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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°93 - NOVEMBRO DE 2005

Madeiras Tropicais

Novas espcies apontam economia e produtividade

A floresta amaznica apresenta cerca de trs mil espcies florestais identificadas por pesquisadores. No entanto, apenas 230 espcies so aproveitadas industrialmente e 80% da produo alimentada por menos de 50 espcies. Destas, apenas 20 a 30% so exaustivamente empregadas na manufatura de mveis e chapas compensadas, alm de outros produtos, segundo o Laboratrio de Anatomia e Identificao de Madeiras, do INPA.

Este consumo seletivo, em larga escala, reduz significativamente o potencial econmico da floresta e traz prejuzo imediato. Isso porque diminui a ocorrncia das espcies em locais de melhor acesso, aumentando progressivamente os custos da cadeia de produo.

A produo madeireira ocorre principalmente nas margens meridional e oriental (Amaznia das estradas) onde a extrao predominante, incluindo a regio de Paragominas, no estado do Par, e o norte do estado do Mato Grosso. A parte central (Amaznia dos rios) menos explorada, conforme estudo sobre a regionalizao da produo e extrao madeireira e plantao no Brasil.

Contudo, a produo madeireira na Amaznia no condizente a toda a potencialidade existente. Apesar da regio abrigar cerca de 30% do estoque mundial de madeira tropical, o sistema de produo regional ainda centrado no corte seletivo de espcies. Este hbito est ocasionando um gradual empobrecimento da floresta e aponta para a extino das espcies mais

intensivamente exploradas.

Uma maneira de viabilizar a produo o uso de espcies alternativas. Neste sentido, diversos estudos vm sendo realizados a fim de identificar os usos adequados. Vrias espcies mostraram-se adequadas para usos em construo leve (estruturas leves, assoalhos, tacos, divisrias, paredes). Outras podem ser empregadas na construo pesada (pontes, dormentes, pilares, carroceria de veculos); na fabricao de embalagens (caixas, engradados e paletes); em mveis e obras gerais de carpintaria, marcenaria e acabamentos, e em peas curvadas, para artigos esportivos, mveis artesanais e construo naval.

O Ibama vem desenvolvendo pesquisas a fim de estudar espcies de madeiras amaznicas para instrumentos musicais. Na rea de chapas e painis, algumas pesquisas caracterizaram cerca de 22 espcies madeireiras consideradas aptas fabricao de chapas compensadas e tambm para a obteno de lminas faqueadas, na produo de painis decorativos.

Atualmente, o prprio setor produtivo tem procurado alternativas para substituir as espcies j convencionalmente conhecidas pelo mercado e esgotadas na natureza.

Usos de algumas madeiras amaznicas:

MUIRACATIARA (Astronium lecontei Anarcardiaceae ) - Madeira de cerne (mago) avermelhado, demarcado com faixas castanho escuro em sentido vertical, de espaamento varivel, com belas figuras bem distintas. Gr regular, textura mdia, cheiro e gosto imperceptveis. Recebe bom acabamento.

USOS: construo civil pesada externa; construo civil leve interna decorativa, tbuas assoalho, taco, mveis , embarcao (quilhas, convs, costado, cavernas); lminas decorativas, cabos de ferramentas, cutelaria, utenslios domsticos, decorao e adorno.

GUARIUBA (Clarissa racemosa - Moraceae) - Madeira moderadamente pesada; cerne de cor amarelo intenso passando para um tom castanho queimado com o passar do tempo bem diferenciado do alburno branco palha. Recebe bom acabamento. um tanto difcil de desdobrar apresentando uma perda de fio da serra suave a moderada. boa de aplainamento, de colagem e fixao de parafuso. Apresenta bom processamento.

USOS: lambris; painis; molduras; mobilirio; embarcaes (cobertura, pisos e forros ); chapas compensadas para partes internas de mveis, armrios; forros; divisrias; cabos de ferramentas (formo, plainas, martelos, ps, enxadas, etc.); cutelaria; facas; cepos; macetas.

PAU-RAINHA (Brosimum rubescens Moraceae) Madeira pesada, cerne de cor vermelha; alburno creme; gr entrecruzada; cheiro e gosto indistintos; recebe bom acabamento; aplainamento de regular a bom; boa colagem. Na utilizao de prego recomendvel uma pr-furao. O cerne tem uma boa durabilidade natural contra ataque de organismos xilfagos.

