MENU
Aplicaes
Densidade
Desbaste
Desdobro
Doenas
Editorial
Espcies
Manejo
MDL
Mercado
Mercado - Painis
Mveis
Nutrientes
Painis
Pragas
Resinas
Sementes
Silvicultura
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°99 - SETEMBRO DE 2006

Desdobro

Rendimento em madeira serrada de pinus para desdobro

Ao longo das ltimas dcadas, o perfil de consumo de madeiras oriundas de reflorestamento mudou muito, em funo das restries de explorao e da disponibilidade de espcies florestais nativas. A cadeia produtiva estendeu-se para as essncias de rpido crescimento, plantadas e manejadas. A grande concentrao de plantios de pinus a regio Sul do Brasil, especificamente os estados do Paran e Santa Catarina, onde as espcies mais plantadas so pinus elliottii e pinus taeda.

A madeira de pinus exerce importante papel no fornecimento de matria-prima para indstrias de papel e papelo, laminados, compensados e indstria moveleira. Devido ao elevado consumo que tem ocorrido na regio Sul do Brasil nos ltimos anos, a procura pela matria-prima pinus aumentou, conseqentemente diminuindo sua oferta no mercado. Dessa forma, surgiu a necessidade de se otimizar o processo de desdobro das toras quando o produto final tem finalidade para a indstria de serrados e moveleira.

O rendimento em madeira serrada influenciado por diversos fatores, tais como caractersticas da espcie, produtos, maquinrio, mo de obra e, principalmente, pelo dimetro das toras. Alm desses fatores, o tratamento que dado s toras ainda no ptio da serraria e outras decises de como desdobr-las so fatores fundamentais para que se atinjam bons nveis de rendimento.

O volume de resduos gerados pode-se expressar como a diferena entre o volume de madeira em toras que entra na serraria e o volume de madeira serrada produzida. A maior quantidade de resduos gerados por ocasio do desdobro primrio e secundrio das toras. Considerando-se os resduos gerados pelo processo produtivo, como cascas, costaneiras, refilos, aparas e serragem, seria irracional no promover o aproveitamento mximo desses subprodutos do beneficiamento primrio da madeira. Tais resduos, em um primeiro momento, so tidos como rejeitos no processo, mas seguramente podem sair da serraria como matria-prima para produo de pasta e celulose e chapas de composio, bem como promover a auto-suficincia energtica da prpria indstria.

Um sistema de desdobro convencional consiste em se desdobrar toras sem classificao e sem uma definio exata de um modelo de corte para cada classe diamtrica. Tal condio, na maioria das vezes, induz a um baixo aproveitamento da tora, propiciando uma maior gerao de subprodutos, muitas vezes considerados resduos do processo.

O Brasil ainda possui um grande nmero de serrarias que utilizam o sistema convencional de desdobro, em que as toras so desdobradas de acordo com critrios escolhidos pelo operador da mquina principal, ou seja, ele quem define a melhor maneira de se desdobrar uma tora. Dessa maneira, podem ocorrer elevadas perdas de matria-prima, devido ausncia de tecnologias apropriadas para o desdobro das toras, encarecendo o processo, em funo de que h a necessidade de se consumir maior volume de matria-prima para produzir a mesma quantidade de produto serrado.

A escolha dos operadores da serra principal, resserradeiras, canteadeiras e destopadeiras assume verdadeira importncia, tendo em vista que esses operadores esto continuamente tomando decises que dizem respeito a fatores que dependem do bom funcionamento das mquinas, que, por sua vez, afetam o desempenho da indstria: produtividade, qualidade do produto e o elevado ndice de retrabalho para recuperao da matria-prima. A deciso pessoal de um operador de como secionar um tronco ou mesmo desdobrar dificilmente obter um nvel timo, isso porque ele raramente conseguir obter a melhor visualizao de todas as alternativas no pouco tempo que tem para tomada de decises.

Assim, indicado o emprego de modelos de pesquisa operacional. Em geral, os erros mais comuns observados so os excessos de espessura das costaneiras, incorreta seleo do corte radial e subdimensionamento na largura e comprimento das peas.

