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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°95 - ABRIL DE 2006

Pesquisa

Pesquisas contribuem para competitividade

O cenrio mundial tem mostrado que o desenvolvimento tecnolgico na rea de tecnologia da madeira-processamento qumico fruto de uma parceria eficiente entre o setor privado e o setor pblico. Representados por empresas produtoras e universidades e centros de pesquisa respectivamente. O fruto desta parceria pode ser sumarizado no desenvolvimento de tecnologias inovadoras que contribuem para competitividade de empresas e pases e formao de recursos humanos de elevada competncia para acompanhar a velocidade das mudanas tecnolgicas.

No Brasil os instrumentos efetivamente disponveis para propiciar este parceria entre empresas e centros de pesquisa pblicos, e que permitam a transferncia de recursos entre os parceiros escassa e ineficiente. Torna-se imperativo que a poltica brasileira de desenvolvimento tecnolgico crie mecanismos simples e geis que permitam a real interao entre os segmentos envolvidos na gerao de conhecimentos, tecnologia e recursos humanos

Em termos de pesquisa em tecnologia de produtos florestais, e tomando como base o atual ordenamento institucional da pesquisa florestal no Brasil, sugerem-se os seguintes aprimoramentos:

- Estabelecer um programa que pudesse coordenar as pesquisas sobre o assunto em todo o territrio nacional, oferecendo incentivos para os centros de pesquisa e universidades dispostos a participar;

- Esses incentivos poderiam estar relacionados com o aprimoramento de infra-estrutura e recursos humanos, mas teriam por base um efetivo relacionamento com as indstrias usurias da pesquisa, as quais tambm deveriam contribuir com algum recurso financeiro, mesmo que simblico. A ligao entre quem faz a pesquisa e quem a utiliza de fundamental importncia para manter o foco e a motivao das equipes.

- Programa poderia se estruturar em trs nveis: i) compilao e processamento de conhecimento j disponvel para torn-lo acessvel aos usurios; ii) identificao de linhas de pesquisa com resultados de aplicao imediata pelo setor industrial, e iii) identificao de linhas de pesquisa de longo prazo (pesquisa estratgica) com resultados que levem o Pas a ocupar o lugar que merece no cenrio internacional como fornecedor de produtos florestais de qualidade.

- Reviso dos aspectos institucionais da legislao florestal que desestimulam o manejo de florestas nativas e plantadas para a produo de madeira slida de qualidade.

Capacitao e treinamento de extensionistas florestais, especializados em silvicultura, manejo, colheita e industrializao primria da madeira.

Tecnologia de produtos florestais

O segmento de Tecnologia da Madeira, pode facilmente ser dividido em dois grandes grupos - processamento qumico e processamento mecnico. Na rea de processamento qumico esto includos fundamentalmente: celulose e papel, carvo, resinas, leos essenciais.

Com relao ao processamento qumico da madeira, at os anos 80 observou-se significativas contribuies na rea de energia da biomassa florestal e produo de carvo. Estes desenvolvimentos esto relacionados avaliao de madeiras (nativas e de florestas plantadas) quanto a sua potencialidade para produo de carvo/energia, desenvolvimento de processos de processos de produo de carvo em diferentes escalas, utilizao de subprodutos do processo de carvoejamento entre outros.

Ainda no perodo at os anos 80, so observadas algumas contribuies de pesquisa e desenvolvimento voltadas para o setor de celulose e papel; estas contribuies esto fundamentalmente restritas rea de qualidade da madeira sendo desenvolvidos trabalhos visando a definio de parmetros de qualidade da madeira que podem ser teis para rea de melhoramento gentico florestal e processamento industrial da madeira. Neste perodo, a rea de tecnologia da madeira voltada para o setor de celulose e papel est intimamente relacionada com a rea de melhoramento gentico florestal e silvicultura. Exemplificando, neste perodo que a densidade bsica da madeira surge como principal parmetro de qualidade da madeira destinada produo de celulose.

