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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°92 - OUTUBRO DE 2005

Espcie Guapuruvu

Espcie ideal para lminas e compensados

O guapuruvu (Schizolobium parayba) reconhecido entre os pesquisadores como uma espcie de rpido desenvolvimento e boa produtividade. Segundo a Embrapa, em plantios experimentais, o guapuruvu impressiona pelo crescimento inicial e pela forma das plantas. Quando plantado em espaamento adequado, permite consrcio com cultivos permanentes ou de ciclo curto.

O guapuruvu, entre diversas espcies nativas plantadas, destacou-se aos 10 e 14 anos de idade, no espaamento 3 x 3, apresentando desenvolvimento rpido (DAP mdio = 21,2cm e HT mdia = 12,75m; DAP mdio = 24,4cm e HT mdia = 13,7m, respectivamente). Alguns estudiosos constataram ser possvel obter grande volume de madeira num prazo relativamente curto (10 anos) com o cultivo do guapuruvu, no espaamento 4 x 4m, em solo do tipo latos solo roxo, correspondendo a 600 m/ha.

O compensado obtido a partir da madeira de guapuruvu, originria de floresta nativa, encontra aplicaes tais como formas de concreto, embalagens pesadas e fabricao de mveis. A madeira de guapuruvu adequada para confeco de aeromodelos, brinquedos, palitos, caixotes, barcos e at papel.

O plantio misto de espcies nativas em reas degradadas tem como objetivos recompor a vegetao, melhorar as condies ambientais e manter a diversidade gentica. Isso pode ser feito com a escolha de espcies adequadas, previamente testadas por meio de experimentos que visam a avaliao de seus comportamentos florestais. Um ponto importante procurar espcies que possam desempenhar bem seu papel ambiental e, ainda, gerar algum retorno financeiro para o proprietrio da floresta por meio de um possvel aproveitamento para fins madeireiros, como o caso do guapuruvu.

Em funo do sucesso alcanado nos plantios de espcies que apresentam potencial econmico em relao s suas industrializaes, o ESALQ/USP realizou um estudo visando o aproveitamento dessa espcie, proveniente de plantios mistos com espcies nativas, para fins madeireiros.

Na pesquisa, as lminas foram obtidas em torno desenrolador com espessura nominal de 2,00mm. A lmina contnua de cada tora, na sada do torno, foi enrolada numa bobina de madeira para, posteriormente, ser guilhotinada.

Durante a operao de guilhotinagem para produo das lminas individuais (0,002 x 1,00 x 1,05m), foram coletadas amostras com dimenses de 0,002 x 0,04 x 1,05m. As amostras foram coletadas a cada trs lminas produzidas a partir das toras da base das rvores A1, B1 e C1. No total foram coletadas 23 amostras que se destinaram determinao do valor da contrao mxima tangencial, radial e volumtrica das lminas de madeira de guapuruvu. O coeficiente de anisotropia foi calculado a partir da relao entre a contrao tangencial e radial das lminas.

Para o clculo das contraes foram medidas a largura e espessura das amostras, em trs pontos ; inicialmente na condio verde (acima do ponto de saturao das fibras) e, posteriormente, na condio seca (0% de umidade). A contrao volumtrica aproximada foi estimada pelo somatrio das contraes tangencial e radial. A contrao longitudinal foi desconsiderada.

Secagem e classificao

Logo aps a guilhotinagem, as lminas obtidas foram dispostas em suportes de madeira para secagem natural, em local coberto. A perda de umidade durante a secagem foi acompanhada por meio de pesagens peridicas de amostras de lminas.

Quando as amostras no apresentaram mais variao em seus pesos, as lminas foram retiradas dos suportes. Nesta oportunidade, o teor de umidade mdio determinado para as lminas foi de 11%.

As lminas secas foram classificadas em classes de qualidade decrescente (N, A, B, C e D), segundo a NBR 9531 (ABNT, 1986) e depois empilhadas, permanecendo assim at o momento da manufatura dos compensados.

A partir das lminas secas e classificadas, foram manufaturados compensados de cinco camadas do tipo B/C/B, ou seja, capas com lminas da classe B e miolo com lminas da classe C. O adesivo utilizado foi base de resina uria-formaldedo, preparado em trs diferentes formulaes, que constituram os respectivos tratamentos. As formulaes utilizadas na produo dos painis seguiram as recomendaes do fabricante da resina.

Para cada tratamento, foram produzidos trs painis. A gramatura utilizada em todos os tratamentos foi de 360 g/m, sendo o adesivo aplicado em linha dupla. O ciclo de prensagem, adotado baseou-se nas informaes do fabricante da resina.

