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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°88 - MARO DE 2005

Desdobro

Avaliao do rendimento de madeira serrada de Pinus

A madeira de reflorestamento serrada o principal produto de exportao e gerador de divisas econmicas para diversas regies do Sul do Brasil. Possui grande importncia na economia nacional, ocupando o segundo lugar como produto em exportao. A indstria brasileira de madeiras evoluiu muito nos ltimos anos, impulsionada por um mercado cada vez mais competitivo e exigente e atualmente representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) gerando aproximadamente 900 mil empregos diretos.

O desequilbrio entre oferta e demanda, dado pela escassez da matria- prima e pelo crescimento do emprego e da industrializao da madeira (compsitos, madeira laminada colada, MDF, OSB, etc.), principalmente das espcies de reflorestamento, vem gerando a necessidade de inovaes tecnolgicas para a utilizao racional da madeira, tanto em aspectos de qualidade (produtos com melhor acabamento superficial), quanto econmicos (converso ou rendimento de madeira serrada e energia para o processamento).

A otimizao ou melhoria contnua nos processos de transformao mecnica da madeira uma necessidade nas indstrias e deve comear pelo setor de desdobro primrio. Em geral, as tcnicas que vem sendo empregadas neste setor em muitas indstrias, nem sempre levam a resultados satisfatrios de rendimento de madeira serrada, qualidade do corte e economia no consumo de energia para o processamento.

Atualmente nas serrarias, so empregadas diferentes mquinas de serragem e tcnicas de desdobro, o que evidencia a necessidade de estudos de caracterizao dos diferentes processos, quanto ao rendimento de madeira serrada, qualidade do corte e consumo de energia.

O rendimento de madeira serrada, por exemplo, pode ser afetado pela interao dos vrios fatores relacionados madeira, ao maquinrio de corte e ao processo, os quais, no devem ser analisados isolados. Diversas tcnicas so apresentadas por muitos pesquisadores para o aumento do rendimento da madeira serrada. Enumeram-se vrios parmetros, tais como a seleo de toras por classes diamtricas, tratamento otimizado de toras, softwares de otimizao no sistema de desdobro, feixes de laser para refilo e adequao do layout. Neste contexto, o maquinrio de corte desempenha papel fundamental, e tem contribuio significativa no rendimento de madeira serrada.

O estudo de parmetros que afetam o rendimento da madeira serrada de extrema importncia no s para aumento do rendimento de madeira, mas para o uso racional deste recurso renovvel que vem se tornando cada vez mais escasso.

O objetivo especfico desta pesquisa foi o de avaliar o rendimento de madeira serrada da espcie de pinus taeda, em trs diferentes processos de desdobro primrio, em serrarias na regio de Lages/SC relacionados aos principais parmetros que afetam o rendimento de madeira serrada.

O objetivo geral foi o de fornecer ao setor madeireiro informaes importantes para planejamento de serrarias e aquisio de maquinrio de corte adequado s operaes de desdobro primrio da madeira de pinus. O trabalho foi desenvolvido em trs serrarias na regio de Lages/SC com processos de corte e produtos serrados distintos.

Processos de corte

No processo1, com serra de fita de lmina estreita no recebimento de toras, as mesmas so conduzidas a uma serra de fita de um cabeote onde realizado um corte no lado inferior da tora e em seguida conduzida a uma serra fita de dois cabeotes resultando em um semi-bloco bloco e trs costaneiras.

As trs costaneiras so enviadas a um refilador e posteriormente so fatiadas em uma serra fita de dois cabeotes. O semi-bloco conduzido a uma serra circular destopadeira denominada dogueira a qual destopa as toras em comprimentos fixos, alm de promover tambm um corte inclinado no topo do semi-bloco denominado dog, e em seguida, o semi-bloco enviado a uma serra fita com quatro cabeotes onde feito o fatiamento do bloco, resultando em quatro peas e uma costaneira. Esta ltima costaneira conduzida at uma outra serra fita de dois cabeotes para fatiamento e finalmente, enviada a um refilador de menor capacidade de alimentao. Em todas as serras de fita do processo, as espessuras de core da serras foram de 1,7mm.

