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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°88 - MARO DE 2005

Silvicultura

Material gentico agrega valor ao produto

Em funo dos fatores solo, clima e da destinao da matria prima, as espcies, bem como o grau de melhoramento gentico destas espcies, so fundamentais na agregao da qualidade e valor do produto final industrializado.

Deve ser observado que determinadas espcies apresentam aplicaes bastante genricas e pouco rentveis, enquanto que espcies melhoradas podero ter aplicaes mais especficas, para usos mais nobres e, portanto, com maiores retornos financeiros.

Exemplos tpicos so as espcies de eucalipto que, quando empregadas sem grau de melhoramento, apresentam restries de uso. Entretanto, quando determinadas caractersticas so melhoradas, a qualidade da madeira produzida permite uma infinidade de aplicaes.

O espaamento de plantio uma das principais tcnicas de manejo que visa a qualidade e a produtividade da matria-prima. Deve ser definido em funo dos objetivos do plantio, considerando-se que a influncia do espaamento mais expressiva no crescimento em dimetro do que em altura.

O planejamento da densidade de plantio tambm deve visar a obteno do mximo de retorno por rea. Se, por um lado, a densidade for muito baixa, as rvores no aproveitaro todos os recursos como gua, nutrientes e luz disponveis e, por conseqncia, haver menor produo por unidade de rea; mas por outro lado, se a densidade de plantio for muito elevada, tais recursos no sero suficientes para atender a demanda do povoamento, o que tambm repercutir no decrscimo de volume e na prpria qualidade das rvores.

Normalmente os plantios so executados com espaamentos variando entre 3x2 e 3x3 metros, os quais favorecem os tratos culturais mecnicos. Empresas integradas destinam a madeira dos primeiros desbastes para energia ou celulose, e as rvores remanescentes, com porte expressivo, so utilizadas para a fabricao de serrados ou para a laminao.

Os espaamentos maiores (densidade baixa) possuem produo em volume individual; menor custo de implantao; maior nmero de tratos culturais; maior conicidade de fuste e desbastes tardios. J, os espaamentos menores (densidade alta) apresentam produo em volume por hectare; rpido fechamento do dossel (menor nmero de tratos culturais); menor conicidade do fuste e desbaste precoce.

Quanto forma dos espaamentos, os quadrados ou retangulares so os mais indicados e praticados, podendo ser bastante apertados para produo de madeira para fins energticos, ou mais amplos, quando se deseja matria-prima para fins de fabricao de celulose ou madeira.

A produo de um macio florestal depende dos fatores genticos das espcies e sementes utilizadas, da capacidade do stio e das tcnicas de manejo adotadas. Aps o plantio, a produo florestal pode ser influenciada por trs fatores: melhoramento das condies ambientais, como adubaes controle de pragas e competio por ervas daninhas; diminuio da populao original, atravs de desbastes, disponibilizando melhores condies de luz, nutrientes e gua s plantas e, aprimoramento da qualidade das rvores, atravs da poda.

Existem dois problemas imediatos aps o plantio: a mortalidade das mudas e o crescimento extremamente lento ou crescimento travado. Algumas semanas aps o plantio, faz-se uma estimativa sobre o nmero das mudas que esto mortas. Por exemplo, em um plantio onde uma em cada 5 mudas est morta, significa que h uma porcentagem de sobrevivncia de 80% ou uma mortalidade de 20%. Se a mortalidade das plantas apresenta-se muito alta, preciso efetuar o replantio nos espaos livres. necessrio tomar cuidado com a demora do replantio, pois certos atrasos podem causar s mudas replantadas desvantagens permanentes, em crescimento e desenvolvimento

As mudas destinadas ao replantio devem ser de boa qualidade, um pouco maior que o normal e com razes bem desenvolvidas. O crescimento lento e deficiente, mesmo sem a ocorrncia de pragas, pode ocorrer em qualquer perodo. Normalmente acontece antes do fechamento do dossel. Como aspectos visveis: a m formao das acculas ou folhas e um crescimento anual de 1 ou 2 cm; contudo, existem vrios fatores podem causar esta deficincia em crescimento e desenvolvimento:

Seleo errada das espcies.

