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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°95 - ABRIL DE 2006

Economia

Setor florestal destaque na economia brasileira

O Brasil possui uma rea florestal significativa, seja de nativas ou plantadas. A parte de nativas, susceptvel de manejo, de aproximadamente 450 milhes de hectares, compreendida pelas reas de Unidades de Conservao da categoria de uso sustentvel sob o poder pblico como as Reservas Extrativistas, as Reservas de Desenvolvimento Sustentvel e as Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais, e sob a iniciativa privada, as Reserva Legais das Propriedades Rurais e as de Produo das indstrias. O Pas possui uma das maiores reas de florestas plantadas no mundo, sobretudo as de eucalipto. So aproximadamente cinco milhes de hectares.

O setor florestal pode ser conceituado como parte da sociedade relacionada ao uso dos recursos silvestres ou florestal. Ele se relaciona especialmente ao uso da fauna (exceto peixe) e dos recursos da flora, em particular, das florestas naturais ou plantadas.

Segundo estudos, quase 50% das florestas tropicais midas naturais existentes esto na Amrica tropical e, deste total, mais de 80% (50% no Brasil + 30% em outros pases da Amrica do Sul) se encontram na regio amaznica. Da rea pertencente ao territrio brasileiro, o estado do Amazonas o que detm o maior percentual.

As principais Regies Fisiogrficas do Brasil so: Floresta Amaznica, Caatinga, Cerrado, Mata Atlntica, Pantanal Mato-Grossense, outras formaes Campos do Sul (Pampas), Mata das Araucrias (Regio dos Pinheirais), Ecossistemas Costeiros e Insulares). J as florestas plantadas brasileiras ocupam uma rea de 4,8 milhes de hectares, Desse total, cerca de 3 milhes de hectares correspondem a plantaes de Eucalipto, e 1,8 milhes de hectares a plantaes de pinus.

A cobertura florestal do territrio brasileiro, associada s excelentes condies edafo-climticas para a silvicultura, confere ao Pas grandes vantagens comparativas para a atividade florestal. Existe um consenso entre especialistas do setor, quanto relevncia social, econmica e ambiental do setor florestal e sua importncia para o desenvolvimento do Brasil.

Alguns macroindicadores dessa importncia se baseiam na formao do PIB, na gerao de divisas e na contribuio para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. De fato, o setor florestal brasileiro contribui com quase 5% na formao do PIB Nacional e com 7% das exportaes; gera 1,6 milho de empregos diretos, 5,6 milhes de empregos indiretos e uma receita anual de R$ 20 bilhes; recolhe anualmente R$ 3 bilhes de impostos; conserva uma enorme diversidade biolgica (com 6,4 milhes de hectares de florestas plantadas, sendo 4,8 milhes com florestas de produo de Pinus e Eucaliptos; mantm 2,6 milhes de hectares de florestas nativas).

No que diz respeito aos aspectos sociais, o setor florestal capaz de absorver mo-de-obra numerosa, colaborando assim para uma melhor distribuio de renda para a populao. Vale lembrar que a explorao racional das florestas, com base no manejo sustentvel, tambm propicia a melhoria das condies de transporte, acesso e comunicao de determinada localidade.

Quanto ao meio ambiente, as influncias florestais podem ser divididas em trs grupos: as influncias diretas (efeito mecnico), influncias indiretas (efeito fsico-qumico) e as influncias psicofisiolgicas (as que atuam diretamente sobre o homem).

Indstrias de celulose

Em sntese, as indstrias de celulose apresentam as seguintes caractersticas:

So de grande porte;

Possuem localizao geogrfica relativamente descentralizada;

So em pequeno nmero de unidades de produo;

Operam sob economia de escala;

So de capital intensivo (grande investimento nas fbricas, em geral centenas de milhes de dlares);

So verticalizadas (as empresas tm capacidade econmica e financeira de estabelecer seus prprios plantios);

Requerem milhares de m de matria-prima por dia (toretes de 8 a 30 cm, sem

grandes restries);

Possuem um alto grau de profissionalizao;

So abertas (voltadas para o mercado externo);

Possuem aes negociadas em bolsa de valores.

Painis de madeira

Existe uma gama de produtos produzidos no Brasil que so denominados painis de madeira reconstituda ou compostos particulados. Os diversos tipos de painis ou chapas produzidos por essas indstrias so destinadas s fabricas de mveis, construo civil e de outros produtos, as atacadistas e as varejistas e exportao. So poucas fbricas e relativamente grandes.

Na dcada de 1990, a indstria brasileira de painis de madeira reconstituda expandiu-se de maneira notvel o que pode ser confirmado ao comparar a produo do ano 1994 (1.312.686 m) com a produo do ano 2000 (2.702.342 m).

