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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°91 - AGOSTO DE 2005

Qualidade

A busca pelo equilbrio custo x qualidade

A globalizao da economia levou ao acirramento da concorrncia entre as empresas de base florestal. Cada qual passa a se preocupar e a tomar decises no sentido de tirar o mximo proveito da matria-prima disponvel e de otimizar o processo produtivo. Os objetivos das empresas passam a ser o baixo custo e a alta qualidade, definindo quem permanece no mercado.

O nvel tecnolgico na industrializao da madeira est diretamente ligado capacidade de investimento. A falta de capital implica no uso de sistemas e equipamentos inadequados obteno de bons rendimentos e qualidade.

As principais deficincias so os desbitolamentos e umidade inadequada (para lminas e madeira serrada), que resultam em problemas de colagem no acabamento superficial e no comprometimento do valor e das possibilidades comerciais do produto. Por outro lado, o real conhecimento da matria-prima pode maximizar seu potencial de uso e minimizar os problemas no processo produtivo.

A qualidade da madeira a soma de todas as caractersticas e propriedades que afetam o rendimento em produtos finais e sua adequao para as aplicaes pretendidas. A qualidade final dos produtos pode ser afetada por caractersticas, como: densidade, rigidez, estabilidade, presena de ns, cerne, bolsas de resina, teor de lignina, teor de extrativos e outros.

comum empresas trabalharem em segmentos de produtos e sistemas produtivos adaptados a florestas pr-existentes, normalmente implantadas para outras finalidades. Os resultados so os baixos nveis de rendimento e da qualidade dos produtos finais. sempre importante chamar a ateno sobre o fato de que o custo de produo fortemente afetado pelo manejo da floresta e pela distncia que as toras devem percorrer at a unidade de produo.

importante o entendimento da amplitude das variaes das propriedades da madeira encontradas entre e dentro dos diferentes gneros (ex: Pinus, Eucalyptus, Araucaria, etc.) e espcies. Essas variaes so causadas, alm do material gentico, pelas diferenas de manejo, idade de corte, poro a ser retirada da rvore, e outros.

Densidade

A densidade representa a quantidade de madeira em determinado volume. A densidade bsica uma caracterstica de qualidade de grande interesse, devido facilidade de determinao e pelo fato de estar diretamente associada resistncia, retraes e estabilidade da madeira no caso de produtos slidos, e no rendimento em celulose, dependendo este, tambm, do teor de lignina.

H uma significativa variao da densidade bsica entre espcies, dentro das espcies e mesmo dentro da rvore nos sentidos longitudinais e radiais. De forma geral, pode-se dizer que a densidade mais baixa em povoamentos jovens do que em rvores maduras.

A densidade deve variar em funo da utilizao. No uso em compsitos, por exemplo, prefere-se madeiras de baixa densidade, enquanto que, para piso, demanda-se madeira de mais alta densidade e dureza.

Rigidez

Existe grande variao para a rigidez entre as espcies, a qual alta em madeira de eucalipto jovem. Recentemente, tem sido dada importncia influncia do baixo ngulo microfibrilar para alta rigidez e baixa retrao, particularmente em madeira juvenil. A alta rigidez e o baixo peso so caractersticas que, em novos designs de mveis ou mesmo em produtos engenheirados, levam ao aproveitamento mais eficiente dos recursos.

Tenso de crescimento

A tenso causada pelo rpido crescimento em algumas espcies, e que se manifesta atravs do rachamento quando a madeira cortada e a tenso liberada. Alguns gneros apresentam altos nveis de tenso de crescimento, como o gnero Eucalyptus, os quais se manifestam atravs das rachaduras de topo.

As tenses variam dentro das rvores, entre rvores de uma mesma espcie e entre outras espcies. As tenses tambm so afetadas pela taxa de crescimento.

A seleo gentica e o manejo so tcnicas utilizadas para minimizar este problema, que causa perdas de rendimento e de dimenses dos produtos, devido ao nvel de distoro no processamento primrio e na secagem.

N e o rendimento

A presena de ns tem grande influncia no rendimento do processo. O efeito dos ns depende do seu tamanho, nmero, distribuio, caracterstica (solto/vazado) e associa-se ao desvio de gr e madeira de reao. Tambm podem reduzir a resistncia da madeira devido ao desvio de gr ao seu redor.