Deficincia de nutrientes.

Drenagem insuficiente do solo ou lixiviao excessiva.

Problemas no solo, como compactao, eroso.

Deficincia ou ausncia da associao micorrzica.

Capinas insuficientes, criao intensiva de animais, e outras.

Atravs de uma correta adubao, pode-se conseguir melhorar as condies dos solos empobrecidos ou compactados, enriquecer os solos, favorecer o crescimento das mudas, aumentar a resistncia das plantas contra fungos, insetos e doenas. A adubao recomendada, conforme os resultados das anlises de solo realizadas em laboratrio e de acordo com as exigncias da espcie selecionada.

Em relao limpeza do terreno, para evitar a competio de gua, luz e nutrientes pelo mato e por ervas daninhas, h o mtodo manual, atravs de coroamentos e roadas; o mecnico, atravs de gradeao superficial, e o qumico, atravs da aplicao de herbicidas.

Sempre que houver a competio por mato ou ervas daninhas, independente da poca, deve-se fazer a limpeza. Principalmente na poca de crescimento (primavera), o plantio deve estar isento destes problemas para facilitar e estimular um bom desenvolvimento, sem a competio.

Os desbastes so executados com diferentes finalidades, entre elas: o

aumento da produo volumtrica, a melhoria da qualidade do produto final e para acelerar o retorno dos investimentos, diminuindo os riscos do projeto.

Os mtodos de desbaste so:

Seletivo: tem por objetivo a seleo e a proteo das melhores rvores pela

eliminao da competio com as rvores vizinhas. So classificados em:

Desbastes baixos - visam a supresso apenas de rvores dominadas

(rvores que apresentam copas raquticas comprimidas ou unilateralmente desenvolvidas), sendo empregados com bastante freqncia em povoamentos de Pinus. a forma mais comum de desbaste seletivo. O resultado um povoamento com um estrato apenas de rvores dominantes e codominantes.

Desbastes altos - visam a retirada principalmente de rvores codominantes

(rvores que apresentam copas formadas, mas fracas, em desenvolvimento) dando s dominantes melhores condies de sobrevivncia e crescimento.

Sistemtico: neste desbaste no se leva em considerao a classe da copa

nem a qualidade das rvores a serem retiradas. Normalmente so retiradas linhas inteiras de rvores; sendo assim, o peso do desbaste depender do nmero de linhas retiradas.

Seletivo-sistemtico: neste caso corta-se, a cada nmero fixo de linhas,

uma linha inteira e nas linhas que ficam faz-se um desbaste seletivo, de onde se retiram as piores rvores (finas, bifurcadas, quebradas).

Plantios

A silvicultura brasileira pode ser considerada uma das mais ricas em todo o planeta, tendo em vista a biodiversidade encontrada, as variaes dos fatores edafo-climticos e a boa adaptao de materiais genticos introduzidos. Entretanto, todas estas vantagens podem tambm se manifestar como verdadeiras armadilhas, quando o conjunto destes fatores no so devidamente analisados na tomada de deciso.

Num Pas de extenses territoriais como as do Brasil, onde a variao climtica muito grande, uma das tarefas mais difceis exatamente a escolha do gnero e da espcie a serem cultivados.

Tomando como exemplo o gnero Eucalyptus, tem-se observado uma grande variao de espcies: ao sul predominam espcies de maior tolerncia ao frio, como E. dunnii e nitens; j na regio leste e centro oeste, ocorre o E. grandis, saligna e urophylla, ou hbridos destas espcies.

A elaborao de mapas do projeto florestal o primeiro passo a ser seguido, devendo conter a rea total do projeto, rea til de plantio, locaes de reservas legais, aceiros e estradas, entre outros.

A locao de estradas e carreadores de fundamental importncia, uma vez que estes influenciaro nos custos de implantao, colheita, ndice de aproveitamento de rea e custos de conservao de solos, que transcorrem por todo o perodo do projeto.

Esta etapa exige dos tcnicos um acompanhamento em campo, para adequaes em termos de obstculos naturais, declividade do terreno e outras variveis que podem influenciar nos custos da implantao florestal.

