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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°59 - SETEMBRO DE 2001

Construo Civil

Madeira de Eucalipto na Construo Civil

A utilizao correta da madeira como material de construo somente se efetivar mediante o perfeito conhecimento de suas diferentes propriedades; conseqncia de sua constituio qumica e, principalmente, da organizao dos diferentes tecidos celulares que constituem o xilema secundrio. O desconhecimento dos atributos e caractersticas da madeira inviabiliza a sua correta utilizao. Projetos de construo utilizando ao e concreto no podem ser transferidos para a madeira. Os arquitetos, engenheiros e construtores so profissionais preparados para trabalhar a madeira e capazes de entend-la como um material diferente. Dentre os principais fatores que afetam as caractersticas da madeira, pode-se citar o stio (que se relaciona com o ambiente onde crescem as rvores), operaes silviculturais (desbaste, desrama, espaamento), melhoramento gentico (caractersticas hereditrias), agentes biolgicos, mtodos de explorao, converso e processamento, entre outros.

Como material de construo, a madeira oferece muitas peculiaridades. Entre as vantagens, destaca-se como um dos poucos materiais renovveis, com baixa energia de processamento(muito menor que o ao, alumnio ou concreto), fornece um isolamento trmico, por polegada de espessura, muito maior do que os metais ou o concreto, maior relao resistncia e rigidez para peso do que outros materiais, relativamente fcil para trabalho, exigindo ferramentas simples e, em algumas circunstncias, apresenta alta durabilidade natural. .

Entre as desvantagens, destaca-se o fato de a madeira ser combustvel, apresentar baixa durabilidade natural, quanto ao ataque de organismos xilfagos(principalmente as espcies provenientes de reflorestamento e de rpido crescimento), apresentar defeitos decorrentes das tenses de crescimento e de uma secagem mal conduzida. Tais desvantagens no devem ser encaradas como obstculo utilizao desse material, uma vez que existem solues a nveis de projetos e relacionadas sua prpria tecnologia. Existe, sim, a necessidade de uma estreita ligao entre a cincia e tecnologia da madeira com a cincia e a tcnica florestais, para que a madeira possa ocupar seu espao e desempenhar uma funo satisfatria como material de construo. .

Para suprir as necessidades mais variadas de utilizao de madeira, o Brasil optou por dois gneros, Pinus e Eucalyptus, atravs de programas de reflorestamento. Apesar de produzir madeira de fcil processamento e trabalhabilidade, ainda no se conseguiu uma espcie ou variedade de Pinus que produzisse madeira com propriedades de resistncia. Tal ineficincia de comportamento mecnico est relacionado, diretamente, ao baixo peso especfico e s elevadas taxas de crescimento. .

POTENCIAL.

O gnero Eucalyptus possui um enorme potencial quanto ao suprimento de madeiras para os mais variados fins. A sua madeira se encontra em franca expanso no setor de construo civil e se tornar dominante, em futuro breve, em todas as instncias do setor madeireiro. Quanto resistncia mecnica, o gnero no apresenta nenhuma restrio, em funo do nmero elevado de espcies, apresentando caractersticas mecnicas variando de baixa a muito elevada. Em relao s outras propriedades tecnolgicas, a madeira de eucalipto, ainda, um desafio, principalmente em se tratando da produo de madeira para utilizao mais nobre, como a indstria moveleira e alguns setores que demandam madeiras com caractersticas especiais. Tais desafios se devem, em grande parte, inadequao do material utilizado, uma vez que a madeira disponvel no mercado foi plantada e manejada com outros fins, como o suprimento de matria-prima para a indstria de papel, chapas e carvo vegetal.. Para ampliar o leque de utilizao da madeira de eucalipto, h necessidade da incorporao de novas espcies que podem substituir as espcies nativas, tradicionalmente utilizadas e atualmente encontradas, com certa raridade, no comrcio madeireiro. H necessidade de esforos cada vez maiores dos pesquisadores, no sentido de adequao de tecnologias de processamento s espcies j introduzidas e, tambm, um criterioso estudo de seleo de espcies e melhoramento gentico, visando obteno de material adequado s novas exigncias do mercado. .

No Brasil, apenas a madeira de E. citriodora tem consagrada sua utilizao na produo de postes e tmida a sua participao como elemento estrutural de construes civil. A madeira de E. grandis vem ganhando espao no mercado de madeiras para construo civil, face grande disponibilidade. As demais espcies, no entanto, so praticamente desconhecidas do comrcio madeireiro, em funo da baixa disponibilidade e do total desconhecimento de suas propriedades como material de construo. .

