MENU
Bioenergia
Construo Civil
Crdito de Carbono
Editorial
Espcies
Esquadrias
Lminas
Madeiras Tropicais
Manejo
Melhoramento
Mveis & Tecnologia
Organizao
Pragas
Treinamento
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°93 - NOVEMBRO DE 2005

Construo Civil

Casas em madeira reflorestada e painis

Em funo de uma srie de caractersticas favorveis a construo em madeira padro em vrios pases industrializados, principalmente na Amrica do Norte, Europa, sia e Oceania. No Brasil as casas de madeira so freqentes em regies de colonizao germnica e nas regies de fronteira agrcola. A indstria da construo procura atualmente novas tcnicas e materiais, que possam melhorar a produtividade e baixar os custos das edificaes. Os painis de madeira OSB apresentam alternativas viveis para estes projetos, assim como as madeiras oriundas de reflorestamento.

O aumento da procura por casas de campo, praia e montanha tm provocado forte demanda por sistemas construtivos mais rpidos e menos dependentes de mo de obra intensiva. A grande demanda por casas e construes comerciais leves nos pases industrializados, propiciou o desenvolvimento de tcnicas construtivas e de materiais, que viabilizam as construes.

Um desses sistemas, o sistema balo, foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1833. Desde ento vem sendo utilizado e melhorado. Foi assim denominado em virtude da estrutura, formada de perfis de madeira de pequena seo transversal. o padro na Amrica do Norte, e tambm muito usado na Europa e na Oceania. um sistema extremamente verstil, permite a construo desde pequenas casas populares unifamiliares at, prdios de at quatro pisos com vrios apartamentos. A estrutura normalmente feita em madeira serrada e, quando h risco de ocorrncia de cupins, faz-se um tratamento da madeira.

O sistema balo evoluiu para o sistema atualmente designado plataforma, que incorpora algumas alteraes que o tornaram mais simples, mais flexvel, mais fcil de ser executado e menos sensvel a pequenas falhas na execuo. Esse sistema tem sido usado esporadicamente no Brasil, devido ao desconhecimento tcnico e falta de alguns materiais bsicos, tais como painis estruturais e perfis de madeira de dimenses adequadas.

O desenvolvimento de painis estruturais permitiu a construo de estruturas leves e resistentes a furaces, tornados e tremores de terra. Alm disso, promoveu a pr-fabricao, importante elemento de diminuio de custos e reduo de desperdcios de materiais e de mo de obra.

Sistema Plataforma

O sistema plataforma composto basicamente de quatro partes distintas em uma edificao trrea: alicerce, piso, paredes e cobertura ou telhado.





O alicerce deve oferecer uma base para apoio do piso da edificao. Ela assume basicamente trs formas distintas: laje de fundao ou "radier", sapata corrida de concreto armado ou alvenaria ou pilotis simplesmente cravados no terreno ou apoiados sobre blocos. A escolha do tipo de alicerce depende da topografia do local, da construo, de aspectos geolgicos e arquitetnicos.

Em locais de topografia acidentada pode ser mais conveniente o uso de estacas ou pilotis, pois, h menor movimentao de terra, escavaes, aterros e outros. Um aspecto importante do sistema plataforma em madeira e painis estruturais a leveza da edificao, o que resulta em economia.

Os pisos, do mesmo modo que o alicerce, podem ser de vrios materiais: madeira, concreto, tijolos, cermica, e mesmo uma combinao de vrios materiais. Pisos de madeira so indicados principalmente para construes em terrenos inclinados, terrenos muito frgeis ou midos, ou para os pisos dos andares superiores.

A principal caracterstica do piso ser uma superfcie plana onde sero apoiadas e amarradas as paredes da edificao. A superfcie plana a plataforma em que se baseia a construo.

Quando o piso feito de madeira, h necessidade de uma estrutura horizontal apoiada na fundao. Essa estrutura composta por um vigamento e uma laje que pode ser constituda de chapa de madeira industrializada de OSB ou compensado estrutural.

A estrutura do piso, dependendo do alicerce, composta de um nvel ou dois nveis de vigas. No caso de baldrames de concreto ou alvenaria, um nico nvel de vigas d apoio ao piso. No caso de alicerce em pilotis, so necessrios dois nveis de vigas, um perpendicular ao outro, sendo o vigamento inferior, apoiado sobre os pilotis, suporte para o vigamento superior, denominado barroteamento, o qual recebe diretamente a laje do piso.

