MENU
Amaznia
Bioenergia
Editorial
Elmia
Esquadrias
Ferramentas
Logstica
Mrito Exportao
Mveis & Tecnologia
Pisos
Qualidade
Recursos Humanos
Reflorestamento
Tecnologia
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°91 - AGOSTO DE 2005

Reflorestamento

Madeira reflorestada e exportao: caminhos para um setor em crescimento

Estimular o plantio de madeira reflorestada e a exportao de produtos madeireiros primordial para um setor que j movimenta 3,5% do PIB nacional.

Na dcada de 70 o Brasil "acordou" para um problema incmodo: o consumo crescente de madeira e, conseqentemente, a devastao das florestas nativas. O corte desenfreado e inescrupuloso de madeiras nobres comeava a deixar sinais, chamando a ateno da populao, do governo e, at mesmo, de organismos internacionais.

Nos anos que se seguiram, durante as dcadas de 70 e 80, atravs de incentivos fiscais, o governo estimulou a plantao de eucalipto e pinus, espcies de rpido crescimento e excelente aplicao industrial, na tentativa de aplacar a devastao das florestas e criar uma base de produo de madeira, o chamado macio florestal.

A iniciativa deu bons frutos e, atualmente, o Brasil conta com 4,8 milhes de hectares reflorestados com estas espcies, sendo que 25% destas florestas esto desvinculadas das indstrias, dando sustentao ao mercado de madeira rolia em geral. Os estoques somam uma oferta de 852 milhes de m. Hoje, podemos dizer que o Brasil j colhe o dobro de madeira de reflorestamento do que de floresta nativa.

Embora a questo florestal no Brasil ainda seja abordada parcialmente, ora por setores que utilizam a madeira como principal insumo, ora sob a perspectiva ambiental, esta atividade confirma uma importante dimenso econmica. Alm de estar entre os 10 maiores produtores florestais do mundo, contando com 6,4 milhes de hectares, o pas desenvolveu tecnologia avanada para a explorao de florestas e para a transformao industrial da madeira, tanto que apresenta o maior rendimento na produo de eucalipto e pinus do mundo, com custo inferior ao de importantes concorrentes, como Nova Zelndia, frica do Sul, Chile e Estados Unidos.

A previso de crescimento do setor, nos prximos cinco anos, de taxas anuais na faixa de 10% a 12%, em funo das possibilidades existentes tanto no mercado externo quanto no mercado interno. A demanda por mveis importados pelo consumidor americano, o principal mercado comprador do Brasil, tem crescido por motivos, entre os quais, a preferncia por um design mais moderno e, tambm, a capacidade de fornecedores estrangeiros em oferecer produtos a preos bastante competitivos. Fatores como este desenham a vocao madeireira e exportadora do Brasil.

A indstria brasileira de base florestal - mveis, madeira, papel e celulose - busca no mercado externo oportunidades de crescimento. Em 2001 o volume total exportado pelo Brasil nesta rea chegou a US$ 4,2 bilhes, quase 8% de todas as exportaes brasileiras. A perspectiva de atingir US$ 11 bilhes at 2010. No mercado nacional, o setor j movimenta 3,5% do PIB, faturando o equivalente a US$ 21 bilhes anuais. Reunindo cerca de 30 mil empresas, responsveis por um milho de empregos diretos e 3,5 milhes indiretos, o setor precisa de novos mercados para manter os ndices de contrataes e ampliar o faturamento. Por este motivo, so fundamentais as mostras especiais e stands brasileiros em feiras internacionais, organizadas por entidades e associaes com foco em exportao.

Apesar deste cenrio promissor, a indstria madeireira esbarra em um srio entrave, j apontado pelo Ministrio do Meio Ambiente: a partir de 2005, parte da indstria brasileira processadora de madeira ter que importar matria-prima. Isto porque o reflorestamento, fundamental para o crescimento e a competitividade da cadeia madeireira, teve sua expanso limitada pela ausncia de financiamentos adequados, principalmente aps o fim do Fundo de Incentivo Setorial (FISET), em 1987. Hoje, o BNDES figura como a principal alternativa de financiamento para o plantio de florestas.

Assim, importante que sejam formuladas estratgias de fomento de um mercado florestal no Brasil. O Conselho Florestal do Movimento Esprito Santo em Ao foi criado exatamente com este intuito. A observao de experincias de pases como Finlndia, Canad, Estados Unidos e Chile, que tm um setor florestal desenvolvido e consolidado, tambm pode ajudar nesse processo. Alis, em diversos pases, a atividade madeireira e sua cadeia produtiva so foco de investimentos e transaes comerciais de elevado valor. As florestas so, mais do que matria-prima, um ativo de alta liquidez.

Geradora de receitas e importante na pauta de exportaes do Brasil, a indstria da madeira fundamental tambm para o desenvolvimento regional. Torna-se crucial, portanto, a formulao de estratgias e instrumentos que dem apoio a esta atividade, principalmente no que se refere ao uso sustentado das florestas tropicais e ao reflorestamento, para a manuteno das vantagens competitivas do Brasil na cadeia produtiva da madeira e na balana de exportaes. As sementes deste trabalho foram lanadas. Resta-nos aproveitar esta vocao para a madeira e ampliar os mercados.



Luprcio Barros Lima - Presidente da Tora S.A. e membro do Conselho Florestal do Movimento Esprito Santo em Ao

Dados: SBS (Sociedade Brasileira de Silvicultura) e Abimovel (Associao Brasileira das Indstrias do Mobilirio.