MENU
Amrica Latina
China
Editorial
Estados Unidos
Europa
Exportaes
ndia
Leste Europeu
Logstica
Oriente Mdio
Ranking
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°96 - MAIO DE 2006

Europa

Europa apresenta novas oportunidades

O Brasil atingiu um ndice de maturidade e maioridade na indstria da transformao da madeira, que o coloca entre os grandes produtores mundiais, no s em quantidade como tambm em qualidade. Muitas empresas do setor atendem s mais altas exigncias de qualidade tcnica de qualquer pas do mundo.

Mesmo considerado o maior produtor e o maior consumidor mundial de produtos de madeira tropical, o Brasil ainda enfrenta o tabu do uso da madeira. Segundo dados da Associao Brasileira da Indstria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), a produo e o consumo interno concentram-se basicamente no setor de serrados para a indstria da construo civil. Com este cenrio a indstria madeireira voltou sua ateno para a exportao.

Os principais mercados para a madeira brasileira so os Estados Unidos e a Europa. Desde os atentados de 11 de setembro os Estados Unidos tm mostrado maior potencial de compra e crescimento, principalmente por causa das mais baixas taxas de juros dos ltimos 40 anos.

O mercado da Europa um importante e tradicional mercado para produtos de madeira do Brasil. Entretanto, como as taxas de crescimento da Comunidade Europia tm sido bastante tmidas ao longo dos ltimos 10 anos, os volumes para aquele mercado tm se mantido estveis e sempre abaixo do que importa os EUA.

Desta forma, o maior desafio para o setor ser buscar maior competitividade no mercado internacional como forma de superar os fortes aumentos dos custos das matrias-primas e insumos e absorver a forte valorizao cambial que tem tirado receitas importantes deste que um tradicional setor exportador.

O cmbio j vem dando sua contribuio negativa para o desempenho do setor desde o incio do ano passado. Se considerarmos que h poucos anos tnhamos uma taxa de R$ 3,00 por dlar e tomando como base os R$ 2,17 de hoje, temos a uma perda de receita em reais para todo setor exportador de 28%.

Uma das sadas que o mercado encontrou para superar a crise em 2005 foi a diversificao de mercados. Entre os novos destinos da madeira brasileira esto Jordnia, Arbia Saudita, Arglia, e Noruega. Mesmo assim, as empresas no conseguiram superar as perdas cambiais na exportao.

Desta forma, o setor exportou algo prximo de US$ 3 bilhes em 2005. O resultado do ano passado foi 22,08% inferior ao de 2004, quando as indstrias do setor enviaram ao exterior US$ 3,85 bilhes (44,7% mais do que em 2003), e interrompe o ciclo de crescimento nas exportaes que se mantinha desde 2002.

O ano passado foi marcado tambm pela forte concorrncia dos chineses e pelas dificuldades de aquisio de suprimentos de indstrias que trabalham com madeira tropical. Hoje so cerca de 2,5 mil indstrias de compensados na China, que produzem 25 milhes de metros cbicos, dos quais quatro milhes destinados ao mercado internacional e que chegam aos Estados Unidos e a Europa com preos at 40% menores do que os dos concorrentes. Esse diferencial estaria relacionado mo-de-obra barata e aos subsdios governamentais, mas principalmente ao cmbio muito desvalorizado, importao e ao contrabando de toras ilegais.

Acredita-se que em 2006 o apetite dos chineses possa arrefecer um pouco, j que a Europa comea a despertar para suas condies de preos atraentes. Porm, como a Europa um dos carros fortes do nosso mercado internacional, vale a pena conhec-la mais a fundo e assim poder apertar o cerco com os nossos concorrentes.

Unio Europia

A Unio Europia a primeira potncia comercial do mundo, representando cerca de 20% do volume total das importaes e exportaes a nvel mundial. Alis, foi o comrcio livre entre os Estados-Membros que possibilitou o xito da criao da Unio que hoje tem um papel de liderana nas iniciativas de liberalizao do comrcio mundial, no interesse mtuo dos pases ricos e dos pases pobres.

Com o maior PIB mundial, que gira em torno de 10.202.336.800.000 e a 3 maior populao, com 455 milhes de pessoas (116 pessoas/km), sua rea total a 7 maior do mundo, com 3.976.372 Km.

A Unio Europia, que anteriormente era designada por Comunidade Econmica Europia (CEE), uma organizao internacional constituda atualmente por 25 Estados-Membros, estabelecida com este nome pelo Tratado da Unio Europia ou Tratado de Maastricht em 1992. Os Estados-Membros so: Alemanha, Blgica, Frana, Itlia, Luxemburgo, Pases Baixos, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Grcia, Espanha, Portugal, ustria, Finlndia, Sucia, Repblica Checa, Chipre, Eslovquia, Eslovnia, Estnia, Hungria, Letnia, Litunia, Malta e Polnia.