A partir da dcada de 80, observa-se uma reduo gradativa das atividades de pesquisa e desenvolvimento na rea de biomassa florestal e produo de carvo. Neste mesmo perodo, com relao ao setor de celulose e papel, observa-se uma consolidao a importncia da rea de qualidade da madeira, com a absoro de conhecimentos e tecnologias geradas pelo setor produtivo. Uma das possveis explicaes para este fato diz respeito carncia de informaes tecnolgicas sobre a madeira de eucalipto, principal matria-prima utilizada pela indstria brasileira de celulose e papel.

No incio da dcada de 90 so observados desenvolvimentos na rea de processos de polpao e branqueamento, sendo trabalhos totalmente direcionados para a madeira de eucalipto, uma vez que os conhecimentos disponveis relacionados polpao e branqueamento destas matrias-primas so escassos na literatura mundial. So desenvolvidos trabalhos que buscam o aumento do rendimento de processos de polpao e a eliminao de compostos clorados de seqncias de branqueamento.

Nas reas de resinagem e leos essenciais as contribuies de pesquisa e desenvolvimento so escassas e concentradas na avaliao de espcies e materiais genticos destinados a produo de leos essenciais e resinas.

Com relao ao processamento qumico da madeira, a avaliao da atual estrutura de investigao cientfica e tecnolgica deve considerar as grandes reas mencionadas: celulose e papel, carvo e energia da biomassa, leos essenciais e resinagem, pois so contextos bastante distintos.

No setor de celulose e papel, observa-se que a estrutura de investigao cientfica e tecnolgica est divida entre o setor privado e o setor pblico. Esta diviso, no entanto, deve ser avaliada de forma criteriosa. Pois, as atividades desenvolvidas pelas empresas do setor de celulose e papel esto voltadas, quase que exclusivamente, para a soluo de problemas intrnsecos de cada empresa. No podem ser classificados como investigao cientfica e tecnolgica.

Na rea de celulose e papel as atividades efetivas de investigao cientfica e tecnolgica esto ligadas ao setor pblico, neste caso, representados pelas universidades. Deve-se destacar que no Brasil existem atualmente dois centros de pesquisa e ensino atuantes na rea de celulose e papel, sendo o principal, localizado na Universidade Federal de Viosa - MG e o outro na Universidade de So Paulo - SP.

Principais demandas pblicas e privadas

Em termos de processamento qumico da madeira e produtos florestais, as principais demandas pblicas e privadas em termos de pesquisa podem ser divididas em sub-reas.

Tecnologia de celulose e papel

- Novas ferramentas analticas para avaliao de parmetros de qualidade da madeira, de forma a permitir a avaliao de uma maior nmero de materiais em reduzido espao de tempo;

- Desenvolvimento de sistemas de simulao de processos modificados de polpao e branqueamento - modelagem matemtica;

- Processos de polpao e branqueamento para fibras longas oriundas de florestas plantadas no Brasil;

- Desenvolvimento/modificao de processos visando a superao da barreira do rendimento;

- Utilizao da biotecnologia em processos de polpao e branqueamento de polpa celulsica, tais como o desenvolvimento e utilizao de enzimas;

- Morfologia de fibras e sua relao com a silvicultura e caractersticas de polpa e papel;

- Genmica funcional aplicada celulose e papel;

- Desenvolvimento de tecnologias de polpao e branqueamento para recursos fibrosos no-convencionais

- Fechamento de circuitos - reduo/eliminao de emisses ambientais

Produo de carvo e energia da biomassa florestal

- Caracterizao de materiais genticos destinados produo de carvo vegetal e biomassa florestal

- Caracterizao qumica e tecnolgica de espcies florestais nativas

- Desenvolvimento tecnologia e processos de termo-retificao de madeiras

Resinas e leos essenciais

- Caracterizao de materiais genticos destinados produo de carvo vegetal e biomassa florestal

Processamento mecnico

- As demandas pblicas, sob o prisma do IBAMA, esto relacionadas fundamentalmente com a utilizao das espcies nativas, principalmente aquelas encontradas nas Florestas Nacionais - FLONAS. Na realidade, grande parte das atividades do Laboratrio de Produtos Florestais do IBAMA em Braslia tm se orientado ao atendimento dessas demandas. Em contraste, a demanda dos institutos estaduais de florestas tendem a se concentrar na utilizao de madeira de plantaes, sobretudo devido nfase conservacionista dada aos remanescentes de florestas nativas nos estados.

