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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°89 - ABRIL DE 2005

Biodiesel

A posio do Brasil frente ao novo ambiente mundial

O potencial brasileiro de biomassa no se limita a uma ampliao do Programa Nacional do lcool - Pr-lcool mas a amplo espectro de aes, como o enorme potencial de substituio do leo diesel de petrleo por grande variedade de leos vegetais. Somente na regio amaznica existem condies para produzir cerca de oito milhes de barris por dia de leo de dend digamos que seja metade, j seria uma realizao de peso mundial - envolvendo milhes de novos postos de trabalho, uma verdadeira marcha para o Norte. Isto equivale a nveis de produo permanentes prximos do atual de petrleo da Arbia Saudita

Outro aspecto a alta produtividade das florestas tropicais plantadas - acima de 50 estreos por hectare-ano - alm da produo de celulose, permite a gerao de energia eltrica por meio de termeltricas a lenha, carvo vegetal ou gs de madeira, com elevado rendimento e baixo custo. Isto abre enorme possibilidade para fazendeiros florestais produzirem de modo descentralizado, enorme gerao de energia eltrica. As reas florestais devastadas seriam objeto de reflorestamento com altssimas recompensas econmicas e ambientais. Oitenta por cento do Estado do Paran tiveram suas florestas devastadas. Cerca de trinta por cento do Estado de Minas Gerais pode gerar cerca de 68 mil megawatts, o que equivale atual gerao brasileira. Tambm os rejeitos agrcolas abrem elevados potenciais.

O bagao de produtores de acar e lcool no Estado de So Paulo permitiria gerar o equivalente a 50% da potncia de Itaipu ? 100% com turbinas de alta eficincia -, sem necessidade das onerosas linhas de transmisso ou gasodutos, como o do gs da Bolvia.

Cerca de 30% do territrio brasileiro constitudo por terras imprprias para a agricultura, mas aptas explorao florestal. A utilizao de metade dessa rea, ou seja, 120 milhes de hectares, com florestas energticas permitiria a formao sustentada do equivalente a cerca de cinco bilhes de barris de petrleo por ano, mais de duas vezes a produo atual da Arbia Saudita.

Com a produtividade mdia de 6 mil litros por hectare-ano de lcool etlico, chega-se produo de 50 bilhes de litros por ano, ou seja, de 880 mil barris por dia, com apenas 1% de nosso territrio.

Extrapolando-se os exemplos concretos tirados da nossa realidade para um contexto internacional, pode-se afirmar que utilizando-se tecnologia atual, ou de desenvolvimento de fcil previso, florestas e culturas energticas do mundo tropical no continente brasileiro poderiam suprir, praticamente, todas as necessidades mundiais de combustveis slidos, lquidos e gasosos, bem como de eletricidade, por um perodo praticamente ilimitado.

At 1946, toda a produo de ferro gusa e ao no Brasil estava baseada em carvo vegetal. Aps esse ano, o desenvolvimento do parque siderrgico nacional teve por base, principalmente, tecnologia japonesa, com a utilizao do carvo mineral importado, altamente poluidor. Criou-se assim uma dupla dependncia externa, em relao tecnologia e ao insumo energtico.

O esforo de desenvolvimento tecnolgico do setor siderrgico a carvo vegetal teve no Brasil resultados significativos. Para produzir-se um milho de toneladas de ao era necessrio carvo vegetal retirado de 370 mil hectares de florestas. Com o aperfeioamento alcanado bastam apenas 130 mil ha. e j se prev apenas 70 mil ha. para o futuro. Um aumento de coeficiente por um fator cinco! Ou seja, uma rea de 2,2% num raio de 100 km.

O mesocarpo do babau, carbono puro de alta resistncia mecnica, excepcional como combustvel e redutor na grande siderurgia e metalurgia em geral. Contrape-se ao carvo mineral importado, altamente poluidor, imposto pelos pacotes tecnolgicos de origem externa.

