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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°95 - ABRIL DE 2006

Preservao

Tratamento da madeira garante durabilidade e resistncia

O tratamento da madeira deve ser realizado para prevenir sua deteriorao, ampliando assim seu tempo de vida til. O tratamento comumente utilizado o qumico, no qual ocorre a fixao de elementos preservativos na madeira, tornando-a mais resistente ao de fungos e insetos (brocas e cupins), principalmente se a madeira ficar em contato direto com a gua ou com o solo.

O tratamento da parte interna da madeira consiste na troca da seiva (madeira verde) por soluo que contm elementos preservantes. Aps a secagem, os elementos conservantes ficaro retidos dentro da madeira. O tratamento pode ser realizado de maneira manual ou industrial (com a utilizao de equipamentos especficos).

O processo de tratamento manual muito utilizado nas pequenas propriedades para o tratamento de moures. Nesse sistema trabalha-se sem presso e obrigatoriamente em galpo aberto, ventilado e com o piso impermeabilizado.

Para o tratamento de mouro, recomenda-se utilizar tambor aberto e pintado internamente com impermeabilizante. Utiliza-se madeira verde, rolia e descascada, sempre colocando a parte mais grossa para baixo no tambor que contm a soluo. Aps o tratamento propriamente dito, os moures devem passar pelo processo de secagem ao ar. Para a realizao dessas etapas so necessrias algumas semanas e vrios cuidados, principalmente, no manuseio das substncias utilizadas como preservantes, pois o uso incorreto pode ocasionar srios problemas ao homem e ao meio ambiente.

Sistema de Autoclave

O tratamento industrial realizado a vcuo ou sob presso em autoclave utilizando produtos preservativos regulamentados pelos rgos competentes. Esses processos industriais so mais seguros para o meio ambiente, gerando uma contnua queda na utilizao do sistema manual.

A autoclave um cilindro que suporta presso, onde a madeira introduzida e em seguida os produtos qumicos preservantes so injetados. As presses utilizadas so superiores a atmosfrica e as etapas de tratamento so: colocao da madeira; incio do vcuo; injeo da soluo preservantes; tratamento com o vcuo; trmino do vcuo e retirada da soluo excedente.

Os preservantes de madeira podem ser compostos puros ou misturas existindo grande variao no custo, na eficincia e no modo de usar. O preservante ideal aquele que consegue permanecer na madeira, txico aos fungos e insetos, mas no prejudicial aos homens e animais.

Os preservantes mais utilizados so:

Oleossolveis - Para o tratamento de madeira a ser usada em contato direto com o solo, os mais importantes so o creosoto e o pentaclorofenol.

Hidrossolveis - So constitudos pela associao de vrios sais: sulfato de cobre, bicromato de potssio ou sdio, sulfato de zinco, cido crmico, cido arsnico, cido brico e outros compostos.

Existe outro processo de tratamento da madeira sem a utilizao de produtos qumicos, mas o mesmo no utilizado no Brasil em escala industrial. Esse sistema, conhecido como termorretificao, apenas utiliza o calor e consiste em expor a madeira a temperaturas elevadas (120 a 200C), porm que no provoquem degradao dos componentes qumicos fundamentais. Em alguns estudos realizados foi comprovado que a termorretificao diminui tanto o ataque de fungos quanto a variao dimensional da madeira, porm possui como conseqncia a alterao da cor da madeira que se torna mais escura.

Secagem de madeira

A secagem da madeira visa reduo do teor de umidade que varia conforme o uso final do produto. Os objetivos da secagem so: reduzir a movimentao dimensional; inibir os ataques de fungos; melhorar a trabalhabilidade e aumentar a resistncia fsica da madeira.

A secagem pode ser realizada ao ar livre ou em estufas com ventilao forada (com temperatura e umidade controladas).

A secagem ao ar deve ser realizada em locais abertos, empilhando as tbuas espaadas entre si de modo a permitir que o ar circule entre as peas e diminua sua umidade. A secagem ao ar comumente utilizada em empresas para realizao da pr-secagem de modo a otimizar o tempo de secagem em estufa. O ponto mais importante da secagem ao ar est na montagem da pilha de madeira que deve ser realizada com seguintes cuidados: isolamento do solo, alinhamento das peas e cobertura adequada.

