dessazonalizada. Essa possibilidade reforça a análise do Itaú de que a economia irá deslanchar apenas a partir da segunda metade do ano, com ritmo mais rápido do investimento. Na avaliação dos economistas, quando a economia recuperar fôlego as recentes medidas adotadas pelo governo para acelerar o investimento, como a redução de juros nos programas do BNDES, surtirão mais efeito.
As estimativas do Itaú sobre o consumo aparente de máquinas também incluem uma maior venda da produção local ao exterior neste começo de ano. A exportação de bens de capital, segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), aumentou 23,9% em volume no primeiro bimestre frente igual período de 2011, número considerado forte por Rodrigo Branco, economista da Funcex.
Ele destaca que o desempenho das vendas externas não é uniforme entre os segmentos analisados. Enquanto o volume de exportação de outros equipamentos de transporte - que inclui maquinário agrícola - saltou 83,5% entre o primeiro bimestre de 2011 e igual período de 2012, as vendas de máquinas, aparelhos e materiais elétricos aumentou apenas 5,3% em igual período. "A Argentina é um grande produtor de bens agrícolas e importa muitas máquinas brasileiras", explica Branco, para quem a exportação expressiva desses bens é tendência.
Para Bicalho, o número alto do primeiro bimestre se deu em cima de uma base de comparação fraca e não sinaliza desempenho acima do normal para a exportação de máquinas, já que as vendas externas desses bens, na verdade, estão apenas voltando ao seu nível pré-crise. "Ainda não vejo uma recuperação muito forte", diz, ressaltando que o volume exportado de bens de capital no primeiro bimestre foi 21% menor do que no mesmo período de 2008.
Segundo o economista da Funcex, não é possível concluir que a produção se voltou para o exterior após enfraquecimento do consumo doméstico, já que, no primeiro bimestre do ano, a importação de bens de capital continuou crescendo. De acordo com a Funcex, a alta foi de 8,8% em relação ao primeiro bimestre de 2011. "A variação foi positiva, mas insuficiente para evitar a fraqueza nos dados de produção, que acabam sendo mais relevantes para a determinação do consumo aparente", observa Bicalho.
Em março, as importações totais subiram 1,7% pela média diária sobre o mesmo mês do ano anterior em valor, enquanto as compras de bens de capital recuaram 3,2% na mesma comparação, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Para especialistas, os dados refletem uma menor confiança da indústria.
Do lado da produção, o crescimento dos setores pesquisados pelo IBGE também é divergente nos primeiros dois meses do ano. A fabricação de bens de capital agrícolas cresceu 17,4% em relação ao primeiro bimestre de 2011 e a de bens de capital para fins industriais, 4,4%, ao passo que a produção de bens para o setor de energia elétrica caiu 31,4% no período, seguida pelo segmento da construção, cuja atividade encolheu 9,2%.
Segundo Bicalho, o avanço nos primeiros dois setores indicam que a produção foi exportada. Já no ramo de maquinaria para construção civil, o economista afirma que, embora esse setor não esteja passando por desaceleração significativa, é normal os investimentos serem adiados em um cenário de incerteza global. "O investimento se ressente de forma mais intensa nesse quadro."
Fonte: Autor(es): Por Arícia Martins | De São Paulo
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