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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°87 - FEVEREIRO DE 2005

China

Pas depende de madeira importada

A China mostra-se hoje um dos mais promissores mercados para os produtos de madeira do Brasil. Com mais de 20% da populao mundial (1,3 bilho de pessoas), mas contando com somente 4% de rea florestal do mundo, a China um pas considerado pobre na oferta de madeiras internas. O consumo de produtos de madeira, entretanto, tem se elevado rapidamente nos ltimos anos.

Em alguns produtos como compensados, polpa de papel e papelo, a China alcanou o segundo lugar do mundo em consumo, enquanto o consumo de madeira est em terceiro lugar. De acordo com estatsticas, a demanda anual de madeiras na China de 260-280 milhes de m, enquanto o suprimento anual de cerca de 142 milhes de m.

A produo chinesa de madeiras est longe de suprir as necessidades do mercado de construo e mobilirio chins. O modo mais efetivo para suprir tais demandas ter que ser o incremento das importaes de madeiras. E como forma de facilitar este processo, a China reduziu suas tarifas de importao de madeiras de 50% para cerca de 5%, de forma a encorajar as importaes.

No ano passado o volume de importaes de madeiras elevou-se a 70 milhes de m. E a tendncia que este volume venha a aumentar consideravelmente nos prximos anos, favorecidos pela entrada da China na OMC e o crescimento sustentado da economia nacional, que est promovendo um desenvolvimento ainda maior das indstrias de construo e de material decorativo, o que tem aumentado o consumo de madeiras.

O prprio governo chins j admitiu que existe uma dependncia na importao de madeira para os prximos 30 a 50 anos. Para 2010 a estimativa de que a populao urbana da China chegue a 630 milhes de habitantes, com necessidade de crescimento no sistema de urbanizao. Somente em Shanghai so construdos a cada ano 150 mil apartamentos, totalizando uma rea de 14 milhes de m. Para isso so necessrios mveis, assoalhos, madeira, painis.

As exportaes brasileiras de madeira e seus produtos registraram crescimento de 37,7% nos primeiros seis meses de 2004 em relao ao mesmo perodo de 2003, ndice que apresentou uma pequena queda no segundo semestre, mas acabou fechando o ano em US$ 137 milhes. No conjunto com outros produtos no primeiro semestre de 2004 foram exportados US$ 2,41 bilhes, enquanto o acumulado de janeiro a junho de 2003 foi de US$ 1,75 bilho, mostrando uma tendncia contnua de crescimento.

Em 2004 as exportaes para a China continuaram crescendo, principalmente nos segmentos de madeira e mveis. Se comparadas as vendas somente de madeira de 2004 com as vendas de madeira de 2003 para a China, j percebido um aumento de 12,3%.



Negcios

O intercmbio comercial entre o Brasil e a China deve superar US$ 10 bilhes neste ano, com um fluxo de comrcio favorvel ao Brasil, que exporta mais do que importa dos chineses. A afirmao do secretrio do Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior, Ivan Ramalho.

Este aumento se dar tanto via importao, quanto exportao - principalmente de manufaturados, como auto-peas. J neste ano haver crescimento no intercmbio comercial entre os dois pases, tanto no que diz respeito ao lado das exportaes quanto das importaes. "Do ponto de vista das exportaes, particularmente, ns ainda acusamos hoje uma presena bastante grande de produtos bsicos na pauta de exportao do Brasil para a China, mas acreditamos que novos negcios surjam, com uma diversificao maior da pauta das exportaes com mais produtos manufaturados, produtos de maior valor agregado", destaca Ivan Ramalho.

O fechamento de 2004 registrou o fluxo de comrcio entre os dois pases na casa dos US$ 9 bilhes. O secretrio salienta, porm, que embora a China seja hoje o terceiro maior comprador dos produtos brasileiros, as nossas exportaes absorvem apenas cerca de US$ 5 bilhes - cerca de 1% dos cerca de US$ 450 bilhes que a China importa anualmente, em todo o mundo. "E a China importa do mundo no apenas matrias primas e insumos bsicos, como j compra do Brasil, mas tambm uma gama de produtos manufaturados. Ento, h um potencial de crescimento muito grande para todos os manufaturados nacionais - que, alias, ns j exportamos e com competitividade".

At o ano de 2010 o comrcio entre Brasil e China dever ultrapassar a casa dos US$ 35 bilhes, de acordo com estimativa do diretor de Importao e Exportao do Ministrio de Comrcio da China, Li Minglin Lin. E os setores que podero atrair maior interesse so os de madeira e de montagem de eletrodomsticos.

A China , hoje, o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, mas as vendas externas do Pas aos chineses correspondem apenas a 1% de tudo o que a China compra mundialmente - cerca de US$ 450 bilhes ao ano.

Para viabilizar este crescimento vem sendo desenvolvidas diversas aes, entras elas a construo do China Trade Center, um edifcio de 11 andares em estilo chins (com rplicas de drages e da Muralha da China na entrada) na rua Pamplona, em So Paulo, onde abriga o escritrio de representao comercial da China em So Paulo. A entidade ocupa trs andares do prdio.

Em 2004, Brasil e China consolidaram trinta anos de relaes comerciais e culturais e iniciaram um indito processo de intensificao de comrcio e relaes diplomticas. No primeiro semestre, o governo brasileiro embarcou para a sexta maior economia do mundo acompanhado de ministros, governadores, parlamentares e cerca de 400 empresrios, na maior misso internacional desde que foi eleito.

