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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°89 - ABRIL DE 2005

Secagem

Secagem adequada decisiva para qualidade

As tenses que se desenvolvem na madeira so a causa bsica dos defeitos de secagem. Por isso, a secagem tem um papel fundamental na produo madeireira, porque decisiva na qualidade da madeira. Muitos so os defeitos causados pela secagem inadequada, entre eles o empenamento, que consiste na distoro da pea de madeira em relao aos planos originais de suas superfcies. Assim, levando-se em conta os planos em relao aos quais houve alterao, os empenos podem ser encanoados, longitudinais e torcidos.

O encanoamento definido quando as margens da pea permanecem aproximadamente paralelas, e ela adquire um aspecto encanoado ou de canaleta. Esse tipo de empeno aparece em conseqncia da diferena de estabilidade entre as direes radial e tangencial, que provoca a maior movimentao de uma das faces da pea em relao outra. Outra causa para o empeno encanoado a secagem mais rpida de uma face. Essa diferena de umidade ocorre quando a pea est apoiada sobre toda a extenso de uma das faces, de forma que a evaporao da gua seja maior na outra, ou quando uma das faces recebeu revestimento enquanto que a outra permanece ao natural. De uma forma geral, as peas retiradas mais exteriormente da tora tendem a apresentar mais nitidamente o fenmeno, pela maior retrao da face que se situa prxima casca.

O empenamento longitudinal caracterizado pelo afastamento de uma face em relao a um plano que une uma extremidade a outra da pea. Ocorre como conseqncia de irregularidade da gr, ou quando a pea retirada de forma que a gr faa um ngulo com a direo do seu comprimento. Pode ocorrer, tambm, como conseqncia de tenses desenvolvidas durante o crescimento da rvore. Nessas condies, quando as toras so desdobradas, as pranchas racham ao centro com empenamento longitudinal. Esse tipo de defeito freqente em E. saligna.

O empenamento torcido caracteriza-se pelo fato de a pea apresentar-se torcida. Ele ocorre principalmente em madeira proveniente de rvores que apresentam gr espiralada.



Rachaduras

As rachaduras aparecem como conseqncia da diferena de retrao nas direes radial e tangencial da madeira e de diferenas de umidade entre regies contguas de uma pea, durante o processo de secagem. Essas diferenas levam ao aparecimento de tenses que, tomando-se superiores resistncia dos tecidos lenhosos, provocam a ruptura da madeira.

Na secagem as rachaduras superficiais podem aparecer quando as condies so muito severas, isto , baixas umidades relativas provocando a rpida secagem das camadas superficiais at valores inferiores ao PSF, enquanto as camadas internas esto ainda com mais de 30% de umidade. Como as camadas internas impedem as superficiais de se retrarem, aparecem tenses que, excedendo a resistncia da madeira trao perpendicular s fibras, provocam o rompimento dos tecidos lenhosos. Normalmente, a ruptura ocorre nos tecidos que compem os raios, constitudos de clulas parenquimticas.

As rachaduras de topo aparecem, geralmente, nos raios, que so constitudos por clulas parenquimticas de reduzida resistncia mecnica. So conseqncia da diferena entre as retraes tangencial e radial. bastante difcil a secagem de sees transversais de toras sem que apaream rachaduras de topo.



Encruamento

O encruamento causado basicamente por secagem muito rpida ou desuniforme. Uma secagem rpida da madeira, com umidade inicial superior ao PSF, faz com que as suas camadas externas atinjam rapidamente baixos valores de umidade. Em conseqncia essas camadas ficam sob o efeito de esforos de trao, enquanto a parte central, estando acima do PSF, no se retrai e fica sob compresso. Continuando a secagem nas mesmas condies a parte central passa a uma umidade menor ao PSF e comea a retrair-se.

Entretanto, essa retrao no acompanhada pelas camadas externas, ocasionando a sua compresso. Nessas condies, a parte interna est sob trao e a externa sob esforos de compresso. Essa situao permanece mesmo depois da madeira atingir um teor uniforme de umidade.

O processo de encruamento pode originar rachaduras internas do tipo favo de mel, existindo tambm, uma relao com rachaduras superficiais. Peas na situao descrita, em que as fendas ainda no apareceram, apresentaro deformaes se novamente desdobradas. Assim, uma prancha desdobrada no sentido da sua espessura resultaria em duas tbuas encanoadas.

Colapso

O colapso caracteriza-se por ondulaes nas superfcies da pea de madeira, que pode apresentar-se bastante distorcida. O colapso basicamente ocasionado por foras geradas durante a movimentao da gua capilar, as quais deformam as clulas. O colapso aparece quando a tenso desenvolvida durante a sada da gua capilar supera a resistncia da madeira compresso.



De forma geral, os fatores que influem no colapso da madeira so:

- pequeno dimetro dos capilares;

- altas temperaturas no incio da secagem;

- baixa densidade da madeira; e

- alta tenso superficial do lquido que removido da madeira. A presena de bolhas de ar na gua capilar diminui a possibilidade do colapso.



Rachaduras em Favos

um defeito tpico da secagem artificial que se caracteriza por rachaduras no interior da pea. Exteriormente a pea pode apresentar-se sem alteraes. Esse tipo de defeito aparece normalmente associado ao colapso e ao encruamento, como conseqncia das tenses de trao, no interior das peas, terem excedido a resistncia da madeira no sentido perpendicular s fibras. Previne-se o seu aparecimento evitando-se altas temperaturas at a remoo da gua livre do interior das peas em secagem.



Autor: Prof. Ivaldo Pontes Jankowsky - LCF/ESALQ/USP.