As vantagens da secagem em estufa so o menor tempo do processo, maior controle e obteno de teores de umidade mais baixos, porm h desvantagens como o maior custo de implantao desse sistema e de operao do equipamento.

A secagem em estufa utilizada por diversas empresas da rea de movelaria, painis, esquadrias, pisos etc. Esse tipo de secagem composto por 3 fases distintas:

- Aquecimento gradativo e em condies de elevada umidade do ar;

- Secagem Nessa fase, ocorre a elevao lenta da temperatura e diminuio gradativa da umidade do ar dentro da estufa. necessrio o monitoramento para melhor controle da secagem visando a adequao ao programa previamente estabelecido, determinado pelas caractersticas da madeira, pois estas influenciam na secagem;

- Uniformizao e condicionamento nessa ltima fase, o objetivo homogeneizar a umidade dentro e entre as peas. Para a realizao da secagem da madeira deve-se considerar os diversos fatores que influenciam no processo:

- Caractersticas da madeira: a espcie, o tipo de corte, a espessura da pea, o teor de umidade inicial, a relao cerne e alburno.

- Fatores do processo de secagem: a temperatura, a umidade relativa do ar e a velocidade de circulao do ar.

Durabilidade na construo

De acordo com o gerente tcnico da empresa Dipil, Joo Lus Fernandes, para conseguir uma madeira durvel na construo civil necessrio utilizar madeira preservada de acordo com as normas da ABNT Associao brasileira de Normas Tcnicas ou outros textos normativos estrangeiros como AWPA American Wood Preservers Association. Ele explica que os preservantes conferem durabilidade e confiabilidade ao componente tratado. A madeira precisa ser tratada para ser considerada material de engenharia, afirma.

Atualmente a madeira preservada oriunda de reflorestamentos, tais como pinus e eucalipto apresenta grande potencial para uso na construo civil. Os produtos utilizados para a preservao de madeiras so basicamente os hidrossolveis como por exemplo cca artesanato de cobre cromatado. Esses produtos so especificado para o tratamento de madeira sob presso (em autoclave).

Fernandes diz que o Brasil carente em normas tcnicas. As normas estrangeiras adaptadas nem sempre so adequadas p/ situao nacional, afirma.

Alm disso, o especialista recomenda maior divulgao sobre os benefcios da madeira preservada para aqueles que trabalham diretamente com projetos de construo.

Para o especialista, a tendncia dos produtos preservantes para as madeiras brasileiras a busca por componentes ambientalmente mais amigveis, que minimizem riscos ao homem e ao ambiente. Fernandes diz que a madeira no tratada pode durar de meses a poucos anos, dependendo da exposio, enquanto a madeira preservada pode durar dcadas.

Antimofo natural

O mercado dispe de vrias opes no tratamento de mofo, entre elas um antimofo natural indicado para tratamento de madeiras verdes recm serradas, no combate preventivo de fungos.

O produto base de extrato vegetal da Jimo Qumica, desenvolvido aps anos de estudo em laboratrio e em testes de campo, em serrarias. O produto apresenta as seguintes qualidades:

- Alta eficincia nos sistemas de pr-tratamento de madeira verde, recm serrada;

- Alternativa natural para as restries mundiais aos produtos preservantes de madeira;

- Baixo odor;

- Biodegradvel;

- Fcil manuseio;

- No contm: fenis clorados ou bromados, compostos de cobre, zinco ou estanho, cianatos, carbamatos, azis ou quaternrios;

- No gera vapores txicos;

- Produto no inflamvel;

- Produto natural;

- Produto totalmente hidrossolvel.

Os resultados obtidos nos testes com o produto, nas serrarias, evidenciaram sua eficcia no controle das manchas de origem fngica (mancha azul) sobre as madeiras recm serradas, atravs da presena de seus componentes naturais derivados de um extrativo vegetal.

Nos testes de campo realizados pelos tcnicos com Jimo Ecomofo, foram banhadas em uma soluo com 4% do produto em gua, tbuas de Pinus elliottii, que permaneceram expostas s intempries por 45 dias, com precipitao pluviomtrica mdia de 232mm/ms (condio altamente favorvel para formao de mofo). O resultado foi que 95% das tbuas tiveram ndice de 0% de formao de mofo.