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Madeiras : Painéis

Características e aplicações

Desde os primórdios da civilização humana, a madeira contribuiu para o desenvolvimento e bem estar do ser humano, que utilizavam como meios de ignição, lenha, fabricação de utensílios diversos, meios de transporte, habitações, etc., ainda que de forma primitiva.

O processamento da madeira na forma de serrados, incrementou a gama de utilização da madeira e, posteriormente, através do uso de adesivos para colagem de peças de madeira, possibilitaram a fabricação de produtos compostos de madeira para mais variadas aplicações. Inicialmente, eram utilizados adesivos naturais, principalmente à base de proteínas de origem animal como glutina (a base de: couro, pele, ossos), caseína (a base de leite) e albumina de sangue, além de adesivos à base de proteínas de origem vegetal e amido. Já na década de 30, surgiram os primeiros tipos de adesivos sintéticos termoendurecedores como fenol-formaldeído e uréia-formaldeído.

A árvore, em função de suas direções de crescimento, formam lenhos com estrutura heterogênea e anisotrópica. As características, disposições e freqüência dos elementos celulares resultam em algumas limitações naturais do uso da madeira em relação às dimensões das peças, anisotropia e defeitos naturais.

- Dimensões: a largura e o comprimento das peças são limitadas ao diâmetro e altura das árvores;
- Anisotropia: as propriedades mecânicas e não mecânicas da madeira são distintas nas direções de crescimento tangencial, radial e longitudinal;
- Defeitos naturais: nós, inclinação da grã, percentagem de lenhos juvenil e adulto, lenhos de reação, largura dos anéis de crescimento, etc., interferem no comportamento reológico da madeira.

Face às tais limitações, surge a importância do adesivo, que, através da redução da madeira em peças menores de forma e geometria variadas, os quais, são posteriormente reordenados e reconstituídos através de ligações adesivas, em produtos cujas propriedades são diferentes do material original (madeira sólida).

O princípio de construção empregado na fabricação de diferentes tipos de painéis de madeira, podem contribuir na realização de três importantes benefícios à sociedade na busca pela melhor qualidade de vida, tais como:

- Aumento na oferta de produtos de madeira a partir de uma determinada área florestal com a utilização racional e integral da madeira;
- Melhorar as propriedades dos produtos compostos de madeira e, desta forma, aumentar a gama de utilização;
- Servir como produto alternativo aos materiais provenientes de recursos metálicos e poliméricos (petroquímicos) com propósitos de construção e fabricação de bens de consumo.

Os painéis de madeira podem ser classificados em dois grupos:

1) Compostos laminados: se caracterizam pela estrutura contínua da linha de cola através do processo de colagem de lâminas, para fabricação de produtos como: compensado multilaminado, compensado sarrafeado, painéis de lâminas paralelas (LVL), compensado de lâminas paralelas (lammyboard), compensado de painéis de madeira maciça (three-ply), etc.

2) Compostos particulados: constituídos de pequenos elementos de madeira (partículas/fibras) e se caracterizam pela estrutura descontínua da linha de cola, tais como: chapas de madeira aglomerada, chapas OSB, chapas de fibras isolantes, duras e de média densidade (MDF), chapas madeira-cimento, etc.

Desde o início da produção de compensados no final do século XIX, inúmeros tipos de painéis de madeira foram surgindo até o momento, sempre com a preocupação em busca de novos produtos com melhor relação custo/benefício, para aplicações específicas a que se destinam.
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