A UE tem sedes em Bruxelas, Luxemburgo e Estrasburgo. Sua filosofia abrir seu mercado s importaes desde que os seus parceiros faam o mesmo. Est disposta a liberalizar o comrcio de servios, tendo em conta a situao dos pases em vias de desenvolvimento, permitindo-lhes abrir os seus mercados a um ritmo mais lento do que os pases desenvolvidos e ajudando-os, simultaneamente, a integrar-se no comrcio mundial.

A supresso de entraves ao comrcio livre na Unio Europia contribuiu, em grande parte, para a sua prosperidade, o que reforou o seu empenho na liberalizao do comrcio mundial.

Na dcada de 1960 os pases eliminaram os direitos aduaneiros aplicveis ao comrcio entre si, tendo sido tambm uniformizados os direitos aduaneiros aplicveis s mercadorias importadas do exterior na denominada Tarifa Externa Comum (TEC), o que permitiu aos Estados-Membros participar nas negociaes comerciais internacionais enquanto grupo nico.

O comrcio externo tornou-se, assim, um dos primeiros instrumentos da integrao europia. Aps, a par dos seus parceiros comerciais, a UE passou a ser um ator fundamental nas sucessivas rondas de negociaes internacionais para a liberalizao do comrcio realizadas no mbito da Organizao Mundial do Comrcio (OMC) e que tm como objetivo reduzir os direitos aduaneiros e suprimir os outros entraves ao comrcio mundial.

Na seqncia destas rondas, o nvel mdio dos direitos aplicados s importaes industriais na Unio diminuiu para 4%, um dos mais baixos do mundo.

Contudo, num mundo globalizado, no necessrio apenas liberalizar o comrcio, preciso que essa liberalizao se faa dentro de determinadas regras de modo a que seja possvel assegurar um comrcio justo e evitar o crescimento do fosso entre pases pobres e pases ricos e a marginalizao das economias mais pobres e este objetivo que a Unio tem vindo a perseguir dentro da OMC.

Economia Europia

A multiplicidade de naes adjacentes fez da Economia Europia uma das mais complexas do planeta. Entretanto, a UE possui facetas importantes como: o mercado nico europeu, a moeda nica (adotada por 12 dos 25 Estados membros) e as polticas agrcolas, de pescas, comercial e de transportes comuns.

Devido integrao econmica e da grande quantidade de capital circulante na regio, houve a necessidade da criao de uma moeda comum - o Euro.

Os pases que adotaram esta moeda so a Alemanha, ustria, Blgica, Espanha, Finlndia, Frana, Grcia, Pases Baixos, Irlanda, Itlia, Luxemburgo e Portugal. O controle de emisso e a poltica cambial da Unio Europia so feitas atravs do Banco Central Europeu. Sua sede em Frankfurt, Alemanha.

A Unio desenvolve tambm vrias iniciativas para a coordenao das atividades judiciais e de defesa dos Estados-Membros. Possui polticas trabalhistas, de defesa, de combate ao crime e de imigrao em comum. A UE possui os seguintes rgos: Comisso Europia, Parlamento Europeu e Conselho de Ministros.

Os cidados dos pases membros so tambm cidados da Unio Europias e podem circular e estabelecer residncia livremente pelos pases da UE.

Embora as regras atinentes ao comrcio sejam multilaterais, as trocas comerciais propriamente ditas so bilaterais, entre compradores e vendedores e entre exportadores e importadores. Por este motivo, a UE criou uma rede de acordos comerciais bilaterais com regies e pases de todo o mundo, destacando-se os pases vizinhos da bacia mediterrnica, a Rssia e outras repblicas da antiga Unio Sovitica.

Em seu Sistema de Preferncias Generalizadas (SPG), a UE autoriza o acesso ao seu mercado, com iseno de pagamento de direitos aduaneiros ou com uma taxa reduzida, maioria das importaes provenientes de pases em vias de desenvolvimento e de economias em transio.

Dentro deste conjunto de pases, os 49 mais pobres do mundo tm um estatuto especial, uma vez que a totalidade das suas exportaes (com exceo das armas) beneficiar, no mbito de um programa lanado em 2001, de um acesso ao mercado europeu com iseno de direitos aduaneiros.

A Unio Europia desenvolveu, igualmente, uma nova estratgia em matria de comrcio e desenvolvimento com os seus 78 parceiros do grupo de pases ACP (frica, Carabas e Pacfico), que tem como objetivo integrar os mesmos na economia mundial, no mbito do Acordo de Cotonou. A partir de 2007 este acordo ser substitudo por acordos de parceria econmica cujo objetivo prestar uma assistncia especializada s diferentes sub-regies do grupo ACP que apresentam diferentes nveis de desenvolvimento.