Projeto

A elaborao de um projeto florestal merece a participao de tcnicos de formaes multidisciplinares, para contemplar todos os aspectos cujas influncias definiro o sucesso do empreendimento.

Um projeto bem elaborado deve contemplar o incio e o trmino do plantio, as definies das operaes a serem executadas, material gentico e, por fim, um cronograma de atividades e oramento bem definido.

A definio do material gentico o fator de maior importncia em todo o projeto florestal, tendo como base a complexidade dos fatores ambientais, descritos anteriormente e que devem ser contemplados. Uma falha nesta fase pode comprometer todo o sucesso do empreendimento e o futuro abastecimento de matria-prima, que, por sua vez, poder comprometer a performance e talvez a sobrevivncia da prpria indstria.

A eleio do gnero e da espcie no projeto devem estar completamente alinhados s necessidades, caractersticas e qualidade da matria-prima da indstria. Neste aspecto, fatores como a procedncia, grau de melhoramento gentico e mtodo de produo das mudas tero pesos significativos nos custos de formao florestal e no resultado da produtividade futura da floresta.

Produo de Mudas

Nas ltimas dcadas, a produo de mudas tem passado por profundas e significativas evolues. H pouco tempo, a formao de mudas era essencialmente realizada atravs de sementes e em recipientes de sacos plsticos ou outros de qualidade ainda inferiores a este . Mais precisamente na dcada de oitenta, foram introduzidas alternativas consideradas at ento revolucionrias no sistema de produo de mudas, principalmente as de eucalipto.

As principais inovaes foram ocasionadas atravs de uma srie de automaes nos viveiros florestais brasileiros, entre elas, a produo de mudas em srie atravs de viveiros modulados e compartimentalizados, em que cada fase do crescimento ficou bem definida.

A automao dos viveiros possibilitou tambm a utilizao de outros recipientes, como os tubetes, resultando numa expressiva reduo de custos, rendimentos operacionais, alm da grande melhoria na qualidade das mudas, principalmente sob o aspecto de formao do sistema radicular e aspectos fitossanitrios, por possibilitar suas disposies a nveis mais elevados em relao ao solo.

Tambm na dcada de oitenta, sementes com alto grau de melhoramento gentico, como as geraes F2 e hbridas, tiveram suas contribuies no aumento da qualidade dos povoamentos florestais. Ainda neste perodo, o processo da propagao vegetativa, micropropagao e cultura de tecidos foram os destaques entre os fatores que mais contriburam para o incremento da produtividade.

A definio de um ou outro sistema de produo de mudas e a escolha do material gentico mais ou menos evoludo afetaro substancialmente os custos do projeto.

O incio das operaes de implantao de um projeto florestal apresenta inmeras variveis, dependendo da espcie a ser cultivada e principalmente das condies do relevo, solo e clima.

A abertura de carreadores e estradas normalmente o incio do processo, vindo em seguida o desmatamento (ou limpeza da vegetao), o qual pode ser representado pela vegetao nativa ou restos da cultura vegetal da prpria espcie em cultivo.

A execuo desta atividade requer mquinas pesadas, roadas mecnicas, manuais ou qumicas, dependendo do grau de infestao da vegetao ou do grau de mecanizao que se pretende adotar.



Controle de Formigas

As formigas cortadeiras so as principais pragas no estabelecimento de um povoamento florestal, com potencialidade de danos significativos inclusive durante os anos de crescimento da floresta.

Aps a limpeza de vegetao, enleiramento, roadas ou triturao de resduos florestais, recomenda-se a espera de aproximadamente 30 dias para que o combate s formigas seja iniciado, tempo suficiente para que os formigueiros se restabeleam e retornem s suas atividades normais.

Normalmente nas reas propensas s infestaes de formigas, ocorrem diversas espcies e at gneros diferentes, o que exige diferentes mtodos, processos e produtos para seu eficiente controle.

As formigas consideradas potencialmente mais crticas em termos de danos silvicultura brasileira, e que ocorrem em quase todos os estados, so as do gnero Atta, comumente conhecidas como savas, e as Acromyrmex.