USOS : mveis; tacos e tbuas para assoalho; instrumentos musicais; cabos de ferramentas; construo civil.

TATAJUBA ( Bagassa guianensis Moraceae ) Madeira pesada; cerne amarelado com aspecto um tanto queimado, lustroso; alburno bem diferenciado do cerne de cor amarelo plido, quase branco; gr irregular; textura grosseira. Fcil de trabalhar e recebe bom acabamento e aplainamento. Tem boa durabilidade natural com ataque de agentes fngicos.

USOS: lambris; painis; tacos; tbuas de assoalho; parquetes; mveis; tampos de mesa; caixa de aparelho de som; carrocerias; implementos agrcolas; quilha, convs, costado e cavernas de embarcaes.

ANDIROBA (Carapa guianensis Meliaceae) Madeira moderadamente pesada; cerne castanho escuro um tanto uniforme; superfcie ligeiramente spera ao tato; gr direita s vezes ondulada; fcil de serrar; boa de colagem; recebe bom acabamento. O leo dessa rvore muito utilizado na medicina alternativa como cicatrizante. Comercializa-se velas feitas com esse leo para atuar como repelente de mosquitos.

USOS: mobilirio, ebanisteria; vigas; caibros; ripas; tacos, tbuas de assoalho; tampos de mesa; cobertura, pisos e forros de embarcao; canoa; chapas compensadas para uso no-decorativo como para parte interna de mveis, armrios, forros e divisrias; tanoaria (barris, pipas, tanques. tonis); instrumentos musicais; marchetaria; escultura e entalhe; moldura.

PIQUIARANA (Caryocar glabrum Caryocaraceae ) Madeira pesada de cerne amarelo um tanto pardacento, pouco diferenciado do alburno; gr regular; textura mdia; cheiro um tanto acre quando recm cortado; gosto no pronunciado; durabilidade natural baixa.

USOS: construo civil ( lambris, painis, molduras, vigas, caibros); tacos e tbuas para assoalho; coberturas, pisos e forros de embarcaes; cabos de ferramentas; cutelaria; utenslios domsticos; barris; tonis; cubas.

FREIJ (Cordia goeldiana Borraginaceae ) Madeira moderadamente pesada; cerne de cor pardo-castanho-claro; superfcie um tanto lustrosa; um tanto spera ao tato; gr direita; textura mdia; cheiro peculiar; sem gosto. Madeira fcil de desdobrar, boa de aplainamento e para colagem; fixao de prego um tanto regular.

USOS: lambris; painis, molduras; cobertura, pisos e forros de embarcaes; chapas compensadas para partes internas de mveis, armrios, forros e divisrias; lminas decorativas para face de compensado.

TAUARI (Couratari oblongifolia Lecythidaceae) Madeira de peso mdio; cerne de cor creme s vezes com uma tonalidade rosada indistinto do alburno; superfcie um tanto brilhosa. Madeira fcil de processar; recebe um bom acabamento; possui baixa resistncia natural ao ataque de organismos xilfagos .

USOS : marcenaria, instrumentos musicais; caixas; engradados; painis; cabos de vassouras; chapas compensadas.

CUMARU (Dipteryx odorata Leguminosae) Madeira muito pesada; cerne de cor castanho amarelo-escuro, de aspecto fibroso atenuado diferente do alburno de cor bege claro; gr irregular; textura mdia; cheiro desagradvel quando mida. Possui alta durabilidade natural ao ataque de organismos xilfagos.

USOS: estacas martimas; pontes; obras imersas em ambiente de gua doce; postes; cruzetas de transmisso eltrica; estacas; dormentes ferrovirios; estrutura pesada de construo civil; vigamentos; carpintaria; tesouras; trelias; lambris; painis; molduras; tacos e tbuas para assoalho; mveis; carroceria de caminho; embarcao (quilhas, convs, costado, cavernas); cabos de ferramentas; cutelaria; utenslios domsticos; tanoaria; escadas.