O barroteamento um conjunto de peas de madeira, espaadas entre si de 30 a 60 cm, com espessura de 4,0 cm e altura variando de 9 a 30 cm. Quando o dimensionamento do barrote resulta em pea com altura superior a 20cm, utilizam-se normalmente peas compostas, principalmente perfis I, com alma de OSB e flange de madeira serrada. Estas peas do suporte ao contrapiso ou diretamente ao piso.

Os barrotes devem ter umidade mxima de 20%, e devem ter sempre que possvel umidade uniforme entre as peas. Tanto as peas do vigamento como do barroteamento devem ser aplainadas depois de secas para que tenham dimenses uniformes, principalmente em largura. Os barrotes geralmente so pregados pea que os suporta. O dimetro e o comprimento dos pregos depende da densidade da madeira.

A plataforma de apoio da estrutura de madeira pode tambm ser uma laje de concreto, apoiada diretamente sobre o solo ou vigas de concreto ou alvenaria de bloco ou tijolo comum.

No caso de alicerce em pilotis, so utilizadas normalmente estacas de madeira rolia, tratada, com dimetro entre 15 e 25 cm. As estacas so enterradas cerca de 1,0 m no solo, e dependendo do solo da fundao, so apoiadas em sapatas para assegurar a capacidade de carga resultante do projeto estrutural. O tratamento da madeira deve atender as especificaes de norma para assegurar a durabilidade almejada.

Em regies sujeitas a cupim de solo, alm do tratamento da madeira, aconselhvel um tratamento do solo de fundao ou a utilizao de dispositivos de proteo mecnica da edificao contra o ataque dos mesmos, devendo haver uma distncia de pelo menos 40 cm entre o solo e o vigamento de madeira.

No caso de estruturas de piso em madeira apoiada sobre baldrame de concreto ou alvenaria, o barroteamento apoiado sobre uma pea de madeira denominada soleira. A soleira uma pea com seo de 4 x 9 cm ou 4 x 14 cm, apoiada e fixada ao baldrame.

A superfcie superior do baldrame em contato com a soleira deve ser impermevel para impedir a passagem de umidade para a madeira. Essa barreira umidade importante para a durabilidade da pea, assim evitar o movimento de umidade ascendente pelo revestimento. A soleira deve ser fixada ao baldrame atravs de chumbadores.

No caso de edificaes com mais de um pavimento, a estrutura dos andares superior semelhante s do primeiro piso. Os barrotes so apoiados sobre a linha de amarrao superior das paredes laterais e sobre uma ou mais paredes internas portantes.

Contra-piso em OSB

O contrapiso pode ser formado por uma camada de painis de OSB pregados sobre os barrotes da estrutura do piso. Os painis estruturais de madeira OSB oferecem uma base plana, lisa, e estvel para praticamente qualquer tipo de piso. Chapas relativamente grandes cobrem rapidamente grandes reas.

Os painis de OSB so produzidos para atender valores mnimos de desempenho e apresentam gravado na face, ou em tabelas fornecidas pelo fabricante, suas especificaes bsicas. Assim feita a seleo da espessura, e outras variveis.

Para aplicao em piso as chapas em geral tm as bordas em macho e fmea, caracterstica que confere desempenho superior ao piso, pois evita rangidos e deformaes indesejveis oriundas de cargas concentradas.

O dimensionamento do piso em OSB, isto , a escolha da espessura de chapa mais adequada feita com base em tabelas que determinam o vo mximo entre barrotes, espessura mnima da chapa e carregamento de projeto por unidade de comprimento do barrote.

A aplicao dos painis de piso pode ser feita antes ou depois da construo das paredes e da cobertura. No sistema plataforma, os painis do contra-piso so aplicados antes da construo das paredes externas e internas. Os painis estruturais industrializados de madeira podem suportar as intempries durante perodos normais de construo. Para evitar os efeitos da expanso causada pela absoro de umidade, recomenda-se deixar um espao de 1,5 mm entre as bordas das chapas. Quando se espera tempo chuvoso ou de muita umidade esse espao deve ser de 3,0 mm.