Seguindo a tendncia mundial, essa indstria vem modernizando-se rapidamente para garantir competitividade. Geralmente as indstrias de painis de madeira reconstituda so menores do que as de celulose, mas tambm possuem capacidade econmica e financeira para a formao de florestas e requerem matria-prima semelhante da celulose.

Em sntese, as indstrias de painis de madeira reconstituda apresentam as seguintes caractersticas:

So grandes conjuntos.

Possuem localizao geogrfica centralizada (regies Sul e Sudeste).

So em pequeno nmero de unidades de produo.

So de capital intensivo (grande investimento nas fbricas).

So verticalizadas (as empresas tm capacidade econmica e financeira de estabelecer seus prprios plantios).

Possuem um alto grau de profissionalizao.

So abertas (voltadas para o mercado externo).

Processamento Mecnico

A indstria do processamento mecnico compreende as serrarias, as produtoras de lminas para a indstria de compensados, as de lminas decorativas e as produtoras de PMVA (produtos de maior valor agregado).

A indstria brasileira de serrados teve um crescimento acentuado nas duas ltimas dcadas. As principais caractersticas dessa indstria so as seguintes:

Grande nmero de pequenas unidades de produo.

Possuem localizao geogrfica bastante descentralizada.

As tecnologias e equipamentos utilizados so nacionais.

Demanda de toras na ordem de dezenas de m por dia.

A valorizao do produto diretamente ligada ao cuidado no manejo da floresta.

Geralmente remunera atributos de qualidade (dimetros adequados, boa forma e ausncia de defeitos (rachaduras e ns).

Investimentos baixos;

So de mo-de-obra intensiva; (grande gerao de empregos diretos em relao aos investimentos um emprego direto a cada R$ 20.000 em mdia investidos em equipamentos e instalaes).

Alimenta indstrias secundrias com caractersticas scio-econmicas semelhantes (relativamente pequenas, baixos investimentos, alta gerao de empregos).

Baixo grau de verticalizao (as madeireiras, em geral, no tm capacidade econmica financeira para investir em florestas prprias).

Possuem carncia de mo-de-obra qualificada.

So abertas (possuem um considervel volume de exportao, mas no se encontram no mesmo estgio de desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Madeira industrial).

Produtos de maior valor agregado

De acordo com ABIMCI, as empresas produtoras de serrados, (em particular as de grande e mdio porte) apresentam tendncia de agregar valor ao produto serrado, tendo esse processo iniciado a partir do final dos anos 80, com vistas sobretudo ao mercado externo e ao segmento moveleiro nacional.

Entre os principais Produtos de Maior Valor Agregado (PMVA) produzidos no Brasil, mas com foco no mercado externo, podem ser citados os blocks, blanks, molduras, fence, pisos, janelas e outros, enquanto os voltados ao setor moveleiro so especialmente os pr-cortados, componentes estruturais, EGP, (Edge Guide Panel) e outros.

Para fabricao do PMVA, utilizam-se em especial o Pinus e algumas espcies nativas, como ip, imbuia, jatob e outras, porm observa-se um crescimento da participao do eucalipto, em virtude de seu potencial, da tendncia de esgotamento das espcies nativas e mesmo de restries para a comercializao de produtos oriundos de florestas nativas, sobretudo por parte do mercado externo.

As principais caractersticas dessa indstria so as seguintes:

So em menor nmero e geralmente so grandes unidades de produo.

Possuem localizao geogrfica relativamente descentralizada.

Apresentam investimentos mdios em tecnologia.

Baixo grau de verticalizao (em geral no tm capacidade econmico financeira para investir em florestas prprias).

So abertas (possuem um considervel volume de exportao, mas no se encontram no mesmo estgio de desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Madeira Industrial).

Carvo vegetal e lenha

A madeira provavelmente o combustvel mais antigo, e conhecido do homem, j que o incio de sua utilizao est diretamente vinculado com o descobrimento do fogo. Nos dias atuais, a utilizao da madeira como combustvel est normalmente relacionada com os produtos secundrios obtidos desta como, por exemplo, o carvo vegetal e a lenha.

No Brasil, a madeira usada amplamente como fonte de energia, sendo o Pas um dos maiores produtores de carvo vegetal e de lenha do mundo. Apesar da reduo do consumo nos ltimos anos, o carvo vegetal ainda possui uma posio de grande importncia na economia brasileira, em especial para Minas Gerais, principal estado produtor e consumidor, onde ocupa posio de destaque no setor siderrgico, no qual contribui para a produo de ferro-gusa, ao e ferro-liga.