As madeiras de E. citriodora e E. paniculata, por apresentarem propriedades de resistncia e mdulo de elasticidade variando de mdio a elevado, podero ser utilizadas em usos estruturais. Em utilizaes que requeiram elevada estabilidade dimensional, deve-se utilizar a madeira de E. citriodora, pelo reduzido fator anisotrpico, apesar de apresentar elevados valores de contrao volumtrica. .

DURABILIDADE.

Quanto durabilidade natural, no existem restries para a utilizao das madeiras de E. citriodora e E. paniculata, em condies de pequeno risco de incidncia dos organismos xilfagos. Quanto ao apodrecimento, estas e demais madeiras podem ser consideradas resistentes. Em utilizaes estruturais, onde a madeira poder ficar em contato com o solo ou umidade, a madeira de E. paniculata poder superar as demais espcies, face maior camada de madeira tratvel por preservativos. Tais madeiras podero atender, principalmente, aos requisitos de uso em construes pesadas internas, com aplicaes em tesouras e trelias de telhados, plataformas e escadas .

As madeiras de E. cloeziana e E. tereticornis apresentam boas propriedades de resistncia e mdulo de elasticidade, bem como uma boa durabilidade natural. Apesar de apresentarem altos valores de contrao volumtrica, suas madeiras se comportam normalmente quanto ao fator anisotrpico. A madeira de E. tereticornis dever ser utilizada, principalmente, em locais de baixa incidncia de cupins de madeira seca. A madeira das duas espcies poder apresentar bom desempenho como moires, pontaletes, porteiras, andaimes, elementos de cobertura, vigas, caibros, ripas e entre outros usos que requeiram madeira com propriedades de resistncia mediana e densidade elevada. .

A madeira de E. pilularis muito utilizada, na construo civil e em postes de eletrificao, na Austrlia e na frica do Sul, respectivamente.. Apesar ser classificada como pesada, em funo de sua densidade, a sua madeira apresentou propriedades de resistncia variando de mdio a baixo Apesar de no apresentar maiores restries quanto s caractersticas de durabilidade natural, esta madeira dever ter sua utilizao limitada, principalmente para naqueles usos onde uma satisfatria estabilidade dimensional almejada, em funo do alto fator anisotrpico. Possivelmente tal espcie seja til em construo civil, em ambientes leves e internos, em utilizao onde as caractersticas de retratibilidade no sejam importantes. .

A madeira de E. urophylla, por apresentar propriedades de resistncia baixas em geral, e tambm baixo mdulo de elasticidade, apesar de densidade relativamente alta, pelos critrios de classificao adotados, dever ter aplicao restrita s utilizaes no estruturais, protegidas da umidade e fora de rea de incidncia de cupins, principalmente aqueles de madeira seca. .

O E. grandis deste estudo, apesar de produzir madeira de densidade mdia, mostrou um fraco desempenho quanto s propriedades mecnicas e ao mdulo de elasticidade. Destaca-se tambm para esta madeira, baixa estabilidade dimensional, e tambm alta susceptibilidade ao ataque de cupins de madeira seca. Esta madeira, de um modo geral poder ser utilizada em usos no estruturais, em aplicaes onde a estabilidade dimensional no seja importante e principalmente em locais de baixa incidncia de cupins. Possivelmente uma utilizao desta madeira, aps secagem ao teor de umidade ajustado s condies de uso, e peas de pequenas larguras, poder ser no revestimento interno, e na confeco de lambris. Atravs de proteo adequada, por substncias preservantes, tais madeiras podero ainda ser utilizadas nos revestimentos externos e mesmo em esquadrias externas. .

RESISTNCIA.

Quanto s propriedades de resistncia e elasticidade, apenas madeiras de E. urophylla e E. grandis, sofrem algumas restries quanto s utilizaes estruturais. Em relao estabilidade dimensional, apesar da elevada contrao volumtrica para todas as madeiras, apenas quelas de E. pilularis e E. grandis, so mais propensas ao empenamento e fendilhamento em decorrncia variaes no teor de umidade. Deve-se ressaltar que a maior implicao dos elevados valores dos parmetros de retratibilidade, ocorre principalmente na fase de secagem da madeira, em que torna-se inevitvel a ocorrncia de defeitos, que por sua vez iro influenciar no rendimento e qualidade dessas madeiras. Estando secas, e com teores de umidade compatvel s regies de utilizao, as pequenas alteraes de umidade ambiental, dificilmente podero causar maiores problemas na utilizao destas madeiras. .