No caso de aplicao dos painis sobre vigamento de madeira, a fixao mais fcil e rpida atravs de pregos. So indicados pregos de 3,3 mm de dimetro por 63 mm de comprimento, com espaamento mximo de 15 cm nas bordas e de 30 cm nas vigas intermedirias. Os painis devem ser dispostos de maneira desencontrada, de modo que a juno das bordas menores ocorra sobre vigas diferentes.

As chapas de OSB so sempre dispostas com suas maiores dimenses transversalmente sobre duas ou mais vigas de apoio. A fixao dos painis sobre as vigas utilizando cola e prego ou parafuso recomendvel para melhorar o desempenho do piso. Contudo, os painis podem ser apenas pregados ou parafusados nos barrotes. Os pregos so indicados para aplicao sobre vigas de madeira, e os parafusos, sobre perfis de ao.

Em lugares tais como corredores residenciais, ou em reas comerciais, onde h grande circulao de pessoas, ou sobre o contra-piso so assentados pisos cermicos, desejvel maior rigidez. Nesses casos recomenda-se, alm das vigas de apoio, elemento transversal de madeira ou perfis metlicos, para apoio das bordas das chapas. Esses elementos transversais s vigas so nela fixados por pregos no caso de madeira e parafusos, ou rebites, no caso de perfis.

Paredes

As paredes so os elementos da construo que oferecem maiores oportunidades de diminuio de custo e de mo de obra, atravs da utilizao das tcnicas do sistema balo ou plataforma. Paredes leves construdas de perfis metlicos ou de madeira e estruturadas com painis de OSB tem grande resistncia mecnica e rigidez a distoro dispensando a necessidade de barras de resistncia a esforos de vento e abalos ssmicos, sendo muito leves, simples e extremamente rpidas de se construir.

Os elementos bsicos da estrutura das paredes so: os montantes verticais, a barra horizontal inferior, as barras horizontais superiores, os montantes especiais que definem as portas e janelas e as vergas que suportam as cargas verticais sobre as aberturas.

Em construes onde elementos da estrutura so de madeira, a pregao o meio mais prtico de unir as peas. Quando os elementos so metlicos, o emprego de parafusos ou rebites modo mais adequado. Os elementos da estrutura so dispostos com a largura perpendicularmente linha das paredes, de modo que, a largura das peas da estrutura, em geral 9,0 cm, a espessura interna das paredes.

O revestimento da estrutura com painis OSB tem duas funes principais: suportar e transferir cargas para as fundaes e fechar e prover uma base plana para aplicao de fachadas e acabamentos das construes.

A estrutura de madeira das paredes exteriores e algumas das paredes interiores normalmente suporta cargas do telhado e forro, e servem de suporte para os fechamentos interno e externo. As paredes laterais, quando se utilizam tesouras, geralmente suportam a maior parte da carga do telhado, enquanto que as paredes internas, em geral, so simplesmente divisoras, e no suportam a carga do telhado. Quando se utiliza sistema de barrotes para telhado no lugar de tesouras, como no caso de tetos planos (flat roof) as paredes internas podem ser usadas para suportar a carga do telhado e do forro.

A estrutura da parede composta basicamente de um conjunto de montantes de madeira ou de perfis de ao dobrado. Esses montantes, com seo aproximada de 4,0 x 9,0 cm, so espaados geralmente de 30, 40 e 60 cm entre si. Em geral, o espaamento 60 cm em construes de um piso, ou no ltimo andar de construes de mais de um piso, 40 cm no primeiro andar de construes de dois pisos, e 30 cm no primeiro andar de construo de trs pisos ou mais. H ainda uma barra horizontal da mesma seo que os montantes na base da parede e duas barras superpostas no topo.

Completam a estrutura elementos que definem as portas e janelas. Os elementos da estrutura da parede so dispostos com a maior dimenso, 9 cm, transversalmente parede, de modo que as chapas so pregadas na face de menor dimenso, como mostra a figura a seguir. O espaamento dos montantes coordenado com o espaamento das vigas do piso e com o espaamento das tesouras do telhado, de modo que as cargas do telhado sejam resistidas principalmente pelos montantes.