O modelo dependente de crescimento econmico brasileiro tenta reproduzir equaes industriais referidos a outras realidades por meio de pacotes estrangeiros, que impem fatores de produo estranhos aos nossos. por isso inadequado, pois exige a mobilizao de recursos financeiros, tecnolgicos e industriais no disponveis, enquanto ignora nossos fatores abundantes que fortalece nosso poder competitivo.

exemplo disso o modelo siderrgico japons base das siderrgicas brasileiras. Ele exige grandes siderrgicas localizadas nas proximidades de grandes portos, pois tudo no Japo importado, o carvo mineral altamente poluidor e o minrio de ferro. No Brasil, devido abundncia e distribuio de minrio de ferro e de carvo vegetal, o modelo deveria fundamentar um grande nmero de pequenas e mdias siderrgicas, limpas do ponto de vista ecolgico e distribudas conforme a proximidade do mercado, em vez dos poluidores monstrengos atuais que so justificados nas circunstncias japonesas, mas no no nosso caso.

Os recursos bsicos mobilizados por um programa energtico de biomassa (ou seja, o investimento inicial) so terra, gua e mo-de-obra, abundantes e subutilizadas no Brasil. Seu uso extensivo significa abrir oportunidades para sua valorizao e promoo crescentes.

Desenvolvimento

A biomassa, mais que uma alternativa energtica constitui a base para um modelo de desenvolvimento tecnolgico e industrial autnomo e auto-sustentado, baseado em dados concretos da realidade nacional e na integrao do Homem a um ambiente econmico em harmonia com o meio ambiente. Sua natureza espacialmente dispersa ocupando todo o territrio nacional levar reverso do efeito centralizador do atual modelo e torna vivel uma distribuio mais uniforme da populao no territrio, permitindo melhor organizao econmica, social e poltica do Pas. Ademais, permite a ocupao de perigosos vcuos populacionais em grandes extenses de nosso territrio.



A mais importante entidade ambiental, a norte-americana WorldWatch Institute, propugnou, no documento A Situao do Mundo, de 1997, a criao de organizao de cpula mundial a ser formada pelos principais pases relacionados com essas questes. Seria o grupo E-9 (E de environment), mais poderoso que o atual G-8, que atua na rea econmica-financeira.

O E-9 seria composto por trs superpotncias ambientais: os EUA, a maior potncia industrial-militar e o maior poluidor; a China, segundo maior poluidor, com possibilidade de passar a ser rapidamente o principal, com um quinto da populao do planeta, e o Brasil, continente tropical, nico no-predador do conjunto. Os outros seis pases so: Alemanha, Japo, Indonsia, Gr-Bretanha, ndia e Rssia.

Note-se que os pases que compem o E-9 so aqueles que tm cruciais problemas energticos, ambientais e de matrias- primas em convergncia complementar com o Brasil. Excetuam-se dessa condio os EUA e a Gr-Bretanha, por motivos bvios de liderarem o sistema financeiro internacional, do qual nos queremos livrar, e a Indonsia, enorme arquiplago do oceano Pacfico, sem grande relao econmica e cultural com o Brasil.

No Brasil, 60% de nossa energia vem de fontes renovveis, enquanto nos demais pases pretendem chegar a 12% em 2010. Atualmente 85% da energia que movimenta o mundo ainda de origem fssil e 80% dessa energia tem seu uso concentrado em cerca de dez pases.

A contribuio do Brasil na emisso de gs carbnico de 0,41%, enquanto as dos EUA, China, Alemanha, Rssia e Japo somam 65%.

Este complexo quadro de alianas no tem o critrio geogrfico ou cultural como princpio unificador, mas, sim, razes concretas, essenciais, ligadas evoluo e at sobrevivncia dos pases envolvidos. Sua caracterstica principal oposta quela radical que orienta o chamado choque de civilizaes, que confina os povos no redil de suas culturas originais e limita, de modo indevido, um amplo potencial de cooperao em questes vitais. Os resultados dessas alianas representam o oposto daqueles pretendidos com o choque de civilizaes, que leva guerra.