No processo 02, com serra de fita de lmina larga as toras so conduzidas uma a uma at um carro pneumtico porta-toras, onde o mesmo, conduz as toras a uma serra de fita vertical realizando um primeiro corte, gerando uma costaneira. As toras com dimetros superiores a 20cm so fatiadas at atingir uma dimenso aproximada da largura da pea de maior interesse comercial na serraria. A tora girada manualmente e o mesmo procedimento feito novamente para os trs lados obtendo um semi-bloco. O semi-bloco no carro pneumtico ento fatiado em espessuras constantes na serra fita vertical.

As primeiras costaneiras so refiladas e conduzidas para uma outra serra fita vertical com mesa e rolos tracionadores. Os refilos dessas costaneiras so encaminhados para uma destopadeira, para eliminao dos defeitos e conduzidos para uma serra circular para finalmente serem refilados em dimenses regulares.

No processo de corte 03, com serra de fita de lmina larga (vertical e horizontal), inicialmente as toras passam por uma serra de fita dupla, onde so feitos cortes nas laterais da tora originando um semi-bloco e duas costaneiras. O semi-bloco girado e conduzido com a face serrada at uma fita vertical simples onde retira-se mais uma costaneira e em seguida conduzido at uma serra de fita qudrupla onde fatiado e retirada a ltima costaneira.

Por um sistema de calhas e esteiras as duas primeiras costaneiras so enviadas a uma primeira serra de fita onde so fatiadas. Conforme a espessura da costaneira, esta pode ainda ser enviada at uma terceira serra de fita antes de ser refiladas por uma serra circular.

A terceira e quarta costaneira so enviadas para uma segunda serra de fita que tambm, conforme a espessura da costaneira podem ser conduzidas ainda para a terceira serra de fita antes de serem refiladas. Em todas as serras de fita de lmina larga, a espessura de corte das serras foram de 3,2 mm.

As toras foram desdobradas separadamente por dimetro, a fim de se caracterizar as principais etapas do processo para a avaliao do rendimento de madeira serrada em cada classe e no total das classes. Aps o desdobro, o clculo do volume de madeira serrada foi feito pela medida das dimenses das peas serradas e calculado o rendimento de madeira serrada em relao ao volume de madeira cubada e o volume de peas serradas.

Os processos de corte foram avaliados segundo os principais parmetros que afetam o rendimento de madeira serrada, tais como o tipo de maquinrio de corte, as classes diamtricas, caractersticas e dimenses dos produtos serrados em cada processo e fluxograma de corte da madeira.

Foram analisados os rendimentos de madeira serrada para as trs classes diamtricas em cada processo de corte. Sobre o equipamento de corte, o esquema ou a forma de desdobro e a espessura da serra foram os parmetros de maior interesse para a anlise na influncia no rendimento entre os tipos de serra adotados.

Resumo do rendimento de madeira serrada

Os parmetros tipo de desdobro, tipo de produto serrado e layout da serraria afetam significativamente o rendimento de madeira serrada. A medida que se aumentou o dimetro da tora diminuiu a influncia no rendimento de madeira serrada.

Os melhores rendimentos foram obtidos com o tipo de desdobro da tora em forma de bloco para o fatiamento. O maior rendimento de madeira obtido foi no processo 01 com o equipamento do fabricante Mill Serras Ltda, com rendimento mdio de 52,13%.

Autores: Antnio Carlos Nri - PROF. UNIPLAC Universidade do Planalto

Catarinense.acneri@uniplac.net

Felipe Cabral Furtado e Raphael Costa Polese - ESTUDANTES DE GRADUAO: Eng. Industrial Madeireira - UNIPLAC/Universidade do Planalto Catarinen