Sob o aspecto de engenharia, as paredes podem ser portantes ou no portantes. Paredes portantes so aquelas que suportam carga de telhados ou de pisos superiores. Nas paredes portantes imprescindvel que a transmisso da carga para a base seja feita por montantes ou por vergas adequadamente construdas sobre as aberturas, principalmente no caso de grandes janelas.

O comprimento dos montantes igual ao p direito e a espessura das trs barras horizontais, uma inferior e duas superiores. Todos os montantes inteiros devem ter o mesmo comprimento, e devem ser secionados "a priori" em serra que assegure perfeito esquadro nas extremidades. Cada montante conectado barra horizontal inferior com dois pregos de 3,9 mm x 83 mm (19 x 36) e barra superior com outros dois pregos da mesma medida, em pina.

Os cantos da edificao e as intersees das paredes exigem arranjos especiais dos montantes de modo a propiciar eficiente amarrao das paredes e assegurar superfcies para pregao dos painis externos e internos como indicado na figura a seguir.

Nota-se em todas as alternativas, que nos cantos e intersees sempre h a formao de um espao para a pregao do fechamento interno, formado por dois montantes convenientemente posicionados. As aberturas, isto , as portas e janelas requerem estruturas especiais, principalmente nas paredes que recebem cargas dos telhados ou de pisos superiores.

O vo superior das aberturas sustentado pelas vergas, como indicado na figura ao lado. As vergas so geralmente compostas de duas peas de 4,0 cm de espessura e alturas variveis, justapostas pelas faces, entre as quais colocada uma chapa de 1,0 cm de espessura como calo, para completar os 9 cm de espessura interna das paredes. As duas peas e o calo so pregados com pregos de 75 mm. A altura das peas das vergas funo da largura da abertura e classe de resistncia da madeira utilizada.

As vergas so suportadas nos extremos por pares de montantes, um em cada extremidade. Esses montantes so cortados da altura da verga at a pea horizontal inferior, e so pregados justapostos a montantes inteiros com pregos de 75 mm de comprimento.

As vergas so fixadas por meio de pregos nas extremidades. No caso de vos maiores ou de cargas muito grandes pode-se utilizar no lugar da chapa interna de madeira, uma barra de ao de 1 cm de espessura. Nesse caso, a unio das peas de madeira feita atravs de parafusos passantes.

Em casos especiais se utiliza trelia de madeira para a funo de verga. Pode-se usar tambm vigas compostas, com elementos de madeira slida e OSB.

A seleo dos painis est relacionada com o espaamento dos montantes, disposio nas paredes (lado maior na vertical ou horizontal), pregao e esforos de cisalhamento distoro no plano da parede, isto , esforos de vento ou abalo ssmico. Os painis so especificados para determinados vos mximos, isto , distncia mxima entre dois montantes consecutivos. Desse modo, painis especificados para vos de 40 cm no podem ser utilizados em estruturas, cujos montantes esto distanciados de 60 cm.

As espessuras de OSB mais usadas para o uso em paredes so de 7,9 mm a 12,7 mm. A tabela abaixo apresenta as espessuras de painis OSB recomendadas para os vrios espaamentos dos montantes e modo de aplicao.

O revestimento externo da parede pode ser feito com lambril de madeira durvel, de vinil, de alumnio, ou de folha de ao. No caso de revestimento com reboco imprescindvel a impermeabilizao atravs de papel betuminoso fixado na face externa do OSB. Espessuras de painis correspondentes aos tipos de aplicao e aos espaamentos entre os montantes.

As paredes so feitas com os elementos apoiados horizontalmente sobre a plataforma. Nessa posio possvel a pregao das peas horizontais nos topos dos montantes. So cravados dois pregos por montante na pea inferior e dois na pea superior.

A segunda barra horizontal superior, serve de amarrao entre as paredes e no pregada neste momento, mas somente aps a colocao da estrutura completa da edificao na posio definitiva, isto , depois de aprumadas e de feitas as ligaes entre as paredes.