A conotao blica, destruidora, que caracteriza esse choque de civilizaes, conforme defendem intelectuais do imprio, fica superada na fundamentada proposta de alianas aqui apresentada e pelo papel pacificador desempenhado pelo continente tropical brasileiro, ao procurar resolver problemas cruciais de pases de grande peso e importncia no presente e no futuro do mundo.

A reduo das tenses que o surgimento de formas de energia extensivas, permanentes e limpas em condies de substituir plenamente os combustveis fsseis poder representar, sem dvida, razo prtica para alcanar a paz no mundo. Os combustveis de origem vegetal dos trpicos representam o contraponto ao estopim de conflitos provocados pelo ocaso do petrleo e pelo declnio dos demais fsseis.



Brasil: um grande reator

Todas as formas energticas utilizadas pelo homem, com exceo da energia das mars, da geotermia e da energia nuclear, vm do Sol, o eterno e imenso reator a fuso nuclear natural. O Brasil o nico pas do mundo em condies de usufruir em grande extenso desse reator. Sonho inalcanvel para os demais pases, muito especialmente os situados nas regies temperadas e frias do planeta.

A energia solar acumulada nos hidratos de carbono das plantas e de animais microscpicos necessita centenas de milhes de anos para transformar-se em combustveis fsseis. Assim, o uso direto pelo homem da energia armazenada nos hidratos de carbono das plantas encurta em eras geolgicas o uso da energia solar concentrada nos fsseis.

Os hidrocarbonetos, cujas misturas formam o que denominamos petrleo, derivam dos hidratos de carbono das plantas pela perda de oxignio em processo de fossilizao, levam para isso centenas de milhes de anos.

O leo de girassol, excepcional substituto do leo diesel do petrleo limpo e renovvel - chega a fazer 40 quilmetros por litro em motores Elsbett de ciclo diesel leva apenas trs semanas para se formar.

Assim, em vez de usar-se o capital da energia solar que exige centenas de milhes de anos para se constituir, usemos os dividendos dessa energia, renovados de modo permanente.

Os combustveis derivados da biomassa hidratos de carbono vegetal para serem vantajosos exigem formao acelerada na natureza, o que ocorre somente com muito sol e gua. Isto possvel nas regies tropicais brasileiras. Nosso continente detm de 22 a 24% da gua doce do planeta Terra. Somente a regio amaznica tem 18% desse montante, com o Canad em segundo lugar, com 14%, embora nele a gua seja gelo em grande parte do ano.

Finalmente, ser o principal supridor mundial de energia renovvel e limpa ou de produtos de elevado contedo energtico, exige dimenses continentais localizadas nos trpicos com gua abundante e imensas reas desocupadas. Assim, oferece- se ao Brasil a grande oportunidade econmica que jamais algum pas teve na histria da Humanidade, ou seja, cabe-nos um papel importante no mundo, neste comeo do sculo 21.

grave equvoco contemporizar com um sistema financeiro internacional irremediavelmente falido, o qual somente intensificar os atuais conflitos entre naes. A situao muito mais grave do que foi em 1929, pois no havia ento as atuais previses de colapso dos combustveis fsseis e do

O que estamos presenciando o resultado do desmoronamento da poltica tirnica do dinheiro digital na tentativa de dar uma sobrevida a um sistema financeiro condenado de modo irremedivel pelo abismo que se abre entre ele e a economia que tem por base o mundo fsico, o mundo concreto.

O que se busca um pacto entre um conjunto de pases de elevado peso mundial tendo por base uma questo crucial para todos, qual seja a energtica. Ele objetiva iniciar movimento internacional de modo a frear a atual oligarquia financeira que est levando importantes pases runa e o mundo guerra. Visa principalmente a abrir uma discusso acerca da reformulao do atual sistema financeiro internacional que desmorona, tendo em vista contribuir para retirar a humanidade da perigosssima situao para a qual caminhamos cegamente.

Fonte: Jos Walter Bautista Vidal, professor e pesquisador