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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°89 - ABRIL DE 2005

Pinus

Propriedades da madeira de Pinus elliottii

Com a exausto das suas reservas naturais de essncias florestais madeireiras, as regies sul e sudeste do Brasil passaram a utilizar espcies alternativas, dentre as quais se destacam as do gnero Pinus, mormente Pinus taeda e Pinus elliottii. O pinus utilizado em grande escala tanto pelas indstrias madeireiras, quanto pelas de celulose e papel. Estima-se que aproximadamente 3,15 mil empresas no Brasil utilizam pinus nos seus processos produtivos, concentrando-se nos seguintes produtos: indstria de madeira serrada com 48 %, celulose e papel com 29 %, painis compensados, chapas duras, MDF e OSB com 18 %.

O conhecimento das propriedades de cada madeira, importante do ponto de vista da sua melhor utilizao. As propriedades da madeira variam em funo de cada espcie. Existem ainda variaes entre rvores de uma mesma espcie, afetadas, principalmente, por fatores genticos e ambientais. Ocorrem tambm variaes influenciadas pelo sistema de manejo adotado. Em relao posio na rvore, as propriedades podem variar tanto no sentido medula-casca (radial), quanto no sentido base-copa (longitudinal). As variaes mais importantes so as que ocorrem no sentido medula-casca, associadas, s vezes, com outras no sentido da altura da rvore.

Com o objetivo de avaliar propriedades fsicas e mecnicas de Pinus elliottii foi conduzido um trabalho junto ao Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viosa Viosa-MG. O experimento consistiu em uma amostragem aleatria de trs rvores de Pinus, avaliadas em trs posies do fuste: base meio e topo e vrias distncias medula-casca (0 a 8 cm).

Foram obtidos os dados de rendimento em madeira serrada, em %, densidade bsica, em g/cm3, contrao volumtrica total (retratibilidade), em %, resistncia flexo esttica, em MPa, e resistncia compresso paralela s fibras, em MPa. As posies no fuste foram comparados por meio do teste t de Student para duas amostras independentes, a 5% de probabilidade.

O efeito da distncia medula-casca foi estudado por meio de anlise de regresso e os modelos mais adequados, escolhidos com base no coeficiente de determinao (R2) e na significncia dos coeficientes de regresso.

O material foi obtido de rvores com idade de quarenta anos colhidas no campus da Universidade Federal de Viosa Viosa-MG.

CONTRAO VOLUMTRICA

s madeiras de todas as espcies sofrem alguma modificao em suas dimenses quando seu teor de umidade alterado. Essas variaes dimensionais ocorrem quando h flutuao na umidade da madeira abaixo da umidade de saturao das fibras, isto , abaixo de 30%, teor de umidade normalmente observado na madeira em uso. A madeira incha e contrai diferencialmente segundo os sentidos de crescimento radial, tangencial e longitudinal, podendo acarretar defeitos durante a secagem e acondicionamento, tais como tores, rachaduras, empenos e abaulamentos. A contrao volumtrica total obtida quando a madeira verde seca at 0% de umidade.

A umidade final da madeira deve ser compatvel com o ambiente onde ela ser usinada e/ou utilizada.

A contrao varia em relao posio na rvore. Na madeira juvenil, a contrao maior prximo medula e diminui rapidamente no sentido medula-casca, durante a fase de crescimento juvenil. Na madeira madura normal, tanto de conferas como de folhosas, as contraes transversais e volumtricas esto diretamente relacionadas com a densidade, o comprimento das fibras, o ngulo microfibrilar das paredes celulares e o teor de extrativos presentes no cerne; entretanto, o cerne que contm maior teor de extrativos contrai menos que o alburno. A reduo da contrao ocorre quando molculas pequenas de extrativos penetram nos espaos internos na parede celular e ocupam os stios at ento disponveis para adsoro de gua.

As contraes variam com as espcies e com a orientao das fibras, sendo normalmente expressa como a porcentagem da dimenso verde da madeira. Essa reduo de tamanho na direo tangencial aos anis de crescimento chamada contrao tangencial. Tal reduo, quando ocorre paralelamente aos raios da madeira, ou radialmente, chamada contrao radial. A contrao tangencial aproximadamente o dobro ou maior do que a contrao radial, como o caso das madeiras de eucaliptos plantados em nosso pas. A contrao longitudinal da madeira geralmente pequena, de 0,1 a 0,2% da dimenso verde. Se madeira de reao e madeira juvenil estiverem presentes na pea, a contrao longitudinal poder aumentar apreciavelmente.

As diferenas nas contraes radiais e tangenciais resultam em distores da seo transversal das peas serradas. Tais distores so denominadas empenamentos. Os empenamentos podem ser do tipo abaulamento, arqueamento, selamento e torcimento.

O coeficiente de anisotropia, que a relao entre as contraes tangencial e radial, um parmetro de avaliao da qualidade da madeira que considera sua variao dimensional. Este coeficiente compe-se das seguintes escalas: < 1,5 madeira muito estvel; 1,6 at 2,0 mdia a baixa anisotropia; 2,0 at 2,5 mdia a alta anisotropia; > 2,6 madeira muito instvel.

Igualmente ao comentado no item anterior (resistncia flexo), basicamente os mesmos conceitos podem ser considerados para obteno de madeiras com maior resistncia compresso, como seleo das peas desdobradas, desdobro seletivo de madeira juvenil e madeira madura, e colheita de rvores mais velhas.

Pedro Nicolau Serpa Pesquisador da rea de Recursos Florestais da Empresa de Pesquisa Agropecuria e Extenso Rural de Santa Catarina S.A.-Epagri/Estao Experimental de Itaja, 88301-970 Itaja-SC; serpa@epagri.rct-sc.br

Benedito Rocha Vital Professor de Tecnologia da Madeira, Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viosa UFV, 36570-000 Viosa-MG; bvital@ufv.br.