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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°98 - AGOSTO DE 2006

Pinus

Expanso do Pinus no Brasil impulsiona setor

O Brasil figura como o maior exportador mundial de compensado de Pinus. O sul e sudeste do pas concentram a maior parte de suas florestas. Sua rea total de 1,8 milho de hectares plantados, sendo o Paran o maior produtor com um tero do total.

O consumo de toras de Pinus no Brasil aumentou significativamente na ltima dcada. Em 1990, seu consumo era de 19 milhes de metros cbicos e saltou para a marca de 42 milhes de metros cbicos no ltimo ano. Isto representa uma taxa mdia de crescimento na ordem de 7% ao ano.

Segundo dados da ABIMCI, em 1990 a produo de compensado de Pinus era de 120 mil metros cbicos e aumento para 2,4 milhes de metros cbicos em 2005, representando um crescimento de 1.950%. Estima-se que aproximadamente 3.150 empresas no Brasil utilizam Pinus nos seus processos produtivos.

A madeira de pinus, alm de ser um produto de exportao com forte demanda internacional, muito verstil e, por isso, uma das melhores alternativas em diversas aplicaes que vo desde a produo de embalagens e paletes para movimentao de cargas, passando por mobilirio e painis, at uma grande variedade de componentes para construo civil. Trata-se de um dos maiores insumos geradores de divisas para a economia brasileira.

A floresta de pinus diferenciada pelo seu multi-uso porque a mesma rvore, em seu ciclo, pode ser destinada indstria laminadora, que a utiliza para fabricao de compensados; para a indstria de serrados, que transforma em madeira beneficiada ou convertida em mveis; para a indstria de papel e celulose; para a indstria de MDF e, mesmo o seu resduo, tem sido aproveitado como biomassa para gerao de vapor e energia.

Na rea de papel e celulose, que s trabalha com rvores de reflorestamento, o Pinus representa 30% das plantaes. Ele importante porque contribui com as fibras longas, imprescindveis na fabricao de papis, que exigem maiores resistncias e melhor absoro de tinta. No caso dos compensados, estas espcies so responsveis por 61% do volume anual produzido. Em relao aos mveis, a madeira de pnus domina a preferncia das indstrias.

Entretanto, a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS) faz um alerta: a demanda por madeira de pinus que est em 42 milhes de metros cbicos, ir aumentar para mais de 80 milhes de metros cbicos em 2020. Caso o plantio do Pinus no aumente no decorrer dos anos, o Brasil ter srios problemas de escassez.

No incio dos anos 2000 j aconteceram os primeiros sinais de escassez de madeira de pnus. Como um produto agrcola que precisa de muitos anos para ser explorado, os especialistas j projetam cenrios futuros para o pas. Eles indicam que at 2020 dever ser plantado mais 1,9 milhes de hectares de pinus para no faltar no Pas.

Apesar de possuir muitas virtudes e ser uma importante alternativa para o desenvolvimento de muitas regies, a cultura do Pinus carece de estmulo governamental e sofre muitos ataques. So diversos os mitos sobre as culturas da espcie.

Congresso Pinus

Os mitos que rondam as culturas de Pinus precisam ser esclarecidos para que se possa perceber a vantagem competitiva natural que o pas tem, e transformar isso em fonte de gerao de riqueza e renda.

Este um dos objetivos principais do II Congresso Internacional do Pinus, que acontece nos dias 13, 14 e 15 de setembro, no Centro de Convenes da FIEP, em Curitiba/PR. O Evento promovido pela Remade / Revista da Madeira, e ir reunir especialistas, empresrios, estudantes, profissionais dos setores madeireiro e moveleiro, organizaes governamentais e no governamentais, e representantes de Organizaes Mundiais.

O Congresso passou a ser, desde 2004, quando aconteceu pela primeira vez em Santa Catarina, um frum que discute temas sobre a evoluo da espcie. Sua participao nos mercados nacional e internacional, a relao entre oferta e demanda, as polticas de incentivo e investimento, entre outros temas relevantes so discutidos de maneira clara e concisa durante o evento.

A expectativa para 2006 que o Congresso rena cerca de mil pessoas, de vrios lugares do pas. Os temas sero abordados por palestrantes e especialistas, tanto do exterior (principalmente de pases onde o cultivo do Pinus mais evoludos que o nosso como: Chile, Canad, Sucia, Estados Unidos) como palestrantes nacionais renomados.

