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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°97 - JUNHO DE 2006

Carbono

Reduo de desmatamento pode render lucro a partir de 2008

O Brasil espera ver funcionando, a partir de 2008 um mecanismo da Conveno do Clima da ONU que estimule os pases subdesenvolvidos a reduzir o desmatamento em suas florestas, cortando, por tabela, suas emisses de gases de efeito estufa.

A proposta de criao desse mecanismo foi aprovada pelos delegados da 11 COP (Conferncia das Partes), conveno que aconteceu em Montral, Canad. Eles concordaram em iniciar as discusses sobre o assunto em maio de 2006.

O acordo prev que os pases criem "incentivos positivos", ou seja, medidas econmicas para estimular naes pobres --que no so obrigadas, pelo Protocolo de Kyoto, a reduzir suas emisses-- a atacar o desmatamento, que, s no Brasil, lana cerca de 200 milhes de toneladas de carbono por ano na atmosfera.

No se sabe que forma tero esses incentivos, mas membros da delegao brasileira descartam o chamado comrcio de emisses (ou seja, a gerao de "crditos de carbono" para pases com metas de reduo a cumprir).

O G-77, bloco dos pases pobres, conseguiu evitar que o debate sobre florestas entre na discusso de um regime internacional de combate ao efeito estufa que substitua o acordo de Kyoto, que vence em 2012. Na prtica, consolida-se o que os diplomatas chamam de "dois trilhos" da Conveno do Clima: um que discute metas obrigatrias para as naes industrializadas, outro que estabelece medidas voluntrias para que naes do G-77 participem do combate ao aquecimento global, mas com medidas voluntrias.

"Uma vantagem disso o prazo, porque poderemos ter esse mecanismo funcionando j em 2008, enquanto o regime ps-Kyoto s entraria em funcionamento depois de 2012", disse um membro da delegao brasileira.

O Brasil no quer nem ouvir falar em metas obrigatrias de reduo de emisses, por entender que o aquecimento global um problema causado principalmente pelos ricos --segundo o chamado princpio das responsabilidades comuns mas diferenciadas.

Ambientalistas comemoraram a deciso da COP-11 sobre florestas, mas fizeram crticas posio brasileira, que, segundo eles, esvazia o ps-Kyoto. "A gente queria uma estratgia menos defensiva, que j inclusse isso [a reduo do desmatamento] no ps-2012", disse Rubens Born, do Instituto Vitae Civilis, membro da aliana de ONGs Climate Action Network. "Responsabilidade comum mas diferenciada no responsabilidade zero."

Paulo Moutinho, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaznia), co-editor do livro "Desmatamento Tropical e Mudana Climtica", lanado ontem em Montral, diz que "um passo importante" foi dado na conveno com a possibilidade da incluso das florestas em p. Ele afirma, no entanto, que um mecanismo de compensao que exclua o mercado de carbono, como um fundo, tende a no funcionar. "No preciso estabelecer metas, mas preciso valorar o carbono." As ONGs deram o "prmio" satrico "fssil do dia" Itlia, por ter defendido avanos tecnolgicos em combustveis fsseis contra o aquecimento global. Os EUA tambm ganharam o prmio, por sua objeo palavra "dilogo" no rascunho do texto de deciso da COP-11.