Depois de concluda a construo, da ossatura das paredes, feita a pregao das chapas de OSB. A pregao dos painis de OSB pode ser feita antes ou depois da colocao da estrutura na posio definitiva. recomendvel que equipes com pouca experincia deixem a pregao dos painis para depois do posicionamento definitivo, pois podem ser necessrios pequenos ajustes nas paredes, e isto mais fcil antes da pregao dos painis. Levantamento das paredes

Depois de terminada a construo e o levantamento das paredes laterais, so feitas as paredes frontais e dos fundos. A distncia exata entre as faces interiores das paredes laterais ser o comprimento das paredes frontal e posterior. A distncia entre a parte superior da verga e a pea horizontal superior da estrutura, deve ser preenchida com montantes curtos, com comprimentos correspondentes.

Na parte inferior da abertura das janelas, so usados montantes curtos que suportam a soleira da janela. A soleira pregada sobre a ponta superior dos montantes curtos com pregos de 75 mm de comprimento. A soleira deve ser tambm pregada com pregos inclinados no montante, cuja extremidade superior suporta a verga. Nas portas, a pea horizontal inferior dever permanecer at o aprumo final e amarrao das paredes, sendo depois serrada rente face do montante e retirada. As figuras a seguir representam a seqncia de montagem do sistema plataforma at o posicionamento final das paredes.

Coberturas

Existem vrios tipos de cobertura para casas e construes comerciais leves, tais como: telhas de barro, fibro-cimento, alumnio, folha de flandres zincada, fibro-asflticas, ardsia, lajes pr-fabricadas e lajes moldadas no local. As mais usadas em casas de madeira so: telhas de barro, fibro-cimento, fibro-asflticas, alumnio ou folha de flandres.

As estruturas de cobertura podem ser de dois tipos: tesouras pr-fabricadas e estruturas construdas no local. A estrutura com tesouras pr-fabricadas, como a indicado na figura abaixo, a mais prtica para ser feita, depende menos de conhecimento de carpintaria, de construo mais rpida, dispensa apoios nas paredes internas, prov suporte para o forro e sua colocao praticamente no demanda andaimes. Seu uso mais favorvel em casas retangulares e telhado em duas guas.

A estrutura construda no local apresenta algumas vantagens: permite o aproveitamento do espao entre o telhado e o forro, a construo de forros inclinados construo de telhados em quatro guas e outras variaes, tais como guas furtadas.

No entanto seu projeto e construo requerem maior conhecimento de carpintaria e necessitam apoios nas paredes internas da construo. As tesouras so uma montagem de vrias peas formando uma estrutura rgida, geralmente de forma triangular, capazes de suportar cargas sobre vos mais ou menos grandes, sem suporte intermedirio. As tesouras so geralmente usadas em vos de 6 a 12 metros.

Em virtude de no necessitar de apoio intermedirio, o interior das edificaes mais flexvel e a prpria obra pode tornar-se uma rea de trabalho para a construo das paredes internas, acabamento e outros.

H vrios tipos possveis de tesouras comumente usadas. A tesoura mais usada a do tipo "W", apresentada na figura abaixo, para vos de 6 a 10 metros. As tesouras so geralmente projetadas para espaamento de 60 cm entre elas, fazendo com que sejam usadas paredes com montantes obedecendo ao mesmo espaamento, de modo que a cada tesoura corresponda um montante. Isto permite melhor transferncia da carga para a fundao.

Tipos de madeira

O tipo de madeira a ser utilizado e tambm a sua classe, so fundamentais no dimensionamento estrutural. No Brasil esto disponveis vrios tipos de madeira para a construo de estruturas de coberturas. Entre as madeiras de florestas plantadas destacam-se os pinus e os eucaliptos. Os pinus so geralmente leves e fceis de trabalhar, embora de baixa resistncia natural, so bastantes permeveis a solues de tratamento preservativo, o que lhes asseguram a durabilidade desejada.

Os eucaliptos, com vrias espcies, tambm podem ser usados. Entre as madeiras nativas, h dezenas, para no dizer centenas delas que podem ser utilizadas na construo de madeira.

Na fabricao de tesouras os membros devem ser de madeira aplainada nas quatro faces de modo a no apresentar diferenas dimensionais significativas, principalmente nas espessuras.

Os elementos estruturais, principalmente os comprimidos, devem ser selecionados, para apresentarem ns ou outros defeitos abaixo de certa dimenso, de acordo com a dimenso da prpria pea, por exemplo, em algumas classes o dimetro do n no pode ser superior a um quarto da largura da pea.