Vrios mtodos e produtos para o controle so normalmente utilizados, muito embora os controles manuais com inseticidas granulados, atualmente base de sulfluramidas, so os mais empregados e recomendados, devido ao menor dano ao meio ambiente e pela maior disponibilidade no mercado, o que os tornam mais competitivos em termos de custos e porque sua distribuio no campo torna-se bastante prtica e com alto rendimento operacional, fazendo com que seu custo seja viabilizado.

Outros produtos como os termonebulizveis, so tambm empregados em larga escala e com bastante sucesso em algumas regies, principalmente onde a infestao com espcies de sava muito elevada. Os custos, rendimento e eficincia do controle, so largamente variveis em funo do grau de infestao, sistema operacional e produto utilizado; por isso fundamental um bom planejamento tcnico florestal.

Preparo do Solo

Nesta operao incidem o preparo do solo propriamente dito e as operaes de sua conservao. O preparo tem por objetivo potencializar as condies ambientais para o mximo aproveitamento de todos os recursos disponveis ao crescimento das mudas.

O preparo do solo com nfase conservao feito com intuito da preservao contra eroses, perda de nutrientes e reteno da gua e matria orgnica, fundamentais e indispensveis para a perpetuao da produtividade florestal. Nesse caso, tanto o preparo quanto o plantio devero ser efetuados preferencialmente em curvas de nvel.

Uma ampla variedade de mquinas e equipamentos utilizada na efetivao desta operao, normalmente mquinas mais pesadas so as preferidas em solos mais argilosos e agregados, e mquinas mais leves ou de menor potncia para solos arenosos e com baixa estruturao.

Os custos desta operao so dependentes diretos do tipo de mquina a ser usada e do grau de preparo necessrio. Preparos manuais tambm podem ser executados em situaes nas quais a viabilizao de mquinas fica comprometida.

A primeira adubao, tambm chamada de adubao de plantio, normalmente realizada concomitantemente ao preparo do solo ou sulcamento. No passado, as adubaes em eucalipto com os elementos N, P e K e formulaes prximas de 10:20:10 eram quase que unanimidades nas empresas florestais, mesmo sabendo que muitas delas eram localizadas em condies completamente distintas.

Contudo, com o passar dos anos e a introduo de materiais clonais com comportamento e necessidades nutriciais diferenciados, mais ou menos responsivos s adubaes, houve a necessidade de definio de novas formulaes, combinaes e dosagens, considerando as inter-relaes entre ambiente e material gentico.

Para a contemplao destas inter-relaes, tem-se utilizado um conceito bastante moderno, denominado de unidades de manejo qumico (U.M.Q.).

Atualmente, na maioria das empresas florestais, as unidades de U.M.Q. contemplam no somente as adubaes base dos nutrientes N, P, K, Ca e Mg, como tambm leva em considerao as necessidades de diferentes micronutrientes, como B, Zn, Cu e Mn, principalmente.

Outras adubaes tambm empregadas so as denominadas de adubaes orgnicas, atravs do uso de resduos industriais, como cinza de caldeiras de biomassa , resduos de clarificadores, e, em casos peculiares, resduos do tratamento de lixo urbano.

Os tratos culturais so todas as operaes florestais com ao de eliminao da concorrncia da cultura em questo com outras plantas, classificadas como ervas daninhas. O perodo de maior ateno com tratos culturais aquele que corresponde fase de estabelecimento e adaptao das mudas s novas condies do campo.

Os tratos silviculturais visam uma melhoria das condies de crescimento de indivduos isolados ou alteraes das condies ambientais em povoamentos para melhorar a estabilidade biolgica. Entre os tipos temos:

Coroamento: deve-se fazer logo aps ao plantio: ao redor da muda, faz-se a limpeza.

Capina: raspa-se a parte superficial do solo (plantas rasteiras so eliminadas).

Roadas: corta-se a vegetao mais alta.

Gradeao: faz-se entre as linhas de plantio; uma limpeza superficial.

Herbicidas: o controle das ervas daninhas normalmente executado com utilizao de herbicidas, podendo ser de pr ou ps emergncia. Os de ps emergncia mais usados so base de gliphosate e os de pr so os conhecidos como oxifluorfen. Tambm outros meios so amplamente adotados nesta operao, como as roadas, gradagens e limpezas manuais.