MENU
Amrica Latina
China
Editorial
Estados Unidos
Europa
Exportaes
ndia
Leste Europeu
Logstica
Oriente Mdio
Ranking
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°96 - MAIO DE 2006

China

China o mercado alternativo mais promissor

O bom desempenho do comrcio exterior brasileiro nos ltimos anos vem sendo marcado, entre outras coisas, por uma crescente importncia dos chamados novos mercados, entendidos como os pases que esto fora do tradicional eixo Unio Europia-Nafta-Amrica Latina-Japo. Entre estes novos mercados, o mais importante a China. Em 2004, a corrente de comrcio fechou em US$ 9,1 bilhes. O saldo de 2005 foi positivo em US$ 1,4 bilho, , chegando a US$ 12 bilhes, e a China segue como terceiro maior comprador dos produtos brasileiros, segundo a Cmara Brasil-China de Desenvolvimento Econmico (CBCDE).

A participao chinesa nos fluxos de comrcio nacionais vem crescendo rapidamente, no s como destino das exportaes, mas, tambm como origem das importaes. De fato, entre os anos de 1999 e 2005 as exportaes brasileiras para a China cresceram 11 vezes mais rpido do que o total, fazendo a participao chinesa na pauta subir de 1,4% para 6,2%, tornando-se nosso terceiro maior parceiro comercial. Do lado das importaes, a trajetria tambm tem sido impressionante, com as compras originrias da China crescendo cerca de 150% no mesmo perodo, enquanto as importaes totais do Brasil acumularam queda de 1,9%.

O crescimento das importaes da China parece inserir-se em um contexto mais amplo de diversificao de origens das compras brasileiras: as importaes provenientes de outros mercados no-tradicionais tambm registraram aumentos na pauta. Parece que a globalizao vem se consagrando.

As exportaes brasileiras para a China somaram US$ 4,5 bilhes em 2003, um valor 6,7 vezes maior do que o registrado apenas quatro anos antes. No mesmo perodo, as importaes brasileiras provenientes da China cresceram 2,5 vezes, alcanando US$ 2,15 bilhes. O resultado foi que o pas saiu de um dficit de US$ 189 milhes, em 1999, para um supervit de quase US$ 2,4 bilhes em 2003 o que representou cerca de 10% do saldo total obtido pelo Brasil. O histrico do comrcio Brasil-China tem sido quase sempre favorvel ao Brasil, que registrou supervits na maior parte dos anos entre 1985 e 2003 com exceo dos anos entre 1996 e 2000. Mesmo neste perodo, contudo, o dficit no chegou a alcanar US$ 200 milhes no pior ano.

Mudana estrutural

Houve uma mudana estrutural nas trajetrias das exportaes e importaes brasileiras referentes China a partir do ano 2000, de tal forma que as vendas para este pas cresceram 11 vezes mais rpido que as exportaes totais brasileiras e as importaes cresceram 150% em um perodo em que as importaes totais do Brasil acumularam queda de 1,9%. A China foi responsvel por 15,4% de todo o crescimento das exportaes brasileiras entre 1999 e 2003.

Como resultado, o Brasil vem acumulando expressivos supervits comerciais com aquele pas e market-share (participao no mercado) com a China triplicou, passando de 0,43% em 1999 para 1,27% em 2003. Sendo assim, no possvel atribuir o bom desempenho das vendas brasileiras para aquele pas apenas ao fato de suas importaes estarem crescendo bem mais rpido do que o comrcio mundial.

As exportaes brasileiras para a China so bastante concentradas em produtos bsicos, que responderam por 55,5% da pauta no perodo 2001-2003, apresentando um padro bem diferente do total das exportaes brasileiras (apenas 27,9% referem-se a bsicos).

Alm da elevada concentrao, observa-se que a composio da pauta exportadora brasileira para a China no se alterou muito nas ltimas duas dcadas, de tal forma que um conjunto de apenas cinco setores Extrativa Mineral, Siderurgia, Agropecuria, Celulose, papel e grfica e leos vegetais estiveram sempre entre os mais importantes e responderam sistematicamente por uma parcela no inferior a 70% da pauta.

Alm disso, em cada um deles as vendas tm sido sempre concentradas em apenas um ou dois produtos como minrio de ferro, laminados planos e semimanufaturados de ferro e ao, soja, celulose e leo de soja. Isto implica que no houve qualquer up-grade significativo da pauta de exportaes para a China em todo este perodo, seja em termos da diversificao de produtos, seja na incorporao de bens de maior grau de elaborao.

Parceria em expanso

A participao da China como destino das exportaes brasileiras vem aumentando nos ltimos anos em quase todos os setores exportadores, mesmo naqueles nos quais sua participao ainda reduzida. As importaes brasileiras provenientes da China mantiveram-se em um patamar bastante reduzido at os primeiros anos da dcada de 90, quando a liberalizao comercial e a valorizao real do cmbio propiciaram um salto entre os anos de 1993 e 1997. Aps um perodo de estagnao elas voltaram a crescer rapidamente nos anos recentes, acumulando um crescimento, em termos de quantum, de nada menos que 230% entre 1999 e 2003, em um momento em que o quantum total registrou queda de 1,6%.