Quando se trata de madeira reflorestada, como o caso do pinus, os dimetros das toras diminuem e se homogeneizam, o que facilita a utilizao de tcnicas de otimizao no desdobro. Dessa forma, uma classificao eficiente e o estabelecimento de modelos de corte apropriados iro proporcionar bons resultados na serraria. Trata-se de uma maneira de se conduzir o desdobro de toras atravs da sua otimizao.

Nesse caso, as toras so classificadas e, muitas vezes, descascadas e desdobradas dentro de um modelo de corte pr-definido para cada classe diamtrica, caracterizando-se um processo de otimizao das toras. Um sistema de desdobro otimizado constitui em utilizar um sistema de corte anteriormente estudado, objetivando a mxima utilizao da tora. As perspectivas de crescimento no consumo de toras de pinus no Brasil para uso industrial tm se mostrado em plena ascenso. Dessa forma, h necessidade urgente de se implantarem aes estratgicas fundamentais, para que no ocorra a estagnao da indstria madeireira.

Portanto, a necessidade de seleo de toras por classes diamtricas e o estabelecimento de diagramas de corte de importncia primria para que se consiga atingir nveis de rendimentos elevados para aquele determinado tipo de material que est sendo utilizado. Dessa maneira, possvel melhorar o rendimento em madeira serrada proporcionado por cada classe utilizada.

O objetivo desta pesquisa foi de avaliar o rendimento em madeira serrada para a melhoria do aproveitamento de pinus taeda, atravs da classificao das toras e da utilizao de diagramas de corte especficos para cada classe diamtrica.

Sistemas de desdobro

As toras selecionadas e divididas em dois grupos de 10 para cada classe diamtrica foram desdobradas por duas metodologias distintas, sendo uma chamada de desdobro convencional, j utilizado pela serraria, e outra chamada de desdobro otimizado. Porm, nos dois mtodos de desdobro, foram obtidas tbuas com as mesmas dimenses, sendo elas 27 mm de espessura e 50, 80 e 110 mm de largura, destinadas confeco de painis e outros componentes para a indstria de mveis.

O sistema de desdobro convencional utilizado pela serraria consistiu na entrada das toras classificadas para esse sistema aleatoriamente, ou seja, sem nenhuma classificao diamtrica, sendo que, na entrada da serra principal, elas eram classificadas visualmente pelo operador da mquina. Atravs dessa classificao visual, o operador optava pelo melhor posicionamento da tora sobre o carro porta-tora, definindo o diagrama de corte a ser desenvolvido para cada uma. Aps o desdobro, todas as tbuas obtidas de cada tora, separadas em suas respectivas classes diamtricas, foram medidas para posterior obteno dos rendimentos em madeira serrada para o sistema de desdobro convencional.

No sistema de desdobro otimizado, todas as toras foram separadas por classe diamtrica. Para cada classe diamtrica, foi definido um diagrama de corte especfico, com auxlio do software otimizador e simulador de corte MaxiTora, da empresa Lindbeck Informtica. Aps a definio dos diagramas de corte, todas as toras, separadas por classes diamtricas, foram desdobradas seguindo seus respectivos diagramas de corte. Aps o desdobro, todas as tbuas obtidas de cada tora, separadas em suas respectivas classes diamtricas, foram medidas para posterior obteno dos rendimentos em madeira serrada para o sistema de desdobro otimizado.

Para o clculo do volume de madeira serrada, todas as tbuas obtidas, separadas por tora e classe diamtrica, tiveram suas espessuras, larguras e comprimentos medidos. Foram tomadas duas medidas da espessura em dois pontos da pea, sendo uma em cada topo, com auxlio de paqumetro digital.

Da mesma forma, foram tomadas duas medidas da largura, uma em cada topo da tbua, com auxlio de trena.

Clculo do rendimento

O rendimento volumtrico, tambm chamado de coeficiente de serragem, coeficiente de transformao ou fator de rendimento, foi a relao entre o volume produzido de madeira serrada e o volume utilizado de madeira em forma de tora, expresso em porcentagem.