Tesouras tipo W, as mais usadas para at 10 metros de vo, geralmente so construdas com peas de 4 x 9 cm. A madeira deve ter, se possvel, unidade inferior a 20%. Os elementos de unio das barras das tesouras podem ser chapuzes de madeira, ou chapa de madeira industrializada, chapas metlicas, sendo as mais utilizadas as chapas estampadas com garras, como aquelas da "gang-nail".

Para as aes de vento, as tesouras devem ser fixadas na estrutura da parede, atravs da pregao corda inferior estrutura de suporte. A utilizao de sub-cobertura de chapas de madeira em telhados, melhora bastante o conforto trmico da edificao e no caso especfico do sistema plataforma, contribui na rigidez da estrutura ao do vento, sendo o emprego de painis de OSB, pratica corrente na Amrica do Norte.

A seleo dos painis de OSB mais adequados para a funo de fechamento da cobertura depende do espaamento das tesouras e das solicitaes de flexo oriunda do peso da cobertura e cisalhamento no plano do painel, quando este dimensionado para resistir aos efeitos de distoro ocasionados pela ao de vento ou abalo ssmico.

Estruturas

Quando aplicadas sobre estruturas de madeira, as chapas de OSB so fixadas com pregos. Quando sobre perfil de ao so utilizados parafusos autoperfurantes, isto , parafusos com pontas que permitem fazer furos nas chapas e na estrutura.

Para evitar empenamento, recomenda-se que se deixe entre as bordas laterais um espao entre 1,5 a 3,0 mm. O maior espao se deixa quando a aplicao feita em ambiente chuvoso ou de alta umidade. Os painis devem ser posicionados transversalmente, e as junes devem ocorrer no centro dos caibros ou tesouras conforme o caso.

Quando sobre estrutura de madeira, devem ser utilizados pregos de 2,8 x 50 mm para chapas de at 10 mm de espessura, e pregos de 3,3 x 63 mm para chapas mais espessas. Os pregos devem ser espaados de 15 cm nas bordas das chapas, e de 30 cm nos suportes intermedirios. Podem ser utilizados pregos comuns ou pregos anelados ou espiralados, que conferem melhor resistncia ao arrancamento.

Para que as coberturas sejam estanques e durveis, recomenda-se a aplicao de lminas impermeveis sobre a chapa de OSB. Essas lminas podem ser de papel betuminoso de no mnimo 200 g/m , tecido de fibras de polietileno (Tyvek) ou filmes de polietileno comum. A finalidade no permitir a passagem de umidade para a estrutura e para o interior da casa. O tecido de polietileno de alta densidade, oferece a vantagem de ser impermevel gua, mas deixa passar o vapor d'gua.

Depois de concluda a cobertura iniciado o processo do acabamento, que inclui a instalao das esquadrias, a aplicao do acabamento das paredes externas, o fechamento interno das paredes, e a aplicao do madeiramento de acabamento externo e interno.

Portas, janelas e seus batentes so obras de caixilharia. Devem sempre que possvel ser adquiridos prontos, isto , sua fabricao no deve fazer parte da obra. Mesmo quando fora de medida padro, devem ser encomendadas em carpintaria ou caixilharia especializadas, pois o tipo de equipamento necessrio para produzir esquadrias diferente do requerido para a produo de casas.

As unidades de janelas e portas devem ser adquiridas completas, inclusive com os batentes, vidros e juntas prova de vazamentos, e prontas para uso na construo. Toda a madeira tratada com preservativo repelente gua na fbrica para prover proteo antes e aps a colocao na obra. As janelas devem ser projetadas e executadas com detalhes para assegurar estanqueidade e evitar o empoamento da gua. A soleira deve apresentar leve inclinao para fora.

O acabamento externo inclui a aplicao do revestimento final, beirais, cornijas, molduras das aberturas e o acabamento das unies entre paredes. O revestimento externo das paredes, como afirmado antes, pode ser feito de vrias maneiras: aplicao de lambris de madeira, lambris de vinil, lambris de ao, reboco de argamassa, lmina de tijolos. Uma das mais comuns a aplicao de lambris de madeira, nesse caso so selecionadas madeiras com boa aparncia e resistentes s intempries. Os lambris de madeira so fixados com pregos zincados e aplicados sobre a chapa de OSB. Os pregos devem ser aplicados sobre os montantes.