Quanto s caractersticas relacionadas durabilidade natural, o apodrecimento parece no ser o principal problema destas madeiras, apesar da recomendao de tratamento preservativo para aquelas situaes de uso, em que os riscos de ataque por fungos e outros organismos xilfagos sejam elevados. Quanto aos cupins de madeira seca, as madeiras produzidas por E. citriodora, E. paniculata e E. cloeziana, apresentaram melhor desempenho que s demais, quando foram submetidas a tais organismos. .

PERMEABILIDADE.

A caracterizao dessas madeiras quanto a permeabilidade e quantidade de alburno, permite algumas inferncias relativas a algumas formas de aplicao. Quanto a permeabilidade, apesar de nenhuma espcie possuir cerne totalmente permevel, a dificuldade de impregnao por substncias preservantes dever ser ainda maior nas madeiras de E. pilularis e E. cloeziana, em relao s demais. A quantidade de alburno, que define o grau de proteo efetivamente possvel nestas madeiras, destacadamente mais elevada no lenho de E. paniculata. Elevada proporo de alburno, associada a uma mdia permeabilidade, poder sem dvida proporcionar a introduo desta espcie, para utilizaes estruturais da madeira preservada, com mais vantagem que s demais madeiras. Por outro lado, as madeiras de E. pilularis e E. cloeziana, alm de possurem uma baixa permeabilidade, tambm apresentam uma baixa proporo de alburno, o que poder dificultar a obteno desta madeira preservada de forma mais efetiva, para utilizao em locais de elevado risco de ataque pelos organismos xilfagos. .

As madeiras apresentadas, representam o que existe de melhor em termos de qualidade, para utilizao na construo civil. Algumas comparaes com a madeira de eucalipto deste estudo, poder permitir certa inferncia relativa a adequacidade daquelas madeiras para a construo civil. .

Quanto a densidade aparente, as madeiras deste estudo, so comparveis s nativas. A contrao volumtrica, poder ser o diferencial, que possibilita uma maior gama de utilizao para as madeiras nativas, em relao quelas de eucalipto. V-se que as madeiras de eucalipto, apresentam contraes volumtricas variando de alta a muito alta, ao passo que nas madeiras nativas, esta propriedade foi classificada como mdia em oito das nove madeiras do, em que apenas na madeira de angelim, esta foi classificada como alta. Quanto ao fator anisotrpico, entretanto, as diferenas quanto a retratibilidade so menores, quando se compara o grupo de madeiras exticas com aquele de madeiras nativas. Destaca-se quanto a este parmetro a madeira de jatob, situando numa classe ruim, o que poder limitar a utilizao desta madeira em usos onde elevada estabilidade dimensional requerida. .

Quanto s propriedades mecnicas, certas espcies apresentam madeira com densidade elevada, enquanto valores mdios prevalecem para o gnero Eucalyptus. Com respeito durabilidade natural, as madeiras das espcies nativas mostram certa vantagem, comparadas s de eucalipto; exceo da peroba rosa e do pinho do paran, as demais foram classificadas como resistentes ao apodrecimento, comportamento este tambm verificado para a madeira de eucalipto. Tambm em relao resistncia ao ataque de cupins, verifica-se que a madeira do pinheiro-do-paran e do cedro apresentam maior resistncia a estes organismos, quando comparada s demais.. .

Quanto a permeabilidade, v-se que, exceo do pinheiro-do-paran, as demais espcies devero apresentar dificuldades para tratamento preservativo. .

A madeira de eucalipto poder ser utilizada na construo civil, nos mesmos usos conferidos s nativas em questo. Tomando-se como base a madeira de peroba-rosa, amplamente utilizada na construo civil, na forma de caibros, vigas, ripas, marcos de portas e janelas, venezianas, portas, portes, rodaps, molduras, tbuas e tacos para assoalhos e degraus de escada, entre outros, apresenta uma densidade classificada como pesada, mdulo de elasticidade classificado como baixo, valores mdios de mdulo de ruptura e cisalhamento e valores altos para compresso paralela s fibras e elasticidade As propriedades de elasticidade e resistncia das madeiras de E. citriodora e E. paniculata se situam na mesma classe daquela de peroba-rosa. Quanto ao fator anisotrpico, a madeira de E. citriodora dever ser considerada mais estvel dimensionalmente que a madeira nativa.. Quanto ao mdulo de elasticidade, as madeiras de E. citriodora, E. tereticornis, E. paniculata e E. cloeziana podem ser consideradas ligeiramente superiores peroba rosa. Quanto a durabilidade natural, a madeira de peroba rosa considerada mais resistente ao ataque de cupins, apesar da baixa resistncia ao ataque de fungos apodrecedores. .

As madeiras de eucalipto, provenientes de rvores de idade mais avanadas, podero substituir as madeiras nativas tradicionais na construo civil, em funo da madeira estar madura e mais estvel..