- As demandas do setor privado podem tambm ser consideradas em duas vertentes: aquelas relativas s empresas que se utilizam de matria prima oriunda de matas nativas, principalmente nas regies Norte e Centro-Oeste, e aquelas que processam madeira de plantaes, localizadas das regies Sul e Sudeste. Essas demandas e respectivas linhas de pesquisa so explicitamente citadas mais adiante.

Fontes de recursos pblicos e privados para a pesquisa

Os recursos destinados pesquisa em tecnologia de madeiras - processamento qumico, no Brasil so oriundos quase que exclusivamente do setor pblico. Deve-se no entanto destacar o conceito de pesquisa como algo que busca um avano consistente nos conhecimentos disponveis. Os recursos do setor pblico so disponibilizados por agncias de fomento pesquisa tais como Cnpq, FINEP, MCT, FAPESP, FAPEMIG entre outras.

Com relao iniciativa privada, observa-se que as atuaes definidas como pesquisa, so na realidade atividades visando a soluo de problemas pontuais e particulares de cada empresa - "trouble-shooting".

Os recursos pblicos destinados ao financiamento de pesquisa em processamento mecnico da madeira no Brasil, certamente no tm sido muito significativos, e provm sobretudo de entidades federais como CNPq, IBAMA, EMBRAPA, SUDAM, e de entidades estaduais como as agncias de fomento de pesquisa do tipo FAPESP, as secretarias estaduais de indstria, cincia e tecnologia ou afins, e os rgos estaduais especficos ligados a florestas ou produtos florestais.

Em anos recentes algumas universidades estaduais e federais tm tambm desenvolvido pesquisas sobre o processamento mecnico da madeira com recursos oramentrios ou obtidos de agncias oficiais de financiamento.

Os recursos privados, com certeza tambm pouco significativos, provm de empresas interessadas em aproveitar espcies no tradicionais, principalmente oriundos de plantaes, para produo de madeira serrada ou painis reconstitudos. Normalmente esses recursos so usados para financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento executados em parceria com instituies de pesquisa do Brasil e do Exterior. A atuao do SENAI mantm dois centros voltados ao desenvolvimento de estudos de utilizao da madeira: CETMAN (Pr) e CETEMO (RS).

Obstculos para o desenvolvimento da pesquisa

O principal obstculo que poder afetar o pleno desenvolvimento da pesquisa na rea de processamento qumica de madeira e produtos florestais a falta de linhas de recursos financeiros disponveis de forma contnua para pesquisa, viabilizando desta forma o surgimento de novos centros e a consolidao dos centros atuais.

Uma questo que se apresenta como fator decisivo no sucesso, no da pesquisa propriamente dita, mas da aplicao de seus resultados a atual estrutura dos trs setores industriais responsveis pelo processamento mecnico da madeira: as serrarias, as fbricas de compensado e as fbricas de painis reconstitudos.

Enquanto de um lado, as serrarias e os fabricantes de compensados so em sua grande maioria pequenas empresas, operando com escasso capital de giro e equipamentos antigos e de baixa produtividade, as fbricas de chapas duras, MDF/HDF e aglomerados so, via de regra, modernas ou em fase de modernizao, bem capitalizadas e com amplo acesso tecnologia de processo e de produto ofertada pelos fornecedores de seus equipamentos e insumos no Exterior.