Depois de executadas as instalaes eltricas, telefnicas, hidrulicas, e outras mais recentes tais como dutos para aspiradores de p, cabos para televiso ou para sistemas de automao ou proteo, executam-se a aplicao do fechamento da outra face das paredes. A escolha do material para o fechamento da outra face depende da considerao de vrios aspectos, tais como, nvel de isolamento de rudos, ou de calor, custos, tempo de construo, peso do material e aparncia.

Vrios so os tipos de painis para a funo de fechamento, entre os quais esto OSB, gesso cartonado, lambris de madeira, painis de fibra de madeira de mdia ou alta densidade. No caso do fechamento da face interna com OSB, o acabamento final pode ser de vrios tipos: simples pintura, pintura aps aplicao de massa fina, envernizamento, cobertura com azulejos ou lambris etc. Quando o acabamento por envernizamento deve-se tomar o mximo cuidado com a face a ser exposta para que no apresente sujeira ou manchas de quaisquer tipos.

Sobre os painis de OSB ou de gesso cartonado podem ser aplicados laminados melamnicos (frmica) ou azulejos principalmente em banheiros e regies da cozinha. A aplicao dos azulejos pode ser feita com diversos tipos de colas. Os laminados melamnicos podem ser aplicados com cola de contato. Os materiais e procedimentos para o forro so os mesmos utilizados no fechamento interno das paredes e nas divisrias.

Aberturas interiores

Os batentes das portas, as portas, as molduras das portas, rodaps e outros tipos de acabamentos internos so aplicados depois da aplicao do piso. As medidas totais das aberturas para portas devem ser de 4,0 a 7,5 cm maiores do que a altura da lmina de porta, e cerca de 6,5 cm maiores que a largura da lmina de porta. Isso d espao para a colocao, a aprumada e o nivelamento dos batentes e da prpria porta.

Boa parte dos problemas de estanqueidade acstica nas edificaes decorrente de deficincias de projetos, tais como portas mal ajustadas ou empenadas, em casas de paredes duplas, tomadas de fora ou interruptores na mesma rea e nos dois lados da parede. Assim um projeto bem detalhado e com boa execuo so importantes na construo de paredes, ou pisos.

Para amenizar as deficincias de comportamento acstico da casa, construda pelo sistema plataforma, foram desenvolvidas solues simples e econmicas, isto , trabalho predominantemente a seco, atravs de painis industrializados. Entre as solues, uma delas merece ateno especial: os dois lados da parede so constitudos por estrutura desacoplada, com muito bom desempenho no amortecimento sonoro. Isto possvel com o uso de montantes desencontrados, sem alterao dos painis utilizados.

As paredes, no entanto, devem ser mais espessas e h aumento significativo de montantes. O isolamento acstico entre o piso superior e o teto do piso inferior pode ser atingido atravs do mesmo processo empregado nas paredes, isto , estruturas desacopladas para suporte do piso e sustentao do forro.

As escadas principais assim como as secundrias podem ser de vrios tipos, retas de um s lance, "L" longo, "U" estreito, incluindo variaes dentro dos vrios tipos. A figura ao lado apresenta uma forma de escada bastante corriqueira e que faz parte do projeto do sobrado cuja seqncia de montagem apresentada no final deste manual como ilustrao do sistema plataforma utilizando madeira serrada e painis de OSB.

Um requisito primordial para as escadas principais a altura suficiente. Deve haver uma altura mnima livre de 2,06 m entre os degraus e o piso superior, nas secundrias a altura livre mnima de 1,93 m. Alturas dos espelhos entre 19 e 20 cm so considerados adequados, os cobertores devem ter cerca de 23 cm de largura total. Todavia, em virtude de pequenas diferenas de altura entre os dois pisos, devem ser calculadas as dimenses dos espelhos e cobertores. Uma regra prtica estabelece que a largura dos cobertores mais duas vezes a dimenso dos espelhos dever ser prximo de 63 cm.

As larguras das escadas principais no podem ser menores de 81 cm livres, a partir do corrimo. A maioria das escadas feita com 90cm entre as paredes laterais. Corrimo contnuo deve ser feito em pelo menos um dos lados da escada.