As tcnicas de manejo podem aumentar sensivelmente a proporo de madeira clear. As operaes de desrama elevam de forma significativa os custos de produo, porm, devem ser consideradas por agregar valor em todo o processo produtivo, influenciando desde o rendimento de madeira serrada em classes de qualidade superior, at a reduo de cortes a que se deve submeter a madeira para seu aproveitamento.

Cerne

A formao do cerne varia de acordo com o gnero e a espcie analisada, a partir da deposio de extrativos, causando variao de cores, afetando a durabilidade da madeira ou mesmo a colagem.

O cerne afeta indiretamente a permeabilidade da madeira e causa alteraes de comportamento na secagem, chegando a causar retraes e colapso em algumas espcies.

O carregamento e o descarregamento tambm so operaes que podem causar danos significativos quando realizadas por equipamentos ou formas inadequadas. A seleo e a classificao das toras por defeitos (tortuosidade, conicidade, galhos, ns) e por dimenses facilita o processamento e o direcionamento do uso da madeira.

Outras perdas comumente observadas so devido manipulao inadequada de estoques, alterando-se a ordem do material que foi primeiramente cortado e enviado para o processamento. O resultado disso o ataque fngico (mancha azul) no caso de conferas; rachaduras no caso de toras de eucalipto, e perdas de velocidade de processamento, j que a velocidade de corte acaba sendo reduzida com a secagem das toras.

Qualidade

A madeira para construo precisa apresentar: resistncia; rigidez; retido; estabilidade dimensional; iseno de empenamentos e defeitos; longos comprimentos e durabilidade.

Para os produtos re-manufaturados ou seja, portas, estantes, reformas, parqus e pisos laminados, bem como decks, estrutura de mveis, e outros, a qualidade requerida da madeira superior a da madeira para construo.

Existem grandes restries a imperfeies, menor tolerncia a distores e padres exigentes de qualidade. Dureza e usinabilidade so muito importantes para a qualidade do produto final. Os longos comprimentos so menos importantes. A classe de qualidade inferior pode ser direcionada para embalagens, decking ou pallets, onde a resistncia muito importante.

Algumas propriedades de adeso tornam-se importantes quando as utilizaes finais so vigas laminadas, painis, ou mesmo quando na composio de compensados.

A madeira de uso aparente aquela de qualidade superior utilizadas para mveis, painis decorativos, pisos, lminas de alta qualidade, torneados, e outras. Cor, trabalhabilidade, caractersticas de gr e, particularmente, estabilidade, tornam-se muito importantes.

Pouqussimas imperfeies na superfcie so admitidas. Fissuras ou outros problemas oriundos da secagem so inadmissveis, principalmente se a superfcie venha a sofrer tingimentos ou cobertura. As manchas causadas por ataques de fungo so totalmente inaceitveis.

A madeira para produtos reconstitudos e composta de resduos da produo dos materiais citados anteriormente e sem grandes exigncias com a qualidade.

A madeira para produo de papel e celulose provm de vrias espcies de Eucalyptus e Pinus. A escolha destas espcies para reflorestamento foi baseada principalmente em seu rpido crescimento. As propriedades fsicas e qumicas tambm definem a qualidade da madeira para este fim. As espcies cultivadas no Brasil apresentam madeira cuja massa especfica, a 15% de umidade, varia de 600 a 1.600 kg/m3, para o eucalipto, e de 400 a 520 kg/m3 para o pinus.

A composio qumica da madeira de aproximadamente 50% de celulose, 20% de hemicelulose (polioses), de 15% a 35% de lignina e de at 10% de constituintes menores.

Quanto maior o teor de lignina e de extrativos na madeira, menor ser o rendimento em celulose e a qualidade do papel produzido.

J no caso de outros usos, como para produo de carvo, a qualidade da madeira depende da densidade e do teor de resina. Quanto maior a densidade e o teor de resina na madeira, maior o seu poder calorfico. Isso faz com que o pinus apresente maior poder calorfico que o eucalipto.

A anlise cautelosa de cada um desses fatores mencionados faz com que se minimize os riscos de perdas de rendimento e qualidade alm da maximizao do aproveitamento dos ativos florestais, gerando com isso mais recursos para investimentos no processamento.

A qualidade da madeira sempre influencia a industrializao dos produtos madeireiros, de forma que o manejo da floresta, o melhoramento gentico e as pesquisas em tecnologia da madeira devem ser conciliados para a obteno de um produto final de qualidade, agregando valor e incrementando as taxas de retorno do empreendimento.