O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, disposto em fatorial, sendo os fatores a classificao, com dois nveis, e as classes diamtricas, com cinco nveis (cinco classes), com dez repeties. O efeito da classificao das toras foi considerado como qualitativo, e a classe diamtrica como quantitativa. Foi utilizado para as anlises o centro da classe.

Os rendimentos mdios encontrados para madeira serrada utilizando otimizao de corte variaram de 44,93% a 63,58%, gerando uma mdia de 53,60%. Esses valores foram superiores aos obtidos no desdobro convencional e todas as classes apresentaram incremento em seus rendimentos mdios, quando realizada a seleo das toras e utilizado um diagrama otimizado para cada classe diamtrica.

Atravs da anlise da tabela 3, alm do aumento do rendimento mdio para todas as classes diamtricas em relao ao desdobro convencional, observa-se que, de acordo com o aumento do dimetro das toras, os rendimentos mdios tambm aumentaram. Estatisticamente e ao contrrio do desdobro convencional, todas as classes diferiram entre si. Estudos de tcnicas de desdobro em serrarias que utilizam toras com pequenos dimetros, concluiu que o ndice de rendimento de madeira serrada aumenta de acordo com o incremento no dimetro das toras utilizadas.

O tratamento de classificao das toras e otimizao de corte se alterou quando ocorreu alterao na classe diamtrica, evidenciando assim a dependncia entre os fatores. Ocorreu um aumento significativo de 21,24% no rendimento em madeira serrada no desdobro otimizado em relao ao desdobro convencional.

Como a interao foi significativa, optou-se em realizar o desdobramento e avaliar o efeito entre fatores. Aps o desdobramento, pde-se observar que o efeito do tratamento foi qualitativo. O tratamento utilizado para o desdobro das toras foi significativo e as classes diamtricas utilizadas tambm foram significativas. Os efeitos principais e a interao foram altamente significativos. Como a interao foi significativa, isso implica que os efeitos no so independentes.

De acordo com os resultados obtidos, conclui-se que:

A comparao entre os dois sistemas de desdobro estudados evidenciou que o rendimento mdio obtido no sistema otimizado foi 21,1% maior que o sistema convencional utilizado nas serrarias de pinus.

Dentro das classes diamtricas, o desdobro otimizado apresentou um aumento no rendimento de madeira serrada, exceto na classe de 24,1 a 28,0 cm, onde no foi detectada diferena significativa entre os sistemas estudados.

A maior diferena no rendimento mdio em madeira serrada entre os sistemas de desdobro convencional e otimizado foi obtida na classe diamtrica de 38,1 a 44,0 cm.

No sistema de desdobro otimizado, observou-se um maior rendimento mdio medida que aumentou o dimetro das toras, tendncia que no foi observada no desdobro convencional.

A classificao das toras e o estabelecimento de modelos de corte para cada classe diamtrica foi uma forma eficiente de se aumentar o rendimento em madeira serrada de pinus.

Com base nas concluses aqui apresentadas, recomendam-se:

Implantao de sistema de classificao e seleo das toras em serrarias de pinus de acordo com padres estabelecidos e testados neste estudo;

Utilizao do sistema de desdobro otimizado testado neste estudo, respeitando os limites das classes diamtricas e diagramas de corte propostos;

Realizao de testes com classes diamtricas de menores amplitudes;

Testagem de outros possveis diagramas de corte com classes diamtricas de menores amplitudes;

Realizao de estudos de eficincia da serraria, relacionando-os com os rendimentos obtidos;

Avaliao econmica comparativa dos sistemas de desdobro estudados, visando a viabilidade de sua aplicao no processamento de madeira de pinus.

Autores:

Mauro Itamar Murara Junior - Eng. Florestal, M.Sc., Escola Tcnica Superior Tupy ;Mrcio Pereira da Rocha - Eng. Florestal, Dr., Depto. de Engenharia e Tecnologia Florestal da UFPR - Romano Timofeiczyk Junior - Eng. Florestal, Dr., Depto. de Economia Rural e Extenso da UFPR.