A viagem foi retribuda em novembro pelo presidente chins Hu Jintao, seguida de comitiva empresarial no incio de dezembro. Inmeros acordos governamentais foram assinados, apoios explcitos declarados e negcios fechados. "Estamos redesenhando o mapa mundial no que se refere ao fluxo de mercadorias e ao estabelecimento de novas rotas comerciais", sentenciou o presidente Lula durante a visita de Jintao ao Brasil.

O discurso encontra suporte nos nmeros da Secretaria de Comrcio Exterior do Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior. De janeiro a outubro de 2004 o intercmbio comercial entre Brasil e China cresceu 26,7%, totalizando US$ 7,723 bilhes (6% da corrente comercial brasileira), com saldo favorvel de US$ 1,75 bi para Brasil e a previso encerrar 2004 com US$ 9 bilhes, contra US$ 6,68 bilhes registrados em 2003.

As exportaes cresceram cerca de 20% na comparao com o mesmo perodo do ano passado - as commodities continuaram liderando a pauta, engordada este ano com o setor automotivo segundo dados da Cmara Brasil-China de Desenvolvimento Econmico. J as importaes de produtos chineses tiveram incremento de 41,27% graas ao aumento expressivo da compra de alguns produtos como produtos qumicos, fertilizantes, carvo, componentes eletrnicos e material de telecomunicaes. "As duas maiores empresas chinesas de telecomunicaes montaram fbricas no Brasil e isto interferiu na estatstica de importaes", explica o diretor da Cmara, Paul Liu.

J, o presidente da Cmara de Comrcio e Indstria Brasil-China, Charles Tang, acredita que as visitas presidenciais impulsionaram os negcios uma vez que fizeram com que empresas de ambos os pases voltassem o olhar aos mercados brasileiro e chins. "Criaram uma maior visibilidade e atraram uma grande ateno para o comrcio bilateral e as parcerias entre os dois pases", diz. Tang destaca outro aspecto fundamental: "As visitas deram um cunho de apoio oficial para o relacionamento das duas naes."

Neste sentido, Paul Liu aponta como particularmente importante o memorando de entendimento assinado por Lula e Hu Jintao em novembro ltimo, no qual o Brasil reconhece a China como economia de mercado. "Apesar da resistncia de muitos empresrios brasileiros, tenho certeza de que isto vai abrir portas para parcerias futuras. Do ponto de vista poltico foi uma conquista fundamental pois o Brasil torna-se um aliado estratgico da China na Amrica Latina", avalia o presidente da cmara Brasil-China de Desenvolvimento Econmico.



Produtos brasileiros

Para o presidente da Cmara de Comrcio e Indstria Brasil-China, Charles Tang a China a sada para o Brasil aumentar as exportaes. O momento bastante oportuno, j que os parceiros comerciais tradicionais, em especial os Estados Unidos, criaram barreiras e concorrncia com os nossos produtos, afirma.

Em 2004, a China tornou-se o segundo parceiro comercial do Brasil. As trocas comerciais entre os dois pases atingiram US$ 8 bilhes em 2003. Em 2004 chegaram a US$ 9 bilhes, entre exportaes e importaes. Os nmeros no so significativos devido ao tamanho da economia dos dois pases, principalmente para a China que tem um comrcio de US$ 850 bilhes, o resultado brasileiro menos de 1% do comercio bilateral da China, frisa Tang. H bastante potencial a ser conquistado e disputar o mercado de 1,28 bilhes de potenciais consumidores.

Economicamente o Brasil descobriu a China s em 2000, o que fez com que outras naes avanassem no mercado chins. Uma prova disso a presena do caf suo e americano na China, do suco europeu e da castanha dos Estados Unidos, embora esses pases no sejam produtores.

O governo chins espera que empresrios chineses invistam mais fora do pas e que parte destes investimentos sejam para o Brasil. No h dvida de que a China ir investir mais no Brasil para assegurar um fluxo regular e confivel dos produtos necessrios ao crescimento do Pas e para alimentar o povo chins, argumenta. No ltimo ano, a China investiu US$ 2 bilhes para a formao de joint venture no Maranho e nos prximos cinco anos as empresas devem investir mais US$ 10 bilhes no Brasil. Nos ltimos 20 anos, a China j contratou US$ 900 bilhes com o Brasil, dos quais US$ 700 bilhes foram realizados com as reservas de divisas.

O Brasil deve aprender mais com a China, que leva Made in China para as prateleiras do mundo. O pas asitico pretende investir em infra-estrutura no Brasil e est de olho em produtos como minrio, soja, madeira, ao, avies, leite longa vida, frango, caf, entre outros produtos.

Castanha de caju, sucos naturais, camaro, mveis, e urnio so alguns produtos que os estados do Nordeste tem chance de conquistar o mercado chins, este gigante que considerado a segunda maior economia do mundo, com mais de US$ 460 bilhes em reservas de divisas.



Hong Kong - Fujian - a provncia chinesa mais industrializada, com 35 milhes de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 60 bilhes e exportaes de US$ 25 bilhes. Outra provncia na pauta Canto, considerada a mais rica da China, com 100 milhes de habitantes e PIB superior a US$ 100 bilhes. Tambm so potenciais para relaes bilaterais, Shanghai, Pequim e o Porto de Tianjin.