A UE concluiu, tambm, um acordo comercial com a frica do Sul que conduzir liberalizao das trocas comerciais entre as duas partes e, atualmente, est a negociar um acordo de comrcio livre com os seis membros do Conselho de Cooperao do Golfo (CCG), o Reino do Bahrain, o sultanato de Oman, o Qatar, a Arbia Saudita e os Emirados rabes Unidos. Existem ainda acordos comerciais e acordos de associao com o Mxico e o Chile e est a ser negociado um acordo destinado a liberalizar as trocas comerciais com o MERCOSUL que rene a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai.

Em contrapartida, no h acordos comerciais especficos com os principais parceiros comerciais da Unio entre os pases desenvolvidos, tais como os Estados Unidos e o Japo, com os quais as relaes comerciais so geridas atravs de mecanismos criados no mbito da OMC, embora a UE tenha concludo com estes dois pases numerosos acordos em setores ligados ao comrcio.

Pacto de Estabilidade

O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) um acordo entre os pases da UE. Foi adotado para evitar que polticas fiscais irresponsveis tivessem efeitos nocivos sobre o crescimento e a estabilidade macroeconmica dos pases da Unio Europia, em particular aqueles que adotaram o Euro como sua moeda.

De acordo com o PEC, todos os pases da Unio Europia devem apresentar regularmente programas de estabilidade ou programas de convergncia (aqueles para os pases que fazem parte da rea do euro, estes para os que ainda no adotaram o euro), devem respeitar os objetivos macroeconmicos contidos nesses programas e devem evitar dfices pblicos superiores a 3% do PIB, bem como valores da dvida pblica superiores a 60% do PIB. Dfices superiores quele valor podem levar a sanes, incluindo pagamento de multas.

Energia - A Europa no tem auto-suficincia na produo de energia, exigindo a importao de muito petrleo, este produto, s extrado em quantidades considerveis na Rssia e no Mar do Norte. O gs natural, outro produto bastante usado na gerao e produo de energia muito abundante na Rssia, Romnia, Pases Baixos e Reino Unido. Outro recurso energtico que teve grande importncia nas fases iniciais da revoluo industrial o carvo mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polnia, Rssia e Reino Unido. Todas estas fontes energticas so extremamente poluidoras e causam grande impacto ambiental em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, no poluidora, podem ser citadas a hidreltrica, elica e solar, de baixa produo e utilizao da Europa, devido s suas condies geogrficas. A produo de energia nuclear na regio europia muito importante, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atmico, que desde o incio de sua utilizao, o fim dado a este muito nebuloso e nunca divulgado na mdia mundial.

Minerao - Na Alemanha, Rssia, Reino Unido, Eslovquia existem jazidas de ferro e carvo muito importantes. Viabilizando desta forma a metalurgia atravs da indstria siderrgica, mecnica e automobilstica.

Indstria - A Europa durante sculo XX foi lentamente perdendo seu poderio econmico. Para reverter a situao e se firmar novamente como potncia econmica mundial os pases da comunidade criaram organismos econmicos supranacionais. Um destes organismos foi a Comunidade Econmica Europia. Em funo disto, foi estimulada a recuperao econmica, sobretudo nos setores siderrgico, de construo, txtil, qumico, naval e automobilstico.

Outro fator importante foi o crescimento da indstria de papel, pois, os bosques de conferas da Rssia, da Escandinvia e da Alemanha esto abastecendo imensamente este ramo industrial.

A Europa sempre esteve no topo da produo de tecnologia de ponta, tendo leve declnio com a entrada do Japo e Estados Unidos. Sua recuperao se deu pela qualidade e inovao dos produtos desenvolvidos.

Comrcio - O comrcio na Europa, ainda apresenta uma certa polarizao. Na regio ocidental o movimento de capital e transaes comerciais ocupam lugares proeminentes nas trocas internacionais. Os principais parceiros da regio so os Estados Unidos, o Canad, o Japo e os pases do Oriente Mdio.

A Europa importa, basicamente, matrias-primas, madeira, minerais, produtos tropicais e borracha. Manufaturados de alta tecnologia procedentes dos Estados Unidos e do Japo. A exportao predominante de manufaturados, automveis, navios, produtos qumicos, produtos pticos e calados.

O comrcio intra-europeu ocorre da mesma forma que em outras regies do mundo. Para favorecer ao comrcio local foi criada uma legislao especfica e acordos comerciais que se materializaram em organizaes como a Associao Europia de Livre Comrcio e a Comunidade Econmica Europia.

Devido ao seu perfil acidentado, do ponto de vista geogrfico, o Continente Europeu possui muitas baas e portos naturais. Este particular permitiu historicamente o desenvolvimento da vocao martima dos habitantes do litoral.