Quando as escadas so abertas dos lados deve haver proteo por balastres. A escada composta basicamente pelas barras laterais, e pelos elementos de degraus. As barras laterais suportam a carga e servem de apoio aos elementos de degraus, isto , o cobertor e o espelho.

Os elementos de suporte das escadas principais so duas barras laterais feitas em madeira de 4,0 cm por 28 cm, aplainadas nas quatro faces, classificao estrutural e por aparncia, pois a parte acima dos degraus aparente.

Pr-fabricao

A pr-fabricao tem tido participao importante e crescente no provimento de moradias em vrios pases industrializados. Este tem sido um dos principais meios encontrados para atender a grande demanda de casas em ambientes de alto custo de mo de obra. De acordo com especialistas, com o aumento dos salrios h crescimento da pr-fabricao, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos, Canad e na Sucia.

Um dos aspectos o prprio custo da mo-de-obra. Em geral, o custo de mo-de-obra nos pases industrializados 20% maior nas obras do que nas fbricas. Essa diferena se explica pelas melhores condies e pela continuidade de trabalho nas fbricas. H tambm mais produtividade no trabalho nas fbricas, quando comparadas com tarefas semelhantes executadas nas obras A essncia da pr-fabricao a produtividade e muitos pases reconhecem que o aumento da populao no pode ser abrigado pelos mtodos tradicionais de construo.

Os ganhos de produtividade possveis atravs da pr-fabricao, resultam de condies de trabalho abrigado, organizao e mecanizao. Trazendo-se o homem, materiais e instrues para a fbrica e permitindo que se trabalhe em uma rea com bancadas apropriadas, pode, por si prprio, dobrar a produtividade se comparada com o trabalho na obra.

Segundo estudo feito no Canad, os componentes bsicos de uma casa, incluindo pr-corte dos barrotes de piso; pr-fabricao de paredes com fechamento externo, de tesouras e dos oites e instalao de portas, levam em mdia 75 homens/hora. A montagem desses componentes na obra exige cerca de 100 homens/hora, totalizando 175 homens/hora. Isto pode ser comparado com o tempo de 350 homens/hora necessrios para a construo in loco dos mesmos componentes. A mo de obra total para a construo in loco de uma casa de 93 m, exceto fundaes, de aproximadamente 1.200 h/h. A quantidade de mo de obra pode ser reduzida a at cerca de 500 h/h na pr-fabricao de sees transportveis.

Estudo feito em Santa Catarina reporta que a construo completa em madeira de uma casa de 62,5 m, demandou 1625 homens/hora. A construo da mesma casa em alvenaria de tijolos demandou 2656 homens/hora. A casa mencionada de acabamento bastante simples, por outro lado inclui alicerce, pintura e outros. Mesmo assim, um mtodo adequado e a pr-fabricao podem provocar um grande aumento de produtividade.

O aumento da produtividade, com a pr-fabricao, tem um efeito importante nos custos de produo, ajudando a viabilizar o negcio, aumentando a demanda de casas, revertendo o efeito desempregador da reduo de mo de obra por unidade produzida. O gabarito de montagem dos painis de parede o centro da pr-fabricao.

As caractersticas de um bom gabarito e de seu entorno so simples: o homem que o opera raramente tem que procurar peas ou partes, alter-las, olhar desenhos, usar uma trena ou segurar uma pea no lugar. Todas as partes devem ter um lugar mo em compartimentos adequados (estes podem ser os prprios carrinhos de movimentao manual).

Na Amrica do Norte, os gabinetes de cozinha, banheiro, armrios embutidos de dormitrios e alguns armrios de copa, so partes constituintes da casa, por isso, as fbricas de casa tm uma carpintaria para a produo desses mveis.

As carpintarias dispem de equipamentos bsicos de corte de chapas, furao, acabamentos e montagem de componentes e mveis. Em geral, as portas e janelas so compradas de fora, somente montagem nos painis feita na fbrica.

As janelas, por exemplo, so montadas nos painis com os vidros j instalados. A pr-fabricao uma maneira de se aumentar produtividade na construo de casas. H vrios estgios no processo, desde o simples pr-corte, passando por montagem dos painis ou paredes mais ou menos acabados at a completa manufatura das casas, as quais podem ser integralmente feitas na fbrica, sendo seu tamanho limitado apenas pelas posturas do sistema de transporte.