O I Congresso Internacional do Pinus aconteceu em agosto de 2004, em Joinville/SC e reuniu mais de 800 pessoas, entre empresrios, especialistas, estudantes e profissionais dos setores madeireiro e moveleiro. Especialistas do segmento de vrios lugares do Brasil e dos pases que se destacam na produo da madeira falaram sobre o mercado, apresentaram alternativas e promoveram oportunidades de intercmbio entre universidade-escola.

Produo de Resina

Graas s florestas cultivadas com espcies do gnero botnico Pinus o Brasil ocupa o segundo lugar, atrs da China, na produo da resina extrada do tronco dessas rvores.

Ao ser processada industrialmente, essa goma resulta num resduo slido, chamado de breu, e num lquido, a terebintina, matrias-primas usadas na fabricao de solventes, tintas, colas, adesivos, cosmticos e perfumes.

At 1989 o Brasil era importador dessa resina. Atualmente, essa substncia rende US$ 30 milhes por ano em exportaes. Resina, madeira e celulose fizeram a demanda de pnus crescer 10% ao ano.

Atualmente o Pas produz 95 mil toneladas de resina por ano, segundo a Associao dos Resinadores do Brasill. Do faturamento de US$ 30 milhes previsto para este ano esto inclusos tanto o produto in natura como os derivados originrios da destilao da resina, o breu e a terebintina.

O maior produtor brasileiro de resina o Instituto Florestal, que possui uma rea total de 25 mil hectares (ha) com pnus espalhados por vrias unidades do estado. Todo ano o instituto faz uma concorrncia por meio de edital e vende a resina.

A produo na safra 2004-2005 foi de 18 mil toneladas. Cada rvore d cerca de 3 quilos de resina por ano, podendo chegar at 12 quilos. O Instituto Florestal mantm parceria com a Aresb e a Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de So Paulo) em um projeto para a sistematizao da clonagem de pnus para resina, visando formulao de um protocolo que possa ser usado pelos produtores para produo e uso do material clonado.

Espcies de Pinus vm sendo introduzidos no Brasil h mais de um sculo para variadas finalidades. Muitas delas foram trazidas pelos imigrantes europeus como curiosidade, para fins ornamentais e para produo de madeira. As primeiras introdues de que se tem notcia foram de Pinus canariensis, proveniente das Ilhas Canrias, no Rio Grande do Sul, em torno de 1880.

Por volta de 1936, foram iniciados os primeiros ensaios de introduo de Pinus para fins silviculturais, com espcies europias.

As plantaes comerciais comearam como negcio a partir de 1966, quando o governo federal instituiu incentivos fiscais para reflorestamento com bons descontos no imposto de renda.

Nessa poca, alm do Pinus, tambm comeou no Brasil a plantao massiva de eucalipto (Eucalyptus sp.). Assim, pnus e eucalipto se transformaram nas madeiras principais de reflorestamento do pas, abrangendo 99% da rea plantada. Essas duas espcies so rpido crescimento para fornecimento de madeira e celulose. Elas tiveram duas grandes funes para o Pas.

A primeira foi evitar o corte de mais rvores nativas e a segunda, a criao de uma base florestal que permitiu a exportao de chapas, aglomerados, compensados e mveis. Segundo dados da SBS, dos US$ 21 bilhes referentes produo de madeira, celulose e carvo no Brasil, em 2004, US$ 17,5 bilhes so de florestas plantadas - 61% de eucalipto e 39% de pnus -, os restantes US$ 3,5 bilhes so oriundos do extrativismo legal.

Nesses nmeros no esto includas, claro, as rvores retiradas irregularmente da Amaznia, por exemplo. As exportaes do setor florestal foram, em 2004, de US$ 5,8 bilhes, a segunda receita agrcola atrs apenas da soja, com US$ 10 bilhes.

Do total produzido no pas no setor de reflorestamento, 45% (US$ 9,4 bilhes) so relativos madeira e mveis, 35% (US$ 7,3 bilhes) a papel e celulose e 20% (US$ 4,2 bilhes) madeira que transformada em carvo para uso nos fornos das siderrgicas.