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Madeiras brasileiras e exóticas

Pinheiro-bravo

Nome científico
Podocarpus lambertiir

Descrição da árvore

Forma: árvore perenifólia de altura variável, medindo 1 a 4m de altura na zona campestre, até 27m de altura e 120cm ou mais de DAP, na idade adulta, na Floresta com Araucária; comumente com 10m de altura e 20 a 40cm de DAP.
Tronco: geralmente tortuoso, inclinado e curto, podendo apresentar-se reto na floresta, onde atinge fustes de até 10m de comprimento.
Ramificação: monopodial quando jovem, formando copa cônica e dicotômica, com galhos grossos e longos nas árvores adultas; copa arredondada a irregular.
Casca: com espessura de até 10 mm. A casca externa é pardacenta, levemente fendilhada, descamando-se em lâminas finas, que ficam mais ou menos soltas na árvore, caindo aos poucos e com as pontas dobradas para cima. A casca interna é carmim-clara, com odor levemente perfumado.

Características da Madeira
Massa específica aparente: a madeira do pinheiro-bravo é leve (0,43 a 0,54 g/cm³), entre 12 a 15% de umidade (Mainieri & Pires, 1973; Paraná, 1979a).
Cor: o alburno e o cerne não são diferenciados, de coloração bege-clara uniforme, levemente amarelada.
Características gerais: superfície lisa ao tato e de brilho pouco realçado; textura fina; grã direita. Cheiro e gosto imperceptíveis.
Durabilidade natural: baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins de madeira seca.
Trabalhabilidade: fácil de cortar, aplainar e lixar. O acabamento da superfície em geral é bom, mas em alguns casos é prejudicados pela presença de nós. Apresenta superfície lisa, de cor atraente, com bom polimento, aceitando bem verniz, tinta ou outro tipo de revestimento (Paraná, 1979a).

Espécies Afins
Podocarpus L' Hérit é considerado o único gênero tropical das Coniferales no Hemisfério Sul. Ocorrem mais três espécies de Podocarpus no Brasil:
• P. sellowii Klotz., na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica e Floresta Amazônica), sendo assinalado na área de ocorrência de Podocarpus lambertii e se expandindo para os Estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará, Pernambuco, Sergipe, Espírito Santo, Amazonas, Pará, Rondônia e no Distrito Federal. Esta espécie separa-se de Podocarpus lambertii por apresentar folhas bem maiores.
• P. rospigliosii Pilger: o único indivíduo adulto desta espécie, registrado até hoje, foi encontrado em 1976 perto da Serra dos Pacaás Novos, a 250m de altitude, em Rondônia. Esta espécie, normalmente uma conífera de montanha, ocorre na Serra do Pico da Neblina e na Cordilheira de Mérida, na Venezuela e na região central do Peru. Segundo Dubois (1986), a posição taxionômica do P. rospigliosii de Pacaás Novos deveria ser reestudada para verificar se não se trata de uma espécie distinta, de terras baixas.
• P. brasiliensis D.J. é árvore pequena, 9m de altura e 15cm de DAP, cujas folhas são muito parecidas com as de P. sellowii, copa muito reduzida. Ocorre na Venezuela e nas matas ciliares do Centro-Oeste, em Santo Antônio do Descoberto GO, por exemplo. Madeira pouco utilizável devido ao diâmetro reduzido do tronco (Paula & Alves, 1997).
• Segundo Rizzini (1971), foi descrita P. lambertii var. transiens Pilg., de Minas Gerais, caracterizada por folhas maiores (até 5cm x 5 mm), sem qualquer importância.

Produtos e Utilizações
Madeira serrada e roliça: por suas características físicas e mecânicas, a madeira do pinheiro-bravo é indicada na produção de embalagens, molduras, ripas, guarnições, carpintaria comum, tábuas para forros, caixaria, lápis e palitos de fósforo, brinquedos, marcenaria e caixa de ressonância; compensado, laminado, aglomerado e instrumento musical.
Energia: produz lenha de qualidade aceitável.
Celulose e papel: espécie adequada para este uso, principalmente para fibra longa.

Ocorrência Natural
Latitude:P. lambertii ocorre em duas áreas disjuntas. A primeira entre 10º30' S (Bahia) a 11º35' S (Bahia) e a segunda entre 19º10' S (Minas Gerais) a 31º20' S (Rio Grande do Sul). Para Salomão et al. (1992), o pinheiro-bravo ocorre de 11º35' S a 31º14' S e de 41º04' a 55º47' de longitude Oeste.
Variação latitudinal: de 10m no Rio Grande do Sul (Mattos, 1979) a 2.200m de altitude, no Rio de Janeiro. Contudo é mais freqüente entre 600 e 1.800m de altitude.

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