PAU-AMARELO (Euxylophora paraensis Rutaceae) - madeira pesada; cerne de cor amarelo acetinado ou amarelo-limo, escurecendo com o passar do tempo bem diferenciado do alburno branco-amarelado; gr regular; textura mdia; fcil de processar; boa de colagem; boa para fixao de prego recomendando-se uma pr-furao; recebe bom acabamento.

USOS: ebanisteria, carpintaria; escadas; artigos esportivos; tacos e tbuas para assoalho; mveis; quilhas, convs, costado e cavernas de embarcao; cabos de ferramentas; cutelaria; instrumentos musicais; marchetaria; tornearia.

VIOLETA (Peltogyne catingae - Leguminosae ) madeira pesada de cerne de cor roxo intenso ou violeta-purpreo bem distinto do alburno marrom-amarelado; textura mdia; regular de se processar na plaina; recebe bom acabamento com a lixa; boa de colagem; superfcie lustrosa; boa para fixao de prego recomendando-se uma pr-furao; alta resistncia natural ao ataque de organismos xilfagos.

USOS: pontes; obras imersas em ambiente de gua doce; postes; cruzetas; estacas; dormentes; vigamento; carpintaria; lambris; painis; molduras; tacos e tbuas de assoalho; mveis; carroceria de caminho; partes de veculo; quilhas, convs, costado e cavernas de embarcao; lminas decorativas; cabos de ferramentas; utenslios domsticos; cutelaria; tanoaria; remos; taco de bilhar; raquetes; pranchas; brinquedos; escadas; peas torneadas.

MACACAUBA (Platymiscium ulei Leguminosae) Madeira moderadamente pesada; cerne de cor castanho avermelhado com veios ou linhas longitudinais escuras bem diferenciado do alburno mais claro; gr irregular; textura mdia; superfcie pouco lustrosa; um tanto spera ao tato; recebe bom acabamento; fcil de processamento; relativamente fcil de secar.

USOS: mveis; tacos e tbuas para assoalho; instrumentos musicais; escadas; postes; cruzetas de transmisso eltrica; dormentes ferrovirios; carrocerias de caminho; quilhas, convs, costado e cavernas de embarcaes; lminas decorativas; cabos de ferramentas; cutelaria; utenslios domsticos; tanoaria; artigos esportivos; brinquedos; marchetaria; escultura e entalhe; molduras; escadas.

PAU DARCO (Tabebuia serratifolia Bugnoniaceae) Madeira pesada com cerne de cor castanho com veios escuros, com reflexo esverdeados; alburno amarelo-rosado; gr regular; textura mdia; recebe bom acabamento; propriedades de maquinabilidade regular; a perda de fio da serra severa; fcil de secar ao ar livre com uma velocidade de secagem considerada rpida; apresenta defeitos leves; durabilidade natural ao ataque de microorganismos xilfagos alta.

USOS: postes; cruzetas de transmisso eltrica; pontes; obras imersas; dormentes ferrovirios; estruturas pesadas; pilares; vigamento; carpintaria; estruturas de telhado; tacos e tbuas de assoalho; carroceria de caminho; quilhas, convs, costado e cavernas de embarcao; cabos de ferramentas; cutelaria; utenslios domsticos; tanoaria; escadas.

TAXI (Tachigalia myrmecophylla Leguminosase ) - Madeira moderadamente pesada; cerne castanho; alburno amarelo claro brilhante; cheiro desagradvel quando verde; textura mdia; gr irregular; recebe acabamento regular; boa de aplainamento, colagem e de fixao de pregos.

USOS: vigas; caibros; ripas; mobilirio padro; chapas compensadas de utilidade geral ( no-decorativas); lminas de utilidade geral; caixa, caixotes; pallets; palitos; bobinas e carretis; pasta celulsica.

JUTAI-POROROCA (Dialium guianensis Leguminosae ) - Madeira pesada ; cerne castanho-escuro; alta durabilidade natural ao ataque de organismos xilfagos; perda de fio da serra severa (exame microscpico revela grande quantidade de corpsculos de slica no xilema); aplainamento pobre.

USOS: postes, cruzetas de transmisso eltrica; dormentes ferrovirios; vigamentos; lambris, painis; tacos e tbuas para assoalho; carrocerias de caminho e outras partes de veculos; cabos de ferramentas; cutelaria.