Para as serrarias e fbricas de compensados os obstculos se configuram mais como barreiras transferncia da tecnologia gerada pelas universidades e centros de pesquisa do que propriamente obstculos ao desenvolvimento da pesquisa em processamento mecnico da madeira. Tais obstculos se referem principalmente ao nvel tecnolgico dos recursos humanos e equipamentos dessas unidades industriais. Por outro lado no setor de painis reconstitudos, que dispe de maior acesso ao capital e tecnologia, a dificuldade estaria na identificao de reas onde a pesquisa pudesse beneficiar o setor como um todo e no apenas uma empresa (pesquisa pr-competitiva).

Linhas de pesquisa e necessidades

Entre as linhas de pesquisa na rea de tecnologia de madeiras - processamento qumico que prioritariamente atenderiam os desafios:

- Novas ferramentas analticas para avaliao de parmetros de qualidade da madeira, de forma a permitir a avaliao de uma maior nmero de materiais em reduzido espao de tempo;

- Desenvolvimento de sistemas de simulao de processos modificados de polpao e branqueamento - modelagem matemtica;

- Processos de polpao e branqueamento para fibras longas oriundas de florestas plantadas no Brasil;

- Genmica funcional aplicada celulose e papel;

- Caracterizao de materiais genticos destinados produo de carvo vegetal e biomassa florestal

- Desenvolvimento tecnologia e processos de termo-retificao de madeiras

Os centros de pesquisa em tecnologia da madeira-processamento qumico dispe de infraestrutura precria que no permitir a plena realizao de pesquisas nas linhas consideradas como prioritras. A mudana neste contexto requer investimento em infra-estrutura fsica, ou seja aquisio de equipamentos e construo/ampliao de laboratrios e em recursos humanos.

Em termos de processamento mecnico da madeira, as linhas de pesquisa devem se orientar de forma diferenciada para as empresas que se utilizam de matria prima oriunda de matas nativas, localizadas nas regies Norte e Centro-Oeste, e para empresas baseadas em reflorestamento, situadas principalmente nas regies Sul e Sudeste.

No caso de espcies nativas, as linhas de pesquisa deveriam abordar a utilizao de espcies no tradicionais de forma a permitir uma melhor distribuio dos custos de explorao florestal decorrentes do manejo sustentado. Tais pesquisas deveriam cobrir todas as fases do processamento das novas espcies, desde sua colheita at seu processamento final: tratamentos preservativos, tcnicas de desdobro e secagem, beneficiamento, colagem e acabamento.

Essas mesmas linhas de pesquisa so vlidas para madeiras de reflorestamento que at h pouco tempo eram utilizadas apenas para a produo de fibras mas que atualmente esto sendo empregadas na construo civil e fabricao de mveis. A identificao e produo em larga escala de clones com caractersticas tecnolgicas para a produo de madeira serrada tm dado impulso considervel nessas novas aplicaes de madeira oriunda de plantaes.

A questo da transferncia da tecnologia mencionada no item anterior poderia ser resolvida por meio de uma aproximao mais estreita entre quem gera (universidades e centros de pesquisa)e quem usa (indstria) a tecnologia. Possivelmente, no caso das serrarias e fbricas de compensado, muitos problemas de processamento industrial podem ser resolvidos pela utilizao do conhecimento j disponvel nas universidades e centros de pesquisa.

Dessa forma, o caminho encontrar o canal adequado para levar esse conhecimento indstria. O sucesso na soluo dos problemas inicialmente trazidos pela indstria fatalmente ser um estmulo para a identificao de reas prioritrias para novas pesquisas e desenvolvimentos.

Quanto s indstrias de painis reconstitudos, o ideal seria utilizar o modelo de projetos cooperativos como j ocorre na rea florestal, com um grupo de indstrias se associando a um centro de pesquisas ou universidade para discutir prioridades e identificar reas de interesse comum para estudo.

Deve-se considerar que em qualquer processo industrial as caractersticas do produto final dependem da matria prima consumida. Assim, fcil se compreender que as indstrias brasileiras, embora trabalhando com equipamentos sofisticados necessitam de ajustes e adaptaes em funo da madeira utilizada.

Fonte: IPEF