Aps a prensagem, os compensados foram mantidos na posio vertical at restabelecerem a temperatura ambiente. Posteriormente, foram empilhados, distanciados entre si pelo uso de separadores, em local coberto e protegido de intempries, por um perodo de aproximadamente 30 dias para climatizao em condies de temperatura e umidade relativa ambiente. Aps este perodo, os compensados foram esquadrejados com dimenses finais de 0,01 x 0,9 x 0,9m.

Rendimento

O descascamento manual das toras foi considerado fcil e a espessura mdia da casca foi de 0,8 cm. Verificou-se que a etapa de arredondamento foi a que gerou maior perda (22,9%), a qual est relacionada com a conicidade das toras em geral, mas tambm com a tortuosidade e a forma elptica presente em duas toras.

Esses problemas podem ser minimizados pela seleo de matrizes com boa forma, bem como do correto acompanhamento da implantao e conduo dos povoamentos.

A perda bruta (perda no descascamento + perda do rolo-resto) foi de 18,3%. Segundo esses autores, perda bruta de tal magnitude pode ser considerada bastante baixa, comparando-se com outras madeiras tropicais, as quais alcanam valores entre 25% e 38%. Ao se considerar o volume das toras com casca, o rendimento mdio da laminao foi de 52,59% e, desconsiderando a casca, foi de 60,98%.

A espessura mdia das amostras de lminas verdes foi de 2,03 mm, valor muito prximo espessura nominal de 2,00 mm, sendo um indcio de que a regulagem do torno foi adequada, resultando em uma boa uniformidade de espessura durante a laminao. Durante o processo de secagem natural das lminas foi possvel verificar o surgimento de rachaduras longitudinais, ocorrncia de colapso e rachaduras em favo de mel (ambos tambm verificados nas cunhas utilizadas para determinao da massa especfica bsica da madeira, principalmente nas lminas originrias da regio prxima medula das toras (madeira juvenil).

Entretanto, esses defeitos, tanto em quantidade como em magnitude, no comprometeram seriamente a manufatura do compensado. As ondulaes verificadas nas lminas secas, aparentemente resultantes da ocorrncia do colapso, ocasionaram a formao de pequenos cavalos durante a prensagem a quente do painel, especialmente em suas bordas, os quais foram eliminados aps o esquadrejamento das chapas.

Foram observados ns, vivos e firmes, com dimetro entre 2,0 e 5,0mm, presentes em quantidades entre 12 e 20 por lmina, vistos com maior facilidade nas lminas de colorao mais clara.

O resultado da classificao das lminas apresentado em nmero de lminas por classe e tora. O percentual de lminas em cada classe, expresso em relao ao nmero total obtido, foi o seguinte: 2% das lminas na classe A, 24% na classe B, 48% na classe C e 26% na classe D.

Ao todo, foram classificadas 193 lminas, as quais permitiriam a produo de painis compensados dos tipos B/C/B, de maior valor agregado e industrial C/D/C. Observa-se que foram produzidas lminas predominantemente da classe C, entretanto, o rendimento em lminas da classe B pode ser considerado bom. A somatria das lminas das classes B e C (138 lminas) equivale a 72% do nmero total de lminas obtidas, as quais so adequadas para compor as capas de compensados.

O rendimento do processo de laminao das toras de guapuruvu (Schizolobium parayba Blake.) foi de 60,98% e pode ser considerado expressivo. As lminas geradas foram classificadas nas classes A (2%), B (24%), C (48%) e D (26%), conforme a norma NBR 9531 (1986), as quais permitiriam a produo de painis compensados dos tipos B/C/B, de maior valor agregado e industrial do tipo C/D/C.

Os tratamentos empregados na manufatura dos compensados resultaram em diferena estatstica nos ensaios de flexo esttica e resistncia ao cisalhamento da linha de cola (ensaio seco e mido). A formulao do adesivo formado por 35% de farinho de trigo em relao ao adesivo puro) foi a que exibiu melhor performance.

De acordo com a norma EN 314-2 (1993), o compensado de guapuruvu apresenta possibilidade de uso interior (IR) e intermedirio (IM) quando produzido com as formulaes 1 e 2 (35% e 50%) e somente uso interno (IR) com a formulao 3 (65%).

A madeira de guapuruvu (Schizolobium parayba Blake.), proveniente de plantios mistos de espcies nativas, tem potencial para produo de lminas e fabricao de compensados. O compensado de guapuruvu, produzido conforme as condies especificadas no presente estudo, apresenta potencial para uso em mveis, embalagens e caixotaria.



Autores:

Geraldo Bortoletto Jnior

Professor do Departamento de Cincias Florestais/ESALQ/USP

Ugo Leandro Belini

Curso de Engenharia Florestal/ESALQ/USP