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Madeiras brasileiras e exóticas

Aroeira verdadeira

Nome científico:
Myracrodruon urunduva

Descrição da árvore
Forma: árvore caducifólia. Atinge 5 a 20 m de altura e 30 a 60 cm de DAP na Caatinga e no Cerrado, até 27 m de altura e 85 cm de DAP na Região do Chaco (Lopez et al., 1987) ou mesmo até 30 m de altura nas florestas pluviais (Heringer & Ferreira, 1973) e 100 cm de DAP (Flinta, 1960).
Tronco: geralmente curto e tortuoso na Caatinga, mas na floresta pluvial, apresenta fuste com até 12 m de comprimento.
Ramificação: dicotômica a irregular, simpodial. Copa irregular, paucifoliada
Casca: com espessura de até 15 mm. A casca externa é de coloração castanho-escura, áspera, suberosa, sulcada, subdividida em placas escamiformes aproximadamente retangulares nas árvores adultas; nas árvores jovens, a casca é lisa, cinzenta e coberta de lenticelas. A casca interna é avermelhada.

Características da Madeira
Massa específica aparente: a madeira da aroeira-verdadeira é muito densa (1,00 a 1,21 g/cm3), a 15% de umidade (Mainieri & Chimelo, 1989).
Massa específica básica: 0,60 a 0,65 g/cm3 (Silva et al., 1983).
Cor: alburno branco ou levemente rosado. Cerne bege-rosado ou castanho-claro, quando recém-cortado, escurecendo para castanho-escuro ou castanho-avermelhado-escuro, quando velha, chegando ao negro.
Características gerais: superfície um tanto lustrosa e lisa ao tato; textura média e uniforme; grã irregular. Cheiro e gosto imperceptíveis..
Durabilidade natural: cerne durável, imputrescível, sendo considerada a madeira mais resistente do Brasil. É tida, na prática, como madeira de alta resistência ao apodrecimento, pelo teor de tanino e ao ataque de cupins de madeira seca. Segundo dito popular no interior de Goiás, "dura a vida toda, mais cem anos" (Ribeiro, 1989). Entretanto, o alburno é facilmente atacado por insetos.
Outras A madeira é furada por larva de besouro, mas não se laminada verde. A descrição anatômica da madeira desta espécie é encontrada em Paula (1982); Mainieri & Chimelo (1989) e em Flörsheim & Tomazello Filho, 1994. Propriedades físicas e mecânicas da madeira desta espécie, podem ser encontradas em Mainieri & Chimelo (1989).

Espécies Afins
A braúna (Schinopsis brasiliensis Engl.), também da família Anacardiaceae, é espécie bastante próxima da aroeira-verdadeira (Rizzini, 1971). Muito semelhante, também, é Astronium fraxinifolium Schott, o gonçaleiro; as duas espécies se separam pelos frutos e pela casca. A casca do gonçaleiro é muito mais lisa, quase íntegra (Rizzini, 1971).

Produtos e Utilizações
Madeira serrada e roliça: madeira de aroeira-verdadeira é indicada para construções externas, como vigamentos de pontes, pinguelas, postes, esteios, curral e dormentes; em construção civil, como vigas, caibros, ripas, tacos para assoalhos; móveis torneados e peças torneadas; rodas, moenda e pisos. É a madeira preferida para cercas no interior do Brasil, seja como mourão, esticador, batente, estaca, palanque ou balancim e obras de entalhe. Dormentes comuns de aroeira apresentam uma duração média de 25 anos (Heringer & Ferreira, 1973). Aborígenes brasileiros fabricavam suas lanças com o cerne da aroeira (Correa, 1975). Na região oriental do Ceará, na zona sertaneja, onde devido à escassez de água existem muitos poços (cisternas ou cacimbões), usam-se degraus de aroeira-verdadeira fixos, desde a borda até o fundo do poço, à guisa de escada. Esses degraus podem ficar submersos e também para medir o volume ou nível da água. No leito dos rios temporários, durante a seca, os ribeirinhos cavam cacimbas na areia e usam caixotes vazados feitos de aroeira-verdadeira, à guisa de manilha, para evitar o desbarrancamento das paredes arenosas
Energia: madeira para carvão e lenha de boa qualidade (Paula, 1982), mas a lenha não queima bem (Pott & Pott, 1994). Poder calorífico da madeira de 4.582 Kcal/kg (Silva et al., 1983). Também, indicada para a produção de álcool (Paula, 1982). Na região oriental do Ceará, na zona sertaneja, os oleiros ou loiceiros utilizam a madeira desta espécie como combustível nas caeiras (fornos), porque segundo eles, é uma lenha de queima lenta, mas de alto poder calorífico e as peças de barro não racham e nem se quebram durante a queima.
Celulose e papel: espécie inadequada para este uso

Ocorrência Natural
Latitude: 19º 3º30' S (Brasil, no Ceará) a 25º S (Argentina). No Brasil, o limite Sul dá-se a 23º S, em São Paulo. Para Salomão et al. (1992), a aroeira ocorre no Brasil de 3º29' S a 28º08' S e na longitude 38º19' W a 57º41' W. Contudo, o ponto extremo de 28º08' S em Santa Catarina, não corresponde à sua área de ocorrência natural.
Variação de 18 m, no Rio Grande do Norte a 1.200 m de altitude, no Distrito Federal

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