Entretanto, o aumento da participao da China em na pauta de importaes, de 2,7 pontos percentuais entre 1999 e 2003, parece inserir-se em um contexto mais amplo de diversificao das origens das compras brasileiras, uma vez que tambm ganharam participao as vendas provenientes dos Demais Pases Asiticos, frica, Oriente Mdio e Europa Oriental.

Os fluxos de comrcio entre Brasil e China so predominantemente baseados em vantagens comparativas, e no no chamado comrcio intra-indstria. Isto significa que os ganhos que Brasil e China podem auferir na expanso do fluxo de comrcio bilateral so potencialmente muito grandes, com grande implicao sobre o nvel de bem-estar de ambos.

Contudo, no se pode descartar a hiptese de que o pas venha a ser afetado por eventuais barreiras comerciais impostas pela China, o que refora a importncia de uma maior aproximao comercial e diplomtica entre os pases e da eventual negociao de acordos comerciais que possam prevenir a adoo de medidas protecionistas.

As vendas para a China so amplamente concentradas em empresas de grande porte, que foram responsveis por 76,2% das exportaes do pas na mdia do perodo 2000-2002 contra um percentual de 66,2% referente s exportaes totais do pas. O nmero de empresas envolvidas na exportao para a China vem crescendo de forma rpida nos ltimos anos, assim como o valor mdio exportado por firma.

Mantidas as tendncias recentes, as firmas de menor porte devem aumentar sua participao no nmero total de empresas que exportam para a China. Em termos de valor exportado, porm, as firmas de grande porte devero aumentar ainda mais a sua j elevada participao na pauta de exportaes para a China, devido ao maior crescimento do valor mdio exportado. O mesmo tende a acontecer com as firmas no industriais.

Quanto indicao de polticas de promoo comercial no mercado chins especificamente voltadas para as firmas de menor porte, parece mais razovel centrar esforos no apoio s firmas que j exportam para a China ou que j exportaram em algum momento em um passado recente e no na atrao de novas firmas para aquele mercado.

Saldo positivo

A balana comercial Brasil-China fechou 2005 com novo recorde de US$ 12,1 bilhes (em 2004 foi de US$ 9,1 bilhes). As exportaes fecharam o ano com o total de US$ 6,8 bilhes, com crescimento de 25,62% em relao a 2004 (que havia crescido 20,02%).

As importaes de produtos chineses em 2005 continuaram em alta (US$ 5,3 bilhes e crescimento de 44,27%), mas o ritmo de crescimento foi menor (28,52%) em comparao com 2004 (US$ 3,7 bilhes e crescimento de 72,79%).

Apesar do mercado e o setor industrial no acreditarem que 2005 fecharia com um saldo a favor do Brasil, a balana comercial surpreendeu com um saldo positivo de US$ 1,4 bilho. Contudo, foi inferior a 2004 (US$ 1,7 bilho) e 2003 (US$ 2,3 bilhes).

Essa recuperao do saldo comercial em 2005 se deu, principalmente, no segundo semestre do ano. E teve acentuado aumento nos ltimos dois meses (novembro e dezembro), com saldo acima de US$ 450 milhes (em 2004 o saldo desses dois meses foi negativo em US$ 23 milhes).

Esse resultado (novembro/dezembro/05) s foi inferior aos meses de maio e junho de 2005, que acumularam saldo de US$ 527 milhes. Mas esses meses, historicamente, so responsveis pelos maiores embarques brasileiros em funo das exportaes de soja.

A China manteve o posto de terceiro maior comprador dos produtos brasileiros, com participao de 5,78%, atrs da Argentina (8,38%), segundo maior comprador. Os EUA mantiveram o primeiro lugar (18,99%), mas diminuram sua participao, que em 2004 foi de 20,31%.

Para o presidente da Cmara Brasil-China de Desenvolvimento Econmico (CBCDE), Paul Liu, o comrcio entre os dois pases deve continuar a crescer. Para 2006, Liu prev que a corrente comercial deva ficar entre 14 e 15 bilhes de dlares, um crescimento de mais de 20%.

"O Brasil poderia aproveitar melhor o crescimento chins, que em 2005 foi de 9,8%. Alm das commodities que j so embarcadas atualmente para a China, h espao para outros produtos do agronegcio como carnes, frutas, acar e lcool", aponta.

Mas Liu espera que a pauta de exportao v alm de produtos bsicos. "H setores que foram timidamente explorados como o de turismo. Em 2004, cerca de 22 milhes de chineses saram pelo mundo em viagens internacionais, mas s 14 mil escolheram o Brasil (0,06%). E boa parte desses chineses no vieram fazer turismo diretamente. Muitos vieram em busca de negcios", afirma Liu, que indica ainda o setor de servios como outra oportunidade a ser explorada.

Fontes: Fernando Ribeiro e Henry Pourchet - economista e estatstico da Funcex - Fundao Centro de Estudos do Comrcio Exterior; Cmara Brasil - China de Desenvolvimento Econmico.