Alm da indstria siderrgica, o carvo vegetal tambm participa como substituto do leo combustvel nas caldeiras e nos fornos de combusto da indstria de cimento e de materiais primrios.

No setor industrial, o ferro-gusa, ao e ferro-ligas so os principais consumidores do carvo vegetal (quase 85%), que funciona como redutor e energtico ao mesmo tempo. O setor residencial consome cerca de 9% seguido pelo setor comercial com 1,5%, representado por pizzarias, padarias e churrascarias.

No que diz respeito origem da matria-prima da produo de carvo vegetal, verifica-se uma tendncia de substituio da madeira oriunda de florestas nativas pelas de reflorestamento. Apesar de sua importncia no contexto industrial brasileiro, verifica-se que o aumento da eficincia nos elos da cadeia produtiva do carvo vegetal ainda se encontra bastante incipiente no Pas.

Parte significativa do carvo vegetal obtida com o emprego de tcnicas bastante rudimentares, mo-de-obra pouco qualificada e pequena alocao de recursos. No Brasil, a tecnologia adotada por grande parte dos produtores de carvo vegetal ainda carente de novos processos. Ainda se produz de forma rudimentar em fornos de argila (tijolos) cuja construo exige um baixo nvel de investimento. No-raras vezes, a atividade de carvoejamento tem sido associada com condies desumanas de trabalho.

O transporte desse carvo, geralmente produzido beira ou no interior das florestas, at as unidades consumidoras (siderrgicas) se faz atravs de caminhes comuns, algumas vezes equipados com gaiolas, no havendo, assim, investimento em equipamentos especficos para essa finalidade.

As principais caractersticas dessa indstria so as seguintes:

Poucas empresas grandes e um significativo percentual de pequenas e mdias unidades de produo.

Possuem localizao geogrfica bastante descentralizada.

So voltadas para o mercado interno (fechadas).

Apresenta poucas restries quanto matria prima (em geral valoriza madeira mais densa).

No so tecnificadas.

Investimentos muito baixos.

So de mo-de-obra intensiva; (grande gerao de empregos diretos em relao aos investimentos).

Baixo grau de verticalizao (as produtoras de ferro guza em geral no tm interesse em investir em florestas prprias).

Possuem carncia de mo-de-obra qualificada.

Ao se caracterizar o setor florestal, contrastado-o com os demais setores da economia, pode-se afirmar que a gesto do negcio florestal no Brasil diferenciada da gesto da maioria de outros negcios no Pas. Isso se d com base no complexo contexto macroambiental, extremamente coercitivo, no qual as empresas florestais esto situadas.

O ambiente organizacional funciona como um campo dinmico de foras que interagem entre si provocando mudanas e influncias, diretas e indiretas, sobre as organizaes. uma fonte de recursos e oportunidades da qual a organizao extrai os insumos necessrios ao seu funcionamento e subsistncia, mas tambm uma fonte de restries, limitaes, coaes, problemas, ameaas e contingncias para a sua sobrevivncia e desenvolvimento.

No atual cenrio socioeconmico, poltico e ambiental brasileiro, muitos so os desafios a serem enfrentados pelas empresas florestais. A estrutura organizacional do setor florestal de gesto descentralizada, e voltada, prioritariamente, questo do meio ambiente. A produo florestal entendida como parte da gesto ambiental.

Tais fatos, seguramente diminuem a competitividade das empresas do setor. Assim, a potencialidade do recurso florestal brasileiro no tem sido utilizada de maneira a garantir respostas sociais e econmicas satisfatrias. Embora tais respostas possuam expressividade, esto, com certeza, muito aqum do potencial existente, podendo crescer significativamente.

Nesse contexto, os representantes dos diferentes segmentos do setor florestal reivindicam um tratamento adequado, compatvel com as peculiaridades inerentes as atividades florestais. Em momento algum, se preconiza o paternalismo e, sim, que se criem condies necessrias coexistncia das empresas brasileiras no contexto da competitividade que atualmente se vivencia.

de extrema importncia, para o Brasil, trilhar o caminho da racionalidade e pelo dilogo dos diferentes atores sociais articular as mudanas necessrias, para se definir as formas de uso do recurso florestal pela possibilidade tcnica e cientfica, direcionado gerao de bens e servios, pois s assim o setor privado poderia adotar um modelo de gesto adequado, tendo em vista o mercado global.

Autoria:

Rosa Maria Miranda Armond Carvalho; Thelma Shirlen Soares e

Sebastio Renato Valverde - Departamento de Engenharia Florestal, Universidade Federal de Viosa.